sábado, 19 de março de 2011

Os 40 Anos do CEAE-Genebra

Edgard Armond, no Grupo Razin em 1973, instruindo ativistas da recém fundada Aliança Espírita Evangélica. Arquivo pessoal de Ney Prieto Perez. Blog Cultura Espírita.


O Centro Espírita Aprendizes do Evangelho, com sede na rua Genebra, 172, no bairro paulistano da Bela Vista (Bexiga), completou no dia 19 de dezembro último 40 anos de fundação e atividades. As comemorações foram marcadas pela presença de convidados especiais expondo conteúdos temáticos do diálogo inter-religioso e diversidade filosófico-científica. Entre os convidados estavam a monja budista Coen Sensei, a pesquisadora Sônia Rinaldi e o índio ambientalista Kaka Wera Jecupe.

O mais conhecido grupo integrado da Aliança Espírita Evangélica – que muitos ainda confundem com sede da entidade, foi fundado em 1970 (três anos antes da fundação da Aliança), por ativistas oriundos da FEESP e outras instituições tradicionais da capital paulista. Na ocasião alguns fundadores da casa alugaram a sede e tempos depois, por circunstâncias práticas e espirituais, assumiram o compromisso pessoal de aquisição do imóvel dando como fiança para financiamento seus próprios bens particulares.

A história do CEAE-Genebra confundiu-se com a história da Aliança não somente por que os seus freqüentadores ocupavam tarefas de liderança nas duas instituições, mas principalmente porque tornou-se uma referência na aplicação do programa de Escolas de Aprendizes do Evangelho criado por Edgard Armond na FEESP. Das quase 90 turmas formadas no centro surgiram 20 novos centros espíritas na Capital e muitos outros no interior, litoral, alguns estados e também grupos no Uruguai e Argentina. Essas casas, por sua vez, aplicando o mesmo programa, deram sequência ao conhecido processo de multiplicação celular de centros espíritas proposto por Armond e idealizado pelos espíritos ligados às Fraternidades da Luz, citadas por André Luiz na obra Nosso Lar.

Sobre esse evento histórico do movimento espírita, escreveu Jacques André Conchon (jornal O Trevo nº 2 - janeiro de 1974):

"Quando o grande relógio da sala com suas batidas cadenciadas assinalou 20 horas, a reunião teve o seu início.Estávamos na aconchegante sala da residência de um estimado confrade, resguardados da fina garoa que enevoava aquela noite de dezembro. Sem formalidades iniciamos uma proveitosa troca de idéias no sentido de unificar as “casas novas” que estavam surgindo no campo do Espiritismo Evangélico, com perspectivas assaz otimistas. A princípio desconhecíamos que naquele dia 4 de dezembro seria constituída uma forte aliança, inicialmente entre as sete casas espíritas presentes e, no futuro, estendida a muitas centenas.

Desta forma simples e despretensiosa foi fundada a Aliança Espírita Evangélica (AEE), com sede à Rua Genebra n°172, estruturada num regime colegiado (pelos representantes dos Centros adesos) e tendo por finalidade precípua orientar as instituições filiadas para a uniformização dos trabalhos concernentes aos seguintes setores:

a) Escola de Aprendizes do Evangelho – que voltará a funcionar estritamente dentro das normas estabelecidas em 1950, procurando promover em todos os alunos um processo de renovação moral, eficiente e em curto prazo (dois anos e meio).

b) Curso de Médiuns – cada Centro oferecerá aos alunos da Escola de Aprendizes do Evangelho, e aos demais freqüentadores, um curso bastante objetivo, cujo programa já está oficializado, dirigido exclusivamente aos portadores de mediunidade-tarefa, onde após 16 aulas teóricas os alunos entrarão numa parte prática dinâmica e produtiva, durante um ano aproximadamente, segundo o método exposto no livro “Desenvolvimento Mediúnico” de autoria do Cmt. Edgard Armond. O curso completo se alongará por 18 meses.

c) Assistência Espiritual – nesse campo a uniformização se procederá na base do livro “Passes e Radiações”, também do mesmo autor. A AEE facilitará os Centros adesos a implantação das diversas modalidades de tratamento espiritual previstas na obra citada.

Além disso, a Aliança realizará trabalhos integrados no setor da Assistência Social e, podemos adiantar, que, não obstante a sua recente criação, a AEE já está implantando o programa das Caravanas de Auxílio e Evangelização, de grande alcance social, abrangendo principalmente as zonas periféricas da nossa megalópole, onde impera o sofrimento".


Hoje o imóvel onde funciona CEAE-Genebra pertence à uma instituição criada anos mais tarde, a Fraternidade Esperança, mantenedora de diversas obras sociais, incluindo o Posto do CVV da rua Abolição e a Comunidade Terapeutica Francisca Júlia, em São José dos Campos.

Nós que fomos alunos da 3ª Turma do antigo CE Irmão Timóteo (São Vicente, 1981) e depois da 84ª do CEAE Genebra, 1999), desejamos vida longa ao CEAE-Genebra e aos ideais de expansão implantados pelos seus fundadores e trabalhadores!

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