quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Ensino religioso em debate no STF



O ensino religioso ou confessional não é ilegal nem está fora dos padrões culturais. É histórico e tem profunda influência nas civilizações. Pode ser praticado em instituições privadas nas suas diversidades. Mas não deve ser praticado nas escolas públicas, cujo acesso é aberto à pessoas de todas as crenças e concepções. Isso seria uma violação do princípio do Estado laico. Mas aí tem uma questão ideológica importante a ser esclarecida. O ensino das demais disciplinas cujos conteúdos colidem com algumas crenças não deveria ser proibido também? Claro que não, pois o ensino, por regra e ética, não é proselitismo e, portando as ações tendenciosas e imparciais nas escolas não podem colocar em risco o livre acesso ao conhecimento curricular. A religião e as concepções ideológicas podem ser ensinadas não como doutrina e sim como conteúdo humanístico em todas as disciplinas ( história das religiões; ou da arte religiosa, por exemplo). Todo conhecimento tem seu aspecto ideológico e esconde algum tipo de intenção e interesse de quem o produz. Não há como negar e proibir. Mas daí liberar ou obrigar o ensino doutrinário tem uma enorme distância. Cabe à escola e seus conselhos, como comunidade, analisar, discutir e decidir democraticamente sobre a implantação ou rejeição curricular desses temas, bem como devam ser conduzidos curricularmente, em caso de adoção, sem violar os princípios constitucionais.

Ps. Por seis votos contra cinco, no dia 27 de setembro, os ministros liberaram a prática confessional docente no sistema de ensino, incluindo a escolas pública.

Obediência, fé e conhecimento


Trabalhadores e horas são uma das mais admiráveis simbologias ensinadas por Jesus sobre a relação entre o Criador e suas criaturas, quando estas últimas buscam a verdade como solução realizadora da Vida.

O trabalho são as tarefas na forma de provas e expiações que movem o Espírito para os degraus mais altos da evolução, enquanto as horas significam o tempo das existências no ambiente carnal. Este ambiente também é simbolizado na terra e nos ciclos agrícolas, sobretudo das vinhas, cultura primitiva que revela a essência da vida (a cepa).

Ao contar as horas nas quais o Senhor saiu para aliciar (despertar) seus trabalhadores, Jesus identifica os da primeira e da terceira hora como aqueles que aceitam natural e prontamente o convite, pois foram acostumados nesse regime disciplinar da sobrevivência. A marca desses primeiros tarefeiros é a OBEDIÊNCIA. Simples e humildes, operam docilmente sem reclamar e cheios de gratidão pelo trabalho alcançado e realizado. Historicamente, como lembrou Henri Heine, são Espíritos do quilate de Abraão, Moisés e todos os profetas do Antigo Testamento, servos incansáveis e de alta fidelidade. Trabalham sem reparar como o tempo passa e chegam ao fim da tarefa como se ela ainda estivesse começando.

Na segunda chamada o Senhor da Vinha convoca os trabalhadores da sexta e da nona hora, mais tarimbados, com as mãos calejadas e que não demonstram nenhum tipo de contrariedade e sofrimento, nem mesmo ao realizar as tarefas mais pesadas e difíceis. São resistentes e não se impressionam com nada que possa desordenar ou perturbar o serviço. Absolutamente nada pode fazer com que percam a concentração e o ritmo do trabalho, pois estão sempre atentos e vigilantes aos sinais de comando, bem como aos perigos e surpresas. Corajosos ao extremo, a marca desses servos é a FÉ. Destemidos diante das vicissitudes, não se deixam abater por nada e levam a tarefa até as últimas consequências, arriscando suas próprias vidas para salvar a colheita e ou proteger a vinha contra os inimigos. Trabalham sempre felizes e sorridentes, mesmo quando, por dentro, estão tristes e abatidos pelas provas. Heine lembra deles como os mártires da cristandade e os Pais da Igreja.

E por fim os  últimos os convidados, que encontram a vinha praticamente pronta para a colheita, quando os cestos já estão repletos, aguardando somente o esforço de levar os frutos para o consumo. Aparentemente é uma tarefa mais fácil, pois tudo de pesado e demorado já foi feito na colheita. Entretanto, nesse percurso, entre a fonte e a sede, surge o amargor da dúvida e da incerteza. Os trabalhadores se desgastam muito ao duvidarem da qualidade da uva e do vinho que ela possa gerar. São ágeis no pensamento e nas estratégias do comércio e se preocupam muito com a reputação da patrão e do produto que carregam. Sabem explicar cada detalhe que fez brotar as parreiras e as uvas e sabem dos efeitos que o sabor delas pode ter nos Espíritos com sede de vida e esperança. A vantagem é que também não ligam para as horas nem para o pagamento e trabalham apenas com o contrato da confiança e da boa vontade. A marca deles é o CONHECIMENTO. Conhecer e explicar os caracteres, as virtudes e as fraqueza do vinho a ser bebido, esses servos voluntários da difusão da Verdade estão sempre de prontidão, pois sempre estiveram disponíveis aguardando o chamado, a qualquer hora do dia ou da noite.  São na lembrança de Heine, os filósofos, cientistas e finalmente os médiuns e tarefeiros espíritas.