segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Sacudindo a "inhaca" do preconceito



 O movimento espírita e espiritualista no Brasil, no campo das crenças e das práticas medianímicas, infelizmente, ainda conserva a péssima pretensão de ser a Casa Grande. Essa negação defensiva e até hostil contra a Senzala um dia terá que acabar. É preciso conhecer, dialogar, reconhecer e saber respeitar.

Quando criança tive uma febre fora dos padrões normais. Minha mãe me levou ao médico e este não conseguiu explicar nem medicar o problema. Ele mesmo, sabendo das nossas crenças e costumes, sugeriu fôssemos até uma conhecida médium da cidade. Lá ela foi instruída por um Preto Velho para que eu tomasse um chá de folha de laranjeira. O problema é que, na época, a praga do "cancro cítrico" tinha se espalhado na cidade e os pés de laranja e limão haviam sido cortados pelas autoridades sanitárias. O Preto Velho então indicou que havia ali perto uma casa na qual ainda tinha um pé de laranja escondido no fundo do quintal. Minha foi até a casa, bateu palmas, foi atendida e pediu uma folha da laranjeira. A dona da casa estranhou muito o pedido, pois o pé estava escondido sob um tambor de latão, mas não negou ajuda. Segundo o Preto Velho, minha febre era emocional e que teria isso pela vida inteira. Isso pode não ser espiritismo de mesa branca ou kardecismo, mas certamente se chama sabedoria e caridade.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Ciladas do destino

O canal Telecine Cult exibiu hoje o filme francês “O Filho do Outro”, sobre bebês trocados, e que mostra a farsa e a insanidade do conflito entre árabes e judeus. Adolescente filho de um coronel prestes a se alistar no exército de Israel descobre que é filho de um casal palestino e que o filho judeu de verdade vive com os pais numa área isolada da Palestina. A trama é um efeito contemporâneo da história de Abraão e da escrava Hagar, cujo filho Ismael gerou a tribo semita dos árabes. Interessante que os dois irmãos palestinos (um deles judeu sem saber) são fãs do nosso futebol e usam camisas da seleção brasileira para jogar bola nas ruas. Para quem não se lembra, o Brasil foi o autor do voto de desempate para a criação do Estado de Israel em 1948 na ONU (Oswaldo Aranha, descendente de cristãos novos). O escritor Humberto de Campos (Espírito), por meio de Chico Xavier (Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho), afirma num relato histórico-poético que Ismael é a entidade espiritual máxima e protetora do Brasil, nação forjada na mistura de raças e criada pelo Alto para receber culturas do mundo inteiro, sobretudo as que perderam o chão e a esperança.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Projeto importante nas bancas

A Revista História Viva (Duetto Editorial, n°53, janeiro de 2015) contemplou o Espiritismo como destaque especial da sua coleção Grandes Temas. O editor Vinícius Palermo nos procurou e gentilmente solicitou a nossa participação no projeto, a qual, por impedimento pessoal, só pudemos atender com algumas opiniões sobre alguns aspectos desse tema tão amplo e abrangente (ver o artigo do professor Adolfo de Mendonça Júnior, página 36). A revista traz artigos de pesquisadores em diversas tendências nas quais a doutrina espírita se manifesta, bem como dos diálogos que naturalmente faz com as demais áreas do conhecimento. A neutralidade científica do artigos e das declarações pode até não ser do gosto ideológico dos adeptos das doutrinas citadas nos textos, porém revela o compromisso e a tentativa de isenção, sempre necessário para dar credibilidade aos temas abordados. Sem dúvida é um material que não contempla todos os aspectos (faltou, por exemplo, a influência da educação), tem pequenas falhas de análise, pelo fato dos pesquisadores ainda desconhecerem as particularidades do movimento espírita, mas nada grave e que comprometa o conjunto do projeto. Existem muitos pesquisadores espíritas e não espíritas, bem como da umbanda e do candomblé, que certamente poderiam ter enriquecido ainda mais a publicação, caso houvesse tempo e espaço editorial para tanto. Enfim, é uma ótima iniciativa e certamente não será a última pois o Espiritismo ainda tem muito o que dizer e explicar sobre suas bases, repercussões e influência na sociedade brasileira e no mundo atual. Parabéns ao editor e sua equipe!

domingo, 4 de janeiro de 2015

BOMBA RELÓGIO da Saúde Mental:


O Ministro Arthur Chioro diz que ainda falta fechar 178 hospitais psiquiátricos, que segundo ele são "maquinas de romper vínculos familiares e sociais e também de cronificação de doenças". Para o ministro os pacientes em crise devem usar os Caps e serem internados em hospitais no máximo por 72 horas. E depois voltam ao Caps para acompanhamento. Tudo apoiado pelas famílias. É o que diz uma lei federal sobre o assunto. Mas, e quem não tem família? São milhares de pacientes acolhidos por instituições de beneficência (que não são manicômios públicos) e dezenas de milhares abandonados nas ruas e rodovias. Outro estopim aceso: os hospitais estão falidos e com seus bens alienados em dívidas bancárias sucessivas para cobrir as folhas de pagamento. O Ministério da Saúde se nega a dar verbas para quem mantém esse modelo hospitalar.  Como fechar  um hospital?  Para onde vão os pacientes?  Quem vai pagar as contas?  E como elas serão pagas?


Foto: o célebre artista Bispo do Rosário e sua ficha de indigente num antigo manicômio público.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Moisés e Deus



Diálogo no Facebook, à propósito do novo filme de Redley Scott.

 Fui ao cinema ver Êxodo. Sala lotada para ver a velha história sob novos efeitos especiais. Eu e Verônica (minha filha) quase congelamos com o ar condicionado no máximo. Quem assiste naturalmente fica dividido entre o mito e a racionalidade desse clássico episódio bíblico. O diretor Redley Scott, sempre fascinado por antropologia, humaniza Moisés, atualiza a leitura da bibliografia judaica, porém insiste na possibilidade humana de sintonizar forças e inteligências de outras dimensões do universo. Para ele os fenômenos relatados continuam sendo metáforas de situações-limite da existência. O homem vê Deus como uma criança petulante e Deus vê o homem como um adulto que não abandonou a infância. Legal.

Sidnei* -Difícil a relação do homem com Deus, não acha?

Dalmo - Relação de amor e ódio, até que as polaridades se tornem uma coisa só. Demora milhões de anos.

S- Nós inventamos Deus fora de nós e o vemos como uma outra pessoa ou outro ser. Na visão de Santo Agostinho isso é pecado. O que você pensa disso?

D- Agostinho via o pecado como como um desvio natural que precisa ser corrigido diariamente. Nós não inventamos Deus, ele sempre esteve em nós. Como somos humanos, Deus obviamente se torna humano, lutando contra o exterior (os instintos). Se negamos a razão e cultivamos a animalidade, Deus desaparece, embora permaneça oculto. Na medida que avançamos na razão Deus deixa de ser alguém (pessoal) e passa ser alguma coisa não humana. Kardec pergunta aos Espíritos o que é Deus e não quem é Deus. Zenon o definiu como o Logos Spermatikus. Nossa semelhança com Deus é a mente e não o corpo. Spinoza e Einstein definem Deus com a mente universal.

S- Estava vendo alguns vídeos ontem que contestam a teoria evolucionista. Inclusive um que afirma que o ser humano vive na terra há bilhões de anos. E, num certo ponto lá, o autor fala que admitir a teoria evolucionista seria considerar o homem apenas matéria, quando na verdade trata-se se matéria, mente e consciência, de acordo com religião védica.

D- A oposição criacionismo versus evolucionismo é ideológica e maniqueísta. Darwin só corfirma Deus como uma inteligência que atua pelas leis da natureza e não como magia simples. A tese de Teilhard Chardin (Fenômeno Humano) é a que mais se aproxima da leitura científica. A tradição védica é amelhor de todas elas (Doutrina Secreta de Helena Blavatsky). A Gênese de Kardec faz uma síntese de tudo isso.

S- No caso, o Autor afirma que a comunidade científica esconde evidências de forma a manter uma ditadura do conhecimento e evolucionismo para preservar as suas carreiras. Mas, o que achei interessante mesmo é que a consciência individual evoluiria também e numa velocidade diferente do corpo físico, o que justificaria os ciclos e a presença aqui há muito tempo do que admite a nossa vã filosofia.

D- É provável, pois instituiu-se uma luta ideológica entre pseudos cientistas e pseudos teólogos. A briga se enveredou para uma disputa de argumentos sem fim e perdeu o foco e a razão. Provar versus negar. A evolução da consciência é atemporal, embora precise do tempo biológico na fase inicial.

S- Agora, como é possível suportar todo o saber e todas as nossas experiências num único corpo físico sujeito ao tempo e numa vida tão curta. Seria preciso muito mais anos ou será que somos tão amaldiçoados que temos apenas que nos conformar com a nossa finitude e as nossas escolhas erradas?

D- Seria impossível. Uma existência física é um limite para realizar experiências que precisam ser contínuas, em outras existências. Isso acontece em todas as formas e sêres. Dormimos no Mineral, sonhamos no Vegetal, acordamos parcialmente no Animal e finalmente caímos em si no Hominal. E as crises continuam...

S- Difícil. Deus então seria totalmente racional? Ou melhor, o caminho é através da razão? Como fica a providência nesse caso, então?

D- Segundo os entendidos é a Razão, não a razão humana, cheia de lacunas e incompleta. Razão Plena. Somos uma imitação.

S- A Força, de Guerra nas Estrelas, por exemplo?

D- Providência são as leis da Natureza, intervenções espontâneas. A Lei do Amor e da Justiça são expressões da inteligência divina, provisões divinas para corrigir erros no percurso humano. A Providência ainda é incompreensível pela razão humana. As "fêmeas" compreendem, embora não saibam explicar. Elas são um ótimo exemplo de providência, enquanto os "machos" são exemplos de provisão. Aquele roteiro filmado por George Lukas é uma metáfora da lei da polaridade universal e quem também se manifesta no interior humano. No planeta Terra existe o mito dos Dragões se opondo ao Cordeiro, há muitos milênios.

S- O que é a suposta consciência da realidade, que leva ao livre arbítrio e etc?

D- Percepção do tempo. Se entendermos o tempo, assumimos o controle das circunstâncias. A maioria de nós  percebe o tempo de forma distorcida e não temos o controle das situações.

S- Percepção do tempo? O que vem a ser isso? O tempo a que estamos sujeitos?

D- Tempo biológico (cronológico) e tempo psicológico (mental). Kronos e Kairós dos gregos. A fusão desse dois tempos é a consciência.

S- Mas, quem é o senhor do momento oportuno? Nós ou a divindade? Isso causa muita frustração.

D- Creio que é a Divindade, enquanto nossa percepção for limitada. Ao ampliar a percepção a Divindade permite o amplo uso do livre arbítrio. Mesmo porque nesse processo contínuo cometemos tantos erros que seria impossível termos liberdade total de ação.

S- Trata-se então de ampliar a percepção. Mas essa ampliação não ocorre somente através do livre arbítrio? Então como atingir? Então a Divindade estaria sendo paternalista conosco?

D- Essa é uma imagem pedagógica criada por Jesus ou pelos tradutores dos Evangelhos. É uma imagem que se aproxima muito das tentativas humanas de compreender Deus. O tempo e a percepção que temos dele é chave do Universo. Einstein não veio ao mundo só para mostrar a língua.

S- Os próprios princípios da física quântica, a dualidade onda/partícula e a interferência da observação humana na formação da realidade. Mas, nada disso dá conta da imensa solidão que sentimos nessa terra insuportável e do silêncio da divindade. Do jeito que coisa anda nunca encontraremos Kairós e se encontrarmos não o reconheceremos. Toda a nossa vida, nossos propósitos, projetos, carreira e tudo o mais está orientado por Chronos. Ele é o senhor deste mundo: Chronos, o devorador.

D- Inexovável. Mas temos a mente, inviolável, exclusividade divina em nós. Não dependemos só do relógio. Temos a Bússola.

S- Acho que eu desanimei.

D- Você sabe que muitos assassinos (psicopatas) matam porque sentem a ausência da figura paterna ou materna, que também é incapacidade de compreender Deus. Incapacidade de amar. Os que se matam também sofrem essa crise. Matar a si é uma tentativa de matar Deus.

S-  Aí a crise já enveredou para a aniquilação do próprio ser. A impressão que dá é que fomos abandonados aqui e foi dito: se vira malandro, agora é com você. Tipo jogos vorazes sabe? Onde está o amor em tudo isso? Se formos analisar bem, este mundo é um absurdo total.

D- Adaptação. Quando Deus quer falar com o homem de forma mais dura, ele diz: Adapte-se! Assumir o comando da própria vida é isso.

S- Olha, Dalmo, não tenho dúvidas que essa experiência nossa aqui é muito enriquecedora. Seria maluco se não dissesse isso e jamais teria sentido o amor se negasse o fato. Mas, cara, como é duro.

D- A dor e o destino. Os doze trabalhos de Hércules.

S- Então, isso que é o ótimo da coisa. Mas é o medo que dá, a sensação de que a ponte é curta demais, que o bicho está te alcançando. Isso é que é foda. Vou te falar uma coisa, quando eu morrer e chegar lá não sei onde e tirar o espectro do meu corpo e ficar somente o espírito, direi a quem me receber: pô, meu, dá um tempo, a coisa toda é muito louca.

D- Dá um tempo.... Quanto tempo mais?

S- A eternidade, eu acho... kkkk

D- Se for preciso. Alguns dizem temos essa prerrogativa. Outros dizem que não.

S- Acho que o limite é a paciência. Será que é infinita como o amor ou são a mesma coisa. Acho que não né, senão não haveria apocalipse e outras ameaças.

D- Os chineses afirmam que a paciência é a mais difícil das virtudes. Levam-se milênios para se conquistar.


*Sidnei Malena é sociolólogo e advogado. Trabalhamos juntos em São Paulo como educadores na segunda metade década de 1980.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Lágrimas e soluços

As impurezas da mente podem ser afastadas pela meditação ou pelo exercício do pensamento positivo. Algumas impurezas do coração também podem ser limpas pelo perdão, a busca da alegria e o propósito de transformação íntima, pelo arrependimento. Entretanto, algumas delas, quando adquiridas em situações alta gravidade, só podem ser extintas pelas lágrimas e soluços, que durante as provas removem com força avassaladora tudo de mal que ficou gravado na memória e nos sentimentos de culpa. Esse é o sentido das bem-aventuranças, condição íntima não assimilada pela razão humana, porém profundamente compreendida pelas necessidades do Espírito exilado na carne.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

A justiça do tempo


Em visita ao presídio do Carandiru no início dos anos 1970, Chico Xavier foi abordado por um detento que , segurando desesperadamente suas mãos, fez a seguinte comentário:

"Não tenho mais salvação. Vou para o inferno. Matei e prejudiquei muitas pessoas. Não tem mais jeito".

O médium fechou os olhos por alguns segundos e depois lhe disse:

 "Acabo de ser informado que já existe um plano de futuras existências nas quais muitos dos seus desafetos mortos voltarão com você à Terra e serão seus filhos".

 Feliz Natal!

 

domingo, 21 de dezembro de 2014

Enterrado vivo

A novela Império revive a paranoia mais incômoda do século XIX. Isso mesmo: ser enterrado vivo era o principal medo da sociedade vitoriana. Os ricos planejavam túmulos ventilados e espaçosos para evitar a agonia claustrofóbica. Allan Kardec esclareceu o assunto na Revista Espírita e no livro O Céu e o Inferno, publicando a mensagem de um Espírito que tinha sido enterrado vivo. A entidade lembrava seus momentos de horror e também de culpa quando, em outra existência, também havia enterrado a mulher viva. Mais informações em Nova História do Espiritismo - Editora do Conhecimento.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Cidadãos do mundo

Moradores de rua são moradores do mundo. Seus lares internos ainda não permitem que suas casas externas sejam de tijolos e cimento e que tenham o endereço fixo dos bairros. Existe uma razão para que, na época de festas e de verão eles sejam atraídos para as praias: a de olharem para o infinito do céu e do mar. E não devemos ficar chocados porque simplesmente isso se chama esperança.

O que aconteceu com o Esperanto?

Durante décadas os espíritas sofreram uma intensa propaganda para aderir ao movimento esperantista, sobretudo pelas entidades federativas. A campanha incluía não somente artigos em jornais e revistas mas também trechos em livros psicografados mostrando que o idioma universal já era uma realidade no mundo espiritual.

Mesmo assim, com a globalização dos negócios capitalistas e do idioma inglês, a língua criada por Zamenhof ainda sofre grande resistência e continua sendo associado a uma utopia. 

No movimento espírita o Esperanto também não vingou, apesar dos intensos esforços dos seus cultivadores. 

O que vai acontecer com o Esperanto? 

Será que tem chances de se tornar um idioma universal? 

É uma possibilidade ou continuará sendo uma utopia, como indica o próprio nome?

Foto (Wikipédia): Encontro de esperantistas na Alemanha.

sábado, 22 de novembro de 2014

Diálogo fraterno


Diálogo no Facebook com alguém angustiado com o sentido da sua existência e que tem dúvidas sobre a sua missão na Terra.

- O que vc pode observar em mim. Dizem que sou médium

- Todos somos médiuns e donos do nosso próprio destino. A missão dos médiuns é ajudar o próximo dando de graça o que recebeu gratuitamente.

- Hum, mas eu sofro e sofri muito na vida. Ninguém me ajudou.

- O sofrimento faz parte da missão. É um treinamento para compreender o sofrimento dos outros. Só quem sofre pode medir um sofrimento alheio.

- Sim. Obrigada

-Nunca espere ajuda. Ajude sempre.

- Ok

- Paz e luz na sua tarefa.

- Difícil

- Facilidade só trás problemas.

- Será?

- Dificuldade trás soluções e forças.

- Meu Deus. Faça, por favor, uma vibração de paz para mim

- Sim, vou orar por você. Todos precisamos orar por nós e pelos outros.

- Amém

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Escola de Aprendizes do Evangelho em Cuba.


Um dos muitos grupos espíritas de aprendizes do evangelho em Cuba, orientado pela Aliança Espírita Evangélica, entidade federativa espírita fundada por Edgard Armond em 1973. O governo Cubano não se opõe à difusão do Espiritismo, que já era cultivado na ilha desde o século XIX por humanistas de todas as classes sociais. Foto enviada em 25 de setembro pelo Documentarista Edelso Junior, que aparece no canto direito da imagem.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Passes magnéticos padronizados



São Paulo, 1975, o Comandante Edgard Armond (foto extraída de um vídeo gravado por Jacques Conchon) explica à um  jovem médico e pesquisador os principais movimentos dos passes magnéticos padronizados “Pasteur”. A instrução fazia parte da transposição dessa pesquisa de Armond para um módulo do Curso de Médiuns da Aliança Espírita Evangélica. 

Os passes padronizados foram criados na década de 1940 na Federação Espírita de São Paulo, quando Edgard Armond elaborou um plano de ampliação de atendimento e educação doutrinária em massa na Capital paulista. O projeto tinha como fundamento a Assistência Espiritual por meio de passes e encaminhamento dos atendidos para a Escola de Aprendizes do Evangelho, onde ocorria a preparação e seleção de futuros voluntários da casa.

Para atender o crescente e enorme público que acorria à sede da FEESP, era necessário padronizar e agilizar o atendimento por meio de um método prático, de  fácil entendimento e aplicação. Armond explicou que a ideia foi desenvolvida em conjunto com o grupo de espíritos que atuavam no campo de curas, sendo o Espírito Pasteur uns dos principais colaboradores com conhecimentos de higienização mental e magnetismo, daí nome dados aos passes em homenagem ao grande cientista francês.   Essa experiência, descrita no livro Passes e Radiações (Editora Aliança), provocou na época uma reação negativa entre alguns confrades inseguros e conservadores que, desconhecendo os mecanismos e processos desenvolvidos na pesquisa e na sistematização, lamentavelmente confundiam os mesmos com rituais e práticas exóticas. Mesmo assim, os passes padronizados foram aplicados com grande êxito e serviram como base da expansão dos centros espíritas da Aliança Espírita Evangélica nas décadas de 1970 e 1980.

Juntamente com os passes, a Aliança aplicava no Curso de Médiuns conhecimentos de psiquismo e cromoterapia (por mentalização). Atualmente este método, bem mais simplificado e eficiente, continua em funcionamento em dezenas de grupos da Aliança, no Brasil e no exterior, bem como na FEESP.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

O Espiritismo e a teoria da conspiração.


Gravemente se iludem e se equivocam aqueles que pensam que o Espiritismo terá o amplo reconhecimento da humanidade. Muitas outras verdades advindas  de outras fontes do conhecimento também amargam o ostracismo exatamente porque ainda são vistas como sérias ameaças aos sistemas dogmáticos, construídos ao longo dos séculos para satisfazer os interesses da carne e não do espírito.  Ora, por que o Espiritismo seria acolhido pelas religiões tradicionais ou pelas academias filosóficas e científicas cujos propósitos de existência e ação se baseiam exatamente naquilo que os Espíritos Superiores denunciaram como mentira e ilusão? Não sejamos ingênuos em pensar que aqueles que vivem de aparência e de coisas supérfluas se atirarão de peito aberto para os postulados do Espiritismo. Somente os que estão em crise existencial ou que sofreram os graves danos morais da existência ou ainda os que são movidos pela humildade e pela boa vontade, poderão acolher as ideias espíritas em sua significação maior. Também não é a novela, o livro, o cinema ou qualquer tipo de arte de popularização que vai promover o Espiritismo como fenômeno de sucesso e reconhecimento pelo qual tanto anseiam os mais afoitos e deslumbrados que frequentam as nossas lides. Ninguém gosta de ser doutrinado sem que antes haja uma necessidade íntima latente e que em determinadas circunstâncias rompe os preconceitos e obstáculos consequentes.  Os que combatem o Espiritismo pelos meios rasteiros e mesquinhos (fingindo ignorá-lo) são os mesmos que sabem da sua alta potencialidade transformadora e ainda assim persistem no jogo de interesses da matéria que asfixia as coisas do espírito. Os espíritas de verdade não devem se  iludir  com essas falácias e miragens da fama porque sabem realmente o que é o mundo das causas e o mundo dos efeitos. Não podemos comprometer a nossa doutrina cuja essência é a libertação mental com as coisas que aprisionam o espírito ao corpo e às concepções limitadoras. Sejamos atrevidos mas não olvidemos a discrição quando esta for necessária.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Revolução iniciática no movimento espírita e outros temas

Entrevista com Dalmo Duque dos Santos feita pelo documentarista Edelso Junior sobre a revolução iniciática no movimento espírita e seus efeitos sociais.









Os vídeos divididos em quatro partes estão publicados no Youtube e no blog CULTURA ESPÌRITA.

http://culturaespirita.wordpress.com/entrevistas/


PRIMEIRA PARTE
https://www.youtube.com/watch?v=QccYPlwHUa8


SEGUNDA PARTE
https://www.youtube.com/watch?v=Q8aY_6av_8M


TERCEIRA PARTE
https://www.youtube.com/watch?v=aNHrD3V2zWE

QUARTA PARTE
https://www.youtube.com/watch?v=pkKkd2P5QLI&feature=youtu.be



domingo, 15 de junho de 2014

A pureza do olhar sobre as coisas espíritas


Como estamos construindo e aplicando a ideia da identidade, da essência e das características das coisas espíritas e não espíritas?

Como fica o absoluto e o relativo nessa discussões?

Será que realmente sabemos o que somos?

O critério "absolutamente espírita" exclui todos os livros e práticas que não sejam de autoria de Allan Kardec, o único - em tese - autorizado a dizer o que é o que não é espírita.  Todos os demais, segundo esse critério, estão "contaminados" (expressão derivada em oposição à pureza) pela ótica pessoal dos seus autores sobre a doutrina criada por Kardec. 

"Pureza" doutrinária é uma expressão que deveria ser banida do nosso movimento, porque nenhuma pessoa, núcleo ou instituição pode se afirmar segura e doutrinariamente pura. Nem Kardec sustentou ou sustentaria essa tese absoluta de pureza, já que permitiu e discutiu, por exemplo, introdução da doutrina cristã (oriental, judaica e romanizada) no movimento espírita nascente. Pelo contrário, ele sempre promoveu o diálogo e o convívio com outras formas de pensamento.

Penso que o termo pureza é sectário, inadequado e exclusivista, para não dizer arrogante.

Deveríamos encontrar e aprender outras formas de dizer o que somos e quem somos, sem demonstrar insegurança, preconceito e presunção.

O Espiritismo já é puro por si mesmo. Impuros são os espíritas com suas manias, neuroses, complexos e incertezas.

domingo, 8 de junho de 2014

Orar e fechar os olhos.

O Brasil não precisa de orações. O Brasil precisa de seriedade e compromisso. De que adianta fechar os olhos e orar e no outro dia continuarmos com os olhos fechados para o senso de justiça e solidariedade para com os mais fracos e desajustados?

De que adianta vibrar pelo Brasil quando vibramos contra as boas ideias e realizações somente porquê elas foram feitas pelo partido ou pelo político que não é do nosso gosto pessoal?

Para quê orar pela ordem e harmonia se pessoalmente compactuamos com campanhas pessimistas e que somente causam males para a sociedade?

O Brasil não precisa de orações nem mensagens do Além. Precisamos é ler e praticar os livros que vieram do Além há muitos anos e que, no entanto, não levamos a sério em nosso dia a dia. Não precisamos de orações nem de mensagens e sim de coragem, de iniciativa, de honestidade de consciência sobre as coisas que fazemos dentro e fora do movimento espírita. Nosso destino e nossa história é feita pelas nossas escolhas e não pelas mudanças de opiniões, desejos mágicos e intervenções de seres que estão hierarquicamente acima do nosso grau de evolução.

Deixemos de lado as nossas superstições e impressões infantis sobre o mundo e atentemos mais para as nossas responsabilidades do livre-arbítrio.

Não vamos abandonar o nosso hábito de orar, porém não vamos banalizar a lei de adoração para justificar as nossas irresponsabilidades.

domingo, 1 de junho de 2014

O sistema, ora o sistema...


Os sistemas – inspirados nas concepções e crenças que temos sobre a Natureza e o Universo – são criados para explicar e provar as coisas que não entendemos. Quando ocorre a explicação e a prova, não é mais necessário, nem conveniente, que os mesmos sejam invertidos na sua função de meios para que sejam mantidos com fim; mesmo porque nenhum paradigma é definitivo e nenhuma verdade é absoluta.

As visões de mundo se sucedem desde quando vivíamos em cavernas e foram caindo, uma após outra, diante das nossas crises íntimas e das descobertas de novos fenômenos. Da antiga concepção de mundo plano, único e redondo, passamos ao plural; e agora, diante do novo complexo, tivemos que abrir mão de crenças e valores, sob o risco de pararmos no tempo e no espaço da ignorância e do obscurantismo.  

O Espiritismo, como sistema, já foi explicado e provado. Insistir na sua prática como como tal e principalmente como finalidade é dogmatizá-lo num processo de asfixia, dando abertura perigosa ao fanatismo, disputas de poder e abusos institucionais.

A única forma de permanência e unidade do Espiritismo não está, definitivamente, nos livros, estatutos nem nas organizações e métodos sistematizados, mas sobretudo na consciência dos espíritas.

PS.
Isso é uma mensagem mediúnica ou uma dissertação do próprio autor?

Penso que fui eu, mas sei que pode não ter sido eu, nem confio que tenha sido eu. O que importa, seja quem for, é que pensa como eu.

A reencarnação de Emmanuel


A reencarnação de Emmanuel no interior de São Paulo deveria ser motivo de alegria e não especulação e dúvidas, pois, segundo ele mesmo gostava de enfatizar, essa identidade permaneceria oculta por força da natureza e do bem do próprio Espírito e da sociedade onde ele vai atuar. Confiemos.

IDENTIDADE
Um dos princípios da lei da reencarnação é o direito de ocultação da identidade e consequentemente a inviolabilidade dessa espécie de segredo da Natureza, como forma de preservar a transformação ou ressurreição do Espírito que passa pela nova experiência de existir e resgatar seu verdadeiro ser. Esse é o motivo pelo qual devemos sempre desconfiar de revelações sobre reencarnação das pessoas, sobretudo de personalidades famosas. Muitas vezes tudo não passa de equívocos tolos e pura especulação. Moral da história: existe, é real, mas não é brincadeira de adivinhação.

O pastor e a Xuxa


Todo aquele que julga e acusa pelo moralismo (exagero da moral) não é de confiança nem merece credibilidade. Eu acho que ele (o pastor) errou ao cometer uma grave acusação anticristã. Julgar, acusar e condenar uma pessoa pelo seu passado vai contra todas as leis de Deus, pois nega o perdão e a possibilidade de regeneração. Esse julgamento contra a Xuxa não passa de inveja e fanatismo de pessoas que usam a Bíblia para pregar o ódio e o preconceito. Não são pessoas dignas de pregar o Evangelho, que é demonstração de amor e superioridade moral. Todo moralista é suspeito, por ter o coração impuro e enganador; ataca para esconder suas taras e fraquezas. A Xuxa é uma artista, sempre foi. Seu sucesso é fruto do seu mérito pessoal e não como pensam os invejosos que a tudo atribuem aos mitos as coisas que não aceitam e não sabem explicar. Parece que o pastor reconsiderou o julgamento.