quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Corações em perigo II


Certamente estamos vivendo um importante momento de crise. Todos querem saber onde vamos parar. Todos querem saber as causas e conseqüências desse desequilíbrio social no qual o Estado, a Família e a Escola não conseguem estabelecer um consenso sobre os rumos que devem ser tomados para reverter essa situação. Quando não há perspectiva para o futuro também não há sentido para o presente, muito menos interesse pelas referências do passado. Um bom exemplo para refletir sobre essa situação caótica são as estatísticas de suicídio entre os estudantes. O Suicídio é sempre um tabu , mesmo nas escolas, onde deveria ocorrer maior abertura para tratar do assunto. Recentemente lemos um estudo da OMS - Organização Mundial de Saúde sobre esse grave problema social (hoje classificado como item crítico de saúde pública) e nos causou espanto não somente o conteúdo do estudo, mas principalmente o fato deste ter sido elaborado especialmente para os educadores e tratado com indiferença nas escolas. Não cremos que essa indiferença seja insensibilidade dos gestores e educadores, mas o receio de lidar com o desconhecido. Eis algumas anotações sobre a nossa leitura:

“No mundo inteiro, o suicídio está entre as cinco maiores causas de morte na faixa etária de 15 a 19 anos. Em vários países ele fica como primeira ou segunda causa de morte entre meninos e meninas nessa mesma faixa etária. Sendo assim, a prevenção do suicídio entre crianças e adolescentes é de alta prioridade. Devido ao fato de em muitas regiões e países a maioria dos adolescentes dessa idade freqüentarem a escola, este parece ser um excelente local para desenvolvermos a prevenção”.

“Atualmente, o suicídio entre crianças menores de 15 anos é incomum e raro até antes dos 12 anos. A maioria dos suicídios ocorre entre as crianças maiores de 14 anos, principalmente no início da adolescência. Porém, em alguns países está ocorrendo um aumento alarmante nos suicídios entre crianças menores de 15 anos, bem como na faixa etária dos 15 aos 19 anos”.

“Os métodos de suicídio variam entre países. Em alguns países, por exemplo, o uso de pesticidas é um método comum de suicídio, contudo, em outros, intoxicação com medicamentos e gases liberados por carros e o uso de armas são mais freqüentes. Meninos morrem muito mais de suicídio que as meninas; uma razão pode ser porque eles usam métodos violentos mais freqüentemente que as meninas para cometer suicídio, como enforcamento, armas de fogo e explosivos. Entretanto, em alguns países o suicídio é mais freqüente entre meninas entre 15 e 19 anos que entre meninos da mesma idade. Nas últimas décadas a proporção de meninas usando métodos violentos tem aumentado”.

“Reconhecer uma pessoa jovem em sofrimento, que precisa de ajuda, normalmente não é o problema. Saber como reagir e responder frente a crianças e adolescentes suicidas é muito mais difícil. Alguns funcionários de escolas têm aprendido a lidar com o sofrimento e com os estudantes suicidas através da sensibilidade e do respeito, enquanto outros não. As habilidades deste último grupo devem ser aprimoradas. O equilíbrio a ser alcançado no contato com o estudante suicida está em algum ponto entre a distância e a proximidade, e entre empatia e respeito”.

Vejamos algumas sugestões que eles nos dão para contribuir para a diminuição dessas estatísticas drásticas de mortes prematuras de jovens e crianças:

“O suicídio não é um flash incompreensível da depressão: estudantes suicidas dão avisos suficientes e oportunidades para intervenção. Na prevenção do suicídio, professores e funcionários da escola encaram um desafio de grande estratégia importante, no qual é fundamental:

• identificar estudantes com transtornos de personalidade e oferecer apoio psicológico;
• criar vínculos próximos com os jovens conversando com eles e tentar compreendê-los e ajudá-los;
• aliviar estresse mental;
• ser observador e treinado para o reconhecimento precoce de comportamentos suicidas, seja através de comunicações verbais e/ou mudanças de comportamentos;
• ajudar alunos menos habilidosos com seus trabalhos escolares;
• observar alunos que “matam” aulas;
• desmistificar os transtornos mentais e ajudar a eliminar o abuso de álcool e drogas
• encaminhar os estudantes para o tratamento de transtornos psiquiátricos, e abuso de álcool e drogas;
• restringir o acesso dos estudantes a métodos possíveis de suicídio – drogas tóxicas ou letais, pesticidas, armas de fogo e outras armas, etc.;
• prover aos professores e outros profissionais da escola acesso a formas de aliviar seu estresse no trabalho”.

In Espíritos nas Escolas

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