domingo, 7 de dezembro de 2014

O impacto do trabalho voluntário



Segundo o jornalista André Trigueiro (G1 e Rádio CBN, em 6 de dezembro de 2014) o Brasil possui 16,5 milhões de voluntários, número que considerado muito baixo se for levado em conta a nossa população. Isso significa 11% de todos os brasileiros. Se esses voluntários fossem remunerados por um salário mínimo (724 reais) seria necessário recursos mensais da ordem de 22 bilhões de reais.  Dados divulgados no mesmo dia no twitter da jornalista Maria Lúcia Guimarães (Globo e Estadão) apontam que nos EUA - com uma população de pouco mais de 300 milhões- existem 62.6 milhões de voluntários. Essa diferença não é explicada pelas estatística demográfica e sim pela tradição e cultura de voluntariado na sociedade norte-americana.

A qualidade de vida dos países desenvolvidos, entre outros indicadores, pode ser mensurada pelos índices de ação social voluntária. Nos países ricos ela é vista como uma atividade importante; nos pobres ela é certamente uma atividade essencial para preencher não somente a ausência do Estado mas também também o vazio existencial de milhares de pessoas que solucionam ou aprendem conviver com seus problemas ajudando pessoas que possuem problemas diferentes ou mais graves.

Somente três em cada dez brasileiros realizaram trabalho voluntário, segundo uma pesquisa recente do Data Folha –Itaú Social. A pesquisa questionou o motivo dessa baixa participação e teve como resposta as seguintes razões: falta de tempo; nunca foram convidados; nunca pensaram sobre isso. A mesma pesquisa revela que oito em cada dez jovens nunca fizeram trabalho voluntário. 

Na avaliação de Trigueiro, o voluntariado é o principal contrapeso dos limites do papel do Estado, cujos governos não podem assumir a responsabilidade de todos os problemas sociais. Para ele o trabalho voluntário realiza ações extremamente importantes, como é o caso dos membros de Alcóolicos Anônimos (AA) e Neuróticos Anônimos (NA),  que amparam diariamente milhares de dependentes químicos e pessoas com distúrbio mentais. André Trigueiro lembrou também das ligações telefônicas recebidas pelos plantonistas do CVV, que ultrapassam o número de 1 milhão de chamadas por ano, assim como das ações ecologistas dos que protegem as matas e a fauna através de programas ambientais. Todas essas pessoas doam seu tempo sem nenhuma preocupação material e sim por questões humanitárias e de consciência social.

Resumindo, a cultura do voluntariado é, há muito tempo, a mais eficiente ferramenta para combater a injustiça, a desigualdade e a pobreza, criando oportunidades reais de transformação.

 

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