sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O elixir da liberdade


O poder de decidir sobre a vida e a morte sempre foi um tema muito influente na pauta das ambições humanas. Durante muitos séculos sonhamos com esse atributo Divino, talvez com a pretensão secreta e inconsciente de imitar e até mesmo superar o Criador. Fizemos isso não somente tirando as vidas alheias através de gestos insanos de ódio e vingança, mas também com a soberba de matar por motivos fúteis. Era claramente uma rebeldia contra o destino, mas quase sempre o destino dos outros, já que o instinto de conservação não nos permitia agir contra a nossa própria pele.

Agora, com o desgaste ético das justificativas homicidas, decidimos nos rebelar utilizando meios protegidos pela racionalidade para empreender o suicídio de pessoas que não suportam seus sofrimentos, facilitando a ingestão de um coquetel mortífero, oferecido como possibilidade de uma “morte digna”, efetivada em poucos segundos.

Talvez a Dignitas – idéia perversa e obscuramente pensada como deboche e oposição ao conceito cristão de “caritas”- queira sugerir aos futuros governos que, a longo prazo, as populações pobres também tenham acesso às suas conhecidas fábricas da morte, muito semelhantes ao campos de extermínio em massa da II Guerra.

Hoje o consumo do coquetel da morte é um luxo ou luxúria para poucos, em sofisticadas clínicas na Suíça. Amanhã, quem sabe, todos terão acesso a esse cultuado “elixir da liberdade”. Nem é preciso dizer quem são as mentes desencarnadas que estão por trás desses sinistros empreendimentos.


Ps. Embora isso não seja novidade para os espíritas, a matéria abaixo foi recentemente publicada na imprensa e nos chamou a intenção porque um internauta fez o seguinte e infeliz comentário sobre a mesma: “Mais um argumento a favor da eutanásia”.


Doente em estado vegetativo pode ter consciência


Homem respondeu questões só com o pensamento, revela estudo publicado em revista científica


BRUXELAS

Um homem que há cinco anos permanece em estado vegetativo conseguiu responder com "sim" e "não" às perguntas feitas pelos médicos unicamente por meio do seu pensamento.

O resultado foi publicado ontem na revista científica New England Journal of Medicine.

A pesquisa analisou 23 pacientes diagnosticados como em estado vegetativo. Em quatro deles (17%) encontraram-se "sinais de consciência".

O homem que apresentou as respostas mais significativos do estudo sobreviveu a um grave acidente de trânsito. Sua identidade não foi divulgada, mas a Universidade de Lieja, na Bélgica, informou que ele vive em um país do Leste Europeu e tem 29 anos.

Sua atividade cerebral foi examinada com o uso da ressonância magnética funcional (RMF). Os cientistas disseram a ele que, quando quisesse responder "sim" pensasse em uma partida de tênis. Caso contrário, imaginasse que caminhava pela casa.

Eles já conheciam os padrões cerebrais relacionados às duas situações. O homem respondeu com 100% de exatidão a perguntas simples como "Seu pai chama-se Tomas?".

"Ficamos perplexos quando vimos os resultados do exame. Ele conseguia responder corretamente a perguntas simplesmente modulando seus pensamentos que, depois, eram decodificados pela RMF", disse Adrian Owen, professor de Neurologia na Universidade de Cambridge, que também participou do estudo.

A neurologista Audrey Vanhaudenhuyse sublinhou que pacientes em estado vegetativo não são conscientes do que lhes acontece. O estudo mostra que em alguns casos o diagnóstico estava incorreto: havia consciência, mas os métodos para aferi-la não eram adequados.

A técnica "facilitará que pacientes expressem seus sentimentos e respondam a perguntas difíceis como a eutanásia", declarou por sua vez o professor da Universidade de Lieja, Steven Laureys.

Há dois meses a equipe de Laureys descobriu que, Rom Houben, um belga que permanecia em coma há 23 anos, tinha consciência de tudo o que ocorria ao seu redor. Hoje Houben tem 46 anos e se comunica escrevendo palavras em um computador especialmente adaptado e pretende escrever um livro.

Estadão, AFP e NYT, 04 de Fevereiro de 2010 | Versão Impressa

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