
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Livros e médiuns

terça-feira, 23 de agosto de 2011
Alice Sebold
Há alguns meses comentamos o filme Um olhar do Paraísoe simplesmente esquecemos de falar da autora da obra que deu origem ao filme. Trata-se de Alice Sebold, novelista norte-americana que escreveu The Lovely Bones ( Um olhar do Paraíso ou Visto do Céu), cuja obra foi adaptada para o cinema pelas mãos do diretor Peter Jackson. Quando analisada pelo ótica espírita, essa história intrigante do assassinato de uma adolescente por um vizinho maníaco não fica apenas na técnica da narrativa literária. É um relato que sempre nos faz questionar que tipo de talento e percepção tem esses escritores ao desenvolverem tramas com tamanha realidade e profundidade espiritual. Alice é certamente uma dessas médiuns que, mesmo quando não são inspiradas por uma inteligência externa, têm a capacidade de sintonizar e captar histórias incríveis, que ligam estranhamente os mundos aparentemente opostos do espírito e da matéria. Coisas também aparentemente inexplicáveis se revelam, ainda que numa linguagem simbólica, e repercutem de forma confusa perturbadora nas mentes comuns, porém com significados claros e impressionantes nas mentes abertas para a vida além da física.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
NOSSO LAR segue seu caminho
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Ateus reclamam contra o preconceito
Ateus fazem campanha para mostrar que são vítimas de preconceito . “Somos a encarnação do mal para grande parte da sociedade”, diz presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA)
Danielle Nordi, iG São Paulo 29/07/2011
Punição
No Brasil, um país laico, a intolerância pode aparecer nas situações mais improváveis. A professora da Universidade Federal de Minas Gerais Vera Lucia Menezes de Oliveira e Paiva perdeu um filho de dois anos, atropelado. Diante do sofrimento da família no velório da criança, Vera escutou uma frase que a deixou bastante magoada. “Uma amiga me disse: ‘Quem sabe isso não aconteceu para você aprender a ter fé?’. Isso apenas reforçou minha convicção de que eu não queria acreditar em nenhum deus que pudesse levar o meu filho inocente”, revela.
Exagero
COMENTÁRIO DO BLOG
terça-feira, 31 de maio de 2011
Cinco dias sem Nora

Este fim-de-semana assistimos Cinco Dia sem Nora, filme intrigante da diretora mexicana Mariana Chenillo. Tratado pela crítica como humor negro, o filme é mais do que isso; é desconcertante porque trabalha com o delicado tema dos preconceitos, o preferido dos diretores de obras “Cult”. Aliás, assistimos no Telecine Cult, que agora não é tão chic e sim mais acessível à classe média brasileira, por enquanto. Dizia que era desconcertante porque trata de temas desagradáveis como morte, velório, enterro, adultério (esse é picante!), brigas de família e finalmente conflitos de religião. O protagonista é um judeu espanhol que perde a ex-mulher, também judia, e não consegue enterrá-la por vários motivos religiosos, entre eles a constatação de que a morte dela foi por suicídio. No judaísmo os suicidas e criminosos são enterrados em locais discriminados nos cemitérios israelitas e isso deu um tremendo quiprocó, entre muitos outros rolos que vale a pena conferir vendo o filme. O assunto não é absurdo e é só lembrar o caso brasileiro do jornalista da TV Cultura Wladimir Herzog, morto sob tortura durante a ditadura em 1976. Vlado, com o era conhecido, era judeu e a família não aceitava a versão de suicídio dada pelos responsáveis por sua morte e pelo seu corpo enquanto estava vivo (o Estado). Enfim, problemas para os generais e para o regime militar. No filme acontece a mesma coisa e a religião é o cerne da questão, com todos os seus preconceitos, sempre amenizados pela corrupção e pela simonia. Nos lembramos novamente do Reverendo anglicano Chad Varah, que teve que cavar com as próprias mãos nos arredores de Londres, na década de 1930, a sepultura de uma menina de apenas 14 anos que cometera suicídio ao achar que tinha contraído uma doença venérea. A partir desse fato, para Chad, sexo e suicídio deixaram de ser tabus religiosos e entraram na sua lista de prioridades sociais e debates na sua igreja. Disso resultou os Samaritanos, pai do CVV no Brasil. Chad contou essa história dentro do Centro Espírita Aprendizes do Evangelho, na rua Genebra em São Paulo em 1977. Ele viera ao Brasil incentivar as pessoas a trabalhar na prevenção do suicídio, incluindo os espíritas. Saiu do centro contente com a adesão de alguns freqüentadores e uma edição em francês do Evangelho Segundo o Espiritismo que a diretoria do Centro lhe deu de presente. Sua falta de preconceito conquistou amigos e ele voltou várias vezes ao Brasil para acompanhar o progresso desse trabalho.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Hawking e a morte

Hawking critica ideia de que há vida após a morte
LONDRES - O Estado de S.Paulo -17 de maio de 2011
O renomado físico britânico Stephen Hawking afirmou, em entrevista no jornal The Guardian, que a ideia de que há uma espécie de paraíso após a morte é um "conto de fadas de gente que tem medo do escuro".
Hawking voltou a afirmar seu rechaço às crenças religiosas. Ele defende que o ser humano não experimenta mais nada a partir do momento em que o cérebro deixa de funcionar.
O cientista também disse que a doença neurodegenerativa que o afeta, a esclerose lateral amiotrófica, fez com que ele passasse a aproveitar mais a vida, apesar das limitações que a enfermidade impõe. "Vivi com a perspectiva de uma morte prematura durante os últimos 49 anos. Não tenho medo de morrer, mas também não tenho pressa. Tenho muito a fazer antes disso."
O ex-catedrático da Universidade de Cambridge falou das pequenas flutuações quânticas que, no início do universo, motivaram a formação das galáxias. "A ciência prediz que diferentes tipos de universo serão criados do nada e de maneira espontânea", disse.
"Considero o cérebro um computador que deixará de funcionar quando seus componentes falharem. Não há paraíso ou vida depois da morte para computadores."
Comentário do Observador
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Ódio e resignação

Certa vez ouvimos uma história de que nos EUA estavam reencarnados a maioria os Espíritos de velhos líderes indígenas que durante longos anos na erraticidade alimentaram um ódio incontrolável contra aqueles que os humilharam e expulsaram de suas terras. No Brasil havia também uma influente legião de antigos líderes africanos com essa mesma característica. Esses Espíritos jamais esqueceram a profunda dor e revolta por terem deixado seus lares durante a conhecida Marcha das Lágrimas, movimento que deslocou as populações de índios para aldeias longínquas e isoladas da nova civilização que ali se instalava. Alguns suportaram, com humildade e resignação, como foi o caso do famoso Chefe de Seatle, autor de um dos mais comoventes documentos da história americana e contemporânea. Sua sabedoria repercutiu profundamente na consciência de sucessivas gerações, antecipando em muitas décadas os conceitos de diversidade e pluralidade cultural, auto-determinação dos povos e sustentabilidade que hoje cultivamos nos quatro cantos do planeta. Mas nem todos estavam com o coração aberto para fazer concessões dessa natureza. Muitos deles foram banidos inclusive das esferas espirituais da América para se juntarem às mentes perversas e vingativas que alimentam ódios de épocas muito remotas da Humanidade. Depois de uma longa fase de cultivo e preparo nas furnas obscuras das trevas, eles foram aos poucos retornando ao mundo da carne e também se aproximando silenciosamente da nação que os haviam expulsado. Muitos escolheram os lares pobres da Sicília, com quem tinham afinidades antigas contra os romanos, de onde partiam levas migratórias em direção às grandes cidades dos Estados Unidos, sobretudo Nova York e Chicago. Outros, ingressam ali através de imigrantes da Irlanda, onde também haviam grandes focos de afinidade e desejo de vingança contra as coletividades anglo-saxônicas, também reencarnadas. Segundo os relatos, esses Espíritos se manifestaram precocemente como os inimigos públicos dos EUA na pele de arqui-criminosos, exploradores dos vícios e ambições humanas, todos contra a justiça, o sistema tributário e financeiro da nação que se orgulhava de ser a mais rica do mundo. Nessa mesma época, por efeito da Grande de Depressão, centenas de famílias brancas, por força de execuções hipotecárias, amargavam a mesma dor dos indígenas quando foram expulsas de seus lares. Também foram forçados a se dirigirem, numa longa marcha regada a fome, poeira e incerteza , para as mesmas regiões para onde outrora haviam mandado os seus irmãos índígenas.
Pena que a voz o Chefe Seatle não tenha chegado a todos esses corações insensatos quando disse:
“Os mortos do homem branco se esquecem da sua pátria quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos nunca se esquecem desta bela Terra, pois ela é a mãe do homem vermelho”.

terça-feira, 26 de abril de 2011
Hume e a reencarnação
Mas a legenda que exalta o tricentenário de nascimento do grande pensador esqueceu-se de um importante detalhe, do qual o próprio filósofo certamente concordaria.Não se trata apenas de um marco do seu nascimento do corpo, mas principalmente do renascimento existencial permitido pela possibilidade da volta ao corpo. Hume não parou no tempo e no espaço daquele período no qual marcou muitas vidas ao seu redor e as gerações que o sucederam. Sobreviveu a esse limite da carne, nesta ou em outras das muitas moradas do universo.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Um olhar do Paraíso
As reencarnações completivas ainda são desconhecidas por um grande quantidade de pessoas , incluindo muitos espíritas. Elas ocorrem quando o espírito precisa completar o tempo interrompido em outra existência, por inúmeras circunstâncias, situação que gera um desequilíbrio que só pode ser equacionado no plano carnal, sobretudo quando há outros envolvidos nos processos de reajuste. É dessa forma que o espiritismo explica o desencarne traumático e prematuro de crianças, onde os pais também são protagonistas da trama existencial reeducativa. É também o que narra o impressionante filme do diretor Peter Jackson. sexta-feira, 8 de abril de 2011
Queremos saber
Foto: Folha de São Paulo on line domingo, 3 de abril de 2011
Fala, Raimundão!
domingo, 27 de março de 2011
Socorro e preces aos que se matam
quarta-feira, 16 de março de 2011
Mito e mentira

Dédalo e Ícaro: mito sobre as verdades ocultas do livre arbítrio
Num curioso artigo escrito por José Chaves*, sobre questões religiosas e interpretações literais, lemos o seguinte parágrafo introdutório:
“A teologia dos cristãos primitivos era mitológica. As tradições religiosas e mitológicas dos países circunvizinhos da Palestina estão presentes no judaísmo, que os transmitiu para o cristianismo. Aliás, todos os primeiros cristãos, inclusive Jesus, eram judeus. Assim, muitos teólogos cristãos antigos colocaram em suas elucubrações teológicas ideias mitológicas. E é estranho que a teologia cristã do Terceiro Milênio ainda esteja mesclada de mitologia!”
Mais adiante o autor justifica esse raciocínio dando a sua definição de mito e mitologia:
“A palavra base da mitologia é mito, sinônimo de fábula e de mentira. Mitomania é mania de mentir. E a mitologia tornou-se importante nos trabalhos eruditos modernos como subsídio da ciência da história das religiões. Mas questões religiosas mitológicas não devem ser interpretadas literalmente. A própria Bíblia, que recebeu também influências mitológicas, tem muitos textos que não podem ser interpretados literalmente”.
Achamos que o artigo teve boa intenção, mas não foi feliz ao definir esses dois importantes conceitos, certamente com a intenção de justificar o título e os demais argumentos, aliás apresentados com muita riqueza de referências bíblicas.
No entanto, temos nós uma opinião bem diferente dessa abordagem da tradição aristotélica.
Mito significa metáfora, símbolo, mistério, enigma, ou seja, verdades ocultas que podem ser reveladas segundo a capacidade dos observadores e intérpretes. As parábolas de Jesus estão repletas de mitos educativos voltados para os dois aspectos da natureza humana: a mentalidade infantil e a mentalidade madura. A racionalização empregada na interpretação do mito transforma o mesmo em algo incompatível com esses modelos filosóficos lógico-racionais. Mas nem todas as coisas lógicas são verdadeiras. Evangelho, por exemplo, é mito ou leitura simbólica das nossas limitações íntimas. Portanto, Evangelho é ilógico e subjetivo. Deixa de ser mito quando é racionalizado e quando passamos a mentir para nós mesmos. Mitologia talvez seja mentira do estudioso do mito.
*José Reis Chavez. Questões religiosas não devem ser interpretadas literalmente. Publicado no Jornal OTEMPO em 14/03/2011 e no Blog de Espiritismo.
sábado, 12 de março de 2011
Quem somos nós?

sexta-feira, 11 de março de 2011
Alguém poderia explicar o que é Física Quântica?

Silêncio, gênios pensando: Max Planck conversa com Albert Einstein. Do que será que eles estão falando?
Uma entrevista do médium José Raul Teixeira declarando que a associação entre espiritismo e física quântica é “fanfarronice” empolgou muitos críticos espíritas. Teixeira não é apenas médium espírita, mas também é catedrático em física. Explicou porque os espíritas religiosos e místicos se entusiasmaram com essa idéia de que a nova física pode explicar o mundo espiritual e comprovar a existência do espírito. Assunto delicado e complexo, mesmo porque o próprio Teixeira deixou claro que muitos físicos não conhecem física quântica, dando a impressão de que se trata de um segmento obscuro e marginal no meio acadêmico.
Então a física mecanicista de Newton ainda vale como paradigma dominante? O universo é previsível e certo como exatidão matemática? Física quântica se opõe à física tradicional?
Realmente são coisas muito difíceis de entender, tanto que os próprios físicos se mostram cautelosos ao falar sobre o tema. Nós que somos leigos então, ficamos a ver navios nesse imenso oceano da ignorância e temos mais é que calar a boca. Será que ainda podemos ter dúvidas?
Alguém poderia explicar, à luz da física, o que significa esse trecho do famoso artigo de Carl Rogers?
(...) Os velhos padrões se desvaneceram. Isto nos inquieta e nos deixa incertos.
A busca por uma unidade material (moléculas, átomos, núcleos do átomo, inúmeras micro-partículas) do universo foi infrutífera. Ela não existia. As partículas eram padrões de energia oscilante. Toda nossa percepção da realidade se desvaneceu em irrealidade. Nosso mundo era diferente de qualquer coisa que tivéssemos imaginado. Não existe solidez nele.
A ciência – pedra angular da nossa era tecnológica- não é mais simplesmente um sistema linear de causa e efeito, mas é uma descrição maravilhosamente complexa do processo recíproco de causa e efeito através do qual o universo está criando a si próprio!
A realidade, como a temos conhecido – matéria, tempo e espaço – não existe mais de nenhuma forma fundamental. Estamos frente a uma realidade misteriosa de energias oscilantes que operam formas bizarras. É uma realidade de uma interconexão quase que mística , uma relação que participa cada entidade, tanto animada quanto inanimada. Como indicou um grande cientista, o universo não se parece mais com uma grande máquina. Assemelha-se a uma grande “idéia”.
Do que ele está falando? O que significam essas reflexões e todas essas pesquisas? Teria sido esse o motivo de Rogers ter, no final da vida, admitido a existência e a comunicação com os espíritos?
“As pesquisas de J.S. Bell –1964 a 1972 - sugeriram um universo interconectado em cada evento está em conexão com todos os outros.
Partículas gêmeas, com o mesmo spin, poderiam ser separadas. Se o spin de uma dessas partículas é alterado,o spin da outra muda instantaneamente. Como essa partícula “sabe” o que está acontecendo à sua partícula gêmea?
Existe no universo um misterioso e desconcertante vínculo de comunicação.
Nesse novo paradigma, matéria, tempo e espaço desaparecem como conceitos absolutos ou como conceitos significantes. Existem apenas oscilações. A solidez de nosso mundo desapareceu. O velho paradigma não serve mais.”
Sinceramente, estou perdido e preciso urgentemente entender todas essas coisas e principalmente compreender o que tudo isso tem a ver com o Espiritismo.
“(...) A ciência – pedra angular da nossa era tecnológica- não é mais simplesmente um sistema linear de causa e efeito, mas é uma descrição maravilhosamente complexa do processo recíproco de causa e efeito através do qual o universo está criando a si próprio!
Fritzjof Capra e Gary Zucav demonstram a convergência entre a física racional e teórica do ocidente e o esoterismo pragmático oriental”.
Por favor , alguém poderia explicar?
Puxa vida! E eu que estava tão empolgado...
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Vidas passadas ou reencarnação?
Past Life, série televisiva da Foxdomingo, 20 de fevereiro de 2011
Chico Xavier na Sapucaí: olhai por nós
O desfile da Beija-Flor em 1989 encenando o tema da miséria e dos contrastes sociais do BrasilUm carro alegórico para homenagear Chico Xavier no carnaval da Sapucaí. A notícia corre na velocidade digital e mexe com os brios dos espíritas que acham que o Espiritismo é coisa sagrada, acima das torpezas humanas e intocável pelas paixões dos homens. Pedimos calma e bom senso. É só uma homenagem, mesmo que oportunista, como foram todos os títulos de cidadania que Chico Xavier recebeu nos estabelecimento políticos.
A sacralização de Chico Xavier e do Espiritismo não faz parte da doutrina espírita, mas do olhar dos espíritas religiosos que ainda vêem o mundo pela ótica maniqueísta. Chico Xavier foi um médium das massas. Se tivesse vivo reagiria com muita cautela e muita gratidão a esse reconhecimento numa festa mundana que é a cara e a alma do Brasil. Não me sinto ofendido ou desrespeitado por ver Chico Xavier e o Espiritismo encenados na passarela do samba. Pelo contrário, lutamos tanto para que a doutrina ficasse conhecida e hoje temos que lutar para que não seja deturpada. Não vamos perder a calma nem a compostura.
Em 1989 o carnavalesco Joãzinho Trinta foi proibido de usar a figura do Cristo num carro alegórico que falava de pobreza e miséria. A Igreja bateu o pé, acionou suas influências e o carro teve que ser refeito. E esta reinvenção despertou no artista censurado algo ainda mais profundo do que a mensagem original. O Cristo foi coberto com uma imensa lona plástica escura e percorreu o sambódromo exibindo uma frase ainda mais desconcertante para atingir os hipócritas e puristas: “Mesmo proibido, olhai por nós”.
Essa é a lição que devemos aprender quando alguém resolve falar de Espiritismo nos ambientes considerados profanos. Fiquemos serenos e confiantes. É só mais um carnaval.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Wilberforce e o cheiro da morte

Somente agora, quatro anos depois do seu lançamento, conseguimos ver “Jornada pela Liberdade” (2006), uma das mais comoventes histórias sobre as lutas pela abolição da escravatura. Ela também nos faz lembrar que no mundo atual ainda existem milhões de pessoas submetidas ao cativeiro do trabalho compulsório dando-nos a impressão que recuamos no tempo e na história
Apesar de ser uma atividade degradante e moralmente inaceitável , a escravidão foi aos poucos sendo encarada com naturalidade nas civilizações modernas, por incrível que pareça inclusive nas sociedades cristãs. Essa naturalidade se propagou como senso comum principalmente por causa da intensa e lucrativa atividade comercial. Se não houvesse o comércio como estabelecimento legal, o tráfico de pessoas teria se desgastado rapidamente. Por causa do comércio e dos lucros, as vítimas simplesmente tiveram negadas a sua condição humana e o seu valor cultural. Eram vistos como animais cujos costumes primitivos e não “civilizados” justificava a atividade nefasta e criminosa dos seus exploradores. Esse era o pensamento de Willian Wilberforce (1759-1833), membro do parlamento inglês que liderou a cruzada contra escravatura no Império Britânico. Esse raciocínio também se aplica perfeitamente ao Brasil, que só conseguiu iniciar a extinção dessa doença social quando, por pressões inglesas, a Lei Eusébio de Queirós proibiu o tráfico em 1850. Uma nação que construiu a sua história com essa mancha não poderia passar impune aos olhos da justiça Divina e o nosso país ainda tem muito que resgatar dessa pesada dívida espiritual. Nas poucas vezes em que citou o Brasil nas suas reflexões Allan Kardec não deixou de lembrar os leitores que o progresso da doutrina e da nação passava necessariamente pelo fim da escravidão. A mensagem foi compreendida pelo editor Telles de Menezes e o Echo Além Túmulo passou a fazer sua conhecida campanha abolicionista na Bahia. A religião oficial e dominante, como não poderia deixar de ser, foi durante muito tempo conivente com essa situação constrangedora, contrariando os princípioshumanitários seguidos por muitos dos seus membros e ativistas. Em Brasil Coração do Mundo, obra que ainda provoca a desconfiança de intelectuais avessos à verdades espirituais, Humberto de Campos nos conta que muitos escravos trazidos ou nascidos no Brasil eram antigas almas romanas já iniciadas nos valores da humildade e que aqui reencarnaram para auxiliar seus irmãos e cúmplices em graves provas o destino.
A prática odiosa da escravidão, muito comum na Antiguidade, havia sido restaurada nos moldes capitalistas mantendo os mesmos abusos e requintes de crueldade. Portugueses e espanhóis, herdeiros da cultura escravista fenícia e moura, rapidamente foram imitados pela Holanda , França e Inglaterra. Segundo o Espírito Emmanuel, enquanto a França tinha como compromisso a difusão da liberdade, o Império Britânico tinha como missão civilizatória extinguir a escravidão e resgatar grande parte dos débitos trazido pelo antigos cidadãos romanos agora reencarnados nos territórios da comunidade britânica. A luta seria longa e exaustiva, pois ali também estariam, ocupando postos importantes, as mesmas almas que comandaram a poderosa máquina da escravidão romana.Wilberforce e seus colaboradores usaram dos mais variados expedientes para implantar essa idéia no cérebro político da Inglaterra conservadora. Um deles foi um passeio pelo rio Tâmisa, conduzindo uma elite formadora de opinião. Numa certa altura do percurso e em meio a um sofisticado coquetel, o barco encosta ao lado de um fétido e repugnante navio negreiro atracado no porto de Londres causando horror e vômitos nos convidados. E Wilberforce se dirige assim aos ilustres turistas, para depois convencê-los pacientemente das suas incríveis intenções: “ Senhores, respirem fundo, pois este é o cheiro morte”.
Entre os colaboradores de Wilberforce estava John Newton, ex-capitão de navio, traficante de escravos convertido ao evangelismo e também autor do famoso hino que deu otítulo original ao filme (Amazing Grace ) estrelado pelo ator Ioan Gruffudd. O pastor John Newton, morreu em 1807, cego e ainda corroído pelo remorso, no mesmo ano em que o Parlamento se rendeu e aprovou o ato contra o comércio de escravos.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Kardec insuperável?

A adoração e mitificação de Allan Kardec no meio espírita realmente é um fato contra o qual não temos argumentos. Os adjetivos para exaltar a figura venerável de Allan Kardec entre alguns espíritas às chega muitas vezes aos limites do exagero. O último desses repentes românticos é dizer que as obras de Kardec são “insuperáveis”, como se as mesmas fossem peças sagradas de uma revelação religiosa fundamentalista ou tese científica fora dos padrões acadêmicos e queultrapassam milagrosamente os limites e reflexos da época e do contexto em que foram produzidas. Quem faz esse tipo de afirmação ignora a história e a filosofia ou então não leu Kardec com o olhar sereno e auto-crítico que o próprio mestre francês faria sobre si e a sua obra. Herculano Pires conhecia como ninguém e era apaixonado pela obra de Kardec mas, mas nunca ultrapassou as marcas sensatas do elogio ao enaltecer a “atualidade” das obras básicas. Ver Kardec dessa forma, “insuperável”, significa que os espíritas não conhecem os limites do conhecimento humano, mesmo em outras dimensões, já que o fato de mudarmos de plano existencial através do desencarne não nos transforma também milagrosamente em pessoas diferentes daquilo que éramos quando encarnados. Kardec e os Espíritos Superiores admitem que a Verdade existe, mas nunca nos iludiram de que pudéssemos conhecê-la integramente só pelo fato de nos tornarmos simpatizante do Espiritismo. Mesmo a metodologia e a organização didática aplicada na codificação (no sentido de comunicação, e não nesse sentido vulgar de legislador que tentam dar a Kardec) jamais foram apresentadas como tratados dogmáticos permanentes e insubstituíveis. Não, Kardec jamais desejaria para nós aquilo que tanto combateu a vida inteira para si mesmo: a escravidão mental, o medo, a superstição e a prostração ingênua diante dos desafios e questões intrigantes que a vida nos impõe. Isso não diminui em nada a admiração que temos por ele e pela sua luta em contribuir para fosse implantado um novo paradigma de conhecimento. Pelo contrário, quando nos lembramos da época em que ele viveu e das dificuldades que enfrentou para expor suas idéias, imediatamente o trazemos par o século XXI, não como referência absoluta em termos filosóficos e científicos, mas certamente como modelo humano relativo de postura intelectual e conduta de comunicador.
Façamos um teste para verificar que tipo de impressão Kardec nos causa como referência, a mesma que temos ao ler suas obras : se de natureza mítica e superficial ou então reflexiva e racional. Leiamos com admiração, porém com muita atenção e crítica, a descrição dele feita por Anne Blackwell ( registrada por Artur Conan Doyle), para saber se estamos olhando Kardec de maneira real ou idealizada. O resultado, como não poderia deixar de ser, continuará sendo subjetivo e dentro dos limites pessoais da cada leitor .
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Um cartão de crédito com nome de Bezerra de Menezes
O apóstolo Paulo na prisão: reflexões e recomendações sobre as implicações da ética cristãO Lar Fabiano de Cristo, entidade assistencial carioca de origem espírita, lançou o projeto de um cartão de crédito denominado OBEM - Organização Bezerra de Menezes, em parceria com uma empresa especializada. O negócio dará ao Lar 13% dos lucros da comercialização do cartão, ficando 87% com a empresa proprietária do cartão.
Trata-se de um negócio totalmente lícito, do ponto de vista financeiro e tributário, porém duvidoso, inconveniente e até perigoso do ponto de vista ético, já que o nome Bezerra de Menezes,muito caro e emblemático ao universo espírita, está sendo usado como símbolo principal de propaganda financeira. O nome Bezerra de Menezes não pertence ao Lar Fabiano de Cristo, muito menos a entidade financeira em questão, mesmo que a intenção e os fins sejam inquestionavelmente honestos. O que se questiona é o aspecto ético dos meios (e não dos fins) da utilização de um nome cuja reputação em certos meios espíritas é considerado “sagrado” e incompatível com as conseqüências que esse negócio pode ter. O jornalista Luciano dos Anjos foi a primeira voz a dar o alerta sobre esse risco e enviou-nos um manifesto explicando sua reação. Ele conhece a seriedade do Lar Fabiano de Cristo e é amigo pessoal de alguns de seus dirigentes e, mesmo assim , não deixou de fazer esse alerta, ou seja, cumprir aquilo que ele chama de “dever espírita”. Dias depois enviou-nos outro texto, dirigido à uma amiga voluntária do Lar justificando e reafirmando essa sua decisão.
Eis o trecho do primeiro manifesto:
"(...) O pior é que neste nosso caso ainda usam o nome respeitável de Adolfo Bezerra de Menezes para servir de argumento de venda do produto. O projeto (ou projétil?) já surge ornado de pompom acetinado (ou pom-pom militar?), para melhor encantar e atrair os distraídos. Nada mais vendável do que o nome consagrado de Bezerra de Menezes, que acaba de descer das alturas da sua condição de espírito altamente evoluído para, em comovente mensagem, estimular e apoiar a jogada financeira. O cartão de crédito se chama OBEM, sigla de Organização Bezerra de Menezes, o benfeitor que carimbou o negociarrão. Como acreditar? Por qual médium? Onde? Em que reunião?
Mas Bezerra não é aquele inesquecível médico dos pobres, que deu o anel de grau para ajudar uma infeliz mulher à sua porta com dificuldades graves? Ele, que sempre deu, que nunca pediu nada para si, que largou o mundo da política para se preservar das implicações conjunturais dos acordos e negócios, logo ele resolveu agora apoiar o “cartão de crédito dos espíritas”? Naturalmente sua próxima manifestação será de garoto propaganda, induzindo os espíritas a aderir em massa. Afinal, Bezerra sempre foi muito bom de marketing. É usado em eleições; por que não ser aproveitado no lucrativo ramo dos negócios?
E depois, quando o pai ou a mãe de família por qualquer razão não puder quitar a fatura? Bezerra vai instruir para que alguém ceda mais um anel, ou, como fez o pai do André Luiz com o amigo Silveira, vai mandar para o cartório executar a dívida, tomar até a geladeira, a televisão, a bicicleta do filho do devedor? E daí? Devedor que é devedor não tem de escapar da cobrança. Quem mandou se endividar? Tomasse vergonha e não gastasse sem poder. Agora que se arranje com a lei. Que seja até despejado, com família e tudo. É o carma. A Organização e seus ilustres dirigentes é que não podem arcar com o prejuízo. “Business is business”.
Sobre as razões do Lar, Luciano dos Anjos fez o seguinte lembrete, que serve de exemplo para todas as instituições espíritas que se enveredam por caminhos semelhantes:
“Contudo, em minha apreciação o Lar Fabiano de Cristo cometeu ou quer cometer o mesmo erro fatal que cometem muitas instituições, centros, grupos, hospitais, a despeito do ideal espírita que os fundou e mantém. Acabou dando passo maior do que podia. Cresceu demais, assumiu responsabilidades demais e, agora, fica imaginando meios de suprir suas necessidades e de manter sua gigantesca estrutura assistencial. Nessa hora, como ocorre a qualquer pessoa de bem, acentua-se a ansiedade, aumenta a adrenalina e, então, começam a explodir ideias e projetos estapafúrdios. Considero válidos todos esses esforços, mas não todos os meios. E se acontece o envolvimento indevido do espiritismo, asseguro que nenhum espírito iluminado dará cobertura, sequer endosso indireto. Se faltam recursos, os rumos e gastos devem ser revistos”.
Mais detalhes sobre o projeto OBEM: http://www.clubedearte.org.br/obem.html
