segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Por que os jovens estão se matando

Crianças e adolescentes constroem suas existências baseadas no comportamento dos adultos. 
Vivemos uma época na qual todos as questões e conflitos humanos, antes escondidos, vieram à tona. A Era dos Segredos, das dissimulações e das subjetividades foi assaltada pela Era da Transparência. 

Não é mais possível esconder nada. Tudo é público e notório. Todas as nossas ações são expostas à céu aberto e seriamente observadas nas redes sociais.  É uma nova realidade na qual é necessário ser muito autêntico para sobreviver.  Todas as nossas formas de crer e de agir por meio de máscaras e explicações racionais, não servem mais, pois logo somos denunciados.

Somando a isso, temos uma sociedade altamente tecnológica e competitiva, que reduziu muito a nossa estabilidade e zonas de conforto. Tudo é muito solto e efêmero: os empregos, as relações sociais e afetivas, e sobretudo as certezas.

Ansiedade, pânico, depressão e finalmente o suicídio tem sido a resposta humana dos que não se adaptam a esse novo mundo externo que os empurra para as tormentas íntimas do mundo interno.

É preciso, então, acertar os relógios atrasados e encontrar um Norte para essa bússola confusa e desorientada.






Observador no Fronteiras da Ciência


Falando abertamente sobre suicídio e sua prevenção no Programa Fronteiras da Ciência, na Santa Cecília TV. Uma das pautas foi o livro ESTAÇÃO AMIZADE, voltado para jovens e com download gratuito
(http://estacaoamizade.blogspot.com.br/). Sábado tem reprise às 21 horas. É possível ver pela internet :
http://santaportal.com.br/fronteirasdaciencia

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Educação emocional e prevenção do suicídio


CRIANÇAS QUE JÁ SABEM DE CERTAS COISAS e fazem perguntas pertinentes sobre temas sérios. Bate-papo com alunos do 4º ano da Escola Municipal Pe. Lucio Floro, em Santos-SP.

Nos perguntaram sobre felicidade, tristeza, bullying e muitas outras coisas.

E concluimos: "Se você tem um amigo que não quer mais viver, gruda nele que ele vai continuar vivendo".



O que se mede em milímetros...




Interessante como o aspecto moral da doutrina espírita realmente demora para ser compreendido na sua essência e incorporado ao nosso comportamento.


919. Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?


“Um sábio da antigüidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.”

a) - Conhecemos toda a sabedoria desta máxima, porém a dificuldade está precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo?



PRECISA DESENHAR?

O movimento espírita está passando por uma fase de perturbações, messianismo, milenarismo e misticismo, típicos das transições de século. Pode ser a fase que Allan Kardec definiu como "religiosa", que sucedeu a científica e que antecede o estabelecimento do período filosófico. O passado intefere no presente e confunde o futuro. Muita gente fascinada por pesonalidades, profecias, acontecimentos e anomalias telúricas, ufologia, sincretismos doutrinários, enfim, distúrbios que geram confusão e desvios das finalidades primordiais das intituições e sobretudo dos espíritas. Nessas horas o mais seguro é sempre a nossa raiz, nosso ponto de referência.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Kardec colorizado substitui a saturação de Kardec 3D

Imagem de Allan Kardec colorizada e que está circulando fartamente na internet.

A última tentativa de modernizar a rara imagem do professor Rivail, registrada em P&B no século XIX, também foi feita por um artista digital, no formado 3D, há uns cinco anos, mas a exploração foi tanta que se desgastou como produto visual.

A versão atual vai dar um descanso na anterior. Mesmo assim, continuamos sem poder imaginar como era o coditiano de Paris e das atividades espíritas naquela contexto. Já é possível criar esse cenários virtuais, mas ainda não foi enontrada uma boa motivação para tal. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A reencarnação de Kardec


Nossa opinião sobre identidade e reencarnação ainda se pauta pela dificuldade de aceitar evidências que não são evidências e provas que também não são provas. Com exceção dos casos de desenacarne prematuro e reencarne quase que imediato, todos os demais casos são marcados pelo segredo e pela incerteza. Recebemos recentemente uma tese sobre a reencarnção de Allan Kardec, animando a personalidade de um conhecido militante da doutrina espírita. Nessa tese Kardec não é Chico Xavier. A pedido da editora, que nos pediu uma análise do trabalho, bem como nossa opinião sobre a conveniência ou não da publicação, mantemos o segredo da tese e da identidade do autor. Mas adiantamos que os argumentos são fortes e muito bem contruídos, podendo também tomar forma de discurso e ideologia (crença, expectativa, simpatia, etc) presentes em todas as demais teses. Incentivamos a publicação. Não sabemos se o editor vai contemplar o autor e o público com esse interessante trabalho de pesquisa e confrontação de fatos entre as duas personalidades em jogo interexistencial. Vamos aguardar.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Nota de missão cumprida. Suely Conchon.

Faleceu hoje de madrugada, em São Paulo, a educadora Suely Bataglia Conchon, voluntária da segunda turma de plantonistas do Centro de Valorização da Vida, de 1963. Foi durante muitos anos membro do Conselho Diretor, do Programa CVV e do Hospital Francisca Júlia. Era casada com Jacques André Conchon e mãe de quatro filhos. Aqui Suely aparece ao lado do esposo e de amigos da diretoria num Congresso do CVV em 1978, na sede Gastroclínica. São eles: Valentim Lorenzetti, Allankardec Gonzalez, Pedro Martins e Flávio Focácio. Na seara espírita, Jacques e Suely atuaram na Federação Espírita de São Paulo e foram fundadores da Aliança Espírita Evangélica.

Foto: "CVV, 50 anos ouvindo pessoas". Editora Aliança.

sábado, 15 de outubro de 2016

Compartilhe com os jovens


Compartilhe com jovens que você acha que poderiam gostar dessa história.

http://estacaoamizade.blogspot.com.br/

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Como surgiu e como funciona o CVV.


Mensagem para ativistas brasileiros e religiosos que vivem no Japão.



A EXPERIÊNCIA DO CVV PARA GRUPOS RELIGIOSOS NO JAPÃO. VÍDEO II. Um grupo de religiosos brasileiros que vivem no Japão nos solicitou instruções para a formação de um trabalho de Escuta Fraterna. No Japão vivem cerca de 170 mil brasileiros, entre os quais encontramos católicos, espíritas, evangélicos, umbandistas, budistas e vários outros segmentos.

Suicídio: o aspecto espiritual da prevenção.


Mensagem para ativistas brasileiros e religiosos que vivem no Japão. Parte 2 

domingo, 25 de setembro de 2016

Legião da Boa Vontade


Nossa gratidão à obra magnífica de Alziro Zarur e seus confrades. Foram os patrocinadores da rádionovela Memórias de um Suicida, da obra de Yvone Pereira- Camilo Castelo Branco.

Fotos: Templo da Paz, em Brasília. Por Emmanuela Barros

Alziro Abrahão Elias David Zarur (Rio de Janeiro, 25 de dezembro de 1914Rio de Janeiro, 21 de outubro de1979) foi m jornalista, radialista, poeta e escritor, fundador e primeiro presidente da Legião da Boa Vontade.
Filho de imigrantes árabes - Ássima e Elias Zarur - foi aluno brilhante do Colégio Dom Pedro II e já nesse tempo demonstrava seu pendor para o jornalismo e para a liderança: depois de escrever em todos os órgãos do colégio, fundou o próprio jornal (O Atalaia) e foi chamado para dirigir o órgão oficial, Boletim do Colégio Pedro II.

Aos 15 anos, ingressou como jornalista profissional no matutino A Pátria, de João do Rio, sob a direção de Diniz Júnior. Dono de uma voz tocante, participou da chamada "Era de Ouro" do rádio brasileiro. Criou os programasEnciclopédia Literária, Você não tem consciência!, Gatinhos e Sinucas, Teatro de Gente Nova, Policial Zarur e As Aventuras de Sherlock Holmes. Transcrevendo a obra de Arthur Conan Doyle para a linguagem radiofônica, Zarur lançou o programa policial educativo no país, encerrando todas as produções com a sentença: "O Bem nunca será vencido pelo Mal".


sexta-feira, 23 de setembro de 2016

1ª Mostra de Filmes Espíritas do Rio


Cartaz da  1ª Mostra de Filmes Espíritas do Rio de Janeiro. Evento organizado pelo cineasta e memorialista Oceano Vieira de Melo. 

terça-feira, 13 de setembro de 2016

MAPA MUNDI




O MUNDO PÓS 2036, segundo informações que Geraldo Lemos recebeu de Chico Xavier-Emmanuel. Lembrando que todos os acontecimentos sempre sofrem a interferência do livre arbítrio humano e não somente da ação unilateral dos Espíritos Superiores. Um exemplo disso foi a desintegração da União Soviética e o fim da Guerra Fria nos anos 1980.

A perguntas são: essas informações estão de acordo com o critério de análise de revelações proposto por Allan Kardec. Tais informações deveriam ter sido publicadas, já que o próprio autor não as trouxe a público? Os médiuns e os Espíritos tem o poder de ler o futuro, como foi feito na descrição usada para criar essas ilustrações? Quem responde?

MAPA SUL-AMERICANO


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Mensagem do Além para um amigo


Caro amigo, Estava pensando na sua situação de pressões externas e conflitos íntimos, na qual deve se sentir acuado e sem perspectivas. Nessas horas o desespero de resolver as coisas se acentua e quando você se esgota de tanto pensar vem o desânimo. Sente-se fracassado, impotente e incapaz de tudo.

Mas ao tempo tem cobranças de coisas pendentes para resolver. 

Tem a responsabilidade de cuidar da sua mãe. 

Pesa a responsabilidade de cuidar dos compromissos que contraiu com a sua ex-companheira.

Tem a responsabilidade de recuperar e administrar sua saúde. 

Tem a responsabilidade dos teus compromissos psíquicos ou tarefas mediúnicas assumidas antes de reencarnar. 

Tem que dar conta da prova que pediu para nascer com facilidades e confortos materiais.

E finalmente a responsabilidade de prestar contas dos bens e recursos que chegaram em suas mãos pela herança dos avós, mas que na verdade não são seus e sim deles, que esperam que você não jogue fora tudo aquilo que eles construíram com trabalho e sacrifício. 

Como vê, sua vida de responsabilidades não está no fim e sim no começo. Vai ter que sentar, planejar e organizar sua tarefa de reconstruir sua vida e dar contar das coisas que chegaram em suas mãos e que você sabe que não foi por acaso. 

Não tem como fugir se livrando dos bens e das responsabilidades. Se acontecer, como vai explicar isso quando desencarnar? Abriu mão de tudo, recuou da prova e abandonou todos os recursos? 

Ainda tem tempo útil. Seu de tempo de conforto e fantasia acabou. Daqui pra frente é você e Deus. 

E não há motivos culpar ninguém, porque você teve todos as chances e oportunidades a seu favor, dentro da prova que você escolheu. 

Todas as suas vontades e caprichos foram satisfeitos. Todas as escolhas foram exclusivamente suas. Todas as suas recusas só foram atendidas após receber alertas sobre os perigos das tuas decisões. Nunca foi contrariado. 

E foi assim que sempre quis e sempre soube que seria assim, mesmo antes de nascer. 

Agora veio a grande crise. O momento das escolhas solitárias. A grande prova. 

Novamente você está sendo ajudado e também respeitado nas suas vontades e tolerado nos caprichos. Seus amigos, seus parentes espirituais e sua mãe continuam à sua exclusiva disposição. 

Mas isso tem um limite. Um limite que a sua idade e sua mente não tem como evitar, não como acontecia quando você era mais jovem. Terá que escolher. 

É isso. 

Do seu amigo desse plano e todos os seus amigos do Outro Lado que estão torcendo por você.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

sexta-feira, 15 de julho de 2016

VIVER É PERIGOSO


Em breve, a minha primeira ficção, sobre o suicídio e as questões existenciais que mais afetam de jovens na atualidade.

ESTAÇÃO AMIZADE foi escrito entre 14 e 21 de maio de 2016  e relata os conflitos existenciais de jovens, todos relacionados direta ou indiretamente ao suicídio. O narrador é um desses jovens e também está em busca de uma solução para os seus problemas íntimos.

É a história de Hugo, Carla, Samantha, Verônica, Tarso, Gabriel, Larissa, Ariane e Gabriela. Nove jovens lutando para salvar suas própria vidas. Ela é contada por um décimo personagem, que relata as experiências dos amigos e também a sua luta pela sobrevivência existencial.

ESTAÇÃO - Estado de espírito que nos impulsiona no tempo cronológico (Kronos), no sentido Sul-Norte, estimulando pensamentos, sentimentos e ações. Esse percurso, ao prestarmos atenção na bússola e não somente no relógio, pode nos conduzir ao tempo psicológico (Kairós) e muito provavelmente a uma condição chamada Plenitude, que é sempre o início de uma nova trajetória. Caso contrário, podemos estacionar e recomeçar de onde paramos.

Para cada pessoa uma trajetória. Para cada trajetória uma estação diferente.

Qual é a sua Estação?

Qual o rumo da sua viagem?

PS. O livro tem como objetivo estimular a formação de comitês de jovens para prevenção do suicídio. e tem o apoio do CVV-Centro de Valorização da Vida.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Pesquisa tem novidade sobre precursores do Espíritismo


Quem é o pesquisador Paulo?

Sou Paulo Henrique de Figueiredo, 49 anos. Por formação, atuo como administrador de empresas, mas desde jovem tenho sido pesquisador, divulgador e palestrante do Espiritismo, em conferências e seminários por todo o Brasil.

Nasceu em berço espírita ou veio depois?

Venho de uma família espírita atuante na divulgação do espiritismo desde meus avós. Desde a infância estive perto de médiuns, palestrantes e estudiosos espíritas, como Chico Xavier, Martha Galego, Herculano Pires, Jorge Rizzini, entre outros.

Você  já tinha um trabalho histórico nessa área.

As obras de Kardec estavam presentes no cotidiano. Posteriormente, por mais de cinco anos mantivemos nas bancas uma revista espírita, a Universo Espírita. Também iniciamos um programa de rádio com o mesmo nome, que já tem mais de quinze anos, sendo veiculado em diversas rádios. Minha pesquisa sobre o espiritismo rendeu a publicação da obra “Mesmer, a ciência negada e os textos escondidos”, que já recebeu três edições e será relançada ainda este ano. Mas esse livro era parte de uma pesquisa ainda mais ampla, pesquisei o magnetismo animal, em verdade, para compreender o espiritismo! O resultado de mais de duas décadas de estudos em fontes primárias resultou em “Revolução Espírita – a teoria esquecida de Allan Kardec”, lançada agora neste mês de junho de 2016.

Como se interessou pelo tema?

Desde pequeno, as obras de Kardec estavam espalhadas pela casa de meus pais. Mas foi a coleção da Revista Espírita que me chamou muito a atenção. Nessas revistas publicadas por Allan Kardec mês a mês, desde 1858, pude conhecer o dia a dia de seus trabalhos de comunicação com os espíritos e os debates na Sociedade Parisiense. Nas obras básicas, os textos são conclusivos e literários. Na revista, vemos o professor Rivail em plena atividade de pesquisa, debatendo temas, interpretando e comparando mensagens, respondendo a polêmicas, propondo questões instigantes e esclarecedoras aos espíritos, relatando suas viagens, encontros, dando instruções às centenas de grupos de estudos com os quais se correspondia. Fiquei maravilhado com aquela viagem no tempo.

E o magnetismo?

Certo dia, me deparei com a seguinte afirmação de Kardec: “O Magnetismo preparou os caminhos do Espiritismo, e os rápidos progressos dessa última doutrina são, incontestavelmente, devidos à vulgarização das ideias da primeira”. Em seguida considerou que Magnetismo Animal e Espiritismo eram ciências irmãs, até mesmo gêmeas! Por fim, sentenciou: “sua conexão é tal que é, por assim dizer, impossível falar de um sem falar do outro. Se devêssemos ficar fora da ciência magnética, nosso quadro estaria incompleto”. Fiquei muito intrigado com aquelas palavras. Pois questionei as mais diversas pessoas do meio espírita e ninguém sabia explicar do que tratava a ciência do magnetismo animal! E então pensei: Mas se Kardec afirmou que não é possível compreender o Espiritismo sem sua ciência irmã, hoje ele deve estar incompleto. Parti então em busca dos significados da ciência criada por Franz Anton Mesmer, o médico alemão que criou a proposta de renovação da medicina por meio de sua descoberta, o tratamento pelos passes e imposição de mãos.

Outros pesquisadores também foram parte da base precursora do Espiritismo?

Junto com o professor e escritor da Faculdade Paulista de Medicina, Dr. Álvaro Glerean, procedemos à tradução e estudo das obras de Mesmer, e de mais de uma dezena de autores clássicos que o sucederam, como Puységur, Deleuze, Du Potet, Ricard, entre tantos. Foram mais de vinte obras. Nos debruçamos também nos jornais e revistas dos magnetizadores, e também os autores que contestavam essa nova ciência. Todo esse trabalho foi dedicado a recuperar a ciência irmã do espiritismo, para compreender quais conceitos e valores complementavam o entendimento da doutrina espírita, como explicou Kardec.

Qual é foco da pesquisa contida no livro que lançou agora?

Achamos tão rico e valoroso o legado de Mesmer, que, ainda em meio à pesquisa, publicamos o livro “Mesmer”, para colocar a público aquelas interessantes informações. Mas continuamos nosso trabalho. Avançando no tempo, buscamos compreender o meio dos magnetizadores quando do surgimento dos fenômenos espíritas, a repercussão dessa novidade, os grupos de magnetizadores que passaram a dialogar com os espíritos, os debates e questionamentos dede 1849 em Paris, mais de cinco anos antes do professor Rivail ouvir falar das mesas girantes! Depois continuamos essa volta no tempo, buscamos conhecer a família de Rivail, sua infância na cidade natal, Bourg-em-Bresse, os primeiros passos em Paris, e todo o período de elaboração da doutrina espírita. O resultado dessa ampla e minuciosa abordagem resultou no livro “Revolução Espírita”.

Por que revolução?

Essa detalhada pesquisa revelou que quando o “Livro dos espíritos” chegou às livrarias, havia um público bastante preparado para compreender o que de novo estava sendo dito pelos espíritos nessa obra. O magnetismo animal estava presente na cultura e nos hábitos sociais, haviam consultas e diagnósticos com sonâmbulos, praticamente todos os homeopatas aplicavam tratamentos por passes, haviam consultórios e até hospitais mesméricos. Uma ampla literatura tratava da ciência do Magnetismo Animal. Também a Universidade, nas áreas de humanas, notadamente na filosofia e psicologia, como relato amplamente no livro, adotavam uma orientação espiritualista, era o que se conhecia como espiritualismo racional. Quem havia estudado essa matéria no colégio ou faculdade, tinha todo um questionamento, um cabedal de dúvidas, pronto para receber a teoria dos espíritos como resposta lúcida, inovadora e revolucionária! Kardec percebeu a grandiosidade desse movimento, e afirmou: “Uma revolução nas ideias certamente produz outra na ordem das coisas. É essa revolução que o Espiritismo prepara”. E foi exatamente essa revolução nas ideias que encontramos em nossa pesquisa e apresentamos de forma acessível em nosso mais recente livro. E ouso dizer, são conceitos que podem ser recebidos como uma grata novidade pelo movimento espírita atual. Poderia dizer que: aquele que busca novidades em Kardec vai certamente vai encontra-las, na teoria esquecida desse renomado professor!

Por que Kardec continua desconhecido ou ignorado pela historiografia?

A pesquisa biográfica sobre Allan Kardec foi produzida por pesquisadores minuciosos, como Zeus Wantuil, no século 20. Nesse tempo, o acesso a documentos originais e outras fontes primárias era muito difícil e precário. O interesse atual pela história e o acesso à informação pela internet é um marco na evolução da cultura humana. A Europa investe muito nesse campo. Hoje temos acesso a jornais, revistas, livros e documentos, de cada cidade, em cada uma das fases históricas. Descobrimos que importantes brechas e até informações equivocadas estão estabelecidas no senso comum da biografia de Kardec e até mesmo na interpretação da doutrina espírita. Enfrentar a recuperação desses valores, sem ideias preconcebidas, sem a intenção de encontrar o que se imagina ser o certo. Ter a mente aberta para compreender o que ocorreu, independente de opiniões pessoais. Olhar para o passado sabendo que havia uma cultura naquela época muito diferente da atual, e que o olhar de hoje é diferente de quem viveu nesse passado. Esses são alguns dos cuidados necessários para produzir uma nova historiografia espírita. Pensamos em tornar a obra “Revolução Espírita”, uma contribuição nesse sentido. Um tijolo nessa construção.

O Espiritismo continua um novo paradigma ou está desatualizado?

Os espíritos que se propuseram a transmitir a Kardec e demais pesquisadores que compunham as sociedades de estudos espíritas uma doutrina revolucionária e transformadoras compreendem as leis naturais que regem o mundo espiritual com profundidade e clareza. Uma amplidão longe de nossa capacidade de entendimento. Por isso, eles agiram e agem de forma pedagógica adequada, deixando que estejamos conscientes das dúvidas para apresentar o caminho dos ensinamentos. É preciso partir do conhecido para o desconhecido. Esse trabalho de construção dos conceitos espíritas é contínuo e progressivo. Não houve continuidade desse diálogo amplo e diversificado, por meio de médiuns independentes e em grande número, por grupos esclarecidos, como ocorreu em torno de Rivail de 1857 a 1869. Houve uma ruptura. A doutrina espirita está presente nas obras de Kardec, incluindo com grande importância as Revistas Espíritas, e precisa ser resgatada com os recursos imprescindíveis da História e Filosofia das Ciências. Muitas das respostas para a crise moral e intelectual que atualmente a humanidade passa estão presentes na Doutrina Espírita. No entanto, esses valores fundamentais estão atualmente fora dos debates, das palestras, dos cursos, enfim, do repertório de temas do movimento espírita. O espiritismo é uma doutrina revolucionária, de vanguarda, atual, surpreendente; mas quem não conhece seus conceitos fundamentais originais, é quem está desatualizado. E, como afirmou Herculano Pires, o Espiritismo ainda hoje é o “grande desconhecido”.

O que os espíritas e não espíritas podem esperar da sua obra?


Não caberia aqui reproduzir as descobertas, os dados inéditos, os questionamentos propostos amplamente apresentados na obra “Revolução Espírita”, a isso remetemos à sua leitura. O que dizemos é que esse livro é o que eu gostaria de ter em mãos, quando fui instigado pelas afirmações de Allan Kardec. Foram duas décadas de mergulho no passado, lendo milhares de obras, revistas, jornais e documentos. Procuramos oferecer como fio condutor da obra uma biografia romanceada do professor Rivail baseada exclusivamente em fontes primárias. O pano de fundo dessa narrativa é a história da França. Mas as descobertas e ideias de Allan Kardec vão sendo esmiuçadas, debatidas e apresentadas no contexto de seu tempo, para que o leitor nos acompanhe nessa viagem no tempo. A pergunta é a seguinte: O que teria entusiasmado um intelectual francês a reconhecer na teoria espírita o potencial de transformar o mundo? Esperamos ajudar com “Revolução Espírita” o leitor a encontrar essa resposta, seja ou não espírita.