Até a década de 1940 a obra de
Allan Kardec era praticamente desconhecida no Brasil e no mundo. Eram textos de
circulação restrita, quase proibida, semelhantes aos dos antigos autores dos círculos
esotéricos. Essa situação mudaria radicalmente quando vieram à público os
livros de Emmanuel, André Luiz e alguns outros Espíritos, por meio da
mediunidade de Chico Xavier. Essas obras despertaram nas massas a curiosidade
sobre os princípios que norteavam aquelas “revelações”, que na verdade eram
ilustrações das teorias do Codificador do Espiritismo. Nenhuma corrente religiosa
e de pensamento, sobretudo as de origens judaico-cristã, puderam ignorar os
conteúdos ali tratados com tanta clareza desde a publicação de O
Livro dos Espíritos, em 1857. Até mesmo a ortodoxia
espírita, acostumada à abstração dos textos de Kardec ficou chocada com o que
leu e viu nessas narrativas da História, do cotidiano das relações entre mortos
e vivos e também daquilo que para nós seria o futuro da Terra descrito nas
comunidades espirituais. O impacto foi tão grande que até hoje, inúmeros
leitores, incluindo alguns espíritas ainda influenciados pelo ceticismo, se
mostram desnorteados com a articulações de informações ali projetadas pelas
linhas da psicografia. De todas as reações que surgiram diante dessa obra
magnífica, as que mais se mostram intolerantes foram aquelas comunicadas até
hoje por alguns confrades de doutrina, inconformados com a enorme repercussão
dessa nova literatura. Diante desse descaso incompreensível dos pares, os
autores simplesmente deram as costas; e para os demais, que não eram espíritas,
Emmanuel apenas resumiu, dizendo que realmente é muito difícil trazer notícias
sobre o Oceano para quem ainda vive nos limites de um aquário.
domingo, 12 de janeiro de 2014
sábado, 11 de janeiro de 2014
Intransigência e intolerância na educação espírita
Educar tanto pode ser para bem como para o mal; para esquerda como
para direita; para alto como para baixo, como o aliciamento. Daí as
diversidade das inúmeras correntes ideológicas da educação.
Portanto, não existe educação neutra e
toda proposta terá um direcionamento ideológico.
A educação espírita, pela
própria riqueza e pluralidade filosófica, tem diversas facetas e não apenas um
único enfoque e uma única direção. Temos uma diversidade de repercussões na
experiência humana. Por exemplo: o judaísmo e cristianismo pela ótica espírita
surtem outras conotações da ortodoxia judaica e católica.
Pretensos educadores
espíritas acham que basta incutir na cabeça das pessoas alguma ideias
espíritas para que se realize uma educação. Confundem, por falta de
conhecimento e experiência no assunto, educação com instrução e ensino.
Educação é transformação e tem três aspectos: mudar o pensamento, mudar o
sentimento e finalmente mudar o
comportamento.
Até agora, historicamente falando, somente uma proposta de educação espírita contemplou esse três
aspectos: o método iniciático de Edgard Armond. As demais estacionaram na
mudança de pensamento. Mas essas escolas de pensamento existem e continuam sendo praticadas pelos seus proponentes e defensores, pois é mais fácil, acessível e superficial. É a tendência dominante no mundo do racionalismo (política, ciência, negócios, etc). Ao contrário da educação iniciática, que é complexa, desgarrada dos objetivos materiais e, por isso mesmo, espiritualmente seletiva. Só conseguem vencer as etapas seletivas os espiritualmente mais aptos. Não é uma pedagogia e sim uma andragogia, pois caminha num sentido inverso da razão e do intelecto, embora não descarte a razão com ferramenta ou meio de compreensão de certas coisas. Mas entende primordialmente que a razão não é capaz de explicar solucionar certas equações que não são lógicas e sim psicológicas; metafísicas e não físicas. Por isso tais escolas muitas vezes são frequentadas por pessoas simples, sem bases intelectuais, que vencem suas etapas ou provas, enquanto pessoa intelectualizadas naufragam nos mesmos processos. Muito curioso e difícil de aceitar isso, do ponto de vista somente da razão.
Alguns confrades mais insatisfeitos com essa questão do entendimento e da compreensão, entendem que o Espiritismo não tem nenhuma relação com a religião e com o cristianismo, reivindicando uma educação "pura" ou simplesmente "kardecista". Com isso, ao invés de apenas agir dentro das suas concepções, atacam violentamente, com posturas sectárias, os que não pensam como eles.
Pensar assim é, até certo ponto, normal e representa a opinião, pois isso reflete uma tendência ou visão pessoal desses companheiros ou grupos sobre a doutrina. O problema surge quando alguns deles, mais inconformados e intolerantes, querem impor esse ponto de vista, principalmente quando percebem que são minoria e que tal pensamento não encontra muito eco tanto entre os espíritas tradicionais quanto naqueles mais novos que buscam as casas espíritas para aprender seus princípios.
De certa forma são até úteis aos conservadores, pois, com tanta insistência e radicalismo, se mostram inconvenientes, perturbados e não dignos de confiança.
Uma pena!
Alguns confrades mais insatisfeitos com essa questão do entendimento e da compreensão, entendem que o Espiritismo não tem nenhuma relação com a religião e com o cristianismo, reivindicando uma educação "pura" ou simplesmente "kardecista". Com isso, ao invés de apenas agir dentro das suas concepções, atacam violentamente, com posturas sectárias, os que não pensam como eles.
Pensar assim é, até certo ponto, normal e representa a opinião, pois isso reflete uma tendência ou visão pessoal desses companheiros ou grupos sobre a doutrina. O problema surge quando alguns deles, mais inconformados e intolerantes, querem impor esse ponto de vista, principalmente quando percebem que são minoria e que tal pensamento não encontra muito eco tanto entre os espíritas tradicionais quanto naqueles mais novos que buscam as casas espíritas para aprender seus princípios.
De certa forma são até úteis aos conservadores, pois, com tanta insistência e radicalismo, se mostram inconvenientes, perturbados e não dignos de confiança.
Uma pena!
Discurso I
Quem se importa com as nossas diferenças ou semelhanças?
Espiritismo de cabeça e de boca não muda a realidade pessoal nem a social. Os
únicos espíritas que são reconhecidos pela sociedade são os servidores, aqueles
que empreendem ações transformadoras, em todos os aspectos possíveis e deixam
marcadas as suas obras influentes e inesquecíveis. De resto somos apenas os
servidos, consumidores, faladores, quase sempre de cabeça confusa, corações
enganados, de mãos vazias e muito tempo perdido.
Kardecismo, a nosso ver, é espírito de seita, exclusivismo,
sectarismo, personalismo e, acima de tudo, deserção.
Todos os espíritas que não
conseguem mudar a si mesmos querem mudar o Espiritismo, dizia Herculano Pires,
sobre o pensamento "atualizador" .
Até Kardec deixou sua marca
pessoal sobre a Doutrina, mas deixou claro que era sua visão e não a do
Espiritismo.
Também não gostamos do movimento espírita e das suas futricas políticas
- como sempre vazias e sem obras - mas não o confundimos jamais com o
Espiritismo, mesmo porque esse movimento é humano, transitório e apenas reflete
os nossos conflitos e incertezas pessoais.
Discurso II
Os espíritas não precisam reinventar a roda para atuar na
sociedade.
Nesses anos todos aprendemos a andar com nossas próprias pernas e
também utilizamos um infinidade de rodas como extensão dos nossos membros de
locomoção, isto é, técnicas, métodos, procedimentos, regras, cada qual dentro
do seu espaço e das suas formas próprias de ensinar e aprender.
Só dois tipos
de pessoas não se conformam com essa realidade e querem, a todo custo, muda-la:
os que desejam o poder e somente o poder nas instituições; e os entusiasmados,
como fogo de palha, que não querendo mudar a si mesmos, querem mudar o
Espiritismo.
Esses dois tipos formam ainda um terceiro grupos de pessoas: os
desertores.
sábado, 4 de janeiro de 2014
Espiritismo e cultos afro-indígenas: continuamos iguais nas diferenças
As diferenças de ideias e
práticas entre Espiritismo e religiões afro-indígenas são históricas e não
apenas conceituais. Mesmo que haja um diálogo de conhecimentos e convívio
social, as diferenças persistem nas atividades particulares de cada uma das
agremiações, não como intransigência conflituosa e sim como reflexo da
diversidade cultural e de objetivos dos seus adeptos.
Há uma disputa ou competição
entre essas duas correntes?
Existe, sim, não por parte dos
espíritas, mas geralmente de alguns segmentos que não são espíritas, porém se
utilizam de práticas espíritas como conhecimento e também como legitimação e
aceitação social. Há atualmente grupos
não espíritas que se valem dos conhecimentos espíritas para melhorar suas
práticas mediúnicas e doutrinárias, porém não se sentem ameaçados ou
diminuídos, nem demonstram qualquer sentimento de antipatia e hostilidade
competitiva para com o movimento e a identidade espíritas. O que percebemos também é
que existe uma tentativa forçada de equalização de conceitos e práticas, bem como ressentimentos da parte dos praticantes de cultos afro-indígenas, atribuídos à não aceitação por parte dos espíritas de suas
práticas e manifestações no ambiente espírita.
Ainda persiste, em diversos segmentos afro-indígenas, um certo sentimento de animosidade e rancor para com a Doutrina Espírita. Isso não vem somente das concepções doutrinárias em si, mas das pessoas, encarnadas e desencarnadas, que compõem tais agremiações. A fundação da umbanda, bem como uso do candomblé como oposição ideológica ao Espiritismo não foi uma simples contraposição teórica ou doutrinária. Surgiu de conflitos sobre as diferenças de práticas, segundo relatam os próprios historiadores desses segmentos, mas também estimulada como confronto por algumas inteligências do Além ainda marcadas pelas recentes mágoas da escravidão imposta pelos europeus sobre os africanos e indígenas; funda-se talvez também na antiquíssima ideologia das raças, uma rivalidade entre a raça negra, dominante nas primeiras eras da Humanidade, pela força da paixão e pela imposição do medo, contra a raça branca, que se impôs pelo espírito de autonomia e racionalidade diante dos seus adversários naturais. Essas linhas e tendências também seguem o perfil e as características das faixas vibratórias ou círculos espirituais onde habitam e atuam essas entidades. Aí, sim, identificamos diferenças de superioridade ou inferioridade segundo os princípios da hierarquia ou categoria dos espíritos definida por Allan Kardec. Sem esse conhecimento é praticamente impossível tocar no assunto das nossas diferenças e semelhanças.
Ainda persiste, em diversos segmentos afro-indígenas, um certo sentimento de animosidade e rancor para com a Doutrina Espírita. Isso não vem somente das concepções doutrinárias em si, mas das pessoas, encarnadas e desencarnadas, que compõem tais agremiações. A fundação da umbanda, bem como uso do candomblé como oposição ideológica ao Espiritismo não foi uma simples contraposição teórica ou doutrinária. Surgiu de conflitos sobre as diferenças de práticas, segundo relatam os próprios historiadores desses segmentos, mas também estimulada como confronto por algumas inteligências do Além ainda marcadas pelas recentes mágoas da escravidão imposta pelos europeus sobre os africanos e indígenas; funda-se talvez também na antiquíssima ideologia das raças, uma rivalidade entre a raça negra, dominante nas primeiras eras da Humanidade, pela força da paixão e pela imposição do medo, contra a raça branca, que se impôs pelo espírito de autonomia e racionalidade diante dos seus adversários naturais. Essas linhas e tendências também seguem o perfil e as características das faixas vibratórias ou círculos espirituais onde habitam e atuam essas entidades. Aí, sim, identificamos diferenças de superioridade ou inferioridade segundo os princípios da hierarquia ou categoria dos espíritos definida por Allan Kardec. Sem esse conhecimento é praticamente impossível tocar no assunto das nossas diferenças e semelhanças.
Quanto aos conflitos e rivalidade,
devemos lembrar que nem a mistura de raças e costumes, nem as iniciativas
pacificadoras de confraternização conseguiram diluir os efeitos desse choque
primitivo, muito por causa da sucessão de atos vingativos e reações violentas
entre esses espíritos mais antigos e seus descendentes, pelas tramas espirituais
que se construíram entre eles.
Historicamente a grande e longa
Era que hoje governa o mundo, depois da revolução agrícola, ainda é o da
indústria, da ciência experimental e aplicativa, do território mercadológico,
que pertence à etnia branca e as demais etnias que se adaptaram ao seu modo de
vida capitalista. Etnias que se
degeneraram ou marginalizaram-se nesse contexto, incluindo alguns povos semitas da
região da Mesopotâmia e da Índia, não conseguiram se firmar diante da
civilização tecnológica. O compromisso dos ingleses em extinguir
a escravidão pelo liberalismo não foi suficiente para evitar novos confrontos e
abusos de poder.
Em muitos núcleos, brancos e
negros confraternizaram e trocaram experiências, sobretudo de conhecimentos espirituais;
noutros predominou a troca de farpas e arrogâncias. Poucos sabem que até mesmo a
figura simbólica e diabólica de Satanás, ora como entidade negra brotada das
florestas e desertos, ora como entidade branca caída dos céus, foi um milenar
jogo de provocações entre essas duas tendências etnológicas. Ambas tentando,
pelo maniqueísmo, mostrar quem era do Bem ou do Mal, etnicamente puras ou
impuras. Tanto a etnia negra como a
etnia branca eram puras nas suas origens, assim como amarelos e vermelhos. O
que desfez essa pureza cultural foram os embates bélicos e os sucessivos erros
de escolha de caminhos e destinos feitos pelos líderes dessas coletividades,
dominados pelo personalismo ou pela vingança.
Quando o Espiritismo surgiu na
Europa no século XIX, como força intelectual científica, a expor, revelar e
explicar os fenômenos tidos como sobrenaturais, em busca de uma síntese comum, imediatamente
surgiu a reação das forças opositoras, juntamente com as igrejas, tanto dos
ocultistas brancos das tradições místicas exclusivistas da Europa, como também dos
negros, por meio dos seus descentes nas colônias da América. Para eles o
Espiritismo surge como neutralizador de dogmas e meias verdades, diminuindo
significativamente o poder social dos magos e sacerdotes.
No Brasil o confronto não foi
diferente e partiu do ressentimento dos núcleos espirituais primitivos com esse
espírito passional e vingativo, alegando discriminação e preconceitos contra
seus filhos. Assim nasceu a umbanda, miscigenada e mesclada; e assim ainda se
afirma o candomblé em sua originalidade africana; ambas ainda muito envolvidas pelo sincretismo com as práticas ritualísticas católicas. Isso em nada as desabona, pois muitos candidatos
a espíritas ainda se sentem fascinados pelas seduções místicas dos cultos dogmáticos
tentando dar ao espiritismo algumas marcas das suas antigas crenças, inclusive pela via mediúnica.
E ainda é assim, para nós
espíritas, espiritismo, umbanda e candomblé são coisas bem distintas entre si,
embora isso ainda cause intranquilidade e confusão entre seus usuários e
praticantes que não conhecem nem reconhecem autenticamente suas respectivas
doutrinas e culturas. O embate entre a passionalidade e racionalidade não
significa superioridade ou inferioridade entre elas, mas somente a imposição das
marcas mais profundas de personalidade de cada uma. Nossas escolhas devem
respeitar a existência, a diferença e a convivência desses princípios.
O povo brasileiro, ainda
desinformado e pouco afeito ao estudo e à disciplina, sofre com essa
diversidade quando quer escolher um caminho espiritual e servir seus semelhantes.
Mas também, na sua ingenuidade e malícia, se aproveita disso para exercer sua
mais espontânea falta de responsabilidade e compromisso, querendo apenas ser
servido, em qualquer espaço sagrado onde lhe é permitido entrar e obter sua
satisfação mística, bem como o conforto da esperança.
Fazer o quê, senão acolher e tentar educar.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Edelso Junior veio reconhecer o Observador Espírita
No domingo passado (8) recebemos a visita do documentarista e
escritor Edelso Junior, para um bate-papo sobre diversos temas do Espiritismo e
do nosso movimento, tudo gravado em vídeo para ser exibido no Youtube e blog
Cultura Espírita, em breve. Num próximo encontro, segundo ele, só vamos falar
de História e produção historiográfica.
Trechos da entrevista: http://www.youtube.com/watch?v=3Y8woEGrzsw
http://culturaespirita.wordpress.com/
Trechos da entrevista: http://www.youtube.com/watch?v=3Y8woEGrzsw
http://culturaespirita.wordpress.com/
Ps. Edelso veio acompanhado da patroa e também do futuro diretor de arte da Edel Filmes, que está quase para renascer.
Sim, somos todos médiuns
A mediunidade como habilidade é comum nos seres humanos e
espontânea nos animais.
A mediação é natural por causa da diversidade de planos e
dimensões no Universo, todo interconectado pelas formas, leis e pela
inteligência dos seres.
Na experiência humana essa potencialidade se desenvolve de
acordo com a capacidade e necessidade de cada portador como um potencial
específico de cada um.
Dessas habilidades surgem as competências mediúnicas, fruto
das experiências e marcas individuais, naturalmente ou em função das provas e
missões dos que vão atuar nos diversos cenários. Isso não ocorre somente em núcleos filosófico-religiosos, mas em todos os ambientes onde a inteligência
vai desafiar o fenômeno e o novo: nas artes, na ciência, na política, na
educação, etc.
No mundo espiritual ou astral a mediunidade também se
manifesta ou é exercida para a intercomunicação com os planos e dimensões
superiores e inferiores.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Os mortos e os vivos
Os seres humanos, sobretudo os brasileiros,
têm um temperamento místico, herdado dos nossos antepassados, e que nos faz ver
as manifestações espíritas ainda pelo olho do sobrenatural, o eterno jogo entre
mortos e vivos explorados pelas religiões primitivas. Mesmo os espíritas ainda são
muito supersticiosos e pensam que todos os espíritos são superiores e sábios,
capazes de resolver todos os problemas e dificuldades. Esquecem que a maioria dessas
entidades que muito insistem em se comunicar conosco também são seres falidos e
carentes, que trabalham intensamente para recuperar o tempo perdido nas
encarnações nas quais falharam. Muitos deles desconhecem os mecanismos mais
simples da evolução e, apesar da boa vontade, não possuem condições de orientar
e instruir os encarnados. Outros tantos, ainda perdidos no personalismo e na
confusão psíquica, querem se fazer passar por orientadores e mestres,
solucionadores de obstáculos que nem eles seriam capazes de remover se
estivessem encarnados. Nesse aspecto, muitos de nós estão em posição superior a
eles, pois estamos no campo real de testes da carne somos portadores de
ferramentas educativas muito mais eficientes na oficina da prova diária. É
preciso saber quem realmente são os mortos e os vivos nessa história. Tudo
indica que os Espíritos Superiores verdadeiros já fizeram a sua parte e agora
cabe à nós, em posse do conhecimento já publicado e transmitido, colocar em
prática por meios próprios o que há muito já foi ensinado. Todo o resto nos
parece perfeitamente dispensável, pois é redundância e repetição.
sábado, 23 de novembro de 2013
Manifestações étnicas nas casas espíritas: conceitos e preconceitos
Esse problema nunca teve como causa os espíritos e sim os médiuns. Isso é sintomático. Quase sempre.
Espíritos que não respeitam a cultura dos locais onde se manifestam geralmente viram alvos de desconfiança.
As entidades étnicas realmente sábias e humildes não fazem questão de se manifestarem verbalmente ou impor suas crenças em ambientes onde não há rituais e práticas dogmáticas. As entidades africanas, indígenas, hindus, chinesas, etc, que são autênticas e superiores, sempre atuam de forma discreta e competente em todos os ambientes. São falanges muito disciplinadas, verdadeiras fraternidades, de comportamento humanitário exemplar, como confirmam videntes confiáveis em narrativas muito curiosas sobre essas atividades. Jamais quebram os protocolos morais e habituais do cenário onde atuam. Isso é questão de honra para eles.
Quando acontece alguma manifestação fora desses padrões conhecidos, realmente é necessário questionar e até impedir, caso haja insistência. Isso não é preconceito nem discriminação. Discriminação é tratar os iguais de forma diferente.
Espiritismo, Umbamba , Catolicismo e Candomblé são coisas diferentes. É conceito, procedimento e prática doutrinária construída historicamente nas lides espíritas e que não podem ser desprezadas à titulo de discursos pseudo-progressistas. Padres, monges, gurus e outros tipos sacerdotais receberiam o mesmo tratamento de impedimento , caso insistissem em aplicar suas práticas e ideias em ambientes espíritas.
Mesmo que aja acusação de preconceito e reação de rebeldia, como forma de assustar os presentes e confundir os trabalhos, deve-se proceder de forma doutrinária: lembrar que as casas espíritas não possuem rituais, dogmas, fórmulas, etc, e que o respeito é primordial para a convivência e o equilíbrio nas relações entre encarnados e desencarnados.
A recíproca é verdadeira. As entidades não étnicas que queiram atuar em ambientes ritualísticos devem ser discretas, autênticas e respeitosas, pois seria muito estranho se resolvessem mostrar aquilo que não são.
Lembrando: espíritos rebeldes são mais fáceis de lidar e conviver do que com médiuns sem conhecimento e indisciplinados.
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Vinícius, o poeta que cantou as dores da solidão e do suicídio
Falando em amizade e compaixão,
ninguém melhor do que Vinícius de Moraes, intérprete da alma humana e
praticante da boa camaradagem, para definir como isso funciona na prática e
como dimensionar o valor de uma amizade para quem está diante dessa possibilidade
de tirar a própria vida. Sozinho ele
sempre demonstrou uma intensa necessidade em definir a tristeza e a solidão,
males que certamente levam os mais fracos ao suicídio:
Bom dia, amigo/Que a paz seja contigo/ Eu vim somente dizer/ Que eu te
amo tanto/Que vou morrer/ Amigo... adeus...
Com o seu parceiro Toquinho,
com quem formou uma das duplas mais conhecidas da música popular brasileira dos
anos 70 e 80, cantou as mais interessantes emoções dessas duas experiências,
com muitos sucessos e poucas músicas desconhecidas do grande público. Entre
essas últimas constava do repertório deles o samba Um Homem chamado Alfredo,
talvez o único do gênero que fala de maneira sincera e comovente sobre
suicídio. Ele sabia falar dessas coisas dolorosas da vida de uma maneira muito
especial, como fez em Gente Humilde. Mas
numa letra em que fala do vizinho Alfredo (vizinho de todos nós), ele se superou
e foi a fundo, tão fundo que ao ouvirmos o relato também dá na gente uma enorme
“vontade de chorar”. O samba começa indo direto ao ponto, sem rodeios e
pudores:
“O meu vizinho do lado se matou de solidão /Ligou o gás, o coitado,
último gás do bujão/Porque ninguém o queria, ninguém lhe dava atenção/ Porque
ninguém mais lhe abria as portas do coração/Levou com ele seu louro e um gato
de estimação”
E no verso seguinte - Ah! Quanta
gente sozinha... - o poeta lamenta que
não era apenas o Alfredo o qual sofria desse mal, mas também as multidões de
gente triste, solitária e desesperada, gente simples e anônima, gente
importante e famosa. É verdade, gente famosa, gente que a “gente que gente nem
imagina”, a maioria artistas desiludidos e cansados da objetividade e mesmice
da vida exterior, também se mata como o desconhecido Alfredo.
Como Vai Você? – CVV, 50 anos ouvindo pessoas. Dalmo Duque dos Santos. Editora Aliança
terça-feira, 2 de julho de 2013
Servidos e servidores

O companheiro Wanderley Oliveira fez o seguinte questionamento no Facebook sobre esse antigo problema do Movimento Espírita. O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM AS ORGANIZAÇÕES ESPÍRITAS? É impressionante a quantidade de relatos que recebo por email ou mesmo em conversas sobre pessoas que estão se desligando do espiritismo ou do centro espírita, e buscando novas experiências espiritualistas. Independente das razões que podem ser exclusivamente de ordem pessoal, ninguém pode negar que o modelo institucional de expressiva parcela das organizações espíritas é no mínimo desanimador. As pessoas estão buscando esclarecimento e muitas vezes encontram soberba intelectual. Querem respostas e muitas vezes são convidadas a se calar. Querem esperança e afeto e muitas vezes se deparam com descortesia e até abuso. Isso cansa a quem está começando, mas desgasta também quem persevera no tempo em busca de melhorar as situações. E de forma muito sutil vai se instalando um desencanto, uma desilusão. Tem muita gente cansando dessa mesmice.
O que você acha que
nossas organizações necessitam para mudar esse quadro? Como podemos cooperar
para mudar isso?
Wanderley, esses insatisfeitos geralmente são líderes com
energia empreendedora reprimida. Aproximam-se
dos centros espíritas como quaisquer outros consumidores de ajuda espiritual e,
quando constatam que devem reassumir as rédeas dos seus destinos, passam a exteriorizar
esses conflitos em forma de provocações e críticas.
Alguns dirigentes mais habilidosos percebem esse fato,
outros não. Os que percebem tratam logo de redirecionar o problema fundando e
encaminhando-os para outros núcleos, gerando novas oportunidades. Os que não
percebem, simplesmente alimentam o conflito e repelem os mesmos.
No mais, os outros insatisfeitos são todos aqueles que
realmente não possuem afinidade mais profunda com a Doutrina, não querem
compromisso com as raízes e disciplinas da Codificação e, como não podem mudar
a si mesmos, querem mudar o Espiritismo.
Isso é histórico e cíclico. Veja o que
aconteceu, por exemplo, com os místicos e científicos, no final do século XIX; com os umbandistas na década de 1930; com os
psicologistas transpessoais nos anos 70; com os artistas pintores e alguns escritores
nos anos 80; com os projeciologistas nos anos 90; e agora com os terapeutas
alternativos, esoteristas e neo-africanistas.
Ora, cada um nos respectivos seus quadrados, triângulos,
retângulos e círculos. Todos muitos felizes e produtivos. Espero.
"Nesse mundo existem dois tipos de pessoas: o que vivem para servir e os que ainda precisam ser servidos" -Huberto Rohden
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Família espiritual
Eis algumas questões que respondemos para uma publicação espírita sobre esse tema:
- Pelo seu entendimento, existe a família espiritual?
Não no sentido
humano, de sangue ou parentesco genético. Família espiritual é apenas uma
analogia criada para explicar como funcionam as leis de afinidades que
aproximam os espíritos e fazem com que eles desenvolvam relações pessoais, de compromisso e reciprocidade. Essas
afinidades, as quais estão incluídas todas as atividades e ações humanas geram
relações espontâneas ou de causa e efeito entre os seres encarnados e
desencarnados. Sexo, conflitos e circunstâncias são as principais causas da
formação das chamadas famílias espirituais, ou seja, espíritos que se atraem
por afinidade ou compromissos e que
passam a compartilhar sucessivas experiências de evolução. Não existe,
portanto, propriamente uma família espiritual, mas uma coletividade de
espíritos afins.
- Parte da minha família espiritual pode estar hoje
encarnada, como eu? Mesmo que morem geograficamente muito longe, poderiam ter
sensações parecidas com a minha em determinados momentos (sintonia)?
As afinidades e
ligações mentais (afetivas ou repulsivas) desenvolvidas no decorrer das
encarnações ou então na erraticidade podem gerar esse fenômeno de pecepção. Não
se trata de família, mas de afinidade ou sintonia mental.
- A minha família espiritual é sempre a mesma? Ela vai
"agregando" gente com o tempo?
A lei de afinidade é
a mesma para todos os seres. Aproximação ou distanciamento depende das
experiências realizadas, bem como as necessidades atuais e futuras.
- Ocorre de eu reencarnar junto com pessoas da minha família
espiritual? Ou isso é mais incomum? E se ocorre, com qual objetivo,
normalmente?!?
A reencarnação sempre
obedece às leis de afinidade e seus derivados, já descritos. O espírito reencarna onde quer , desde que haja essa possibilidade ou
facilidade de sintonia com o ser que vai
desenvolver seu corpo. É claro que é mais fácil
uma aproximação com espíritos amigos e afins. Mesmo nos casos de
expiações, o processo é regulado pela afinidade ou necessidade do reencarnante
e também de quem está recebendo esse espírito
na condição de genitores ou educadores.
- Pode ocorrer de na minha família material ter espíritos
que são da minha família espiritual? Ou isso é menos comum??? É possível eu ter
um filho, por exemplo, que seja da minha família espiritual?? Ou uma mãe, um
pai, um irmão??
É obvio que as pessoas que encarnam entre nós tenham
afinidade ou compromisso de reciprocidade, para se efetivar a evolução.
Espíritos estranhos não se aproximam espontaneamente.
- Na prática... o que significa a "família
espiritual"? é igual à família da Terra?
Simbologia ou metáfora
das leis de afinidades, naturais ou morais: causa e efeito, justiça, amor,
evolução, etc. Família da Terra nada mais é do que um reflexo das leis
naturais.
- É de lá que viemos? é para lá que voltaremos?
Lá e cá são apenas diferente mundos ou
moradas. Os mundos ou esferas, independente da natureza da qual
eles são formados ( matéria densa ou energia menos condensada), são todos campos
de Vida e manifestação. Lá e cá são referência relativas para espíritos que
transitam entre a erraticidade e as
encarnações em mundo físicos. Um mundo
materializado acolhe espíritos nessa condição e a mesma regra funciona para os
espíritos mais purificados ou menos materializados.
- Como a família espiritual se forma? ela se modifica com o
tempo?
Afinidade e
reciprocidade. Se modifica constantemente pois a vida espiritual e psíquica é
dinâmica e exige mudanças evolutivas.
- As pessoas com quem vivemos na Terra passam a fazer parte
da família espiritual?
Sim, temos com elas afinidades e compromissos recíprocos.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
O sucessor de Pedro e as meias verdades
O cargo de Pontifex Máximus está vago. Bento XVI anunciou sua renúncia como suposto sucessor de São Pedro.
O pontifex era uma magistratura sacerdotal romana criada séculos antes do cristianismo e que se dedicava aos rituais de Estado. Júlio César foi um deles (a César o que é de César).
Para a Igreja institucional a adaptação foi perfeita, pois ela seria tudo aquilo que Jesus sempre repudiou: política e meias verdades.
Para Pedro, símbolo moral da igreja espiritual, esse cargo que ele nunca exerceu e certamente também repudiaria, é uma ofensa à Jesus, à sua proposta de humildade e opção pelos pobres e oprimidos. Pedro nunca foi papa e não há provas históricas disso. Seria incompatível com essa doutrina de dogmas e rituais do paganismo.
Tudo que vai contra à sua política e as meias verdades, a Igreja logo trata de punir e extirpar dos seus quadros. Francisco de Assis foi um exemplo disso. Foi enviado pelo Plano Espiritual Superior para neutralizar os abusos e desvios do clero e foi seriamente perseguido. As tentativas de renovação foram inúmeras, mas o poder clerical é sempre mais forte do que a fé e a humildade.
Sempre pegaram no pé o Espiritismo, desde o início, porque sentiram que a coisa era séria e poderia abalar definitivamente os alicerces frágeis do catolicismo. Kardec logo foi vítima da Inquisição e seus livros foram queimados na Espanha, principal reduto obscuro da Igreja corrompida.
Mas não adianta, a fé a Verdade se farão nos quatro cantos do mundo, queiram ou não queiram os homens.
O pontifex era uma magistratura sacerdotal romana criada séculos antes do cristianismo e que se dedicava aos rituais de Estado. Júlio César foi um deles (a César o que é de César).
Para a Igreja institucional a adaptação foi perfeita, pois ela seria tudo aquilo que Jesus sempre repudiou: política e meias verdades.
Para Pedro, símbolo moral da igreja espiritual, esse cargo que ele nunca exerceu e certamente também repudiaria, é uma ofensa à Jesus, à sua proposta de humildade e opção pelos pobres e oprimidos. Pedro nunca foi papa e não há provas históricas disso. Seria incompatível com essa doutrina de dogmas e rituais do paganismo.
Tudo que vai contra à sua política e as meias verdades, a Igreja logo trata de punir e extirpar dos seus quadros. Francisco de Assis foi um exemplo disso. Foi enviado pelo Plano Espiritual Superior para neutralizar os abusos e desvios do clero e foi seriamente perseguido. As tentativas de renovação foram inúmeras, mas o poder clerical é sempre mais forte do que a fé e a humildade.
Sempre pegaram no pé o Espiritismo, desde o início, porque sentiram que a coisa era séria e poderia abalar definitivamente os alicerces frágeis do catolicismo. Kardec logo foi vítima da Inquisição e seus livros foram queimados na Espanha, principal reduto obscuro da Igreja corrompida.
Mas não adianta, a fé a Verdade se farão nos quatro cantos do mundo, queiram ou não queiram os homens.
Eis a mensagem que Kardec recebeu dos seus orientadores sobre esse assunto:
A Igreja
PARIS, 30 DE SETEMBRO DE 1863.
(Méd. sr. d’A...)
Eis-te de retorno, meu amigo, e não perdeste o teu tempo; à
obra ainda, porque não é preciso queimar a bigorna. Forja, forja armas bem
temperadas; repousa de teus trabalhos por trabalhos mais difíceis; todos os
elementos ser-te-ão colocados nas mãos, na medida da necessidade.
É chegada a hora em que a Igreja deverá prestar conta do
depósito que lhe foi confiado, da maneira pela qual praticou os ensinamentos do
Cristo, do uso que fez de sua autoridade, enfim, do estado de incredulidade ao
qual conduziu os espíritos; é chegada a hora em que ela deverá dar a César o
que é de César e incorrer na responsabilidade de todos os seus atos. Deus a
julgou, e a reconheceu imprópria, doravante, para a missão de progresso que
incumbe a toda autoridade espiritual. Não seria senão por uma transformação
absoluta que poderia viver; ela, porém se resignará a essa transformação? Não,
porque então não seria mais a Igreja; para se assimilar as verdades e as
descobertas da ciência, seria necessário renunciar aos dogmas que lhe servem de
fundamento; para retornar à prática rigorosa dos preceitos do Evangelho,
ser-lhe-ia necessário renunciar ao poder, à dominação, trocar o fausto e a
púrpura pela simplicidade e a humildade apostólicas. Está entre duas
alternativas; se ela se transforma, se suicida; se permanece estacionária,
sucumbe sob a opressão do progresso.
De resto, já Roma está na ansiedade, e sabe-se, na Vida
Eterna, pelas revelações irrecusáveis, que a Doutrina Espírita está chamada a
causar uma viva dor ao papado, porque o Cisma se prepara rigorosamente na
Itália. Não é preciso, pois, admirar-se da obstinação que o clero põe para
combater o Espiritismo, sendo a isso levado pelo instinto de conservação; mas
já viu as suas armas se enfraquecerem contra esse poder nascente; os seus
argumentos não puderam ter a inflexível lógica; não lhe resta senão o demônio;
é um pobre auxiliar no século XIX.
De resto, a luta está aberta entre a Igreja e o progresso,
mais do que entre ela e o Espiritismo; é o progresso geral das idéias que lhe rebate
os argumentos de todos os lados, e sob o qual sucumbirá, como tudo o que não se
coloca em seu nível. A marcha rápida das coisas deve vos fazer pressentir que o
desfecho não se fará esperar por muito tempo; a própria Igreja parece impelida
fatalmente para o precipício. (Espírito d’E.)
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Assim é que se faz
Espíritas não terão aula de ensino religioso
Conselho alega que
divulgação de conhecimentos sobre o credo deve ser gratuita, sem pagamento de
professores.
O GLOBO:27/06/12
RIO - Os estudantes espíritas das 80 escolas municipais que começarão a ter aulas de ensino religioso a partir do segundo semestre não terão a disciplina de seu credo. O Conselho Espírita do Estado do Rio deliberou por não aderir ao projeto da prefeitura de implementação da modalidade confessional nas salas de aula. A Secretaria municipal de Educação confirmou que as dez vagas reservadas no concurso para professores foram abolidas.
— Há um movimento espírita organizado, que foi procurado
pela prefeitura. No conselho, reforçamos a posição de que todo o nosso trabalho
é gratuito. Dentro dessa visão, não há sentido pagar para que professores deem
aula da religião nas escolas municipais. Temos mais de 700 casas espíritas no
Rio. Qualquer pessoa que se interessar, pode visitar uma delas, e aprender os
conhecimentos gratuitamente — destacou Cristina Brito, diretora de relações
externas do Conselho Espírita do Rio.
A posição da entidade segue a mesma linha tomada após a
publicação, em 2000, de uma lei do deputado Carlos Dias, sancionada pelo então
governador Anthony Garotinho, que criou a disciplina de ensino religioso também
da modalidade confessional, voltada para cada credo, na rede estadual. Um
documento divulgado em 2002, disponível na internet, afirma que “cabe
indiscutivelmente à família a formação religiosa dos filhos, por não ser função
da escola”.
Outro trecho do documento diz que “o confessionalismo
religioso nas escolas não é recomendável pois, embora seja tal ensino
facultativo ao aluno, sua inclusão legal em carga horária curricular poderá
acender atavismos (reaparecimento de um caráter presente em ascendentes
remotos) segregadores do ódio entre religiões que tanto já fizeram sofrer a
humanidade”.
Disciplina será oferecida a alunos do 4º ano
Com a exclusão dos dez docentes espíritas, passam a ser 90
professores a darem aulas a partir do segundo semestre nas 80 escolas: 45
católicos, 35 evangélicos e dez de religiões afro-brasileiras. Ao contrário do
que havia divulgado na semana passada, a Secretaria de Educação afirmou que
serão estudantes do 4º ano do ensino fundamental os primeiros a serem
contemplados com uma aula por semana da disciplina. A informação anterior era
de que seriam crianças do 1º ao 3º ano do fundamental.
Apenas os alunos cujos pais deram autorização, durante a
pré-matrícula, terão o ensino religioso confessional. O restante terá lições de
“educação para valores” (apresentação de temas ligados à ética e à cidadania)
durante o tempo vago.
A iniciativa da Secretaria de Educação é consequência de uma
lei, proposta pelo próprio Executivo, aprovada em outubro do ano passado pela
Câmara, e sancionada logo em seguida pelo prefeito Eduardo Paes. O texto criou
a categoria de professor de ensino religioso nos quadros da rede, abrindo a
possibilidade de concurso para até 600 docentes. A regra estabelece que os
profissionais contratados devem ser credenciados pela autoridade religiosa
competente.
sábado, 8 de dezembro de 2012
A sombria e majestosa Mantiqueira
Fomos buscar em “Memórias de um
suicida” respostas para algumas interrogações, dúvidas essas que já haviam sido
positivamente instigadas pelas palavras de um companheiro na abertura da
reunião de uma conhecida instituição de prevenção do suicídio, hoje areligiosa,
sobre o contato histórico que seus fundadores e colaboradores tiveram com Yvone Pereira em 1972. O livro de Camilo Castelo Branco
(capítulo III - "Homem, conhece-te a ti mesmo" ) não dá indicações
diretas sobre onde fica Esperança,
mas insinua veladamente sua localização, que tem tudo a ver com as nossas obras
no vale do Paraíba, região onde a espiritualidade marianista é intensa tanto no
universo católico como entre os espiritualistas.
Quem ali temporariamente estaciona, como eu estacionei, são grandes
vultos do crime! É a escória do mundo espiritual - falanges de suicidas que
periodicamente para seus canais afluem levadas pelo turbilhão das desgraças em
que se enredaram, a se despojarem das forças vitais que se encontram, geralmente
intactas, revestindo-lhes os envoltórios físico-espirituais, por seqüências
sacrílegas do suicídio, e provindas, preferentemente, de Portugal, da Espanha, do Brasil e colônias portuguesas da África, infelizes
carentes do auxílio confortativo da prece; aqueles, levianos e inconseqüentes, que,
fartos da vida que não quiseram compreender, se aventuraram ao Desconhecido, em
procura do Olvido, pelos despenhadeiros da Morte!
Não sei como decorrerão os
trabalhos correcionais para suicidas nos demais núcleos ou colônias espirituais
destinadas aos mesmos fins e que
se desdobrarão sob céus portugueses, espanhóis e seus derivados. Sei apenas é
que fiz parte de sinistra falange detida, por efeito natural e lógico, nessa
paragem horrenda cuja lembrança ainda hoje me repugna à sensibilidade.
Ele também dá indicação não
somente das razões dos nossos compromissos, mas também das raízes do
conhecimento empregado para nos preparar para essas tarefas. Reparem o
currículo da escola que ele frequentou ao sair do Vale Sinistro.
A CIDADE ESPERANÇA E SUA
LOCALIZAÇÃO
Encantados, eu, Belarmino, João e mais os amigos brasileiros Raul e
Amadeu, que se haviam incluído em o nosso antigo grupo, mal chegáramos ao Burgo da Esperança, logo nos
sentimos atraídos para o novo monitor, e ansiosos pelas lições que se
seguiriam. E supúnhamos que idênticas impressões animavam os demais colegas,
porque percebíamos sorrisos de satisfação e lidimo interesse esvoaçarem pela
assistência.
Entretanto, o aprendizado científico seguiu curso normal, alternando-se
com o que vínhamos antes recebendo e mais os conhecimentos práticos através das
aulas do eminente Souria-Omar.
Assim foi que o respeitável ancião ministrou-nos o encantamento de
presenciarmos o nascimento e progressão, lenta e esplendente, do próprio Globo
Terrestre! O que superficialmente conhecíamos (permitam-me que assim me
expresse ante a magnificência do que, então, me foi concedido apreciar) através
dos códigos de Ciência terrestre, isto é, da Geologia, da Arqueologia, da Geografia,
da Topografia, o ilustre instrutor levantou da dobagem dos milênios para nos
ofertar como o presente descrito em cenas vivas, em atividades reais, como se
houvéramos participado, com efeito, do nascimento e crescimento da generosa
estância do sistema solar que um dia nos abrigaria, protegendo nossa ascensão
para o Infinito, auxiliando-nos no aperfeiçoamento do germe divino que em nós
outros, Homens, como nela própria, também palpita! Tudo presenciamos: a
centelha em ebulição, as trevas do caos, os aguaceiros e dilúvios
aterrorizantes, os grandes cataclismos para a formação dos oceanos e rios, o
maravilhoso advento dos continentes como o nascimento das montanhas majestosas,
cadeias graníticas eternas como o próprio globo, tão conhecidas e amadas por aqueles
que na Terra têm feito ciclo de progresso: os Alpes sombranceiros quais
monarcas poderosos desafiando as idades, os Pirineus graciosos, o Himalaia e o
Tibet venerandos, a Mantiqueira*
sombria e majestosa, todos, em épocas diversas, surgiram do berço
diante de nossos olhos deslumbrados, arrancando lágrimas de nossas almas, que
se prosternavam, tímidas ante tanta grandeza, tanta beleza e majestade! Mas,
antes disso, em prosseguimento feérico de maravilhas, a luta dos elementos
furiosos para o crescimento do pequeno continente do céu, o oceano conflagrado
em convulsões pavorosas, sacudindo o seio nascente do mundo imerso em solidão,
o cataclismo dos ventos e tempestades a que nada poderá fornecer ao homem idéia
aproximada... assim como os primeiros sinais de movimento e vida no leito
imenso das águas convulsas, a vegetação, fabulosa e tétrica, no gigantesco
volume das proporções... os dinossauros monstruosos, os lagartos de forma e
força inconcebíveis à delicadeza corporal do
Homem, os mastodontes, a Pré-História! Era um livro tenebroso, imenso,
magnífico, Epopéia Divina da Criação, desferindo alguns poucos acordes da sua
Imortal Sinfonia através do Infinito do Tempo, da Eternidade das Coisas! E
nesse livro soletrávamos o a b c da Iniciação, gradativamente, pacientemente,
às vezes empolgados até ao delírio; de outras, banhados em lágrimas até ao
temor, mas sempre ávidos e encantados, ansiosos por mais conhecimentos,
lamentando mais do que nunca nossas diminutas forças de suicidas, que nem a
terça parte nos permitia entrever do programa excelso ofertado pela Natureza!
*Palavra de origem
tupi, não utilizada em Portugal, e que significa gota de chuva. Ao nosso ver
trata-se da Serra da Mantiqueira.
O CURRÍCULO DA ESCOLA
De todos os conhecimentos que gradativamente adquiríamos, cumpria-nos
apresentar pontos construídos por nós próprios, criar exemplos em teses que
muito honrariam os institutos terrenos, caso quisessem adotar os mesmos ensinos
para esclarecimento e moralização de seus alunos; extrair análises, tudo o que
viesse provar nosso aproveitamento na iniciação do psiquismo. Forneciam-nos
para tanto álbuns belíssimos, cadernos e livros lucilantes quais flocos de
estrelas, e até aparelhos melindrosos, aos quais nos ensinavam acionar, para
que também aprendêssemos a projetar para outrem as exemplificações que
criávamos, ou mesmo as análises extraídas dos exemplos fornecidos pelos mestres
durante as aulas práticas na Terra ou em outra localidade de nossa Colônia. Daí
a criação de minhas novelas e a ansiedade de ditar obras aos médiuns, pois,
durante as aulas práticas existia permissão para fazê-lo, sempre que um e outro
trabalho por nós composto conseguisse aprovação dos maiorais; daí nosso
sacrifício de tentarmos, durante cerca de trinta anos, escrever algo, que a um
só tempo testemunhasse a Deus nosso reconhecimento pelo muito que Sua
Misericórdia nos permitia e o desejo de relatar aos nossos irmãos de
infortúnio, encarcerados nas dores terrenas, o que o Além lhes reservava. Para
tal cometimento não haveria necessidade de sermos escritores, porque o
aprendizado com nossos mentores nos educava o sentimento, equilibrando-nos o
raciocínio de molde a conseguirmos servir à Verdade que nos rodeava!
Muita aplicação e devotamento exigiam esses estudos transcendentes, porquanto
eram vastíssimos os campos de observação, como grandiosos os motivos
diariamente deparados. Convém enumerar as palpitantes matérias estudadas e
auscultadas por nós outros até onde nos permitiram as forças mentais que
possuíamos:
- Gênese planetária ou Cosmogonia - Pré-História - A evolução do ser -
Imortalidade da alma - A tríplice natureza humana - As faculdades da alma - A
lei das vidas sucessivas em corpos carnais terrenos, ou reencarnação - Medicina
Psíquica - Magnetismo - Noções de
magnetismo transcendental - Moral Cristã - Psicologia - Civilizações terrenas
Alternados com as aulas de Evangelho, tais estudos apresentavam
correlação íntima com aquelas, o que nos impelia a melhor compreender e venerar
a sublime personalidade de Jesus Nazareno, ao qual passamos a distinguir, tal
como faziam nossos instrutores, como o chefe supremo da Iniciação, pois, com
efeito, em todos os compêndios que consultávamos, buscando elucidação na
Ciência, deparávamos lições, claros ensinamentos, atos e exemplos daquele
Grande Mestre, como padrão máximo de sabedoria e verdade, modelos
irresistíveis, bússolas que nos convidavam a seguir para atingirmos a
finalidade sem os desvios oriundos do engodo e das falsas interpretações.sábado, 24 de novembro de 2012
O exemplo
Dia desses, enquanto preparava alguma postagem para Facebook, fomos até cozinha tomar água quando nos ocorreu esse pensamento, que certamente não foi nosso. Achamos curiosa a forma como essa ideia chegou até nossa mente, como uma resposta rápida a uma dúvida.
“O exemplo não tem somente dimensão visual e sonora, pelos
gestos e palavras; ele também é captado e reproduzido por mecanismos mentais
invisíveis e ocultos aos olhos humanos. Por isso não é possível esconder o que
somos diante das pessoas que nos observam com interesses íntimos,
principalmente as crianças”.
sábado, 27 de outubro de 2012
Sempre em nome de Deus
Temos recebido muitos e-mails sobre a propagação da intolerância contra os espíritas na internet, atividade que antes era restrita nos núcleos religiosos mais conservadores e que agora, com a enorme facilidade de comunicação, se espalha pela rede digital sem nenhum critério e controle. É o preço que todos pagamos pela liberdade de expressão.
Os ataques ao espiritismo sempre partiram de pessoas e grupos que se sentem desconfortáveis em suas crenças frágeis e dogmáticas,muitas delas fruto de pertubações íntimas inconfessáveis. Os detratores possuem afinidade e ligações mentais com forças reacionárias que trabalham incansavelmente, em várias frentes, para inibir a renovação e trasnformação da sociedade (ainda controlada pela aristocracia do dinheiro e da força) para um mundo compartilhado por todos que usam a inteligência e o poder de influência pelo bem estar coletivo. Não é somente os espiritismo que sofre esses ataques, mas todos os movimentos humanitários que lutam contra todas as formas de opressão e violência.
O espiritismo tem o poder de esclarecer e libertar mentes e isso é uma ameaça ao status daqueles que se acostumaram a viver criminosamente da exploração e escravização e consciências. Com o estabelecimento irreversível das liberdades e da transparência social, essas forças abusivas, infiltradas em todas as áreas de interesse, não medem esforços nem métodos para reaver seus antigos privilégios. Encontram facilmente entre os encarnados e desencarnados, médiuns dispostos a veicular suas mensagens de desequilíbrio e confusão. Um exemplo muito claro dessas ações são as traduções tendenciosas de textos bíblicos, exaltando o fundamentalismo e a intolerância. Neles vemos a inserção criminosa da palavra espiritismo e seus derivados, sempre associada às práticas e ritos religiosos primitivos condenados historicamente nessas narrativas. Palavras que foram criadas há apenas pouco mais de um século não deveriam constar em textos que são sagrados pela antiguidade dos milênios. Falsificar a Bíblia deveria ser, principalmente para os seus seguidores, o pior de todos os crimes contra Deus e contra a verdade.
O que fazer?
O que devemos primeiramente é estar atentos e preparados para responder com a coerência e o bom senso, isto é, não nos igualar aos detratores nos seus métodos e ações. A intolerância por si só é incoerente e com o tempo trona-se repetitiva e solitária; convence e engana por algum tempo, causa danos, mas não consegue ser permanente.
As entidades federativas e grupos caracterizam a nossa expressão coletiva podem solicitar, diplomaticamente, que as instituições responsáveis por essas publicações reavaliem suas políticas editoriais e retirem dessas traduções todas as palavras e expressões que motivam o preconceito e a intolerância contra o espiritismo. Se necessário, e sempre de forma equilibrada, caso haja intransigência pela outra parte envolvida, é possível apelar para os direitos constitucionais dos espíritas, pelos meios jurídicos legítimos e conhecidos. Certamente isso não vai eliminar a causa do problema, que é de ordem moral, mas vai ajudar muito na educação de ofendidos e ofensores.
sábado, 13 de outubro de 2012
Caravanas de evangelização e favelas
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Aristocracia intelecto-moral ou Superclasse?
Pirâmide da Superclasse, segundo David Hotkopk. Aristocracia do Intelecto? Intelecto Moral?
No século XIX Allan Kardec antecipou um fenômeno social que
está ocorrendo hoje e que é objeto de estudos de vários pensadores e analistas
de geopolítica. Entre eles está David Hotkopf, ex-assessor de Bill Clinton. Sua
abordagem se concentra na mudança das esferas de poder, registrada em dois
livros: Superclass, Global Power, já
traduzido e publicado no Brasil; e Power
Inc. (sem tradução). No primeiro ele identifica uma nova elite ou
aristocracia carismática, cujo poder de influenciar pessoas vem superando a
aristocracia da força bruta e do dinheiro, que reinou até o fim da Guerra Fria.
Pessoas como o cantor Bono Vox, a atriz Jane Fonda e o escritor Paulo Coelho
estão numa lista de 6 mil pessoas mais influentes do mundo, juntamente com o
magnata do petróleo Carlos Slin, os donos do Google e estadistas como Lula e Barack
Obama. Na lista há também traficantes de armas e terroristas, mostrando a neutralidade
realista do estudo. Para ele, a ONU perdeu um pouco seu brilho e o centro da
cidadania nacional de Nova York vem se deslocando para Davos, no Fórum Econômico
Mundial. Davos é ponto de encontro de cidadãos globais. Já no livro Power Inc. Hotkopf
traça um histórico das relações íntimas das mega corporações empresariais com
os Estados, demonstrando que essa realidade tende a mudar muito nas próximas década com
o advento da Era da Transparência Digital ou Era do Weakleaks. Nada mais é segredo,
nada mais é privativo. Portanto, façamos sempre a coisa certa. Julgamentos do STF (do tipo Mensalão) eram
escondidos da opinião pública, como segredos de Estado. Hoje estã na mídia. Na Era das Redes
Sociais as coisas estão mudando e as empresas também deverão se afinar no mesmo
diapasão.
Mais uma vez, tiramos o chapéu (ou o boné) para Kardec, lembrando que o nosso mestre espírita
visualizou há mais de 140 anos o advento de uma nova sociedade e humanidade. Antes que isso aconteça, é claro, na Superclasse e na onda da Sustentabilidade
, vão estar incluidos aqueles que ainda não assimilaram a nova moral planetária,
como os criminosos digitais, os terroristas, enfim , a escória inteligente e
influente (os psicopatas de terno e gravata) que ainda vão demorar algum tempo para
se mudar de planeta. Isso faz parte do processo de regeneração.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Crianças médiuns

Vimos, na última quinta-feira - eu, minha filha e minha mãe - esse estranho e muito engraçado desenho sobre os problemas de uma criança com dons mediúnicos. Minha filha, de dez anos está na fase do medo; minha mãe só observa, recordando suas experiências de menina e adolescente e eu continuo na complicada fase da auto-suficiência, achando que posso tirar tudo de letra, até que aconteça algum baque. O cinema estava cheio de médiuns e sinceramente nem me dei conta que poderia estar cheio também de desencarnados. Apenas nos divertimos e demos muitas gargalhadas. O desenho é da cultura espiritualista dos Estados Unidos e lembra a história das irmãs Fox e do episódio das bruxas de Salém, suas predecessoras ( ou elas mesmas e seus perseguidores reencarnados). Para o público comum, bobagem e superstição. Para os que têm olhos de ver, ótima diversão , seguida de interessantes reflexões.
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