quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Suicidio entre jovens cresce 20% no Brasil

A coragem religiosa do reverendo Chad Varah: sim ao humanismo e não ao salvacionismo.

A notícia publicada esta semana na imprensa já vinha sendo prevista há anos pela Organização Mundial de Saúde - OMS. Mas esse é um assunto que continua na lista das coisas desagradáveis que o ser humano centrado em si mesmo não gosta muito de conversar ou lembrar que existe. A não ser quando acontece com os outros, de preferência com alguma celebridade cujo ato destrói de imediato a imagem ilusória que ela tem diante das massas. Mas quando se trata de crianças e jovens, deveria haver, no mínimo, um gesto de preocupação e compaixão, já que os adultos que se matam continuam sendo visto como símbolos da fraqueza e do fracasso existencial. Crianças e jovens, nos quatro momentos da vida física, ainda tem pela frente os dois campos de provas geralmente mais difíceis e poderiam receber mais atenção daqueles que são mais experientes. Sabemos que os suicidas em potencial são mais tentados, pois a maioria deles são reincidentes, fator que agrava a prova e até antecipa o confronto com situações difíceis e conflitantes.
É uma tragédia que persegue a Humanidade, desafia a ciência e provoca as religiões e filosofias morais.
O primeiro serviço de prevenção do suicídio do mundo foi criado dentro de uma pequena igreja anglicana de Londres em 1948. Seu fundador logo percebeu que a doutrina religiosa tinha pouco a dizer e muito a fazer ao adotar uma postura filosófica de respeito ao livre-arbítrio e à essa condição horrível do sentimento de autodestruição. O trabalho separou-se da doutrina religiosa, cuja tendência salvacionista condenava e repudiava o suicida. Foi uma postura corajosa e que até hoje ainda confunde aqueles que oferecem ajuda condicionada à conversão. O Reverendo Chad Varah sustentou essa postura dos Samaritanos até o seu desencarne em 2007.
No Brasil , o CVV, que originou-se de uma turma de Escola de Aprendizes na Federação Espírita de São Paulo, também percebeu o equivoco e abandonou essa tendência condicionadora dos religiosos – herança do “crê ou morre” – e firmou-se numa postura areligiosa, verdadeiramente cristã e humanista de estar ao lado e não contra o suicida. Coisa difícil de entender com a razão, mas fácil de compreender quando nos referimos ao coração. Mesmo nesses casos, o livre-arbítrio é coisa séria, divina, e exclusividade de quem usa. A experiência mostrou que Chad Varah sempre esteve certo. A própria psicologia passou por essa trajetória entre a abordagem diretiva e não diretiva. Os educadores já estão aprendendo essa lição com os seus próprios alunos. Outro argumento importante defendido por Chad é que o salvacionismo , além de não aceitar a condição moral do suicida, também não respeita sua crença e sua cultura, revelando uma triste arrogância e falsa postura de superioridade. Ele sabia que grande parte dos voluntários do CVV eram espíritas e membros de outras religiões e filosofias, mas sempre sorria ao dizer: Somos todos samaritanos!
Ps.
Certa vez, numa palestra em São Bernardo do Campo em 1983, vimos Chad Varah contando a seu modo a parábola do bom samaritano. Segundo ele , era um sujeito comum que, ao passar pela famosa vítima de assaltantes, fingiu que não viu e passou reto. Corroído pela consciência durante aqueles poucos segundos de percurso , olhava para os lados e perguntava : Cadê o sacerdote? Cadê as autoridades? Esse problema não é meu, sou apenas um simples samaritano... Como não obteve respostas, aí, sim, resolveu, muito contrariado, tomar a atitude que todos nós conhecemos.

Corações em perigo II


Certamente estamos vivendo um importante momento de crise. Todos querem saber onde vamos parar. Todos querem saber as causas e conseqüências desse desequilíbrio social no qual o Estado, a Família e a Escola não conseguem estabelecer um consenso sobre os rumos que devem ser tomados para reverter essa situação. Quando não há perspectiva para o futuro também não há sentido para o presente, muito menos interesse pelas referências do passado. Um bom exemplo para refletir sobre essa situação caótica são as estatísticas de suicídio entre os estudantes. O Suicídio é sempre um tabu , mesmo nas escolas, onde deveria ocorrer maior abertura para tratar do assunto. Recentemente lemos um estudo da OMS - Organização Mundial de Saúde sobre esse grave problema social (hoje classificado como item crítico de saúde pública) e nos causou espanto não somente o conteúdo do estudo, mas principalmente o fato deste ter sido elaborado especialmente para os educadores e tratado com indiferença nas escolas. Não cremos que essa indiferença seja insensibilidade dos gestores e educadores, mas o receio de lidar com o desconhecido. Eis algumas anotações sobre a nossa leitura:

“No mundo inteiro, o suicídio está entre as cinco maiores causas de morte na faixa etária de 15 a 19 anos. Em vários países ele fica como primeira ou segunda causa de morte entre meninos e meninas nessa mesma faixa etária. Sendo assim, a prevenção do suicídio entre crianças e adolescentes é de alta prioridade. Devido ao fato de em muitas regiões e países a maioria dos adolescentes dessa idade freqüentarem a escola, este parece ser um excelente local para desenvolvermos a prevenção”.

“Atualmente, o suicídio entre crianças menores de 15 anos é incomum e raro até antes dos 12 anos. A maioria dos suicídios ocorre entre as crianças maiores de 14 anos, principalmente no início da adolescência. Porém, em alguns países está ocorrendo um aumento alarmante nos suicídios entre crianças menores de 15 anos, bem como na faixa etária dos 15 aos 19 anos”.

“Os métodos de suicídio variam entre países. Em alguns países, por exemplo, o uso de pesticidas é um método comum de suicídio, contudo, em outros, intoxicação com medicamentos e gases liberados por carros e o uso de armas são mais freqüentes. Meninos morrem muito mais de suicídio que as meninas; uma razão pode ser porque eles usam métodos violentos mais freqüentemente que as meninas para cometer suicídio, como enforcamento, armas de fogo e explosivos. Entretanto, em alguns países o suicídio é mais freqüente entre meninas entre 15 e 19 anos que entre meninos da mesma idade. Nas últimas décadas a proporção de meninas usando métodos violentos tem aumentado”.

“Reconhecer uma pessoa jovem em sofrimento, que precisa de ajuda, normalmente não é o problema. Saber como reagir e responder frente a crianças e adolescentes suicidas é muito mais difícil. Alguns funcionários de escolas têm aprendido a lidar com o sofrimento e com os estudantes suicidas através da sensibilidade e do respeito, enquanto outros não. As habilidades deste último grupo devem ser aprimoradas. O equilíbrio a ser alcançado no contato com o estudante suicida está em algum ponto entre a distância e a proximidade, e entre empatia e respeito”.

Vejamos algumas sugestões que eles nos dão para contribuir para a diminuição dessas estatísticas drásticas de mortes prematuras de jovens e crianças:

“O suicídio não é um flash incompreensível da depressão: estudantes suicidas dão avisos suficientes e oportunidades para intervenção. Na prevenção do suicídio, professores e funcionários da escola encaram um desafio de grande estratégia importante, no qual é fundamental:

• identificar estudantes com transtornos de personalidade e oferecer apoio psicológico;
• criar vínculos próximos com os jovens conversando com eles e tentar compreendê-los e ajudá-los;
• aliviar estresse mental;
• ser observador e treinado para o reconhecimento precoce de comportamentos suicidas, seja através de comunicações verbais e/ou mudanças de comportamentos;
• ajudar alunos menos habilidosos com seus trabalhos escolares;
• observar alunos que “matam” aulas;
• desmistificar os transtornos mentais e ajudar a eliminar o abuso de álcool e drogas
• encaminhar os estudantes para o tratamento de transtornos psiquiátricos, e abuso de álcool e drogas;
• restringir o acesso dos estudantes a métodos possíveis de suicídio – drogas tóxicas ou letais, pesticidas, armas de fogo e outras armas, etc.;
• prover aos professores e outros profissionais da escola acesso a formas de aliviar seu estresse no trabalho”.

In Espíritos nas Escolas

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Constantes na inconstância


“Ama e trabalha. Trabalha e serve. Perante o bem quase sempre temos sido somente constantes na inconstância e fiéis à infidelidade, esquecidos de que tudo se transforma, com exceção da necessidade de se transformar” – Militão Pacheco


Uma colega que trabalhou algum tempo como assessora numa entidade espírita , enviou-nos um e-mail externando sua decepção com os companheiros de ideal. Num trecho da carta eletrônica – o qual achamos muito significativo - ela nos disse :

“ A exemplo de Canuto Abreu também me afastei completamente do Movimento Espírita e hoje trabalho apenas como profissional”. Ela se referia à matéria publicada neste blog sobre as antigas divergências entre Canuto e Herculano e mais adiante solicitou:

“Há pouco eu conheci seu blog e gostaria de lhe perguntar: você conhece algum familiar de Canuto Abreu? Eu gostaria muito de conhecê-los”.

E respondemos:

“Grato pelo seu contato e pelo incentivo a respeito do blog. Não tenho notícias dos parentes do Dr. Canuto. Tudo que sei foi obtido de pessoas que conviveram com ele em diferentes épocas da sua militância. A última delas foi o Dr. Paulo Toledo Machado, do Museu Espírita de São Paulo. Segundo esse antigo militante, o Espírito Canuto Abreu é muito ligado ao museu e trabalha intensamente para que haja uma difusão da cultura histórica e da memória do Espiritismo. Creio que ele não está mais magoado e hoje talvez reconheça , como muitos outros “combatentes”, que agiu mais por fraqueza emocional do que por convicção ideológica. Fico muito contente que , embora afastada do esquema "oficial", você ainda mantém a mesma disposição para continuar o trabalho por outros caminhos. Embora não pareça, estamos mais envolvidos no movimento (o Verdadeiro, espiritualmente falando) do que você imagina. Tente lembrar-se do que acontece durante as suas noites de sono e você vai perceber o quanto estamos atuando e antenados em tudo o que acontece.

Um grande abraço e mande notícias!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Dia da Consciência Brasileira

Projeto do Parque Memorial Quilombo dos Palmares em Alagoas
Talvez se antecipando às comemorações do Dia da Consciência Negra (21 de novembro) – em memória da Nação de Zumbi dos Palmares - a amiga e ativista espírita Magali Bischoff nos repassou um e-mail sobre as faces e disfarces do racismo no Brasil. Todo o texto pode ser resumido nessa história e sobre ela nos foi questionado o seguinte: qual a sua opinião? A pergunta também foi enviada para outros dois articulistas cujas idéias não tive a oportunidade de conhecer.


“Conheci um angolano na UFRJ que dizia que sempre sonhou em vir conhecer a democracia racial do Brasil. Que pensava que aqui, onde conseguimos solucionar o problema das raças, ele encontraria também a solução para os problemas raciais de Angola. Desembarcou no Galeão cheio de esperanças e foi almoçar no Centro da cidade. Suas esperanças não sobreviveram ao almoço.No restaurante, todos os clientes eram brancos e todos os garçons eram negros.Acho que só saindo do Brasil e voltando, pra gente conseguir entender como essa cena é insólita. E racista”.

E respondemos
Minha opinião é a seguinte: nenhuma sociedade que foi durante séculos conivente com a escravidão e todas as crueldades e humilhações decorrentes dela poderia, da noite para o dia, limpar da memória ou dos seus hábitos as marcas do racismo.

Durante todos esses anos a instituição da escravidão nos educou para acreditarmos que os negros eram inferiores, que o trabalho jamais poderia ser uma lei da natureza ou fator de evolução, pois, afinal de contas, trabalho pesado era coisa de negros; e finalmente que a própria escravidão era exclusividade da raça negra.

O tráfico de escravos e toda a superestrutura intolerante e injusta do Antigo Regime (nobreza, absolutismo político e religioso) alimentou essa perversão moral que se nutria da desigualdade e, pior, da crença que isso era verdade.

Somos racistas em todos os aspectos possíveis porque ainda não tivemos coragem de nos libertar dos nossos preconceitos. Para que isso ocorra será necessário um grande esforço de reflexão em todas as esferas sociais. E depois desmontar pacientemente essa complexa trama do tecido social brasileiro, construída por uma sucessão imensurável de preconceitos: de cor, de raça, de religião, de idéias, de sexo, de classe, de profissão, enfim, preconceitos.

Mesmo assim, ficam os resquícios, os traumas, os recalques, os sentimentos negativos. Sem contar, em nosso caso, que a reencarnação apaga lembranças, mas não elimina tendências e reminiscências inconscientes.

Se não é fácil lutar contra um inimigo declarado e aparente, imagine aqueles que estão ocultos e que nos surpreendem nos becos ainda obscuros da consciência?

Abraços!

Dalmo

"Quintino de Lacerda, um dos líderes abolicionistas de um quilombo de Santos. O Quilombo do Jabaquara foi um dos maiores do Brasil e recebeu até 10 mil negros fugidos de fazendas do interior paulista. Fundado por iniciativa do abolicionista Xavier Pinheiro, em 1882, ficou instalado em terras do próprio Quintino , um negro alforriado".


sábado, 15 de novembro de 2008

Corações em perigo



As escolas estão sofrendo as perturbações pelas quais está passando todo o planeta Terra. Por ser a síntese fiel e espelho da sociedade, elas funcionam como termômetro e vitrine de tudo o que acontece no mundo social. Nosso planeta é um organismo vivo, possui uma “Anima Mundi” e está passando por uma crise de mutação cíclica, tanto no aspecto ambiental exógeno, como na sua atmosfera psíquica, onde ocorre uma intensa luta entre forças renovadoras e forças reacionárias. Isso possui um reflexo negativo no plano social, em todas as instituições. As escolas são mais sensíveis a tais acontecimentos, por todas as características espirituais já apontadas, mas principalmente porque elas são espaços naturais de esperanças de vida e utopias de um mundo melhor. Se a vida social pode melhorar, essa possibilidade começa na escola.
Essa crise de mutação planetária é muito complexa e aparentemente caótica, pois se misturam nos fatos geofísicos os elementos de uma confusão de valores, de avanços e retrocessos, vitórias e derrotas, equilíbrio e desequilíbrio, construção e destruição. Não sabemos quanto tempo tudo isso vai durar e quais os resultados dessas graves mudanças, pois nesse contexto tudo se torna instável e vulnerável. Estamos em tempo de revolução e não de reformas.
Uma idéia que pode nos ajudar a entender melhor e aceitar o que está acontecendo é aquela informação doutrinária que ensina que a Terra é a nossa Escola Evolutiva, do gênero humano e, portanto, a nossa escola pequena, onde os alunos adquirem conhecimento e nós ganhamos o pão de cada dia, não deve perder de vista que fazemos parte dessa dimensão planetária. Os filósofos mais sintonizados com essa idéia dizem que estamos destinados a sermos cidadãos do mundo e que não há mais sentido para a cidadania local e nacional. O Espiritismo ensina que, na pluralidade e nas categorias de mundos, o nosso planeta está mudando sua marca cósmica de expiações e provas para a marca de mundo em regeneração. As transmigrações de almas obedecem essa dinâmica das marcas planetárias evolutivas. Nesse processo reencarnam-se milhões de seres perturbados, rebeldes, agressivos, que na suas trajetórias cometem mais erros do que acertos e sofrem as conseqüências negativas dessas escolhas. São perturbados e naturalmente perturbam o ambiente em que convivem. Não se adaptam às regras sociais porque possuem "um padrão sub-moral para avaliar as situações e as coisas". Aparentemente são impermeáveis aos ensinamentos superiores, aos quais reagem com indiferença, mas cuja percepção inconsciente registra em pequenas doses.
Mas não está ocorrendo somente a encarnação de Espíritos endividados e espiritualmente atrasados. Diversas mensagens mediúnicas, antigas e mais recentes, bem como a observação das tendências sociais feitas por respeitados cientistas, informam que a Terra seria alvo da encarnação de Espíritos provenientes de mundos mais evoluídos, moral e intelectualmente, como parte importante do processo de renovação planetária[1]. É uma prática comum no intercâmbio e evolução dos mundos. Tal processo já foi iniciado há milênios, quando coletividades de outros sistemas planetários encarnaram, em várias épocas, deixando marcas históricas inconfundíveis da sua superioridade. Da mesma forma, educadores de alta hierarquia espiritual encarnaram na Terra para iniciar a ruptura dessa marca de dores e sofrimentos impostos pela Lei de Causa e Efeito. Suas lições, em todas as épocas, sempre estiveram concentradas em três pontos básicos: a imortalidade, a transformação moral e a utopia da perfeição [2](Paraíso, Reino, Nirvana, Céu, etc), reflexo do esforço que os seres humanos devem fazer para aprender a serem felizes em situação de infelicidade. Essa mutação planetária ainda deverá levar muito tempo, talvez séculos, pois os processos de reajuste ocorrem em todos os aspectos e sentidos. Nada deve ficar pendente, daí a violência e a impotência humana diante de acontecimentos inevitáveis e inadiáveis.

Nas escolas encontramos, numa visão micro-social, exemplos de todos esses acontecimentos planetários. E os micro-educadores têm a mesma sensação de receio e responsabilidade das ações macro-sociais dos dirigentes internacionais.

A função social da escola é muito ampla: trabalhamos incessantemente para que haja uma adaptação e conseqüente progressão dos alunos diante das rápidas e atuais mudanças históricas. Fazemos o papel de suporte científico e ao mesmo tempo moral, pois as transformações geram distúrbios emocionais e sofrimentos físicos nos alunos, professores e funcionários. A maioria dos pais não possui condições psicológicas, nem conhecimento para lidar com esses problemas e passam a depender da ajuda da escola, principalmente dos professores. Quando a rede física e a população escolar eram reduzidas esse papel de substituir a família funcionava relativamente bem, apesar de alguns abusos de autoridade. Com a explosão demográfica, ocorrida no Brasil a partir da década de 1970, aumentou absurdamente o número de alunos nas salas de aula e ocorreu também uma mudança de mentalidade e de costumes. Com a democratização da escola, os pobres não puderam ser mais expulsos ou dispensados para o trabalho infantil. Os alunos indisciplinados e limitados não puderam ser mais punidos e reprovados. Essa quebra do antigo modelo autoritário estabeleceu um ambiente libertário nas escolas, porém gerou um relaxamento das relações de autoridade e dos papéis, sem a contrapartida de uma conscientização proporcional. Para compensar esse afrouxamento moral, adotou-se uma rigidez artificial, através da legislação educacional, acentuando-se a informação intelectual em prejuízo da formação moral. Essa situação seria acelerada com a explosão tecnológica dos anos 1990 e que atualmente se delineia na desconstrução da sala de aula e dos métodos textuais planos, através da revolução digital do hipertexto. Toda essa situação tornou a escola cada vez mais vulnerável aos distúrbios planetários, exigindo dos educadores mais dedicação e melhor desempenho em suas funções, como já vinha acontecendo em alguns setores profissionais. Nas escolas públicas essas tecnologias são praticamente inacessíveis e, mesmo assim, essas escolas continuam sendo alvo de uma demanda em massa. Todos querem estar nas escolas, mesmo que muitos deles não saibam dar valor ao conhecimento e considerem a escola como um simples lugar de convívio social, como se fosse um clube. Buscam nelas alguma coisa diferente daquilo que não encontram em casa ou que julgam ser muito importante para mudar suas vidas. Em pesquisa diagnóstica feita habitualmente nas primeiras semanas de aula, sempre solicitamos aos alunos algumas opiniões e expectativas sobre a escola, a família, o mundo e o futuro. A maioria manifesta uma grande esperança na instituição escolar e no trabalho dos educadores, esperando que nós enfrentemos junto com eles as suas dificuldades. Os itens que mais aparecem nas expectativas, e que transparecem claramente como carências pessoais, são esses:

· Professores que ensinem coisas para usar na vida, no mundo lá fora;
· Diretores amigos e mais próximos;
· Que a escola seja uma família e um lar para os alunos;
· Mais amizade, companheirismo e menos violência;
· Organização e limpeza;
· Eventos: festas, comemorações, exposições, festivais, bailes;
· Melhor qualidade na merenda;
· Bom ensino dos professores;
· Paciência com os alunos com dificuldades;
· Que eles mesmos mudem de comportamento e se tornem bons alunos;
· Que eles sofram cobranças por parte dos educadores;
· Justiça e rigor nas avaliações, incluindo reprovações;
· Faltas constantes dos professores ao trabalho;
· Mais disciplina e controle das suas próprias ações;
· Mais compreensão com o jeito de ser e a condição adolescente dos alunos.

Isso é um sinal evidente de que as coisas não estão indo bem nas escolas porque há uma grande defasagem entre o currículo tradicional e as necessidades dos alunos. Não se trata apenas de oferecer ciência e tecnologia nas aulas, mas também a oportunidade de mudança de pontos de vista, de rumos e destinos. Existem muitos problemas e obstáculos nas escolas que a tecnologia e a ciência não conseguem detectar e atingir. São questões humanas imprevisíveis, que não podem ser antecipadas nos planejamentos e nos planos e de aula. Muitos desses obstáculos aparecem camuflados nessas opiniões e expectativas que citamos. Como sempre fomos um setor conservador, sacralizado e dogmático, demoramos mais para reconhecer os nossos limites e que também deveríamos sacudir a poeira dos escombros e reinventar a escola. Essa reinvenção, enquanto as coisas não mudam definitivamente, significa também a adoção de novos pontos de vista, o abandono da arrogância e do orgulho, a mudança do olhar para outros enfoques. Como dizia Jesus, temos que “ser inteligentes como as serpentes, porém simples como as pombas”. É claro que esses novos olhares não representam a busca de soluções miraculosas e imediatistas. A escola somos nós e não o sistema escolar. Se não podemos mudar o sistema, podemos alterar a essência natural da escola, que são os nossos pontos de vista e os nossos sentimentos.

Outra marca sócio-espiritual importante do planeta Terra é o imperativo da Lei do Trabalho, recurso natural evolutivo que em mundos de expiações e provas é quase sempre associado ao sofrimento e à escravidão. A história da Humanidade terrena é também a história do trabalho, da transformação da natureza e da produção de riquezas. As diferenças entre os seres são também as diferenças entre as habilidades do trabalho físico e do trabalho intelectual, determinando os desequilíbrios sociais, reflexo das diferenças na distribuição dessas riquezas. A escravidão só foi abolida legalmente em nosso planeta há pouco mais de um século, porém no mundo atual, milhões de pessoas, incluindo crianças e jovens, são mantidas em condições desumanas de trabalho, verdadeiros cativeiros. Em nosso País há constantes denúncias de exploração do trabalho escravo, onde encontramos pessoas analfabetas e de cultura rústica e atrasada. Como explicar esses contrastes, quando vivemos num mundo altamente tecnológico. Nas escolas acontece o mesmo fenômeno: de um lado temos um ensino altamente científico e avançado e do outro uma boa parte da clientela escolar completamente indiferente, que não consegue valorizar tais condições. Alguns educadores acham que tal indiferença é somente um defeito didático, ineficiência no processo de ensino-aprendizagem. Outros acham que o defeito está na índole dos alunos e que nenhum tipo de tecnologia ou procedimento didático-educativo é capaz de mudar essa rejeição pelo conhecimento oferecido nas escolas. Outros ainda lembram que o problema está no tipo de conteúdo, ou ainda no caráter desse conhecimento. Os conteúdos positivos são fortemente rejeitados ou aceitos apenas parcialmente, desde que não haja exigência positiva de mudança de comportamento. Nem é preciso dizer que os conteúdos negativos são rápida e facilmente aceitos e assimilados.

Certamente estamos vivendo um importante momento de crise. Todos querem saber onde vamos parar. Todos querem saber as causas e conseqüências desse desequilíbrio social no qual o Estado, a Família e a Escola não conseguem estabelecer um consenso sobre os rumos que devem ser tomados para reverter essa situação. Quando não há perspectiva para o futuro também não há sentido para o presente, muito menos interesse pelas referências do passado.


Nosso planeta, nossa escola - in Espíritos nas Escolas

domingo, 9 de novembro de 2008

Manvantara, o Grande Plano




Este é o Manvantara, grupo de música brasileira instrumental criado na década de 1980 por jovens de Santos e São Vicente. Estreamos num festival em Cubatão e depois nos apresentamos no circuito universitário Gente Nova, ao lado de outros grupos como “Peito Rasgado” e “Copos e Bocas”. Também chegamos a tocar na famosa feira alternativa da Vila Madalena, em São Paulo. Essa matéria do jornal A Tribuna (clique na imagem para ampliar) tratava de uma Mostra de Arte realizada no Centro de Cultura de Santos , em benefício do Centro Fraterno de Amizade, entidade mantenedora do CVV. Eram tempos de utopias e das primeiras lições e experiências antes das grandes provas da Vida.
Curiosidades da reportagem: a presença do grande fotógrafo e hoje internacional Araquém Alcântara; o stand da Sharp, lançando o consórcio dos seus mais novos produtos tecnológicos (câmara e videocassete); o preço do ingresso, vendido na minúscula e até hoje atuante livraria espírita Pingo de Luz, no Gonzaga. A FILMESP - Filmes Espíritas ( C.E. Ismênia de Jesus), do amigo Brasilino, registrou todos os lances da Mostra.
O nome da banda foi escolhido para contemplar a diversidade filosófica dos componentes: da esquerda para direita, em pé: Bill (violão, guitarra e voz), Maurão (guitarra) e William (sax e clarinete). Sentados: Dalmo (voz e percussão), Gilberto (flautas) e Mia (baixo e voz).
Além de pretensioso, Manvantara era um nome difícil de explicar para os repórteres e outros curiosos, mas a música era simples, suave e agradável aos ouvidos. Na foto está faltando o sempre amigo e irmão Zé Názara, excelente artista plástico, meu professor de bateria e hoje ativista de uma ONG para resgate social.
Explicando, mais uma vez: Manvantara é na mitologia hindu o grande plano evolutivo do Universo, no qual Deus inspira e expira em milhões de anos, num eterno ciclo criador.