sábado, 20 de fevereiro de 2016

LEVANTE-SE, FIQUE EM PÉ E DESAFIE A GRAVIDADE

O Homem tem ao longo da sua existência muitos inimigos e inúmeros obstáculos que dificultam suas lutas. São as muitas situações e circunstâncias do dia a dia, das mais simples às mais complexas, que impedem que ele cumpra suas tarefas diárias, que conquiste seus objetivos e realize seus sonhos. Mas de todos esses impedimentos e dificuldades o maior deles talvez seja a lei da Gravidade, esse imperativo natural invisível e silencioso que nos mantém fisicamente presos ao chão e mais profundamente, sob o jugo da força mental, ao Magma do planeta.

A lei da Gravidade é um limite geológico que nos obriga a ser cautelosos com as coisas do mundo, evitando as quedas físicas e os acidentes naturais, porém, quando não é desafiada pela inteligência e pelo senso moral, torna-se um grilhão perigoso contra a dignidade humana rebaixando-nos à condição dos animais, cuja coluna vertebral na posição horizontal indica submissão e irracionalidade.  Já quando desafiamos a lei da Gravidade, nossa coluna vertebral se posiciona de forma ereta e nossa consciência indica que essa posição vertical não permite mais que retrocedamos ao ponto zero dos graus baixos da evolução; e nos impulsiona constantemente rumo aos noventa graus da racionalidade.

Mesmo mantendo a vertebra ereta e permanecendo em pé, as provas e os obstáculos sempre nos convidam ao recuo e à comodidade do chão, pelo desânimo, medo, preguiça e falta de auto estima. As quedas sociais e morais geralmente quebram o nosso vigor vertebral e faz com que a nossa massa corporal se torne mais densa, tornando o fardo das nossas provas mais pesado e o jugo das nossas obrigações mais terríveis e insuportáveis.

Respeitar a lei da Gravidade é, portanto, uma forma de demonstrar cautela e prudência diante dos perigos do mundo físico. Porém, diante dos grandes desafios morais e metafísicos, é preciso sempre desafiá-la com a coragem e a inteligência. Não para fugir do peso e do jugo e sim para torná-los mais leves e suportáveis. Se não a desafiarmos nessas situações e circunstâncias mais complexas, a própria lei vai entender que não somos dignos da liberdade de ação nem de fazer escolhas; que não queremos alçar voos acima das nossas possibilidades e, imediatamente, aplica sua marca disciplinar e nos impõe a força contrária, que nos empurra para baixo.

Tudo isso acontece sempre que nos depararmos com as provas, momentos mais críticos da vida nos quais podemos ser envolvidos pela atitude ativa ou então tomados pela indecisão passiva. Se agirmos, seremos premiados pelas descobertas e soluções; se não agirmos, seremos torturados pela incerteza e pelas frustrações. E mais:  a nossa indecisão e recusa de mantermos-nos em pé e eretos geralmente vem acompanhada de dores e de provas mais rigorosas, próprias do ambiente anti-social e desordenado que criamos em nosso entorno, pela descrença, revolta e comodidade.  Já quando aceitamos o desafio, a Gravidade entende que não queremos a acomodação, nos liberando numa dinâmica de efeito elevatório e espiral; ela se afasta, retirando-se com os limites do instinto, deixando-nos livre e abertos para as muitas possibilidades da razão e da transformação da consciência.

“Porque meu jugo é suave e meu fardo é leve.”- Mateus-11:30


Imagem: Issac Newton, por Willian Blake. 



terça-feira, 26 de janeiro de 2016

João Batista, Elias e o Espírito de Verdade

“Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes do céu, como um imenso exército que se movimenta desde que dele recebeu a voz de comando, espalham-se sobre a superfície da Terra; semelhantes às estrelas cadentes, vêm iluminar o caminho e abrir os olhos aos cegos...dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos”.

João Batista foi o anunciador do Messias às margens do rio Jordão e por suas palavras de fogo foi pronunciada a grande oportunidade e advertência de salvação: “Eis o Cordeiro que tira os pecados do mundo”. Naquela época a nossa humanidade já estava moralmente falida no vencido ciclo civilizatório greco-romano e, segundo os historiadores astrólogos, ingressava na Era de Peixes, polarizada com Virgem, signos de cujas simbologias os cristãos extrairiam seus emblemas máximos de regeneração em uma nova etapa humana: o de pescadores de almas; e da Virgem Maria, responsável pela tônica de pureza de coração, brandura, humildade e compaixão.


Primo em segundo grau de Jesus, João Batista trazia em si o Espírito de Verdade que existiu no profeta Elias e que foi identificado no célebre episódio da Transfiguração. Essa revelação de Jesus, da sua a condição de Cristo, acompanhado de Elias e Moisés), foi testemunhada somente pelos discípulos Pedro, João e Tiago, a quem Jesus pediu segredo sobre o que viram e ouviram. Os demais, ainda espiritualmente imaturos diante da Verdade, ficariam extremamente apavorados com desdobramentos da inesquecível cena do Tabor, porém não tão abalados, perplexos e impressionados como ficaria Pedro. Ali estava acontecendo um encontro histórico da tradição messiânica e seus profundos efeitos no futuro. O Espírito de Verdade contido em João Batista deveria preparar o terreno para a semeadura do Evangelho e iniciar Jesus na sua tarefa pública de três anos, na qual as coisas testemunhadas pelos seus ouvintes deveriam mudar da água para vinho no seu aspecto externo; e internamente da lama para água desta para a luz. Também nas instruções que faria aos discípulos, pouco antes de partir, Jesus lembra que o Espírito de Verdade, tal como Elias e João Batista, vai anunciar a seu retorno pela promessa do Paracleto ou Consolador, por meio da lembrança e retomada dos seus ensinamentos que seriam esquecidos e desviados nos séculos seguintes.

A autoridade espiritual de João Batista esteve, portanto, nos principais momentos da revelação da Verdade messiânica: na luta de Elias contra os reis e profetas de Baal, que pretendiam a destruição da fé em Israel; no batismo de Jesus no rio Jordão; no renovado combate de fé contra a realeza corrupta e contra o paganismo romano; e finalmente no Paradoxo da revelação espírita comandada pelo próprio Espírito de Verdade no século XIX.

Como todos os profetas de Israel, João Batista se mostra como um ser “misantropo e sombrio” ou “radical socialista” (Will Durant, Nossa Herança Oriental), crítico do sistema social e do mau comportamento dos sacerdotes e dirigentes políticos. Por isso João Batista em tudo lembra Elias e também os seus antigos adversários. O rei Acab e a rainha Jezebel, agora são representados por Herodes e Herodíades, adoradores de Baal, usurpadores do trono e da riqueza alheia. Imorais, criminosos e violentos, essas duas almas delinquentes voltariam a representar no final do século XVIII como Luiz XVI e Maria Antonieta, o rei indeciso e imprevidente; e a rainha de origem austríaca, muito dada ao luxo, sempre repudiados xingados pela plebe. Esses antigos ladrões de vinhas, caluniadores e assassinos de Nabote, já haviam sido cruelmente mortos, conforme havia sido vaticinado por Elias- e seu sangue lambido por cães. Na França revolucionária, sob a acusação de alta traição, a velha e viciada representação monárquica perderia o trono, inúmeras videiras e principalmente suas cabeças, sendo também seu sangue lambido pelos cães atraídos pelo cheiro da morte na guilhotina. A mesma revolução que daria fim aos abusos do clero e da nobreza permitindo a manifestação do Paracleto na Europa e no recém liberto mundo colonial americano.



Pinturas de São João Batista: Anton Raphael Mengs e Pierre Cécile.



quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Desafiando a Lei da Gravidade.

A Lei da Gravidade é a marca principal de contenção, controle e liberação da vida inteligente em nosso planeta, não só no plano da matéria (energia condensada) mas também nos planos de energia livre. Lutamos, desde as formas mais simples às mais complexas, para nos libertar dessa força que nos prende ao magma, vivendo e nos alimentando de tudo que está no chão, nossa principal área de interesse e das primeiras tecnologias de domínio do meio ambiente. Na medida que mudaram nossos interesses orgânicos e necessidades mentais, as nossas formações vertebrais e nervosas se desenvolveram no sentido oposto ao plano horizontal da matéria, rompendo os laços do instinto e ingressando no plano vertical, surgindo em nós outras habilidades intelectivas e emocionais. O Homem, por exemplo, quando ficou definitivamente em pé, ereto, verticalizou sua coluna vertebral e também sua mente, tornando-se prova viva da rebelião contra os limites da gravidade.  Somente ele foi capaz de fazer isso.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Uma escola para suicidas

No Livro “Memórias e um Suicida”, o autor descreve em mais de quinhentas páginas sua triste trajetória após ter tirado a própria vida com um tiro no ouvido. Camilo Cândido Botelho (Camilo Castelo Branco) apresenta primeiramente o Vale dos Suicidas ou dos “Réprobos”, cenário mental escuro e pavoroso onde almas afins se atraem para purgar os mais dolorosos efeitos da autodestruição. Em seguida, sob a condução seletiva e severa da Legião dos Servos de Maria, Camilo atinge a Colônia Correcional ou Burgo Esperança, núcleo menos escuro em cujos departamentos e edifícios são recolhidos e matriculados os criminosos em seus múltiplos e graves delitos contra si mesmos. Ali estão a Torre de Vigia, Isolamento e o Manicômio, partes do grande Hospital Maria de Nazaré (ou Hospital Matriz). Num plano mais iluminado encontra a Cidade Universitária, metrópole de estilo hindu, descrito pelo autor como um padrão de civilização inimaginável na esfera material, formada por avenidas imensas, lagos e arvoredos majestosos e floridos. Ali, alinhadas em posição setenária, estão as Academias iniciáticas de habilitação para reencarnações expiatórias e regeneradoras. Cada uma delas com letreiros indicando as disciplinas a serem cursadas: Moral, Filosofia, Ciência, Psicologia, Pedagogia, Cosmogonia e Esperanto. Das turmas cursantes e aptas (após um longo e sofrível período de adaptação mental), a do narrador era uma das mais vultosas, contando com “cerca de duzentos pecadores”, tendo um grande contingente de damas brasileiras de diversas camadas sociais. Os alunos, após a aula magna dada pelo Diretor do Burgo e da Mansão Esperança (Irmão Sóstenes), foram apresentados aos principais instrutores: o ancião romano Epaminondas de Vigo; o iniciado médio-oriental Souria-Omar e finalmente o jovem, quase adolescente, Aníbal de Silas. Cada um deles se desdobraram no ensino específico dos seguintes conteúdos: Gênese Planetária, Pré-História; Evolução do ser; Imortalidade da alma; A  tríplice natureza humana; As faculdades da alma; A lei das vidas sucessivas em corpos carnais terrenos, ou reencarnação; Medicina psíquica; Magnetismo e noções de magnetismo transcendental; Moral cristã; Psicologia e Civilizações terrenas. Todas as aulas eram alternadas com aulas de Evangelho. Em seguida foram organizados em “agrupamentos homogêneos de dez individualidades”, sendo separadas as damas dos cavaleiros, ainda em desequilíbrio emocional, para evitar a interferência de ideias e inclinações mentais que “oprimem a vontade, turbam as energias da alma e entorpecem as faculdades”. A escola e os cursos ali ministrados tinham como diretrizes os seguintes dizes: CONFIAI! APRENDEI! E TRABALHAI!

PS.  Essa Escola, foi instalada nos mesmos moldes na Federação Espírita do Estado de São Paulo em 1950, pelo então secretário geral, Edgard Armond, tendo como expositores grandes vultos do movimento espírita da época: Canuto Abreu, Ary Lex, Vinícius, Emílio Manso Vieira, Iracema Martins de Almeida, Carlos Jordão da Silva, Sérgio Valle, Júlio de Abreu Filho, Benedito Godoy Paiva, entre outros. Foi denominada Escola de Aprendizes do Evangelho -Iniciação Espírita, sendo depois a base de criação e expansão da Aliança Espírita Evangélica e da Fraternidade dos Discípulos de Jesus. Os fundadores do CVV são originários da 7ª Turma da Escola de Aprendizes da FEESP.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Parece mas não é



Muitos núcleos pseudoreligiosos usam maliciosamente denominações de centros espíritas, igrejas e escolas filosóficas tracionais e honestas para mascarar suas práticas supersticiosas, oraculares, mágicas e monetaristas. Abram os olhos. Os falsos profetas já estão por aí. Quando predominam as facilidades, as promessas de riqueza fácil, felicidade sem sacrifícios e fugas das provações, desconfie. Ninguém vence obstáculos sem esforço de superação.

Busque sempre a luz e fuja das trevas



 Ao fazer acordos e negócios com espíritos inferiores, sobretudo para praticar o mal e obter falsas vantagens, entramos num circulo vicioso de débitos perigosos os quais teremos muitas dificuldades para nos desvencilhar, aqui e no outro mundo. Toda ação tem uma reação proporcional. Não duvidamos das técnicas de magia e atuações dessas entidades, mas temos livre arbítrio e ninguém está impedido de obter luz e conhecimento, nem obrigado a fazer o que não quer, muito menos permanecer escravo de ideias e práticas que bloqueiam nossa evolução espiritual.

Orai e vigiai



Diversos autores e médiuns contemporâneos descrevem- como já foi feito na Antiguidade e na Idade Média- a realidade dos mundos espirituais baixos, povoados por almas doentes e perturbadas, onde predomina a opressão, a escravidão, a corrupção dos sentidos, o choro e o ranger dos dentes. São mundos decrescentes (umbrais ou infernos) construídos mentalmente pelos partiram da Terra com ódio no coração e todas outras consequências do egoísmo e da invigilância. Tudo que aqui fazemos pelos pensamentos, sentimentos e ações reflete na hora da morte do corpo e nos remete para dimensões as quais temos afinidade moral. Há também mundos altos, onde predominam de forma crescente (céus) todas as virtudes. Pode ser para a Luz ou para as trevas. Esse é o sentido da salvação e da educação espiritual difundido por todas as religiões e filosofias humanistas.