domingo, 27 de fevereiro de 2011

Vidas passadas ou reencarnação?

Past Life, série televisiva da Fox



A Vida e as Existências

Sempre somos questionados se é correto na concepção espírita o uso da expressão "vidas passadas", muito utilizado em língua inglesa (past life) e se esta é o equivalente para o termo "reencarnação", mais utilizado na cultura espírita.

Pensamos que reencarnação é uma nova experiência na carne e não uma nova vida. Voltar à carne significa uma nova existência e não uma nova consciência, uma nova individualidade. Trata-se de um recomeço existencial, uma nova consciência existencial, no sentido de renovação de experiências, que no universo simbólico das religiões e filosofias se expressa como renascimento da alma ou "ressurreição", no sentido de despertamento, quebrar o ciclo da alienação orgânica-material e acordar para a Vida.

Assim, pensamos nós, que as existências podem ser muitas, mas a Vida é única.

A fragmentação existencial das encarnações e suas variações sociais, espaciais e temporais é necessária para resgatar e repor experiências perdidas ou traumáticas.

Essa tem sido a grande dificuldade que muitas pessoas ainda experimentam para compreender a reencarnação, esforço que não é fácil até mesmo para mentes intelectualizadas, mas ainda espiritualmente imaturas e que precisam de "tempo" para aceitar e compreender essa realidade. Confundem consciência com existência e até se remetem aos antigos preceitos populares e deterministas da metempsicose, na qual a alma humana regride em experiências irracionais. Mesmo com o suporte das experiências científicas, que mostram evidências e provocam reflexões positivas, este é um assunto de repercussão íntima e que exige um sólido preparo emocional para suportar a dolorosa desestruturação de antigos paradigmas internos e culturais. Na processo perturbador do despertar da mediunidade de prova é que podemos mensurar o quanto é crítica e traumática essa experiência.


Foi também nesse sentido que Kardec se referiu aos espiritualistas ingleses e norte-americanos, sobre o conflito aceitação-rejeição desse tema na cultura racionalista anglo-saxônica.

No universo espírita essa concepção se desdobra para outras esferas, como por exemplo na educação, na qual podemos avaliar a nossa capacidade de compreender e medir o impacto da filosofia espírita individualmente em nossas vidas. Muitos ainda pensam que ensinar e aprender espiritismo se restringe ao aspecto existencial do intelecto e que a transformação da consciência é consequência natural. Outros, não tão simplistas, acham que tal transformação, apesar de concordarem com esse processo natural, entendem que o mesmo é complexo, dialético, e que normalmente ocorre em situações de crise espiritual. Uns preferem o ritmo da existência, protegido pelos mecanismos racionais e disfarces sociais; outros optam pela abertura emocional (sentimentos) e que dão acesso rápido ao cerne da crise ou da insatisfação do espírito encarnado. Ambos são processos graduais, porém com metodologia e epistemologia diferentes entre si. Questão de preferência e também de necessidade pessoal. Cada um no seu tempo, cada um no seu ritmo. Essa é a distinção que também fazemos entre pedagogia (existência) e andragogia (consciência) espírita.



domingo, 20 de fevereiro de 2011

Chico Xavier na Sapucaí: olhai por nós

O desfile da Beija-Flor em 1989 encenando o tema da miséria e dos contrastes sociais do Brasil

Um carro alegórico para homenagear Chico Xavier no carnaval da Sapucaí. A notícia corre na velocidade digital e mexe com os brios dos espíritas que acham que o Espiritismo é coisa sagrada, acima das torpezas humanas e intocável pelas paixões dos homens. Pedimos calma e bom senso. É só uma homenagem, mesmo que oportunista, como foram todos os títulos de cidadania que Chico Xavier recebeu nos estabelecimento políticos.

A sacralização de Chico Xavier e do Espiritismo não faz parte da doutrina espírita, mas do olhar dos espíritas religiosos que ainda vêem o mundo pela ótica maniqueísta. Chico Xavier foi um médium das massas. Se tivesse vivo reagiria com muita cautela e muita gratidão a esse reconhecimento numa festa mundana que é a cara e a alma do Brasil. Não me sinto ofendido ou desrespeitado por ver Chico Xavier e o Espiritismo encenados na passarela do samba. Pelo contrário, lutamos tanto para que a doutrina ficasse conhecida e hoje temos que lutar para que não seja deturpada. Não vamos perder a calma nem a compostura.

Em 1989 o carnavalesco Joãzinho Trinta foi proibido de usar a figura do Cristo num carro alegórico que falava de pobreza e miséria. A Igreja bateu o pé, acionou suas influências e o carro teve que ser refeito. E esta reinvenção despertou no artista censurado algo ainda mais profundo do que a mensagem original. O Cristo foi coberto com uma imensa lona plástica escura e percorreu o sambódromo exibindo uma frase ainda mais desconcertante para atingir os hipócritas e puristas: “Mesmo proibido, olhai por nós”.

Essa é a lição que devemos aprender quando alguém resolve falar de Espiritismo nos ambientes considerados profanos. Fiquemos serenos e confiantes. É só mais um carnaval.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Wilberforce e o cheiro da morte


Somente agora, quatro anos depois do seu lançamento, conseguimos ver “Jornada pela Liberdade” (2006), uma das mais comoventes histórias sobre as lutas pela abolição da escravatura. Ela também nos faz lembrar que no mundo atual ainda existem milhões de pessoas submetidas ao cativeiro do trabalho compulsório dando-nos a impressão que recuamos no tempo e na história

Apesar de ser uma atividade degradante e moralmente inaceitável , a escravidão foi aos poucos sendo encarada com naturalidade nas civilizações modernas, por incrível que pareça inclusive nas sociedades cristãs. Essa naturalidade se propagou como senso comum principalmente por causa da intensa e lucrativa atividade comercial. Se não houvesse o comércio como estabelecimento legal, o tráfico de pessoas teria se desgastado rapidamente. Por causa do comércio e dos lucros, as vítimas simplesmente tiveram negadas a sua condição humana e o seu valor cultural. Eram vistos como animais cujos costumes primitivos e não “civilizados” justificava a atividade nefasta e criminosa dos seus exploradores. Esse era o pensamento de Willian Wilberforce (1759-1833), membro do parlamento inglês que liderou a cruzada contra escravatura no Império Britânico. Esse raciocínio também se aplica perfeitamente ao Brasil, que só conseguiu iniciar a extinção dessa doença social quando, por pressões inglesas, a Lei Eusébio de Queirós proibiu o tráfico em 1850. Uma nação que construiu a sua história com essa mancha não poderia passar impune aos olhos da justiça Divina e o nosso país ainda tem muito que resgatar dessa pesada dívida espiritual. Nas poucas vezes em que citou o Brasil nas suas reflexões Allan Kardec não deixou de lembrar os leitores que o progresso da doutrina e da nação passava necessariamente pelo fim da escravidão. A mensagem foi compreendida pelo editor Telles de Menezes e o Echo Além Túmulo passou a fazer sua conhecida campanha abolicionista na Bahia. A religião oficial e dominante, como não poderia deixar de ser, foi durante muito tempo conivente com essa situação constrangedora, contrariando os princípioshumanitários seguidos por muitos dos seus membros e ativistas. Em Brasil Coração do Mundo, obra que ainda provoca a desconfiança de intelectuais avessos à verdades espirituais, Humberto de Campos nos conta que muitos escravos trazidos ou nascidos no Brasil eram antigas almas romanas já iniciadas nos valores da humildade e que aqui reencarnaram para auxiliar seus irmãos e cúmplices em graves provas o destino.

A prática odiosa da escravidão, muito comum na Antiguidade, havia sido restaurada nos moldes capitalistas mantendo os mesmos abusos e requintes de crueldade. Portugueses e espanhóis, herdeiros da cultura escravista fenícia e moura, rapidamente foram imitados pela Holanda , França e Inglaterra. Segundo o Espírito Emmanuel, enquanto a França tinha como compromisso a difusão da liberdade, o Império Britânico tinha como missão civilizatória extinguir a escravidão e resgatar grande parte dos débitos trazido pelo antigos cidadãos romanos agora reencarnados nos territórios da comunidade britânica. A luta seria longa e exaustiva, pois ali também estariam, ocupando postos importantes, as mesmas almas que comandaram a poderosa máquina da escravidão romana.Wilberforce e seus colaboradores usaram dos mais variados expedientes para implantar essa idéia no cérebro político da Inglaterra conservadora. Um deles foi um passeio pelo rio Tâmisa, conduzindo uma elite formadora de opinião. Numa certa altura do percurso e em meio a um sofisticado coquetel, o barco encosta ao lado de um fétido e repugnante navio negreiro atracado no porto de Londres causando horror e vômitos nos convidados. E Wilberforce se dirige assim aos ilustres turistas, para depois convencê-los pacientemente das suas incríveis intenções: “ Senhores, respirem fundo, pois este é o cheiro morte”.

Entre os colaboradores de Wilberforce estava John Newton, ex-capitão de navio, traficante de escravos convertido ao evangelismo e também autor do famoso hino que deu otítulo original ao filme (Amazing Grace ) estrelado pelo ator Ioan Gruffudd. O pastor John Newton, morreu em 1807, cego e ainda corroído pelo remorso, no mesmo ano em que o Parlamento se rendeu e aprovou o ato contra o comércio de escravos.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Kardec insuperável?


“Pessoalmente Allan Kardec era de estatura média. Compleição forte, com uma cabeça grande, redonda, maciça, feições bem marcadas, olhos pardos, claros, mais se assemelhando a um alemão do que a um francês. Enérgico e perseverante, mas de temperamento calmo, cauteloso e não imaginoso até a frieza, incrédulo por natureza e por educação, pensado seguro e lógico, e eminentemente prático no pensamento e na ação. Era igualmente emancipado do misticismo e do entusiasmo... Grave, lento no falar, modesto nas maneiras, embora não lhe faltasse uma certa calma dignidade, resultante da seriedade e da segurança mental, que eram traços distintos do seu caráter. Nem provocava nem evitava a discussão, mas nunca fazia voluntariamente observações sobre o assunto a que havia devotado toda sua vida; recebia com afabilidade os inúmeros visitantes de toda parte do mundo que vinham conversar com ele a respeito dos pontos de vista nos quais o reconheciam um expoente, respondendo a perguntas e objeções, explanando as dificuldades, e dando informações a todos os investigadores sérios, com o quais falava com liberdade e animação, de rosto ocasionalmente iluminado por um sorriso genial e agradável, conquanto tal fosse a sua habitual seriedade e conduta que nunca lhe ouvia uma gargalhada (...)”


A adoração e mitificação de Allan Kardec no meio espírita realmente é um fato contra o qual não temos argumentos. Os adjetivos para exaltar a figura venerável de Allan Kardec entre alguns espíritas às chega muitas vezes aos limites do exagero. O último desses repentes românticos é dizer que as obras de Kardec são “insuperáveis”, como se as mesmas fossem peças sagradas de uma revelação religiosa fundamentalista ou tese científica fora dos padrões acadêmicos e queultrapassam milagrosamente os limites e reflexos da época e do contexto em que foram produzidas. Quem faz esse tipo de afirmação ignora a história e a filosofia ou então não leu Kardec com o olhar sereno e auto-crítico que o próprio mestre francês faria sobre si e a sua obra. Herculano Pires conhecia como ninguém e era apaixonado pela obra de Kardec mas, mas nunca ultrapassou as marcas sensatas do elogio ao enaltecer a “atualidade” das obras básicas. Ver Kardec dessa forma, “insuperável”, significa que os espíritas não conhecem os limites do conhecimento humano, mesmo em outras dimensões, já que o fato de mudarmos de plano existencial através do desencarne não nos transforma também milagrosamente em pessoas diferentes daquilo que éramos quando encarnados. Kardec e os Espíritos Superiores admitem que a Verdade existe, mas nunca nos iludiram de que pudéssemos conhecê-la integramente só pelo fato de nos tornarmos simpatizante do Espiritismo. Mesmo a metodologia e a organização didática aplicada na codificação (no sentido de comunicação, e não nesse sentido vulgar de legislador que tentam dar a Kardec) jamais foram apresentadas como tratados dogmáticos permanentes e insubstituíveis. Não, Kardec jamais desejaria para nós aquilo que tanto combateu a vida inteira para si mesmo: a escravidão mental, o medo, a superstição e a prostração ingênua diante dos desafios e questões intrigantes que a vida nos impõe. Isso não diminui em nada a admiração que temos por ele e pela sua luta em contribuir para fosse implantado um novo paradigma de conhecimento. Pelo contrário, quando nos lembramos da época em que ele viveu e das dificuldades que enfrentou para expor suas idéias, imediatamente o trazemos par o século XXI, não como referência absoluta em termos filosóficos e científicos, mas certamente como modelo humano relativo de postura intelectual e conduta de comunicador.

Façamos um teste para verificar que tipo de impressão Kardec nos causa como referência, a mesma que temos ao ler suas obras : se de natureza mítica e superficial ou então reflexiva e racional. Leiamos com admiração, porém com muita atenção e crítica, a descrição dele feita por Anne Blackwell ( registrada por Artur Conan Doyle), para saber se estamos olhando Kardec de maneira real ou idealizada. O resultado, como não poderia deixar de ser, continuará sendo subjetivo e dentro dos limites pessoais da cada leitor .

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Um cartão de crédito com nome de Bezerra de Menezes

O apóstolo Paulo na prisão: reflexões e recomendações sobre as implicações da ética cristã


O Lar Fabiano de Cristo, entidade assistencial carioca de origem espírita, lançou o projeto de um cartão de crédito denominado OBEM - Organização Bezerra de Menezes, em parceria com uma empresa especializada. O negócio dará ao Lar 13% dos lucros da comercialização do cartão, ficando 87% com a empresa proprietária do cartão.

Trata-se de um negócio totalmente lícito, do ponto de vista financeiro e tributário, porém duvidoso, inconveniente e até perigoso do ponto de vista ético, já que o nome Bezerra de Menezes,muito caro e emblemático ao universo espírita, está sendo usado como símbolo principal de propaganda financeira. O nome Bezerra de Menezes não pertence ao Lar Fabiano de Cristo, muito menos a entidade financeira em questão, mesmo que a intenção e os fins sejam inquestionavelmente honestos. O que se questiona é o aspecto ético dos meios (e não dos fins) da utilização de um nome cuja reputação em certos meios espíritas é considerado “sagrado” e incompatível com as conseqüências que esse negócio pode ter. O jornalista Luciano dos Anjos foi a primeira voz a dar o alerta sobre esse risco e enviou-nos um manifesto explicando sua reação. Ele conhece a seriedade do Lar Fabiano de Cristo e é amigo pessoal de alguns de seus dirigentes e, mesmo assim , não deixou de fazer esse alerta, ou seja, cumprir aquilo que ele chama de “dever espírita”. Dias depois enviou-nos outro texto, dirigido à uma amiga voluntária do Lar justificando e reafirmando essa sua decisão.

Eis o trecho do primeiro manifesto:

"(...) O pior é que neste nosso caso ainda usam o nome respeitável de Adolfo Bezerra de Menezes para servir de argumento de venda do produto. O projeto (ou projétil?) já surge ornado de pompom acetinado (ou pom-pom militar?), para melhor encantar e atrair os distraídos. Nada mais vendável do que o nome consagrado de Bezerra de Menezes, que acaba de descer das alturas da sua condição de espírito altamente evoluído para, em comovente mensagem, estimular e apoiar a jogada financeira. O cartão de crédito se chama OBEM, sigla de Organização Bezerra de Menezes, o benfeitor que carimbou o negociarrão. Como acreditar? Por qual médium? Onde? Em que reunião?

Mas Bezerra não é aquele inesquecível médico dos pobres, que deu o anel de grau para ajudar uma infeliz mulher à sua porta com dificuldades graves? Ele, que sempre deu, que nunca pediu nada para si, que largou o mundo da política para se preservar das implicações conjunturais dos acordos e negócios, logo ele resolveu agora apoiar o “cartão de crédito dos espíritas”? Naturalmente sua próxima manifestação será de garoto propaganda, induzindo os espíritas a aderir em massa. Afinal, Bezerra sempre foi muito bom de marketing. É usado em eleições; por que não ser aproveitado no lucrativo ramo dos negócios?

E depois, quando o pai ou a mãe de família por qualquer razão não puder quitar a fatura? Bezerra vai instruir para que alguém ceda mais um anel, ou, como fez o pai do André Luiz com o amigo Silveira, vai mandar para o cartório executar a dívida, tomar até a geladeira, a televisão, a bicicleta do filho do devedor? E daí? Devedor que é devedor não tem de escapar da cobrança. Quem mandou se endividar? Tomasse vergonha e não gastasse sem poder. Agora que se arranje com a lei. Que seja até despejado, com família e tudo. É o carma. A Organização e seus ilustres dirigentes é que não podem arcar com o prejuízo. “Business is business”.

Sobre as razões do Lar, Luciano dos Anjos fez o seguinte lembrete, que serve de exemplo para todas as instituições espíritas que se enveredam por caminhos semelhantes:

“Contudo, em minha apreciação o Lar Fabiano de Cristo cometeu ou quer cometer o mesmo erro fatal que cometem muitas instituições, centros, grupos, hospitais, a despeito do ideal espírita que os fundou e mantém. Acabou dando passo maior do que podia. Cresceu demais, assumiu responsabilidades demais e, agora, fica imaginando meios de suprir suas necessidades e de manter sua gigantesca estrutura assistencial. Nessa hora, como ocorre a qualquer pessoa de bem, acentua-se a ansiedade, aumenta a adrenalina e, então, começam a explodir ideias e projetos estapafúrdios. Considero válidos todos esses esforços, mas não todos os meios. E se acontece o envolvimento indevido do espiritismo, asseguro que nenhum espírito iluminado dará cobertura, sequer endosso indireto. Se faltam recursos, os rumos e gastos devem ser revistos”.

Mais detalhes sobre o projeto OBEM: http://www.clubedearte.org.br/obem.html

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Há quanto tempo você não desabafa?



Numa época em que as redes sociais ganham cada vez mais espaço, o isolamento e a solidão ainda persistem na experiência humana.

Mesmo convivendo em meio ao barulho e agitação das multidões, milhares de pessoas ainda experimentam diariamente a desconfortável sensação de abandono e desprezo. Querem conversar, falar de si, das suas angústias, mas não têm oportunidade ou coragem suficiente para abrir seus corações e expor seus sentimentos. Elas precisam de um tipo de amizade que vai muito além das relações comuns e superficiais nas quais a maioria parece estar satisfeita. Elas precisam falar, desabafar e até mesmo chorar, até que se sintam aliviados, mais leves e continuem tocando suas vidas.

A gente nem imagina quantas pessoas existem e vivem assim, na maioria das vezes sem rumo e sem esperança. Se você conhece alguém que esteja assim, tente dar um pouco mais de atenção para o que ela tem a dizer. Um detalhe curioso: o que ela não quer dizer também é muito importante e talvez seja o ponto mais crucial do seu sofrimento silencioso.

Se você acha que não tem tempo ou pensa que não possui jeito para ouvir desabafos, faça pelo menos a gentileza de oferecer discretamente o telefone do CVV ou de outro serviço voluntário de ajuda emocional.

Assim, todos vão ficar se sentindo bem, inclusive você.

Ligue 141 e veja se não é a pura verdade!