sábado, 31 de dezembro de 2011

Daniel e a imortalidade


Daniel Piza falando sobre Machado de Assis (sua especialidade) no Colégio Bandeirantes em São Paulo.

Ao ler a notícia da morte do jornalista e escritor Daniel Piza, de 41 anos, logo me veio à cabeça o conceito de morte prematura. Quase nunca lia seus textos, pois achava longos demais e sobre temas que não me interessavam. No entanto, percebia o vigor e a necessidade compulsiva de escrever que ele tinha, como quem não queria perder tempo e também mostrar que podia fazer de tudo um pouco e sempre muito mais. Era uma ansiedade criativa típica dos Espíritos que sabem inconscientemente que não têm muito tempo de vida. Daniel escreveu 17 livros e atuou como jornalista em reportagens consideradas importantes. Isso já confirma que tal ritmo produtivo não iria continuar sem que houvesse uma interrupção brusca , dessas surpresas que a Natureza guarda para todos nós. Viver apenas 41 anos é muito pouco e ficamos imaginando que alguém como ele deveria existir 80 ou 90 anos, como acontece com esses teimosos que se apegam à vida corporal ou que vivem intensamente, como é o caso de Oscar Niemeyer. Porém, lembramos que no caso de Espíritos como Daniel a bússola superou o relógio e antecipou suas experiências fundamentais. Esse comportamento que ele tinha de pessoas maduras, típico dos idosos lúcidos, foi alterada pela sua capacidade e necessidade guiar-se pela consciência e não mais somente pela existência. É o que nos ensina Fénelon em “Se fosse um homem de bem teria morrido” (no Evangelho de Kardec) e também o professor Huberto Rohden, que a isso chamava de “verticalização da mente”. O problema é que a lei que regula esse fenômeno humano logo denuncia esses Espíritos de que não há necessidade de prendê-los aos limites da matéria e do corpo e os libertam naturalmente desses obstáculos. Os afetos que ficam sofrem o impacto e a dor da ausência, mas tudo tem o seu significado e um sentido que está muito além das nossas meras expectativas mortais. Para nós, por enquanto, a imortalidade é isso: são as peças que nos pregam o Destino.

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