sábado, 31 de dezembro de 2011

Daniel e a imortalidade


Daniel Piza falando sobre Machado de Assis (sua especialidade) no Colégio Bandeirantes em São Paulo.

Ao ler a notícia da morte do jornalista e escritor Daniel Piza, de 41 anos, logo me veio à cabeça o conceito de morte prematura. Quase nunca lia seus textos, pois achava longos demais e sobre temas que não me interessavam. No entanto, percebia o vigor e a necessidade compulsiva de escrever que ele tinha, como quem não queria perder tempo e também mostrar que podia fazer de tudo um pouco e sempre muito mais. Era uma ansiedade criativa típica dos Espíritos que sabem inconscientemente que não têm muito tempo de vida. Daniel escreveu 17 livros e atuou como jornalista em reportagens consideradas importantes. Isso já confirma que tal ritmo produtivo não iria continuar sem que houvesse uma interrupção brusca , dessas surpresas que a Natureza guarda para todos nós. Viver apenas 41 anos é muito pouco e ficamos imaginando que alguém como ele deveria existir 80 ou 90 anos, como acontece com esses teimosos que se apegam à vida corporal ou que vivem intensamente, como é o caso de Oscar Niemeyer. Porém, lembramos que no caso de Espíritos como Daniel a bússola superou o relógio e antecipou suas experiências fundamentais. Esse comportamento que ele tinha de pessoas maduras, típico dos idosos lúcidos, foi alterada pela sua capacidade e necessidade guiar-se pela consciência e não mais somente pela existência. É o que nos ensina Fénelon em “Se fosse um homem de bem teria morrido” (no Evangelho de Kardec) e também o professor Huberto Rohden, que a isso chamava de “verticalização da mente”. O problema é que a lei que regula esse fenômeno humano logo denuncia esses Espíritos de que não há necessidade de prendê-los aos limites da matéria e do corpo e os libertam naturalmente desses obstáculos. Os afetos que ficam sofrem o impacto e a dor da ausência, mas tudo tem o seu significado e um sentido que está muito além das nossas meras expectativas mortais. Para nós, por enquanto, a imortalidade é isso: são as peças que nos pregam o Destino.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Médiuns holandeses ajudam prisioneiros a manter contato com Espíritos


Prisões holandesas estão usando médiuns para orientar criminosos presos, colocando-os em contato com seus parentes desencarnados.

Paul van Bree, médium clarividente, foi contratado pelos serviços prisionais holandeses para ensinar os presos "a amarem a si mesmos".

"Eu lhes digo que os parentes mortos estão indo bem e que eles os amam. O que lhes traz paz. Vi homens grandes e fortes em lágrimas", disse ele.

Van Bree, que também é astrólogo, afirma ser de uma tradição familiar de médiuns , incluindo sua mãe e avó.

O médium holandês declarou à revista De Tijd, que ele não é o único terapeuta psíquico que presta serviços para Ministério da Justiça holandês.

Ao falar como realiza seu curioso trabalho, ele explica que, conversando com os presos, e com os pais mortos dos prisioneiros, pode descobrir a chave dos problemas psicológicos para ajudar as autoridades prisionais a reabilitar os criminosos.

"Com a minha antena eu às vezes revelo informações tão importantes quanto as obtidas porum psicólogo ou um assistente social da prisão", disse. "Meu trabalho pode ser comparado aos cuidados de saúde mental no sentido mais amplo da palavra."

Justificando a adoção desse método nada ortodoxo, um porta-voz do Ministério da Justiça holandês, afirmou: "Isso não é algo que se encaixa em nosso campo de tratamento." Mas, por outro lado, o serviço de emprego holandês também lançou mão do médium usando "terapia de regressão" e cartas de tarô para ajudar os desempregados.

Anualmente, desde 2007, mais de 40 mil pessoas se inscrevem em "programas de desenvolvimento pessoal" financiados pelo Estado com base na espiritualidade.

Fonte: De Telegraaf, a partir da tradução de Carlos de Castro

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Júpter, Saturno e Marte



Algum tempo antes do nascimento, tanto na Palestina como nos países vizinhos e no Oriente, correu o aviso, dado pelos sábios assírios e caldeus entendidos em astrologia, que estava se formando, em dado ponto do Zodíaco, uma estranha e imprevista conjunção de corpos celestes: aproximavam-se Júpiter, Saturno e Marte.

Isso, diziam eles, era sinal de acontecimentos graves, podendo sobrevir cataclismos e sofrimentos imprevisíveis.
Por isso, em toda parte, o povo, ansioso e atemorizado, perscrutava os céus, noites seguidas na expectativa das desgraças anunciadas.
Mas os sacerdotes do Templo de Jerusalém sabiam que era chegada a época do nascimento do Messias de Israel e se rejubilavam esperançosos.
Nas terras pagãs da Grécia, Egito, Arábia, Pérsia e Índia as sibilas, também, já tinham, há muito tempo, profetizado a respeito do nascimento e, por isso, uma geral e profunda expectativa existia, de um acontecimento extraordinário que abalaria a vida dos homens e mudaria o destino do mundo.
Até que enfim, numa dessas noites frias e estreladas do inverno palestino quando, na profundidade dos espaços siderais, se completava a conjunção insólita, as vibrações celestiais desceram sobre Belém e envolveram a casa humilde onde o Menino-Luz estava nascendo.
E os pastores rústicos, enrodilhados nos seus mantos, nas encostas dos montes próximos, beneficiados de incrível lucidez, viram os clarões luminosos que desciam do céu e ouviram o coro inaudível dos Espíritos clamando, para todo o mundo: Glória a Deus nas alturas e Paz na Terra aos homens de boa vontade".
E assim, mais uma vez, as forças das trevas foram vencidas ...

Nota
O fato de o Divino Mestre ter sido pressentido em primeiro lugar por pastores humildes, prova que sua tarefa era de redenção para todos os homens e, deixando-se adorar por altos dignitários estrangeiros, sacerdotes de religiões diferentes, testemunhava de que sua mensagem seria de extensão universal.
Edgard Armond – O Redentor

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Humanos, animais e seus reinos

Uma telespectadora, que nos viu no Programa Fronteiras da Ciência, enviou essa dúvida sobre a convivência entre seres humanos e animais:

“Meu gato morreu atropelado e hoje faz sete dias. Gostaria de saber se eles têm alma e encarnam rapidamente; e se eles voltam a procurar seus donos”.

E respondemos:

Essa sua dúvida está respondida no Livro dos Espíritos, capítulo XI, de forma muito esclarecedora, por quem realmente sabe o que está falando. Você vai se surpreender com as respostas que tratam dos reinos da natureza e a nossa relação com os mesmos.

O aspecto que talvez nos caiba nessa questão é refletir que tipo de relação temos com os animais, que deve ser de carinho e respeito, sem ultrapassar os limites da razão e do bom senso. Não devemos nem podemos tratar os animais como se fossem humanos, porque realmente eles não são. Esperar deles atitudes e comportamentos, escolhas e decisões, relações de afetividade que vão além das regras da natureza não é amor , nem respeito. Nós , muitas vezes, atribuímos aos animais coisas que só os humanos podem fazer e perceber. Isto chama-se humanização dos animais. É o mesmo que animalizar os humanos. Um contra-senso que somente prejudica os animais e seres humanos. Foi nesse sentido que surgiu aquela ironia crítica sobre esse comportamento: "Troque seu cachorro por uma criança pobre!". Temos um cãozinho aqui em casa e nós o adoramos. Mas também o maltratamos quando esperamos dele um comportamento humano e até covardemente o deixamos constrangido quando exigimos isso dele.

Espero que você compreenda esse tema tão importante e que considere a reencarnação dos animais um assunto que não pode, nem deve ser humanizado. Deve, sim, ser compreendido como um fenômeno que regula o próprio reino no qual eles se encontram. O convívio que eles têm conosco não altera essa situação natural, como acontece em seres humanos, cujas ações e relações de escolhas geram reações de compromissos mútuos em novas existências.

Animais não estão nessa categoria natural e não podem ser responsabilizados por escolhas que eles não podem fazer.

Mais uma vez grato e parabéns pela sua coragem em questionar esse assunto, que para uns pode parecer um absurdo, mas é uma dúvida muito comum e sincera em quem convive com animais.

Abraços fraternos

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Edgard Armond por Jacques Conchon


O blog Cultura Espírita (http://culturaespirita.wordpress.com/), de Edelso da Silva Junior, tem publicado ótimas entrevistas com personalidades espíritas, pessoas discretas, que raramente aparecem em nossas mídias falando de assuntos também pouco conhecidos do nosso público. É o caso de Jacques Conchon, fundador do CVV (instituição areligiosa) e da Aliança Espírita Evangélica, falando de Edgard Armond. O vídeo foi dividido em quatro partes e detalha a trajetória do Comandante e da repercussão de sua obra dentro e fora do movimento espírita. Jacques Conchon, pernambucano de nascimento (paulista de criação) é engenheiro ambiental e iniciou sua carreira na União da Mocidade, em São Paulo. Na FEESP, no início dos anos 60, cursou a 7ª Turma da Escola de Aprendizes do Evangelho, dirigida pelo Dr. Milton B. Jardim, tornando-se o líder do grupo que lançaria as bases da futura Aliança. Afastado politicamente dessas atividades, Jacques hoje voltou às suas origens, ministrando cursos e palestras nos inúmeros núcleos da Aliança (mais de 300) e postos do Centro de Valorização da Vida (72). Imperdível.

domingo, 13 de novembro de 2011

Morrer e viver perigosamente


A matéria publicada na edição de domingo do Estadão (13/11), sobre a aposentadoria de um oficial militar, não teria nada de anormal se não fosse pela citação de uma curiosa experiência que o repórter classificou como “mística”. Nela o comandante da Rota (força tática da Polícia Militar paulista) relata uma das suas inúmeras ações de alto risco na qual estava acompanhado por um "anjo", segundo a interpretação de um outro policial, seu parceiro naquele dia incomum. Ambos são evangélicos (protestantes). Isso só nos faz pensar que os Espíritos que atuam nessas situações tanto podem estar do lado dos policiais em atividade de proteção como dos bandidos, estimulando o crime e a vingança; e também de forma neutra, para amparar e orientar seus tutelados nas situações de expiações e provas. Recentemente um jornalista desencarnado nos relatou que acompanhou as atividades de um Espírito Guardião cujo tutelado era assaltante e que confiava que um dia o seu orientando iria mudar de atitude e comportamento.

Aposentadoria após 36 mortes e 80 elogios

O mais polêmico oficial do batalhão de elite da PM vai para a reserva no dia 18

13 de novembro de 2011 | MARCELO GODOY - O Estado de S.Paulo

Ele sabe que tem sangue nas mãos. "Mas não tenho o sangue de nenhum inocente." A cada frase, o tenente-coronel Paulo Adriano Lopes Telhada cria uma polêmica. Há muito tempo ele é assim. O riso fácil, o carisma com a tropa e a mesma forma de cumprimentar: "A paz de Deus, irmão". O homem que tem 29 processos por homicídio - 36 mortes em ação - e 80 elogios em sua ficha se diz um soldado de Cristo.

Quando entrou para a polícia, em 1979, o jovem sabia que um dia poderia ser obrigado a usar sua arma. E matar. Procurou o ancião da Congregação Cristã do Brasil e contou sua preocupação. "A porta que Deus abre, ninguém fecha. E a porta que Ele fecha, ninguém abre." Trinta e três anos depois, o irmão Paulo - como é conhecido na igreja onde toca clarinete nos cultos - tem certeza de que a Palavra se concretizou.

Telhada deixou a Academia do Barro Branco na turma de 1983. Em sua memória, há muitas datas. Ele chegou à Rota em 23 de junho de 1986 depois que, em patrulhamento, sua equipe matou dois bandidos, prendeu outros dois e soltou 11 reféns na zona oeste de São Paulo. O batalhão tinha apenas três carros e convivia com uma falta crônica de oficiais - aqueles que tinham fama de matar bandido haviam sido transferidos durante o governo de Franco Montoro (1983-1987).

Bastou um dia para ele ir para a rua atrás de criminosos. Não demoraria para ficar conhecido. "Sou um para-raio. Tudo acontece comigo." É o que parece. Sua memória ainda se lembra do dia 30 de setembro de 1988, seu primeiro tiroteio na Rota. Um ladrão roubou um táxi. "Ele reagiu e morreu."

As histórias de Telhada são sempre assim. Por isso a Justiça decidiu arquivar 19 de seus casos e absolvê-lo nos demais. "Não mereço essa fama. Não sou pistoleiro." Os casos se sucederam. Foram sete em 1989, cinco em 1990. A fama aumentou. Seu nome aparecia nos jornais, como em 17 de agosto de 1990, quando um bandido acertou o seu braço esquerdo na zona norte. Nos dois anos seguintes, mais nove mortes.

À medida que sua fama crescia, a PM ganhava um problema: o que fazer com Telhada? Decidiram retirá-lo da Rota. Era 10 de abril de 1992. "Fui transferido 28 vezes." O oficial teve outras punições mais explícitas. Foi preso oito vezes por descumprir regulamento. "Não há policial de rua que nunca tenha sido preso." E colecionou elogios, promoções e medalhas - é o único oficial vivo a ter a Cruz de Mérito Pessoal de Ouro.

Ele já era capitão quando foi baleado pela segunda vez. O comandante da Rota conta que tudo ocorreu embaixo do Viaduto Pompeia, na zona oeste, onde deu de cara com um ladrão. "Não atirei. Não sabia se era um bandido ou se era um mendigo. Segurei o cano de sua arma e ele o da minha. Rolamos no chão." De repente, o disparo. "Acertou a minha mão. Ele se assustou e eu atirei quatro vezes." O homem morreu. Telhada quase perdeu o movimento da mão direita.

O tempo curou sua ferida antes da próxima data: 24 de janeiro de 1996, dia de uma experiência mística. Telhada e o soldado Gomes estavam na Avenida Doutor Arnaldo, na zona oeste, quando o rádio da PM alertou sobre a fuga de quatro ladrões em um Kadett. "Subimos no canteiro central. Quando descemos, estávamos do lado deles." Um dos bandidos desceu e atirou. "Eu pensei: 'Ele não vai escapar'." Telhada correu. "Eu olhava para o lado e via o Gomes." O oficial acertou o ladrão e o levou para o Hospital das Clínicas.

"Quando cheguei, vi o Gomes baleado e perguntei: 'Quando isso ocorreu se você estava ao meu lado o tempo todo?' E ele me respondeu: 'Capitão, eu não dei um passo. Fui baleado quando saí do carro. Se o senhor me viu, não era eu. Era um anjo que estava do seu lado.' A Bíblia diz que o Senhor acampa seus anjos ao redor daquele que Ele ama. Naquele dia, um anjo do Senhor estava ao meu lado."

A PM decidiu afastá-lo das ruas. Na época, era obrigatório o tratamento psicológico para quem se envolvia em tiroteios. Ouviu então de um coronel: "Telhada, você é um homem perigoso. Onde você chega, a tropa fica ouriçada e começa a trabalhar." Foram anos difíceis. Quase foi expulso da PM em 2004, acusado de fazer bico como segurança do apresentador Gugu Liberato. "Sempre fiz bico, mas não sou ladrão nem vagabundo."

Era maio de 2009. Fazia 17 anos que o tenente-coronel, hoje com 50 anos, havia deixado a Rota. Sua fama não impediu que Antonio Ferreira Pinto, recém-empossado na Secretaria da Segurança Pública, fizesse sua mais arriscada aposta: pôr Telhada no comando da Rota. "Você pode elevar ou acabar com nosso comando. Depende de sua atitude", disse Ferreira Pinto. Nesses dois anos e meio, a Rota se transformou no principal instrumento de combate ao crime organizado no Estado. "Foi um grande acerto", conclui o secretário.

Atentado. Novas polêmicas surgiram, como as que cercam o atentado contra ele, em 2010 - bandidos dispararam 11 vezes e erraram -, e as denúncias de abuso na morte de seis ladrões de caixa eletrônico, em agosto. Mas ele se diz em paz. "Não convivo com fantasmas. Quem gosta de matar tem de se tratar. Tive ótimos policiais que acabaram vendo fantasmas, acabaram na sarjeta, na bebida."

Telhada vive os últimos dias no quartel do qual vai se despedir por força de lei no dia 18 - vai ser a última data da sua carreira. Antes, recebeu o filho, o tenente Rafael Telhada, de 25 anos, no batalhão - o jovem já esteve em dois tiroteios com morte. "Vou lançar um livro sobre a Rota e, talvez, entrar para a política", conta. E acrescenta: "Quem critica a polícia ou não a conhece ou tem medo de ser preso." Telhada sorri. Diz que vai sentir saudade. "Adoro isso aqui." /

COLABOROU WILLIAM CARDOSO

domingo, 9 de outubro de 2011

Noivos cadáveres

Casal segura foto-montagem do filho morto e com sua noiva, morta dois anos depois: alívio e certeza da união dos dois no Além. Clique na imagem e leia a reportagem.



Crenças nada mais são do que as nossas insistentes tentativas de combinar elementos contraditórios entre o espírito e a matéria. Tivemos essa nítida impressão ao ler uma extensa matéria sobre os casamentos de cadáveres realizados na China, uma tradição popular milenar reprimida durante a o regime comunista e que agora retorna com toda força da explosão sócio-econômica do país. Para nós ocidentais essa crença pode parecer absurda e sem cabimento, mas entre os chineses de alma simples é a mais pura demonstração de piedade e preocupação com os entes queridos que partem para o Desconhecido. Pais desesperados e perdidos diante da morte de filhos jovens, se entregam de corpo e alma nessa prática que alivia a perda, a falta de perspectiva e o vazio deixado pelos que se foram. O que mais nos choca é a praticidade dos rituais e sua exploração financeira, muita vezes criminosa, para que essas famílias possam realizar os ritos. Segundo a crença, a união de dois mortos facilita a vida no mundo subterrâneo, livrando-os da solidão e de todas as carências que temos quando encarnados e que certamente os desencarnados deveriam ter no outro mundo. Dessa crença surgem então outras práticas óbvias como o comércio de corpos e serviços de união, efeito burocrático e material dos ritos espirituais. Criminosos roubam corpos de jovens ou pessoas solteiras para vender em outras regiões nas quais são utilizados para cumprir promessas funerárias. Uma verdadeira indústria de reprodução de objetos materiais alimenta o consumo de produtos e necessidades dos mortos, que são transpostos para o Além através da força química e simbólica da incineração. Tudo seria normal e menos chocante para nós se não fosse a total sinceridade e transparência moral dos crentes e a praticidade de quem procura satisfazer essas necessidades agilizando e cobrando por esses serviços. Esquecemos, considerando as diferenças culturais, que fazemos o mesmo em nossos rituais funerários e que, na ânsia de falarmos com os nossos mortos também somos capazes de fazer “qualquer coisa” para que o contato seja realizado e aliviar as nossas dores e curiosidades. Quando pensamos em tudo isso, somos tocados de compaixão pelos irmãos chineses e todos que ainda sofrem da dolorosa ignorância espiritual. Também sentimos pena dos seus exploradores, porque realmente não sabem o que estão fazendo. Só lamentamos não poder ofertar aquilo que acreditamos ser o melhor remédio para todos esses males, que é o conhecimento. Mas, de que vale o conhecimento se não abrimos os olhos nem o coração para recebê-lo?

domingo, 25 de setembro de 2011

Escolas: o que vem por aí



Quando soubemos dos fenômenos espíritas ocorridos recentemente numa escola no interior do Ceará comentamos com alguns amigos: não seria um aviso dos Espíritos para chamar a atenção de algo grave que viria acontecer no futuro? Esse aviso seria sobre o despreparo que temos ao lidar com a morte e os inúmeros sofrimentos causados pela ignorância sobre as verdades espirituais. Foi assim que ocorreu nos anos que antecederam o advento do Espiritismo e tal advertência foi confirmada pelo Espírito Santo Agostinho na sua dissertação sobre a finalidade comportamental desses fenômenos. Os fatos acontecidos no Ceará podem até ter sido geograficamente isolados, mas culturalmente representam uma alerta para o que aconteceu no início do ano no Rio de Janeiro (Realengo) e agora na Grande São Paulo (São Caetano).


Aos que continuam nos questionando em busca de explicações sugerimos que revejam o filme Sociedade dos Poetas Mortos ( sobre a arma e o suicídio do jovem) e que recordem conosco esse trecho do que escrevemos em 2006 no ensaio Espíritos nas Escolas, uma mensagem espiritual para o educadores :




“As escolas estão sofrendo as perturbações pelas quais está passando todo o planeta Terra. Por serem a síntese fiel e espelho da sociedade, elas funcionam como termômetro e vitrine de tudo o que acontece no mundo social. Nosso planeta é um organismo vivo, possui uma “Anima Mundi” e está passando por uma crise de mutação cíclica, tanto no aspecto ambiental exógeno, como na sua atmosfera psíquica, onde ocorre uma intensa luta entre forças renovadoras e forças reacionárias. Isso possui um reflexo negativo no plano social, em todas as instituições. As escolas são mais sensíveis a tais acontecimentos, por todas as características espirituais já apontadas, mas principalmente porque elas são um espaço natural de esperanças de vida e utopias de um mundo melhor. Se a vida social pode melhorar, essa possibilidade começa na escola. Essa crise de mutação planetária é muito complexa e aparentemente caótica, pois se misturam nos fatos geofísicos os elementos de uma confusão de valores, de avanços e retrocessos, vitórias e derrotas, equilíbrio e desequilíbrio, construção e destruição. Não sabemos quanto tempo tudo isso vai durar e quais os resultados dessas graves mudanças, pois nesse contexto tudo se torna instável e vulnerável. Estamos em tempo de revolução e não de reformas.


Uma idéia que pode nos ajudar a entender melhor e aceitar o que está acontecendo é aquela informação doutrinária que ensina que a Terra é a nossa Escola Evolutiva, do gênero humano e, portanto, a nossa escola pequena, onde os alunos adquirem conhecimento e nós ganhamos o pão de cada dia, não deve perder de vista que fazemos parte dessa dimensão planetária. Os filósofos mais sintonizados com essa idéia dizem que estamos destinados a sermos cidadãos do mundo e que não há mais sentido para a cidadania local e nacional. O Espiritismo ensina que, na pluralidade e nas categorias de mundos, o nosso planeta está mudando sua marca cósmica de expiações e provas para a marca de mundo em regeneração. As transmigrações de almas obedece essa dinâmica das marcas planetárias evolutivas. Nesse processo reencarnam-se milhões de seres perturbados, rebeldes, agressivos, que na suas trajetórias cometem mais erros do que acertos e sofrem as conseqüências negativas dessas escolhas. São perturbados e naturalmente perturbam o ambiente em que convivem. Não se adaptam às regras sociais porque possuem um padrão sub-moral para avaliar as situações e as coisas. Aparentemente são impermeáveis aos ensinamentos superiores, aos quais reagem com indiferença, mas cuja percepção inconsciente registra em pequenas doses. Mas não está ocorrendo somente a encarnação de Espíritos endividados e espiritualmente atrasados. Diversas mensagens mediúnicas, antigas e mais recentes, bem como a observação das tendências sociais feitas por respeitados cientistas, informam que a Terra seria alvo da encarnação de Espíritos provenientes de mundos mais evoluídos, moral e intelectualmente, como parte importante do processo de renovação planetária. É uma prática comum no intercâmbio e evolução dos mundos. Tal processo já foi iniciado há milênios, quando coletividades de outros sistemas planetários encarnaram, em várias épocas, deixando marcas históricas inconfundíveis da sua superioridade. Da mesma forma, educadores de alta hierarquia espiritual encarnaram na Terra para iniciar a ruptura dessa marca de dores e sofrimentos impostos pela Lei de Causa e Efeito. Suas lições, em todas as épocas, sempre estiveram concentradas em três pontos básicos: a imortalidade, a transformação moral e a utopia da perfeição (Paraíso, Reino, Nirvana, Céu, etc), reflexo do esforço que os seres humanos devem fazer para aprender a serem felizes em situação de infelicidade. Essa mutação planetária ainda deverá levar muito tempo, talvez séculos, pois os processos de reajuste ocorrem em todos os aspectos e sentidos. Nada deve ficar pendente, daí a violência e a impotência humana diante de acontecimentos inevitáveis e inadiáveis.


Nas escolas encontramos, numa visão micro-social, exemplos de todos esses acontecimentos planetários. E os micro-educadores têm a mesma sensação de receio e responsabilidade das ações macro-sociais dos dirigentes internacionais.


A função social da escola é muito ampla: trabalhamos incessantemente para que haja uma adaptação e conseqüente progressão dos alunos diante das rápidas e atuais mudanças históricas. Fazemos o papel de suporte científico e ao mesmo tempo moral, pois as transformações geram distúrbios emocionais e sofrimentos físicos nos alunos, professores e funcionários. A maioria dos pais não possui condições psicológicas, nem conhecimento para lidar com esses problemas e passam a depender da ajuda da escola, principalmente dos professores. Quando a rede física e a população escolar eram reduzidas esse papel de substituir a família funcionava relativamente bem, apesar de alguns abusos de autoridade. Com a explosão demográfica, ocorrida no Brasil a partir da década de 1970, aumentou absurdamente o número de alunos nas salas de aula e ocorreu também uma mudança de mentalidade e de costumes. Com a democratização da escola, os pobres não puderam ser mais expulsos ou dispensados para o trabalho infantil. Os alunos indisciplinados e limitados não puderam ser mais punidos e reprovados. Essa quebra do antigo modelo autoritário estabeleceu um ambiente libertário nas escolas, porém gerou um relaxamento das relações de autoridade e dos papéis, sem a contrapartida de uma conscientização proporcional. Para compensar esse afrouxamento moral, adotou-se uma rigidez artificial, através da legislação educacional, acentuando-se a informação intelectual em prejuízo da formação moral. Essa situação seria acelerada com a explosão tecnológica dos anos 1990 e que atualmente se delineia na desconstrução da sala de aula e dos métodos textuais planos, através da revolução digital do hipertexto. Toda essa situação tornou a escola cada vez mais vulnerável aos distúrbios planetários, exigindo dos educadores mais dedicação e melhor desempenho em suas funções, como já vinha acontecendo em alguns setores profissionais. Nas escolas públicas essas tecnologias são praticamente inacessíveis e, mesmo assim, essas escolas continuam sendo alvo de uma demanda em massa. Todos querem estar nas escolas, mesmo que muitos deles não saibam dar valor ao conhecimento e considerem a escola como um simples lugar de convívio social, como se fosse um clube. Buscam nelas alguma coisa diferente daquilo que não encontram em casa ou que julgam ser muito importante para mudar suas vidas. Em pesquisa diagnóstica feita habitualmente nas primeiras semanas de aula, sempre solicitamos aos alunos algumas opiniões e expectativas sobre a escola, a família, o mundo e o futuro. A maioria manifesta uma grande esperança na instituição escolar e no trabalho dos educadores, esperando que nós enfrentemos junto com eles as suas dificuldades. Os itens que mais aparecem nas expectativas, e que transparecem claramente como carências pessoais, são esses:

• Professores que ensinem coisas para usar na vida, no mundo lá fora;
• Diretores amigos e mais próximos;
• Que a escola seja uma família e um lar para os alunos;
• Mais amizade, companheirismo e menos violência;
• Organização e limpeza;
• Eventos: festas, comemorações, exposições, festivais, bailes;
• Melhor qualidade na merenda;
• Bom ensino dos professores;
• Paciência com os alunos com dificuldades;
• Que eles mesmos mudem de comportamento e se tornem bons alunos;
• Que eles sofram cobranças por parte dos educadores;
• Justiça e rigor nas avaliações, incluindo reprovações;
• Faltas constantes dos professores ao trabalho;
• Mais disciplina e controle das suas próprias ações;
• Mais compreensão com o jeito de ser e a condição adolescente dos alunos.

Isso é um sinal evidente de que as coisas não estão indo bem nas escolas porque há uma grande defasagem entre o currículo tradicional e as necessidades dos alunos. Não se trata apenas de oferecer ciência e tecnologia nas aulas, mas também a oportunidade de mudança de pontos de vista, de rumos e destinos. Existem muitos problemas e obstáculos nas escolas que a tecnologia e a ciência não conseguem detectar e atingir. São questões humanas imprevisíveis, que não podem ser antecipadas nos planejamentos e nos planos e de aula. Muitos desses obstáculos aparecem camuflados nessas opiniões e expectativas que citamos. Como sempre fomos um setor conservador, sacralizado e dogmático, demoramos mais para reconhecer os nossos limites e que também deveríamos sacudir a poeira dos escombros e reinventar a escola. Essa reinvenção, enquanto as coisas não mudam definitivamente, significa também a adoção de novos pontos de vista, o abandono da arrogância e do orgulho, a mudança do olhar para outros enfoques. Como dizia Jesus, temos que “ser inteligentes como as serpentes, porém simples como as pombas”. É claro que esses novos olhares não representam a busca de soluções miraculosas e imediatistas. A escola somos nós e não o sistema escolar. Se não podemos mudar o sistema, podemos alterar a essência natural da escola, que são os nossos pontos de vista e os nossos sentimentos”.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A primeira versão de O Profeta

O protagonista da primeira versão de O Profeta, Carlos Augusto Strazzer (1946 — 1993)

A primeira versão da novela O Profeta, exibida pela TV Tupi no início da década de 1970 mostrou como a sociedade brasileira já era aberta e vivamente interessada pelo universo espírita. As primeiras experiências nesse sentido foram feitas em Belo Horizonte, na TV Itacolomi, com encenações teatrais televisionadas das obras de Emmanuel. Mas foi somente como o talento de Ivani, com roteiros adaptados para a teledramaturgia, que o assunto tomou forma, conteúdo e atingiu em cheio o grande público da televisão. Quem hoje se impressiona com a chegada dos temas espíritas no cinema brasileiro talvez nem se lembre que o impacto das novelas foi muito maior há 30 ou 40 anos e que o cinema só impressiona mais por causa da sua dimensão visual ampliada. A própria abordagem cinematográfica feita em Nosso Lar e principalmente em Chico Xavier possui a linguagem da teledramaturgia criada pelos autores e diretores de novelas, mais hábeis nas recriações de cenas e suas transposição do texto escrito para o universo áudio-visual. Foi por esse motivo que Daniel Filho não teve dúvida e nem se importou que seu filme parecesse um drama de TV. Foi proposital e a escolha do Pinga-Fogo como referência narrativa também fez parte dessa estratégia. Roteiro, direção e interpretação são essenciais para que essas temáticas tenham a autenticidade esperada pelo público. Se esses profissionais não tomarem o devido cuidado nas suas atuações artísticas e técnicas as cenas não causam a impressão poderiam causar, caso haja descuido nos conteúdos e tratamentos técnicos. Lembremos o caso do filme Sexto Sentido, cujos testes de qualidade só foram aprovados pelos produtores depois de cair nas mãos de um diretor familiarizado com essa temática espiritual. O mesmo aconteceu em Os Outros. As novelas brasileiras, mesmo não podendo contar com a sofisticação dos efeitos especiais dos filmes e séries americanas, sempre primaram pela abordagem autêntica dos textos espíritas originais, a única garantia de que as coisas seriam realmente compreendidas pelo público, tal qual foram concebidas nos livros. Ter uma Ivani Ribeiro, atores e diretores cuidadosos fazia e ainda faz a diferença.





terça-feira, 30 de agosto de 2011

Livros e médiuns



Sempre que alguém nos questiona sobre a qualidade ou seriedade de algumas obras mediúnicas ficamos constrangidos e até mesmo sofremos ao ter que dizer algumas coisas que achamos que devem ser ditas, pela comparação inevitável, mesmo correndo o risco de parecermos arrogantes e injustos.


Eis, por exemplo, a causa da solidez e credibilidade da obra de Allan Kardec ou do médium Francisco Cândido Xavier.


Existem certas coisas que já foram ditas de forma tão clara e precisa que não precisam ser repetidas, como se as novas gerações fossem incapazes de compreender algo que tão bem compreendemos quando fomos tocados por essas luzes. As obras revolucionárias adquirem com o tempo não somente o caráter singular que já trazem intrínsecas, mas a fama e o prestígio, que é uma decorrência natural das rupturas que elas provocam. Por isso são revolucionárias. Elas brotam de mentes que estão frente do seu tempo e não raro quando levadas a público, seja qual for o segmento, provocam uma inquietação, que nada mais é do que o estremecimento das coisas que já existem acomodadas e aceitas como realidade dominante. Os que mais sofrem com essas provocações naturais não são os conservadores, pois estes já aguardavam ansiosamente tais mudanças; nem os reacionários, pois estes têm a coragem de expor publicamente suas impressões, se livrando psicologicamente do mal estar causado por esse contato doloroso. Os que mais sofrem com a revolução são os medíocres. Estes, coitados, são atingidos em cheio em seu orgulho, cujo ferimento torna-se uma infecção prolongada, como uma ferida aberta que não assimila os princípios da regeneração porque sempre recusa a cura, por não admitir que está doente. Foi nesse sentido que o Espírito Verdade se referiu à Doutrina dos Espíritos e suas implicações sobre o psiquismo daqueles que se sentem confusos diante dessas coisas desconcertantes.


Essa tem sido a trajetória das obras mediúnicas e de alguns médiuns que se dispõem a servir de veículos dessas informações revolucionárias. Além das reações naturais diante da sua obra, surgem os medianos que , ainda sem rumo em suas realizações, logo encontram o caminho da imitação e repetição das coisas que acreditam poder dar-lhes a mesma sensação de admiração e respeito que não encontram por conta própria. E se afundam cada vez mais nessa necessidade de copiar, ou melhor, na incapacidade de se reinventarem. Alguns tornam-se, pela inveja incontrolável, verdadeiros auto-obsessores. Querem a todo custo ser reconhecidos por um talento que não existe e cultivaram como uma perigosa fantasia missionária. Não se contentam com o serviço simples do operário humilde. Querem pular etapas da evolução e galgar os altos postos de destaque, sem antes desenvolver a experiência natural do brilho adquirido pelo esforço e pelo sofrimento. Depois, profundamente magoados e feridos,não entendem nem compreendem o motivo da desconfiança e indiferença que temos diante das coisas comuns e já desnecessárias que eles, ao contrário, consideram obras-primas da sua revolução pessoal. Enganam por algum tempo, mas não conseguem enganar o tempo todo. Não passa disso.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Alice Sebold


Há alguns meses comentamos o filme Um olhar do Paraísoe simplesmente esquecemos de falar da autora da obra que deu origem ao filme. Trata-se de Alice Sebold, novelista norte-americana que escreveu The Lovely Bones ( Um olhar do Paraíso ou Visto do Céu), cuja obra foi adaptada para o cinema pelas mãos do diretor Peter Jackson. Quando analisada pelo ótica espírita, essa história intrigante do assassinato de uma adolescente por um vizinho maníaco não fica apenas na técnica da narrativa literária. É um relato que sempre nos faz questionar que tipo de talento e percepção tem esses escritores ao desenvolverem tramas com tamanha realidade e profundidade espiritual. Alice é certamente uma dessas médiuns que, mesmo quando não são inspiradas por uma inteligência externa, têm a capacidade de sintonizar e captar histórias incríveis, que ligam estranhamente os mundos aparentemente opostos do espírito e da matéria. Coisas também aparentemente inexplicáveis se revelam, ainda que numa linguagem simbólica, e repercutem de forma confusa perturbadora nas mentes comuns, porém com significados claros e impressionantes nas mentes abertas para a vida além da física.



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

NOSSO LAR segue seu caminho



A rede Telecine está exibindo neste mês o filme Nosso Lar, com roteiro adaptado do livro de André Luiz/Chico Xavier. O texto foi escrito há mais 60 anos, logo após a Segunda Guerra Mundial. Jáder Sampaio entendeu que o filme deveria se chamar André Luiz e não Nosso Lar, pois o roteiro concentrou-se mais na experiência pessoal do personagem narrador do que propriamente na descrição da colônia. Observação acertada. Talvez essa tenha sido a solução mais viável em termos de roteiro e produção, considerando os limites de orçamento. O ideal seria que o filme tivesse no mínimo mais duas partes que pudessem mostrar o perfil e o caráter da colônia e somente então acenar para a sequência em série falando de cada um dos ministérios e sua relação teórica com a Doutrina dos Espíritos. Teríamos então Os Mensageiros como uma ilustração dramática de O Livro dos Espíritos e seu desdobramento natural em O Livro dos Médiuns. Esse primeiro filme provou que roteiro espíritas são viáveis e também um bom negócio para os produtores e investidores. Quando Nosso Lar for exibido na tv aberta, provavelmente na Rede Globo, acontecerá o impulso decisivo nesse mercado e a confirmação de que essa obra literária de André Luiz poderá ser finalmente materializada dentro dos melhores padrões cinematográficos e exibida ao grande público. Rubens Ewald Filho observou que a escolha do ator Renato Prieto para o papel de André Luiz não foi acertada e disso deduzimos que isso possa comprometer as futuras produções seqüenciais. Veremos se o crítico tem razão ou não sobre esse aspecto. O filme Nosso Lar pode ser visto no TELECINE PIPOCA (Qua, 31/08 às 00h20 Qui, 01/09 às 14h35) e no TELECINE PREMIUM ( Dom, 21/08 às 22h00).


Mais informações: http://nossolar-ofilme.blogspot.com/

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ateus reclamam contra o preconceito

Ateus fazem campanha para mostrar que são vítimas de preconceito . “Somos a encarnação do mal para grande parte da sociedade”, diz presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA)

Danielle Nordi, iG São Paulo 29/07/2011


A campanha era para ser veiculada na parte traseira dos ônibus, mas empresas de São Paulo, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre se recusaram a fazê-lo. A saída foi utilizar outdoors. Pelo menos em Porto Alegre, que desde o começo do mês é a primeira cidade brasileira a exibir uma campanha que defende o ateísmo.


Afinal, o que há de tão problemático com os anúncios? De acordo com Daniel Sottomaior, presidente da organização responsável pela campanha, o que incomoda é o conteúdo. Ele diz que as mensagens foram feitas com o objetivo de conscientizar a população de que o ateísmo pode conviver com outras religiões e não deve ser encarado como uma deficiência moral. “Todos os grupos que sofrem algum tipo de preconceito procuram fazer campanhas educativas para tentar minimizar o problema. Foi o que fizemos”, afirma.


Diante das mensagens veiculadas nos outdoors, as reações foram variadas. “Foram interpretadas como provocação por alguns grupos religiosos. Além disso, muitos acharam de mau gosto ou preconceituoso. Acho que isso foi coisa de quem não entendeu ou não quis entender”, diz. Daniel diz que seu objetivo é mostrar que ser ateu é difícil. “As pessoas ficam chocadas quando você revela que não acredita em um deus. Muitos chegam a perder emprego e, principalmente, amigos”.

Punição

Para o sociólogo americano e estudioso das religiões Phil Zuckerman o ateísmo ainda é fonte de muito preconceito. Segundo ele, ateus sofrem até mesmo perseguições. “Mesmo atualmente, em algumas nações, ser ateu é passível de punição com pena de morte. Nos Estados Unidos existe um forte estigma em ser ateu, principalmente no sul, onde a religiosidade é mais forte”, conta.
No Brasil, um país laico, a intolerância pode aparecer nas situações mais improváveis. A professora da Universidade Federal de Minas Gerais Vera Lucia Menezes de Oliveira e Paiva perdeu um filho de dois anos, atropelado. Diante do sofrimento da família no velório da criança, Vera escutou uma frase que a deixou bastante magoada. “Uma amiga me disse: ‘Quem sabe isso não aconteceu para você aprender a ter fé?’. Isso apenas reforçou minha convicção de que eu não queria acreditar em nenhum deus que pudesse levar o meu filho inocente”, revela.


Apesar de tudo, Vera afirma que não se perturba com comentários acerca de sua escolha. “Acho natural que uma pessoa religiosa queira demonstrar sua fé. Entendo e convivo com pessoas bastante religiosas sem problema algum. Só não gosto quando ficam argumentando sobre o quanto é maravilhoso acreditar em Deus. Tenho direito a ter minha crença pessoal.Ou a falta dela.”


Daniel diz que atitudes como estas, vindas de amigos e familiares, fazem com que ateus não “saiam do armário”. Ele afirma que esta expressão, usada inicialmente para descrever homossexuais que ainda não se assumiram, encaixa-se perfeitamente no momento pelo qual o ateísmo vem passando. “Estamos atrasados uns 30 anos em relação à luta contra o preconceito, se compararmos com homossexuais ou negros. Sou bastante cético, mas tenho a esperança de que possamos alcançar o mesmo patamar daqui a algumas décadas”, revela.
Exagero


Há quem veja afirmações como as dada por Daniel como exagero. O filósofo Luiz Felipe Pondé, professor da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), considera ações como as desenvolvidas pela ATEA como marketing. “O preconceito diminuiu muito, principalmente nos meios universitários e empresariais. Acho a comparação de ateus com negros e homossexuais um exagero. Tem um pouco de marketing aí”.

COMENTÁRIO DO BLOG

Deísmo e ateísmo são ideologias idênticas, ou seja, ambas tentam explicar o que não se explica com argumentos emocionais nem racionais. A lei de adoração, que é uma lei natural,espontânea, sempre provocou comportamentos extremistas, que é um desequilíbrio do próprio ser humano diante das coisas existentes, porém aparentemente incompreensíveis. A propaganda revela isso quando mostra que Hitler acreditava em Deus e Charles Chaplin era ateu. Ledo engano. Hitler tinha uma visão distorcida de si mesmo e confundia essa visão como o próprio deus que talvez achasse que era ele mesmo. Isso não era deísmo. Chaplin provavelmente sabia da nossa incapacidade de definir e compreender esse assunto e considerava infantil e limitada essa concepção judaico-cristã divindade. Isso não é ateísmo. Mas é justo que os ateus tenham o direito de pensar, expressar e agir, como fazem o chamados crentes. Os incomodados que se cuidem nas suas crenças frágeis e contraditórias. As provocações também são uma reação natural ao preconceito. Mesmo entre os crentes ainda existe uma questão a ser definida: afinal, Deus é alguém ou alguma coisa? O certo é perguntar "Quem é Deus? " ou "O que é Deus?"

segunda-feira, 18 de julho de 2011

terça-feira, 12 de julho de 2011

Fotografias de Tibor Jablonski


Essa primeira fotografia foi feita em meados dos anos 1960 em Congonhas do Campo –MG e mostra uma equipe do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, na Pensão Freitas, então residência do médium Zé Arigó. A foto e as informações são do próprio site do IBGE que, aliás, está disponibilizando ao público um precioso acervo de imagens realizadas nos últimos 50 anos pelos técnicos durante suas viagens pelos quatro cantos do Brasil. Neste site tivemos o prazer de encontrar também dezenas de fotografias lindíssimas da região onde nascemos, especialmente da colônia húngara Arpad Falva, no município de Caiuá, onde viveu minha avó materna, Verônica Szucs. Nessa colônia, na década de 1930, ela conheceu meu avô, Carlos dos Santos, funcionário da Companhia de Viação São Paulo-Mato Grosso (do empresário calçadista tcheco Jan Antonin Bata), tornando-se por influência dele grande leitora de obras espíritas. A maioria das imagens, incluindo esta de uma família de imigrantes húngaros, foi feita pelo reconhecido fotógrafo Tibor Jablonski.


quarta-feira, 29 de junho de 2011

Misayo, uma criança que aprendeu a lutar pela vida

Uma alegria indescritível. Esta foi a sensação que tivemos ao conversar recentemente com a primeira plantonista do CVV, Misayo Ishioka. Ao conhecer os relatos sobre a fundação dessa ONG de prevenção do suicídio sentimos uma enorme curiosidade de saber o que se passou com ela no primeiro plantão daquela quarta-feira, 28 de março de 1962. Depois de muitas buscas a encontramos numa pequena cidade do interior paulista. A conversa aconteceu na tarde do dia 28 de junho de 2011 em apenas alguns minutos de um telefonema que nos pareceu muito longo. Ficamos com receio de assustá-la com uma ligação até então estranha, mas quando dissemos do que se tratava percebemos uma rápida mudança no tom de voz. Depois achou engraçado a forma com havia sido localizada e logo foi comentando sobre as coisas que nós queríamos saber. Misayo nasceu no Japão e veio para o Brasil antes da guerra, com apenas sete anos de idade. A família se instalou numa fazenda de proprietários italianos em Guatapará, pequeno município da região de Ribeirão Preto. Somente depois da guerra, aos 19 anos, foi para São Paulo onde, depois de muitas dificuldades, conseguiu realizar seus estudos, pois não falava quase nada de português. Formou-se em enfermagem somente aos 30 anos, ingressando logo após como funcionária pública do Hospital das Clínicas. Ali se aposentou no cargo de enfermeiro chefe. Budista de formação, freqüentou vários grupos religiosos em São Paulo, quando, em 1959, foi convidada por uma amiga do HC para freqüentar a escola da Federação Espírita do Estado de São Paulo, cuja turma seria a base dos primeiros voluntários do Centro de Valorização da Vida. Hoje aos 84 anos ela relembra que , apesar de ter permanecido pouco tempo como voluntária, aprendeu muito sobre si mesma e que isso foi muito importante para compreender e respeitar as pessoas, sobretudo as que sofrem. Lembra com muita alegria e naturalidade o fato de ter sido a primeira plantonista do CVV – não lembra se foi escolhida por sorteio ou se a colocaram numa escala semanal– mas que recebeu a notícia como um compromisso muito importante e no qual não poderia faltar. Para ela isso era uma coisa natural. Era respeito pela vida. Das recordações daquela época e dos anos anteriores à sua vinda para a Capital, Misayo fala que tudo era muito diferente para uma criança que veio de muito longe e que, como muitos na família, não entendia porque havia deixado seu país para tentar a vida num lugar tão diferente. A vinda deles para o Brasil não foi motivada apenas pelas dificuldades econômicas, mas talvez por uma dessas intrigantes questões do destino. Misayo passou sua primeira infância talvez na cidade mais famosa do Japão, não por suas belas paisagens, mas por seu triste lugar na história contemporânea. Ela nasceu e viveu em Hiroshima, a cidade onde 140 mil pessoas foram sacrificadas pela explosão da bomba atômica, em 6 de agosto de 1945.


NOTA: Imagem ilustrativa feita em Hiroshima depois do ataque norte-americano


terça-feira, 31 de maio de 2011

Cinco dias sem Nora


Este fim-de-semana assistimos Cinco Dia sem Nora, filme intrigante da diretora mexicana Mariana Chenillo. Tratado pela crítica como humor negro, o filme é mais do que isso; é desconcertante porque trabalha com o delicado tema dos preconceitos, o preferido dos diretores de obras “Cult”. Aliás, assistimos no Telecine Cult, que agora não é tão chic e sim mais acessível à classe média brasileira, por enquanto. Dizia que era desconcertante porque trata de temas desagradáveis como morte, velório, enterro, adultério (esse é picante!), brigas de família e finalmente conflitos de religião. O protagonista é um judeu espanhol que perde a ex-mulher, também judia, e não consegue enterrá-la por vários motivos religiosos, entre eles a constatação de que a morte dela foi por suicídio. No judaísmo os suicidas e criminosos são enterrados em locais discriminados nos cemitérios israelitas e isso deu um tremendo quiprocó, entre muitos outros rolos que vale a pena conferir vendo o filme. O assunto não é absurdo e é só lembrar o caso brasileiro do jornalista da TV Cultura Wladimir Herzog, morto sob tortura durante a ditadura em 1976. Vlado, com o era conhecido, era judeu e a família não aceitava a versão de suicídio dada pelos responsáveis por sua morte e pelo seu corpo enquanto estava vivo (o Estado). Enfim, problemas para os generais e para o regime militar. No filme acontece a mesma coisa e a religião é o cerne da questão, com todos os seus preconceitos, sempre amenizados pela corrupção e pela simonia. Nos lembramos novamente do Reverendo anglicano Chad Varah, que teve que cavar com as próprias mãos nos arredores de Londres, na década de 1930, a sepultura de uma menina de apenas 14 anos que cometera suicídio ao achar que tinha contraído uma doença venérea. A partir desse fato, para Chad, sexo e suicídio deixaram de ser tabus religiosos e entraram na sua lista de prioridades sociais e debates na sua igreja. Disso resultou os Samaritanos, pai do CVV no Brasil. Chad contou essa história dentro do Centro Espírita Aprendizes do Evangelho, na rua Genebra em São Paulo em 1977. Ele viera ao Brasil incentivar as pessoas a trabalhar na prevenção do suicídio, incluindo os espíritas. Saiu do centro contente com a adesão de alguns freqüentadores e uma edição em francês do Evangelho Segundo o Espiritismo que a diretoria do Centro lhe deu de presente. Sua falta de preconceito conquistou amigos e ele voltou várias vezes ao Brasil para acompanhar o progresso desse trabalho.

domingo, 22 de maio de 2011

Nanismo e suicídio



Existe uma anedota popular, que nos faz rir porque esquecemos de lembrar que é de muito mal gosto, e que fala sobre o mistério dos velórios e enterros de anões.

Plínio Marcos escreveu uma peça sobre isso, não sei se combantendo ou reforçando essse preconceito ou hábito grosseiro de rir das desgraça dos outros.

No filme Na Mira Chefe (foto) o protagonista presencia uma filmagem sobre anões e depois comenta com a garota que trabalhava na produção que os anões são extremamente discriminados, sentem-se horrorosamente rejeitados e deprimidos. Por isso tudo cometem suicídios em uma proporporção muito maior do que as demais pessoas que se matam. Nós os vemos como uma caricatura humana e não somos educados o suficiente para combater esse olhar de desprezo ou de riso irônico e defensivo.

Seria esse o motivo do mistério?

Suicidas são amaldiçoados pela cultura religiosa dogmática e seus velórios certamente são vazios e quase ninguém se dispõe a ir aos seus enterros, talvez porque nem fiquem sabendo que a tragédia tenha acontecido. O costume comum é ocultar o suicídio de todas as formas possíveis e quando ele é explícito resta a alternativa de não ter público ou platéia para um evento que supera em tudo as tradicionais cerimônias fúnebres, mesmo que seja de celebridades.

Emmanuel explicou através de Chico Xavier que os anões devem ser alvo de atenção especial, de um amor mais corajoso da nossa parte porque realmente são muito vulneráveis à auto-destruição. Na verdade são reincidentes, pois as deformações físicas que trazem no corpo são reflexos das violentas mutilações que cometeram contra o próprio corpo se atirando de lugares altos ou se precipitando sobre veículos e máquinas que destroçaram seus organismos. Seus perispíritos também ficam deformados e demoram para se reajustarem, o que ocorre somente em encarnações expiatórias. Quando essas expiações são marcadas pela rebeldia e recaídas morais, ocorre o agravamento da situação. Daí o cuidado especial.

Devemos nos policiar contra todas as formas de discriminação que coloquem o nanismo em situação ridícula e indefesa. Um bom começo é deixar de achar graça ou tara naquilo que não tem o menor sentido de felicidade ou de bem estar. Podemos, sim, rir com eles e também podemos rir de nós, mas não deles.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Hawking e a morte


Hawking critica ideia de que há vida após a morte

LONDRES - O Estado de S.Paulo -17 de maio de 2011

O renomado físico britânico Stephen Hawking afirmou, em entrevista no jornal The Guardian, que a ideia de que há uma espécie de paraíso após a morte é um "conto de fadas de gente que tem medo do escuro".
Hawking voltou a afirmar seu rechaço às crenças religiosas. Ele defende que o ser humano não experimenta mais nada a partir do momento em que o cérebro deixa de funcionar.
O cientista também disse que a doença neurodegenerativa que o afeta, a esclerose lateral amiotrófica, fez com que ele passasse a aproveitar mais a vida, apesar das limitações que a enfermidade impõe. "Vivi com a perspectiva de uma morte prematura durante os últimos 49 anos. Não tenho medo de morrer, mas também não tenho pressa. Tenho muito a fazer antes disso."
O ex-catedrático da Universidade de Cambridge falou das pequenas flutuações quânticas que, no início do universo, motivaram a formação das galáxias. "A ciência prediz que diferentes tipos de universo serão criados do nada e de maneira espontânea", disse.
"Considero o cérebro um computador que deixará de funcionar quando seus componentes falharem. Não há paraíso ou vida depois da morte para computadores."

Comentário do Observador



Hawkin afirma que as pessoas crentes na vida após a morte são aqueles que não aceitam a morte, têm medo da escuridão e passam a cultivar essa "fantasia". Ora , ninguém aceita a morte e todos temem a "escuridão", ou não são humanos. Pode até estar conformado com a morte e talvez mais preparado para enfrentar a tal escuridão que muitos temem, mas dizer que não tem medo ou que está totalmente traquilo sobre isso é no mínimo uma forma de defesa e fuga, uma fantasia típica daqueles que se julgam auto-suficientes, conhecedores de tudo que existe no Universo e que não admitem mudanças no seu mundo interno. Esse é pavor dos materialistas: enfrentar a si mesmos e constatar que precisam trilhar caminhos que consideram pretensiosamente já percorridos pelas suas especulações intelectuais. Orgulho e pretensão formam uma perigosa rede mental de soberba que impedem esse tipo de auto-avaliação que somente as pessoas sábias e humildes conseguem fazer. É difícil alguém tão inteligente e nessa condição psicológica admitir que ainda existe algo para se aprender sobre a vida e sobre si mesmo. Mas a vida ensina e cobra caro pela lição rejeitada.



O que acontecerá com Hawkin quando desencarnar?



Acontecerá o que acontece com todas as mentes tomadas pelo deslocamento de si e fascinadas pelo mundo dos sentidos físicos, prova que ele pouco está aproveitando, mesmo sofrendo as limitações que sofre. Pelo jeito, não tem aproveitado nem os momentos de sono do corpo.



Não , ele não vai para o inferno, nem para o céu. Pior: ele vai encontrar consigo mesmo, num amplo território chamado consciência e que se abre quando nos libertamos da carne e no qual estará cada vez mais perdido. É o que ele vai encontrar após a sua desencarnação, caso persista nessa faixa de pensamentos de extrema logicidade e emoções intensamente reprimidas: uma escuridão de coisas sem sentido e significado. Um longo sono letárgico no qual vai se debater entre o ego e a personalidade, até que a lei da reencarnação o atraia para uma nova experiência existencial.


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ódio e resignação


Certa vez ouvimos uma história de que nos EUA estavam reencarnados a maioria os Espíritos de velhos líderes indígenas que durante longos anos na erraticidade alimentaram um ódio incontrolável contra aqueles que os humilharam e expulsaram de suas terras. No Brasil havia também uma influente legião de antigos líderes africanos com essa mesma característica. Esses Espíritos jamais esqueceram a profunda dor e revolta por terem deixado seus lares durante a conhecida Marcha das Lágrimas, movimento que deslocou as populações de índios para aldeias longínquas e isoladas da nova civilização que ali se instalava. Alguns suportaram, com humildade e resignação, como foi o caso do famoso Chefe de Seatle, autor de um dos mais comoventes documentos da história americana e contemporânea. Sua sabedoria repercutiu profundamente na consciência de sucessivas gerações, antecipando em muitas décadas os conceitos de diversidade e pluralidade cultural, auto-determinação dos povos e sustentabilidade que hoje cultivamos nos quatro cantos do planeta. Mas nem todos estavam com o coração aberto para fazer concessões dessa natureza. Muitos deles foram banidos inclusive das esferas espirituais da América para se juntarem às mentes perversas e vingativas que alimentam ódios de épocas muito remotas da Humanidade. Depois de uma longa fase de cultivo e preparo nas furnas obscuras das trevas, eles foram aos poucos retornando ao mundo da carne e também se aproximando silenciosamente da nação que os haviam expulsado. Muitos escolheram os lares pobres da Sicília, com quem tinham afinidades antigas contra os romanos, de onde partiam levas migratórias em direção às grandes cidades dos Estados Unidos, sobretudo Nova York e Chicago. Outros, ingressam ali através de imigrantes da Irlanda, onde também haviam grandes focos de afinidade e desejo de vingança contra as coletividades anglo-saxônicas, também reencarnadas. Segundo os relatos, esses Espíritos se manifestaram precocemente como os inimigos públicos dos EUA na pele de arqui-criminosos, exploradores dos vícios e ambições humanas, todos contra a justiça, o sistema tributário e financeiro da nação que se orgulhava de ser a mais rica do mundo. Nessa mesma época, por efeito da Grande de Depressão, centenas de famílias brancas, por força de execuções hipotecárias, amargavam a mesma dor dos indígenas quando foram expulsas de seus lares. Também foram forçados a se dirigirem, numa longa marcha regada a fome, poeira e incerteza , para as mesmas regiões para onde outrora haviam mandado os seus irmãos índígenas.

Pena que a voz o Chefe Seatle não tenha chegado a todos esses corações insensatos quando disse:

“Os mortos do homem branco se esquecem da sua pátria quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos nunca se esquecem desta bela Terra, pois ela é a mãe do homem vermelho”.



terça-feira, 26 de abril de 2011

Hume e a reencarnação



David Hume, tricentenário do nascimento"


Uma charge de Loredano publicada no Estadão (e que não é esta que aqui ilustramos) nos chamou a atenção, não pela imagem , mas pela ênfase dada na legenda sobre o "tricentenário do nascimento" de um dos filósofos mais lúcidos do Ocidente.


O pensamento de Hume não se restringiu à preocupações temáticas da vida física e sua metafísica também não se enveredou pelas especulações fúteis da intelectualidade, mal que tanbém ataca a experiência filosófica. Refletiu, em referências vagas, sobre a reencarnação, esse curioso fenômeno natural que ainda assombra as mentes e imaturas. Mais curioso ainda é que mentes de pessoas simples, sem as sofisticações do intelecto, muitas vezes compreendem moralmente esse verso do universo porque desenvolveram a capacidade de ver o mundo pela verticalidade da consciência. Deve ser esse o motivo pelo qual a reencarnação caiu no pântano enganoso das crenças ou então da metafísica vazia e cerebral. Poucas mentes a enxergam como uma lei da Natureza e a maioria a define superficialmente como uma ideologica, incapacitando-as de perceber seus mecanismos mais profundos. Embora sejam complexas as suas articulações com a mente e as experiências humanas, a reencarnação é muito simples como expressão em nossas vidas. Isso talvez assuste aqueles que temem a ressurreição, talvez porque esses, como todos nós, temem a si mesmos num grau mais assustador. Hume parece ter superado esse medo que todos nós temos do nosso verso interior ao despedir-se euforicamente dos amigos no momento da morte.

Mas a legenda que exalta o tricentenário de nascimento do grande pensador esqueceu-se de um importante detalhe, do qual o próprio filósofo certamente concordaria.Não se trata apenas de um marco do seu nascimento do corpo, mas principalmente do renascimento existencial permitido pela possibilidade da volta ao corpo. Hume não parou no tempo e no espaço daquele período no qual marcou muitas vidas ao seu redor e as gerações que o sucederam. Sobreviveu a esse limite da carne, nesta ou em outras das muitas moradas do universo.



Salve Hume.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Um olhar do Paraíso

As reencarnações completivas ainda são desconhecidas por um grande quantidade de pessoas , incluindo muitos espíritas. Elas ocorrem quando o espírito precisa completar o tempo interrompido em outra existência, por inúmeras circunstâncias, situação que gera um desequilíbrio que só pode ser equacionado no plano carnal, sobretudo quando há outros envolvidos nos processos de reajuste. É dessa forma que o espiritismo explica o desencarne traumático e prematuro de crianças, onde os pais também são protagonistas da trama existencial reeducativa. É também o que narra o impressionante filme do diretor Peter Jackson.


Um Olhar do Paraíso apela para a simbologia teológica tradicional e do imaginário popular, porém revela importantes verdades da vida espiritual e sua relação com o mundo dos "mortais". A criança assassinada narra seu próprio drama, a trajetória de seu assassino e também de outras vítimas do seu algoz, animalizado e doente, que se torna mero instrumento das leis de reajuste. Apesar das cenas mais impressionantes do que propriamente chocantes, trata-se de uma ótima oportunidade para discutir a morte e o destino, sobretudo com adolescentes. Minha filha viu e ficou assustada, mas foi resolvendo esse medo inicial com uma série de perguntas sobre quase todas as coisas que intrigam no filme. E são muitas: as características mentais do mundo dos espíritos, os mundos transitórios, a comunicação entre encarnados e desencarnados, a mediunidade de auxílio, resgates, fugas, recusa de compromissos, disciplina e perturbação emocional, enfim, uma trama onde a imortalidade ofusca a tragédia humana e assume um tom poético de paz e esperança.


Título original: (The Lovely Bones) Lançamento: 2009 (Nova Zelândia, Reino Unido, EUA) Direção: Peter Jackson Atores: Saoirse Ronan, Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Susan Sarandon.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Queremos saber

Foto: Folha de São Paulo on line

Ontem um aluno, talvez conhecendo a nossa visão espírita de mundo, nos pediu algumas explicações sobre o que o correu na escola do Realengo. Queria saber se era possível que o assassino estivesse sob a influência de forças espirituais malignas. Naquele instante termináramos de ler na classe o texto "Individualidade e ambiente", fragmento de um estudo ainda mais amplo escrito pelo Dr. Alankardec Gonzalez, sobre personalidades psicopatas. Nele o psiquiatra recorre ao conceito de "racionalização" para nos fazer entender porque tentamos explicar coisas para as quais não existem explicações.

Para fugir de uma explicação espírita simplista (da nossa parte) que poderia parecer oportunista e tendenciosa naquele momento, prontamente recorremos à ética, argumentando que nenhuma explicação poderia justificar esse ato já que, antes de atuar no papel infeliz, o assassino fez a sua opção de escolha: poderia ter se resignado com seu destino e sua prova; poderia ter fugido da situação, adotando todos os mecanismos possíveis de adaptação ao malogro; e ainda ter atacado a situação e pessoas ali envolvidas,como realmente veio a acontecer na tragédia. Mesmo que estivesse sob o efeito de satanás, de espíritos malignos ou de um líder manipulador encarnado, a responsabilidade da escolha e decisão do ato continuaria sendo dele. O suicídio foi o ato final dessa escolha desastrosa.

E as vítimas, seriam apenas um alvo do acaso ou estariam envolvidas num plano maior de resgates de débitos ou mesmo missão voluntária de sacrifício para auxiliar na construção de uma obra mais profunda de respeito à vida?

Teria o assassino alguma ligação com forças tenebrosas das trevas e que o prepararam pacientemente para levar a efeito um plano de vingança ou propaganda dos seus ideais de domínio e opressão contra as hostes libertárias da luz?

Muitos podem estar pensando que essas dúvidas são precipitadas, inconvenientes e até descabidas num momento de choque e luto como esse. Mas de que adianta o silêncio senão aumentar ainda mais a sensação de impotência diante de um fato tão absurdo?

Devemos nos contentar com explicações racionalizadoras da ciência ou também podemos nos valer de uma filosofia que nos leva a questionar o que está por trás desses acontecimentos que jamais poderão ser classificados como normais ou simples tendência de uma época comum?

Queremos saber. Todos queremos saber.

domingo, 3 de abril de 2011

Fala, Raimundão!


Na semana passada desencarnou o amigo Raimundo, de 73 anos de idade (23 a mais do que eu), mulato baiano, alto, magro e de cabelos brancos. Muito falante e cheio de ideias, Raimundo me considerava seu amigo e eu, desconfiado das suas conversas de vendedor (aposentou-se como representante comercial de grandes multinacionais), ficava ouvindo atento as suas longas histórias pensando no por quê ele queria ser meu amigo, já que, segundo o meu preconceito, pessoas experientes não fazem questão de se aproximar dos outros para fazer amizade. Mas ele sempre dava um jeito de se aproximar e principalmente me segurar numa conversa, dizendo “Senta aí, relaxa, me conta as novidades...” Mas quem sempre contava as novidades era ele, sempre. Gostava muito de demonstrar conhecimento e lamentava não ter podido estudar e até confessou que a sua cabeça nunca foi boa para essas coisas. Mal sabia que eu também nunca fui muito amigo dos estudos. Me chamava de "Professor" e nunca pelo meu nome. Nunca falamos sobre espiritismo ou coisas do outro mundo. Ele gostava mesmo era de falar das coisas desse mundo, das “coisas boas”, pescarias, caçadas, mulheres, um pouco de futebol. E também da vida outros. Isso me preocupava porque eram coisas curiosas e atraentes, difíceis de resistir, e também porque ficava intrigado me perguntando se também não falava da minha vida para os outros. Daí a minha desconfiança. As vezes fugia dele, alegando pressa de ir para o trabalho, e apenas saudava de longe: “Fala Raimundão!” De resto era tudo muito legal e gostoso aqueles papos quase unilaterais sobre as mil coisas que se passavam pela cabeça dele. Quando a conversa ia afinando, comentava: “Ficar velho não é fácil, dá um trabalhão manter as coisas em ordem!” Gostava de política e vivia se metendo nos assuntos do condomínio. Queria que eu fosse o próximo síndico. Minha desconfiança aumentou e pensei: “O Raimundão tá querendo me ferrar!”. Era corintiano. Passou umas contrariedades na última eleição, da qual fiquei bem longe (alegando que já havia dado minha contribuição no Conselho), mas não creio que esse tenha sido o motivo do aneurisma que provocou sua passagem. Eu já estava aguardando esse desencarne porque percebia que ele andava muito inquieto e ansioso. Um dia antes me cobrou uma conversa mais longa. Atendi o pedido e tivemos a oportunidade de colocar algumas coisas nos devidos lugares. Nessa conversa, algum tempo depois de iniciada, tivemos a presença de outras pessoas que foram se aproximando de nós, sentindo o clima amistoso e alegre, juntando-se para também se despedir do amigo que ia partir. E se foi o Raimundo, em meio aquela agitação natural dos gritos dos vizinhos, do barulho do resgate, dos parentes chegando desorientados, enfim, a hora dos mortos enterrarem seus mortos. Uma semana depois me perguntaram se tinha ido ao velório, enterro e missa. Fiquei constrangido pela minha indelicadeza. Mas lembrei de uns detalhes curiosos: minha esposa me disse que na noite logo após o desencarne, perambulei pela casa, fora do corpo. Foi uma noite perturbadora, de agonia. Sete dias depois, a noite foi bem diferente. Conversei com o Raimundo. Ele queria falar , mas não conseguia. Dessa vez foi a minha vez de falar... Ele estava bem, mas ainda meio perdido, como eu naquele lugar de triagem e espera. Eu olhava no relógio e também queria dizer ao Raimundão que esse ano vou fazer 50 anos. Ele sorria e, sem dizer uma palavra, informava que me achava bobo, mas que gostava de mim. Acordei diferente e logo pensei: “Não fui no velório, no enterro nem na missa, mas fui num lugar muito melhor. E o Raimundão está vivinho da Silva!”

domingo, 27 de março de 2011

Socorro e preces aos que se matam

A poetisa Francisca Júlia: suicídio e socorro espiritual aos semelhantes

Algumas obras espíritas explicam não somente a gravidade moral do suicídio, mas principalmente as graves conseqüências do gesto. As vítimas dessa verdadeira “cilada” do destino, perturbadas pelas suas condições emotivas e pelas circunstâncias complicadas em que estão envolvidas, cometem uma dolorosa sucessão de erros. Todas elas pedem socorro inconsciente e mesmo assim sucumbem ao intenso desejo de fuga e auto-destruição. Talvez acreditem que estejam entrando em sono profundo para esquecer as dúvidas e tormentas que as incomodam. Ledo engano. Os tormentos decorrentes são os mais cruéis possíveis, tão cruéis que parecem ter sido propositalmente esquecidos na famosa descrição do inferno feita por Dante. A observação é de Yvone do Amaral Pereira, médium e autora de Memórias de um Suicida, em pareceria com o espírito Camilo Castelo Branco. Yvone, como Camilo, também uma ex-suicida, dizia-se exilada na Terra e ainda estar internada numa instituição espiritual de recuperação e que apenas estava iniciando uma nova fase de resgate do erro cometido numa existência anterior.

Essa moléstia psíquica persegue bem de perto os artistas, sobretudo os poetas e escritores, enfermos dos sentimentos e andarilhos em suas existências incertas. Muitos são reincidentes no erro e parecem estar seduzidos pela necessidade de auto-punição, agravando ainda mais seus débitos íntimos. Francisca Júlia, a poetisa que se matou no mesmo dia do velório do seu amado, deve estar muito triste e em prece ao saber dos casos de Cibele e Gilberto. Infelizmente, como relatam algumas crônicas espirituais semelhantes, eles não estarão juntos. Pelo, contrário, o gesto vai mantê-los distantes por um tempo longo e angustiante, não por castigo de Deus, mas pelas suas próprias consciências em culpa. De nada adiantaram os avisos de espíritos amigos e talvez a amizade ofertada pelos voluntários do Centro de Valorização da Vida. Mas a poetisa e muitos outros obreiros socorristas do Além persistem na ajuda e no esclarecimento desses seus irmãos atormentados. Aqui na Terra os voluntários do CVV também continuam a postos.


Atriz Cibele Dorsa morre em São Paulo

A atriz e escritora Cibele Dorsa, de 36 anos, morreu, por volta das 2 horas de ontem. A polícia investiga o caso, mas suspeita que ela se jogou da janela de seu apartamento, na Rua Adalívia de Toledo, no Real Parque, região do Morumbi, zona sul de São Paulo. O noivo de Cibele, o apresentador de TV Gilberto Scarpa, de 27 anos, sobrinho do empresário Chiquinho Scarpa, havia se matado do mesmo modo em 30 de janeiro deste ano. A morte de Cibele foi registrada no 34.º Distrito Policial (Morumbi). Momentos antes de morrer, à 1h49, Cibele falou por meio do Twitter sobre a perda do noivo. Disse lamentar e ressaltou que "não conseguia suportar". Afirmou ainda que "lutou" o quanto pôde. Cibele também foi casada com o cavaleiro Álvaro Afonso de Miranda Neto, o Doda, e tinha dois filhos. 

O Estado de S.Paulo, 27 de março de 2011

sábado, 19 de março de 2011

Os 40 Anos do CEAE-Genebra

Edgard Armond, no Grupo Razin em 1973, instruindo ativistas da recém fundada Aliança Espírita Evangélica. Arquivo pessoal de Ney Prieto Perez. Blog Cultura Espírita.


O Centro Espírita Aprendizes do Evangelho, com sede na rua Genebra, 172, no bairro paulistano da Bela Vista (Bexiga), completou no dia 19 de dezembro último 40 anos de fundação e atividades. As comemorações foram marcadas pela presença de convidados especiais expondo conteúdos temáticos do diálogo inter-religioso e diversidade filosófico-científica. Entre os convidados estavam a monja budista Coen Sensei, a pesquisadora Sônia Rinaldi e o índio ambientalista Kaka Wera Jecupe.

O mais conhecido grupo integrado da Aliança Espírita Evangélica – que muitos ainda confundem com sede da entidade, foi fundado em 1970 (três anos antes da fundação da Aliança), por ativistas oriundos da FEESP e outras instituições tradicionais da capital paulista. Na ocasião alguns fundadores da casa alugaram a sede e tempos depois, por circunstâncias práticas e espirituais, assumiram o compromisso pessoal de aquisição do imóvel dando como fiança para financiamento seus próprios bens particulares.

A história do CEAE-Genebra confundiu-se com a história da Aliança não somente por que os seus freqüentadores ocupavam tarefas de liderança nas duas instituições, mas principalmente porque tornou-se uma referência na aplicação do programa de Escolas de Aprendizes do Evangelho criado por Edgard Armond na FEESP. Das quase 90 turmas formadas no centro surgiram 20 novos centros espíritas na Capital e muitos outros no interior, litoral, alguns estados e também grupos no Uruguai e Argentina. Essas casas, por sua vez, aplicando o mesmo programa, deram sequência ao conhecido processo de multiplicação celular de centros espíritas proposto por Armond e idealizado pelos espíritos ligados às Fraternidades da Luz, citadas por André Luiz na obra Nosso Lar.

Sobre esse evento histórico do movimento espírita, escreveu Jacques André Conchon (jornal O Trevo nº 2 - janeiro de 1974):

"Quando o grande relógio da sala com suas batidas cadenciadas assinalou 20 horas, a reunião teve o seu início.Estávamos na aconchegante sala da residência de um estimado confrade, resguardados da fina garoa que enevoava aquela noite de dezembro. Sem formalidades iniciamos uma proveitosa troca de idéias no sentido de unificar as “casas novas” que estavam surgindo no campo do Espiritismo Evangélico, com perspectivas assaz otimistas. A princípio desconhecíamos que naquele dia 4 de dezembro seria constituída uma forte aliança, inicialmente entre as sete casas espíritas presentes e, no futuro, estendida a muitas centenas.

Desta forma simples e despretensiosa foi fundada a Aliança Espírita Evangélica (AEE), com sede à Rua Genebra n°172, estruturada num regime colegiado (pelos representantes dos Centros adesos) e tendo por finalidade precípua orientar as instituições filiadas para a uniformização dos trabalhos concernentes aos seguintes setores:

a) Escola de Aprendizes do Evangelho – que voltará a funcionar estritamente dentro das normas estabelecidas em 1950, procurando promover em todos os alunos um processo de renovação moral, eficiente e em curto prazo (dois anos e meio).

b) Curso de Médiuns – cada Centro oferecerá aos alunos da Escola de Aprendizes do Evangelho, e aos demais freqüentadores, um curso bastante objetivo, cujo programa já está oficializado, dirigido exclusivamente aos portadores de mediunidade-tarefa, onde após 16 aulas teóricas os alunos entrarão numa parte prática dinâmica e produtiva, durante um ano aproximadamente, segundo o método exposto no livro “Desenvolvimento Mediúnico” de autoria do Cmt. Edgard Armond. O curso completo se alongará por 18 meses.

c) Assistência Espiritual – nesse campo a uniformização se procederá na base do livro “Passes e Radiações”, também do mesmo autor. A AEE facilitará os Centros adesos a implantação das diversas modalidades de tratamento espiritual previstas na obra citada.

Além disso, a Aliança realizará trabalhos integrados no setor da Assistência Social e, podemos adiantar, que, não obstante a sua recente criação, a AEE já está implantando o programa das Caravanas de Auxílio e Evangelização, de grande alcance social, abrangendo principalmente as zonas periféricas da nossa megalópole, onde impera o sofrimento".


Hoje o imóvel onde funciona CEAE-Genebra pertence à uma instituição criada anos mais tarde, a Fraternidade Esperança, mantenedora de diversas obras sociais, incluindo o Posto do CVV da rua Abolição e a Comunidade Terapeutica Francisca Júlia, em São José dos Campos.

Nós que fomos alunos da 3ª Turma do antigo CE Irmão Timóteo (São Vicente, 1981) e depois da 84ª do CEAE Genebra, 1999), desejamos vida longa ao CEAE-Genebra e aos ideais de expansão implantados pelos seus fundadores e trabalhadores!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Mito e mentira

Dédalo e Ícaro: mito sobre as verdades ocultas do livre arbítrio


Num curioso artigo escrito por José Chaves*, sobre questões religiosas e interpretações literais, lemos o seguinte parágrafo introdutório:

“A teologia dos cristãos primitivos era mitológica. As tradições religiosas e mitológicas dos países circunvizinhos da Palestina estão presentes no judaísmo, que os transmitiu para o cristianismo. Aliás, todos os primeiros cristãos, inclusive Jesus, eram judeus. Assim, muitos teólogos cristãos antigos colocaram em suas elucubrações teológicas ideias mitológicas. E é estranho que a teologia cristã do Terceiro Milênio ainda esteja mesclada de mitologia!”

Mais adiante o autor justifica esse raciocínio dando a sua definição de mito e mitologia:

“A palavra base da mitologia é mito, sinônimo de fábula e de mentira. Mitomania é mania de mentir. E a mitologia tornou-se importante nos trabalhos eruditos modernos como subsídio da ciência da história das religiões. Mas questões religiosas mitológicas não devem ser interpretadas literalmente. A própria Bíblia, que recebeu também influências mitológicas, tem muitos textos que não podem ser interpretados literalmente”.

Achamos que o artigo teve boa intenção, mas não foi feliz ao definir esses dois importantes conceitos, certamente com a intenção de justificar o título e os demais argumentos, aliás apresentados com muita riqueza de referências bíblicas.

No entanto, temos nós uma opinião bem diferente dessa abordagem da tradição aristotélica.

Mito significa metáfora, símbolo, mistério, enigma, ou seja, verdades ocultas que podem ser reveladas segundo a capacidade dos observadores e intérpretes. As parábolas de Jesus estão repletas de mitos educativos voltados para os dois aspectos da natureza humana: a mentalidade infantil e a mentalidade madura. A racionalização empregada na interpretação do mito transforma o mesmo em algo incompatível com esses modelos filosóficos lógico-racionais. Mas nem todas as coisas lógicas são verdadeiras. Evangelho, por exemplo, é mito ou leitura simbólica das nossas limitações íntimas. Portanto, Evangelho é ilógico e subjetivo. Deixa de ser mito quando é racionalizado e quando passamos a mentir para nós mesmos. Mitologia talvez seja mentira do estudioso do mito.


*José Reis Chavez. Questões religiosas não devem ser interpretadas literalmente. Publicado no Jornal OTEMPO em 14/03/2011 e no Blog de Espiritismo.