terça-feira, 2 de julho de 2013

Servidos e servidores


O companheiro Wanderley Oliveira fez o seguinte questionamento no Facebook sobre esse antigo problema do Movimento Espírita. O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM AS ORGANIZAÇÕES ESPÍRITAS? É impressionante a quantidade de relatos que recebo por email ou mesmo em conversas sobre pessoas que estão se desligando do espiritismo ou do centro espírita, e buscando novas experiências espiritualistas. Independente das razões que podem ser exclusivamente de ordem pessoal, ninguém pode negar que o modelo institucional de expressiva parcela das organizações espíritas é no mínimo desanimador. As pessoas estão buscando esclarecimento e muitas vezes encontram soberba intelectual. Querem respostas e muitas vezes são convidadas a se calar. Querem esperança e afeto e muitas vezes se deparam com descortesia e até abuso. Isso cansa a quem está começando, mas desgasta também quem persevera no tempo em busca de melhorar as situações. E de forma muito sutil vai se instalando um desencanto, uma desilusão. Tem muita gente cansando dessa mesmice.

 O que você acha que nossas organizações necessitam para mudar esse quadro? Como podemos cooperar para mudar isso?

 E comentamos:

Wanderley, esses insatisfeitos geralmente são líderes com energia empreendedora reprimida.  Aproximam-se dos centros espíritas como quaisquer outros consumidores de ajuda espiritual e, quando constatam que devem reassumir as rédeas dos seus destinos, passam a exteriorizar esses conflitos em forma de provocações e críticas.

Alguns dirigentes mais habilidosos percebem esse fato, outros não. Os que percebem tratam logo de redirecionar o problema fundando e encaminhando-os para outros núcleos, gerando novas oportunidades. Os que não percebem, simplesmente alimentam o conflito e repelem os mesmos.

No mais, os outros insatisfeitos são todos aqueles que realmente não possuem afinidade mais profunda com a Doutrina, não querem compromisso com as raízes e disciplinas da Codificação e, como não podem mudar a si mesmos, querem mudar o Espiritismo.
Isso é histórico e cíclico. Veja o que aconteceu, por exemplo, com os místicos e científicos, no final do século XIX;  com os umbandistas na década de 1930; com os psicologistas transpessoais nos anos 70; com os artistas pintores e alguns escritores nos anos 80; com os projeciologistas nos anos 90; e agora com os terapeutas alternativos, esoteristas e neo-africanistas.

Ora, cada um nos respectivos seus quadrados, triângulos, retângulos e círculos. Todos muitos felizes e produtivos. Espero.
"Nesse mundo existem dois tipos de pessoas: o que vivem para servir e os que ainda precisam ser servidos" -Huberto Rohden


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Família espiritual


Eis algumas questões que respondemos para uma publicação espírita sobre esse tema:
 
- Pelo seu entendimento, existe a família espiritual?
 Não no sentido humano, de sangue ou parentesco genético. Família espiritual é apenas uma analogia criada para explicar como funcionam as leis de afinidades que aproximam os espíritos e fazem com que eles desenvolvam relações pessoais,  de compromisso e reciprocidade. Essas afinidades, as quais estão incluídas todas as atividades e ações humanas geram relações espontâneas ou de causa e efeito entre os seres encarnados e desencarnados. Sexo, conflitos e circunstâncias são as principais causas da formação das chamadas famílias espirituais, ou seja, espíritos que se atraem por afinidade ou compromissos  e que passam a compartilhar sucessivas experiências de evolução. Não existe, portanto, propriamente uma família espiritual, mas uma coletividade de espíritos afins.
 
- Parte da minha família espiritual pode estar hoje encarnada, como eu? Mesmo que morem geograficamente muito longe, poderiam ter sensações parecidas com a minha em determinados momentos (sintonia)?
 As afinidades e ligações mentais (afetivas ou repulsivas) desenvolvidas no decorrer das encarnações ou então na erraticidade podem gerar esse fenômeno de pecepção. Não se trata de família, mas de afinidade ou sintonia mental.
- A minha família espiritual é sempre a mesma? Ela vai "agregando" gente com o tempo?
 A lei de afinidade é a mesma para todos os seres. Aproximação ou distanciamento depende das experiências realizadas, bem como  as  necessidades atuais e futuras.
- Ocorre de eu reencarnar junto com pessoas da minha família espiritual? Ou isso é mais incomum? E se ocorre, com qual objetivo, normalmente?!?
 A reencarnação sempre obedece às leis de afinidade e seus derivados, já descritos.  O espírito reencarna onde  quer , desde que haja essa possibilidade ou facilidade  de sintonia com o ser que vai desenvolver seu corpo. É claro que é mais fácil  uma aproximação com espíritos amigos e afins. Mesmo nos casos de expiações, o processo é regulado pela afinidade ou necessidade do reencarnante e também de quem está recebendo esse espírito  na condição de genitores ou educadores.
- Pode ocorrer de na minha família material ter espíritos que são da minha família espiritual? Ou isso é menos comum??? É possível eu ter um filho, por exemplo, que seja da minha família espiritual?? Ou uma mãe, um pai, um irmão??
É obvio que as pessoas que encarnam entre nós tenham afinidade ou compromisso de reciprocidade, para se efetivar a evolução. Espíritos estranhos não se aproximam espontaneamente.
- Na prática... o que significa a "família espiritual"? é igual à família da Terra?
 Simbologia ou metáfora das leis de afinidades, naturais ou morais: causa e efeito, justiça, amor, evolução, etc. Família da Terra nada mais é do que um reflexo das leis naturais.
- É de lá que viemos? é para lá que voltaremos?
  Lá e cá são apenas diferente mundos ou moradas.  Os mundos ou  esferas, independente da natureza da qual eles são formados ( matéria densa ou energia menos condensada), são todos campos de Vida e manifestação. Lá e cá são referência relativas para espíritos que transitam entre a erraticidade  e as encarnações em mundo físicos.  Um mundo materializado acolhe espíritos nessa condição e a mesma regra funciona para os espíritos mais purificados ou menos materializados.
- Como a família espiritual se forma? ela se modifica com o tempo?
 Afinidade e reciprocidade. Se modifica constantemente pois a vida espiritual e psíquica é dinâmica e exige mudanças evolutivas.
- As pessoas com quem vivemos na Terra passam a fazer parte da família espiritual?
Sim, temos com elas afinidades e compromissos recíprocos.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O sucessor de Pedro e as meias verdades

 

O cargo de Pontifex Máximus está vago. Bento XVI anunciou sua renúncia como suposto sucessor de São Pedro.

O pontifex era uma magistratura sacerdotal romana criada séculos antes do cristianismo e que se dedicava aos rituais de Estado. Júlio César foi um deles (a César o que é de César).

Para a Igreja institucional a adaptação foi perfeita, pois ela seria tudo aquilo que Jesus sempre repudiou: política e meias verdades.

Para Pedro, símbolo moral da igreja espiritual, esse cargo que ele nunca exerceu e certamente também repudiaria, é uma ofensa à Jesus, à sua proposta de humildade e opção pelos pobres e oprimidos. Pedro nunca foi papa e não há provas históricas disso. Seria incompatível com essa doutrina de dogmas e rituais do paganismo.

Tudo que vai contra à sua política e as meias verdades, a Igreja logo trata de punir e extirpar dos seus quadros. Francisco de Assis foi um exemplo disso. Foi enviado pelo Plano Espiritual Superior para neutralizar os abusos e desvios do clero e foi seriamente perseguido. As tentativas de renovação foram inúmeras, mas o poder clerical é sempre mais forte do que a fé e a humildade.

Sempre pegaram no pé o Espiritismo, desde o início, porque sentiram que a coisa era séria e poderia abalar definitivamente os alicerces frágeis do catolicismo. Kardec logo foi vítima da Inquisição e seus livros foram queimados na Espanha, principal reduto obscuro da Igreja corrompida.

Mas não adianta, a fé a Verdade se farão nos quatro cantos do mundo, queiram ou não queiram os homens.


Eis a mensagem que Kardec recebeu dos seus orientadores sobre esse assunto:


A Igreja

PARIS, 30 DE SETEMBRO DE 1863.

(Méd. sr. d’A...)

Eis-te de retorno, meu amigo, e não perdeste o teu tempo; à obra ainda, porque não é preciso queimar a bigorna. Forja, forja armas bem temperadas; repousa de teus trabalhos por trabalhos mais difíceis; todos os elementos ser-te-ão colocados nas mãos, na medida da necessidade.
É chegada a hora em que a Igreja deverá prestar conta do depósito que lhe foi confiado, da maneira pela qual praticou os ensinamentos do Cristo, do uso que fez de sua autoridade, enfim, do estado de incredulidade ao qual conduziu os espíritos; é chegada a hora em que ela deverá dar a César o que é de César e incorrer na responsabilidade de todos os seus atos. Deus a julgou, e a reconheceu imprópria, doravante, para a missão de progresso que incumbe a toda autoridade espiritual. Não seria senão por uma transformação absoluta que poderia viver; ela, porém se resignará a essa transformação? Não, porque então não seria mais a Igreja; para se assimilar as verdades e as descobertas da ciência, seria necessário renunciar aos dogmas que lhe servem de fundamento; para retornar à prática rigorosa dos preceitos do Evangelho, ser-lhe-ia necessário renunciar ao poder, à dominação, trocar o fausto e a púrpura pela simplicidade e a humildade apostólicas. Está entre duas alternativas; se ela se transforma, se suicida; se permanece estacionária, sucumbe sob a opressão do progresso.
De resto, já Roma está na ansiedade, e sabe-se, na Vida Eterna, pelas revelações irrecusáveis, que a Doutrina Espírita está chamada a causar uma viva dor ao papado, porque o Cisma se prepara rigorosamente na Itália. Não é preciso, pois, admirar-se da obstinação que o clero põe para combater o Espiritismo, sendo a isso levado pelo instinto de conservação; mas já viu as suas armas se enfraquecerem contra esse poder nascente; os seus argumentos não puderam ter a inflexível lógica; não lhe resta senão o demônio; é um pobre auxiliar no século XIX.
De resto, a luta está aberta entre a Igreja e o progresso, mais do que entre ela e o Espiritismo; é o progresso geral das idéias que lhe rebate os argumentos de todos os lados, e sob o qual sucumbirá, como tudo o que não se coloca em seu nível. A marcha rápida das coisas deve vos fazer pressentir que o desfecho não se fará esperar por muito tempo; a própria Igreja parece impelida fatalmente para o precipício. (Espírito d’E.)
 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Assim é que se faz

Espíritas não terão aula de ensino religioso

Conselho alega que divulgação de conhecimentos sobre o credo deve ser gratuita, sem pagamento de professores.

O GLOBO:27/06/12



RIO - Os estudantes espíritas das 80 escolas municipais que começarão a ter aulas de ensino religioso a partir do segundo semestre não terão a disciplina de seu credo. O Conselho Espírita do Estado do Rio deliberou por não aderir ao projeto da prefeitura de implementação da modalidade confessional nas salas de aula. A Secretaria municipal de Educação confirmou que as dez vagas reservadas no concurso para professores foram abolidas.

— Há um movimento espírita organizado, que foi procurado pela prefeitura. No conselho, reforçamos a posição de que todo o nosso trabalho é gratuito. Dentro dessa visão, não há sentido pagar para que professores deem aula da religião nas escolas municipais. Temos mais de 700 casas espíritas no Rio. Qualquer pessoa que se interessar, pode visitar uma delas, e aprender os conhecimentos gratuitamente — destacou Cristina Brito, diretora de relações externas do Conselho Espírita do Rio.

A posição da entidade segue a mesma linha tomada após a publicação, em 2000, de uma lei do deputado Carlos Dias, sancionada pelo então governador Anthony Garotinho, que criou a disciplina de ensino religioso também da modalidade confessional, voltada para cada credo, na rede estadual. Um documento divulgado em 2002, disponível na internet, afirma que “cabe indiscutivelmente à família a formação religiosa dos filhos, por não ser função da escola”.

Outro trecho do documento diz que “o confessionalismo religioso nas escolas não é recomendável pois, embora seja tal ensino facultativo ao aluno, sua inclusão legal em carga horária curricular poderá acender atavismos (reaparecimento de um caráter presente em ascendentes remotos) segregadores do ódio entre religiões que tanto já fizeram sofrer a humanidade”.

Disciplina será oferecida a alunos do 4º ano

Com a exclusão dos dez docentes espíritas, passam a ser 90 professores a darem aulas a partir do segundo semestre nas 80 escolas: 45 católicos, 35 evangélicos e dez de religiões afro-brasileiras. Ao contrário do que havia divulgado na semana passada, a Secretaria de Educação afirmou que serão estudantes do 4º ano do ensino fundamental os primeiros a serem contemplados com uma aula por semana da disciplina. A informação anterior era de que seriam crianças do 1º ao 3º ano do fundamental.

Apenas os alunos cujos pais deram autorização, durante a pré-matrícula, terão o ensino religioso confessional. O restante terá lições de “educação para valores” (apresentação de temas ligados à ética e à cidadania) durante o tempo vago.

A iniciativa da Secretaria de Educação é consequência de uma lei, proposta pelo próprio Executivo, aprovada em outubro do ano passado pela Câmara, e sancionada logo em seguida pelo prefeito Eduardo Paes. O texto criou a categoria de professor de ensino religioso nos quadros da rede, abrindo a possibilidade de concurso para até 600 docentes. A regra estabelece que os profissionais contratados devem ser credenciados pela autoridade religiosa competente.


sábado, 8 de dezembro de 2012

A sombria e majestosa Mantiqueira

 
Fomos buscar em “Memórias de um suicida” respostas para algumas interrogações, dúvidas essas que já haviam sido positivamente instigadas pelas palavras de um companheiro na abertura da reunião de uma conhecida instituição de prevenção do suicídio, hoje areligiosa, sobre o contato histórico que seus fundadores e colaboradores  tiveram com Yvone Pereira em 1972.  O livro de Camilo Castelo Branco (capítulo III - "Homem, conhece-te a ti mesmo" ) não dá indicações diretas sobre onde fica Esperança, mas insinua veladamente sua localização, que tem tudo a ver com as nossas obras no vale do Paraíba, região onde a espiritualidade marianista é intensa tanto no universo católico como entre os espiritualistas.
Quem ali temporariamente estaciona, como eu estacionei, são grandes vultos do crime! É a escória do mundo espiritual - falanges de suicidas que periodicamente para seus canais afluem levadas pelo turbilhão das desgraças em que se enredaram, a se despojarem das forças vitais que se encontram, geralmente intactas, revestindo-lhes os envoltórios físico-espirituais, por seqüências sacrílegas do suicídio, e provindas, preferentemente, de Portugal, da Espanha, do Brasil e colônias portuguesas da África, infelizes carentes do auxílio confortativo da prece; aqueles, levianos e inconseqüentes, que, fartos da vida que não quiseram compreender, se aventuraram ao Desconhecido, em procura do Olvido, pelos despenhadeiros da Morte!

Não sei como decorrerão os trabalhos correcionais para suicidas nos demais núcleos ou colônias espirituais destinadas aos mesmos fins e que se desdobrarão sob céus portugueses, espanhóis e seus derivados. Sei apenas é que fiz parte de sinistra falange detida, por efeito natural e lógico, nessa paragem horrenda cuja lembrança ainda hoje me repugna à sensibilidade.

Ele também dá indicação não somente das razões dos nossos compromissos, mas também das raízes do conhecimento empregado para nos preparar para essas tarefas. Reparem o currículo da escola que ele frequentou ao sair do Vale Sinistro.

 

A CIDADE ESPERANÇA E SUA LOCALIZAÇÃO

Encantados, eu, Belarmino, João e mais os amigos brasileiros Raul e Amadeu, que se haviam incluído em o nosso antigo grupo, mal chegáramos ao Burgo da Esperança, logo nos sentimos atraídos para o novo monitor, e ansiosos pelas lições que se seguiriam. E supúnhamos que idênticas impressões animavam os demais colegas, porque percebíamos sorrisos de satisfação e lidimo interesse esvoaçarem pela assistência.

Entretanto, o aprendizado científico seguiu curso normal, alternando-se com o que vínhamos antes recebendo e mais os conhecimentos práticos através das aulas do eminente Souria-Omar.

Assim foi que o respeitável ancião ministrou-nos o encantamento de presenciarmos o nascimento e progressão, lenta e esplendente, do próprio Globo Terrestre! O que superficialmente conhecíamos (permitam-me que assim me expresse ante a magnificência do que, então, me foi concedido apreciar) através dos códigos de Ciência terrestre, isto é, da Geologia, da Arqueologia, da Geografia, da Topografia, o ilustre instrutor levantou da dobagem dos milênios para nos ofertar como o presente descrito em cenas vivas, em atividades reais, como se houvéramos participado, com efeito, do nascimento e crescimento da generosa estância do sistema solar que um dia nos abrigaria, protegendo nossa ascensão para o Infinito, auxiliando-nos no aperfeiçoamento do germe divino que em nós outros, Homens, como nela própria, também palpita! Tudo presenciamos: a centelha em ebulição, as trevas do caos, os aguaceiros e dilúvios aterrorizantes, os grandes cataclismos para a formação dos oceanos e rios, o maravilhoso advento dos continentes como o nascimento das montanhas majestosas, cadeias graníticas eternas como o próprio globo, tão conhecidas e amadas por aqueles que na Terra têm feito ciclo de progresso: os Alpes sombranceiros quais monarcas poderosos desafiando as idades, os Pirineus graciosos, o Himalaia e o Tibet venerandos, a Mantiqueira* sombria e majestosa, todos, em épocas diversas, surgiram do berço diante de nossos olhos deslumbrados, arrancando lágrimas de nossas almas, que se prosternavam, tímidas ante tanta grandeza, tanta beleza e majestade! Mas, antes disso, em prosseguimento feérico de maravilhas, a luta dos elementos furiosos para o crescimento do pequeno continente do céu, o oceano conflagrado em convulsões pavorosas, sacudindo o seio nascente do mundo imerso em solidão, o cataclismo dos ventos e tempestades a que nada poderá fornecer ao homem idéia aproximada... assim como os primeiros sinais de movimento e vida no leito imenso das águas convulsas, a vegetação, fabulosa e tétrica, no gigantesco volume das proporções... os dinossauros monstruosos, os lagartos de forma e força inconcebíveis à delicadeza corporal do

Homem, os mastodontes, a Pré-História! Era um livro tenebroso, imenso, magnífico, Epopéia Divina da Criação, desferindo alguns poucos acordes da sua Imortal Sinfonia através do Infinito do Tempo, da Eternidade das Coisas! E nesse livro soletrávamos o a b c da Iniciação, gradativamente, pacientemente, às vezes empolgados até ao delírio; de outras, banhados em lágrimas até ao temor, mas sempre ávidos e encantados, ansiosos por mais conhecimentos, lamentando mais do que nunca nossas diminutas forças de suicidas, que nem a terça parte nos permitia entrever do programa excelso ofertado pela Natureza!

 

*Palavra de origem tupi, não utilizada em Portugal, e que significa gota de chuva. Ao nosso ver trata-se da Serra da Mantiqueira.

O CURRÍCULO DA ESCOLA

De todos os conhecimentos que gradativamente adquiríamos, cumpria-nos apresentar pontos construídos por nós próprios, criar exemplos em teses que muito honrariam os institutos terrenos, caso quisessem adotar os mesmos ensinos para esclarecimento e moralização de seus alunos; extrair análises, tudo o que viesse provar nosso aproveitamento na iniciação do psiquismo. Forneciam-nos para tanto álbuns belíssimos, cadernos e livros lucilantes quais flocos de estrelas, e até aparelhos melindrosos, aos quais nos ensinavam acionar, para que também aprendêssemos a projetar para outrem as exemplificações que criávamos, ou mesmo as análises extraídas dos exemplos fornecidos pelos mestres durante as aulas práticas na Terra ou em outra localidade de nossa Colônia. Daí a criação de minhas novelas e a ansiedade de ditar obras aos médiuns, pois, durante as aulas práticas existia permissão para fazê-lo, sempre que um e outro trabalho por nós composto conseguisse aprovação dos maiorais; daí nosso sacrifício de tentarmos, durante cerca de trinta anos, escrever algo, que a um só tempo testemunhasse a Deus nosso reconhecimento pelo muito que Sua Misericórdia nos permitia e o desejo de relatar aos nossos irmãos de infortúnio, encarcerados nas dores terrenas, o que o Além lhes reservava. Para tal cometimento não haveria necessidade de sermos escritores, porque o aprendizado com nossos mentores nos educava o sentimento, equilibrando-nos o raciocínio de molde a conseguirmos servir à Verdade que nos rodeava!

Muita aplicação e devotamento exigiam esses estudos transcendentes, porquanto eram vastíssimos os campos de observação, como grandiosos os motivos diariamente deparados. Convém enumerar as palpitantes matérias estudadas e auscultadas por nós outros até onde nos permitiram as forças mentais que possuíamos:

- Gênese planetária ou Cosmogonia - Pré-História - A evolução do ser - Imortalidade da alma - A tríplice natureza humana - As faculdades da alma - A lei das vidas sucessivas em corpos carnais terrenos, ou reencarnação - Medicina Psíquica - Magnetismo  - Noções de magnetismo transcendental - Moral Cristã - Psicologia  - Civilizações terrenas

Alternados com as aulas de Evangelho, tais estudos apresentavam correlação íntima com aquelas, o que nos impelia a melhor compreender e venerar a sublime personalidade de Jesus Nazareno, ao qual passamos a distinguir, tal como faziam nossos instrutores, como o chefe supremo da Iniciação, pois, com efeito, em todos os compêndios que consultávamos, buscando elucidação na Ciência, deparávamos lições, claros ensinamentos, atos e exemplos daquele Grande Mestre, como padrão máximo de sabedoria e verdade, modelos irresistíveis, bússolas que nos convidavam a seguir para atingirmos a finalidade sem os desvios oriundos do engodo e das falsas interpretações.
 

sábado, 24 de novembro de 2012

O exemplo


Dia desses, enquanto preparava alguma postagem para Facebook, fomos até cozinha tomar água quando nos ocorreu esse pensamento, que certamente não foi nosso.  Achamos curiosa a forma como essa ideia chegou até nossa mente, como uma resposta rápida a uma dúvida.
“O exemplo não tem somente dimensão visual e sonora, pelos gestos e palavras; ele também é captado e reproduzido por mecanismos mentais invisíveis e ocultos aos olhos humanos. Por isso não é possível esconder o que somos diante das pessoas que nos observam com interesses íntimos, principalmente as crianças”.

sábado, 27 de outubro de 2012

Sempre em nome de Deus


 

Temos recebido muitos e-mails sobre a propagação da intolerância contra os espíritas na internet, atividade que antes era restrita nos núcleos religiosos mais conservadores e que agora, com a enorme facilidade de comunicação, se espalha pela rede digital sem nenhum critério e controle. É o preço que todos pagamos pela liberdade de expressão.
 
Os ataques ao espiritismo sempre partiram de pessoas e grupos que se sentem desconfortáveis em suas crenças frágeis e dogmáticas,muitas delas fruto de pertubações íntimas inconfessáveis. Os detratores possuem afinidade e ligações mentais com forças reacionárias que trabalham incansavelmente, em várias frentes, para inibir a renovação e trasnformação da sociedade (ainda controlada pela aristocracia do dinheiro e da força) para um mundo compartilhado por todos que usam a inteligência e o poder de influência pelo bem estar coletivo. Não é somente os espiritismo que sofre esses ataques, mas todos os movimentos humanitários que lutam contra todas as formas de opressão e violência.
 
O espiritismo tem o poder de esclarecer e libertar mentes e isso é uma ameaça ao status daqueles que se acostumaram a viver criminosamente da exploração e escravização e consciências. Com o estabelecimento irreversível das liberdades e da transparência social, essas forças abusivas, infiltradas em todas as áreas de interesse,  não medem esforços nem métodos para reaver seus antigos privilégios. Encontram facilmente entre os encarnados e desencarnados, médiuns dispostos a veicular suas mensagens de desequilíbrio e confusão. Um exemplo muito claro dessas ações são as traduções tendenciosas de textos bíblicos, exaltando o fundamentalismo e a intolerância. Neles vemos a inserção criminosa da palavra espiritismo e seus derivados, sempre associada às práticas e ritos religiosos primitivos condenados historicamente nessas narrativas. Palavras que foram criadas há apenas pouco mais de um século não deveriam constar em textos que são sagrados pela antiguidade dos milênios. Falsificar a Bíblia deveria ser, principalmente para os seus seguidores, o pior de todos os crimes contra Deus e contra a verdade.

O que fazer?
 
O que devemos primeiramente é estar atentos e preparados para responder com a coerência e o bom senso, isto é, não nos igualar aos detratores nos seus métodos e ações. A intolerância por si só é incoerente e com o tempo trona-se repetitiva e solitária; convence e engana por algum tempo, causa danos, mas não consegue ser permanente.
 
As entidades federativas e grupos caracterizam a nossa expressão coletiva podem solicitar, diplomaticamente, que as instituições responsáveis por essas publicações reavaliem suas políticas editoriais e retirem dessas traduções todas as palavras e expressões que motivam o preconceito e a intolerância contra o espiritismo. Se necessário, e sempre de forma equilibrada, caso haja intransigência pela outra parte envolvida, é possível apelar para os direitos constitucionais dos espíritas, pelos meios jurídicos legítimos e conhecidos. Certamente isso não vai eliminar a causa do problema, que é de ordem moral, mas vai ajudar muito na educação de ofendidos e ofensores. 
 

sábado, 13 de outubro de 2012

Caravanas de evangelização e favelas


 

 Certa vez participamos de uma caravana de evangelização numa favela paulistana, próximo da estação metrô Itaquera. O guia que nos conduzia pelas vielas entre os barracos revelava uma nítida preocupação e pressa em fazer o trabalho com a turma e logo chegamos ao ponto combinado. Fomos recebidos por mulher de uns trinta anos, branca, bem magra, muito simpática e prestativa. Fez questão que todos entrassem , mesmo com a evidente falta de espaço para nos acolher confortavelmente. Ficamos todos em pé enquanto o guia cumpria as rotinas da excursão, recomendada pelo dirigente. Nunca havia entrado num barraco de favela, embora não me fosse estranho o ambiente de pobreza dos ranchos de barro e bambu onde moravam os ribeirinhos da região onde nasci, nas margens do rio Paraná ou então dos caboclos moradores dos varjões sul-matogrossenses. O barraco urbano impressionou-me pela limpeza e capricho, o perfume simples e a organização detalhada de tudo que fazia parte da decoração: as camas, o sofá, as prateleiras, os enfeites, o filtro de água, os quadros nas paredes, os tapetes sobre o piso (revestido de uma lona plástica branca grossa e brilhante). Oramos e agradecemos pela oportunidade. O guia, sempre preocupado, parecia não estar à vontade e sempre repetia para a dona da casa que as coisas iriam melhorar e que ela tivesse fé. Ela olhava sorridente para ele e apenas agradecia com gestos de concordância a gentileza da preocupação. No entanto, para nós era nítido que a anfitriã estava perfeitamente integrada à sua vida e não demonstrava nenhum tipo de contrariedade ou frustração. Estava preocupada, sim , em fazer com que nós ficássemos às vontade e realizássemos a nossa tarefa sem nenhum tipo de constrangimento. Ao contrário dela, nós e principalmente o nosso guia estávamos incomodamos com uma realidade que não era a nossa e que não aceitávamos como algo digno, como se todos ali vivêssemos em plena felicidade em nosso lares legalizados e confortáveis. Só então entendemos a finalidade dessa visita: não era mudar a realidade social e sim a nossa realidade interna. Pena que o guia, depois de tantos anos realizando aquela tarefa, ainda não havia compreendido o motivo da nossa e da presença dele naquele ambiente de carência material, porém de alta potencialidade espiritual.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Aristocracia intelecto-moral ou Superclasse?


Pirâmide da Superclasse, segundo David Hotkopk. Aristocracia do Intelecto? Intelecto Moral?

No século XIX Allan Kardec antecipou um fenômeno social que está ocorrendo hoje e que é objeto de estudos de vários pensadores e analistas de geopolítica. Entre eles está David Hotkopf, ex-assessor de Bill Clinton. Sua abordagem se concentra na mudança das esferas de poder, registrada em dois livros: Superclass, Global Power, já traduzido e publicado no Brasil; e Power Inc. (sem tradução). No primeiro ele identifica uma nova elite ou aristocracia carismática, cujo poder de influenciar pessoas vem superando a aristocracia da força bruta e do dinheiro, que reinou até o fim da Guerra Fria. Pessoas como o cantor Bono Vox, a atriz Jane Fonda e o escritor Paulo Coelho estão numa lista de 6 mil pessoas mais influentes do mundo, juntamente com o magnata do petróleo Carlos Slin, os donos do Google e estadistas como Lula e Barack Obama. Na lista há também traficantes de armas e terroristas, mostrando a neutralidade realista do estudo. Para ele, a ONU perdeu um pouco seu brilho e o centro da cidadania nacional de Nova York vem se deslocando para Davos, no Fórum Econômico Mundial. Davos é ponto de encontro de cidadãos globais. Já no livro Power Inc. Hotkopf traça um histórico das relações íntimas das mega corporações empresariais com os Estados, demonstrando que essa realidade tende a mudar muito nas próximas década com o advento da Era da Transparência Digital ou Era do Weakleaks. Nada mais é segredo, nada mais é privativo. Portanto, façamos sempre a coisa certa.  Julgamentos do STF (do tipo Mensalão) eram escondidos da opinião pública, como segredos de Estado. Hoje estã na mídia. Na Era das Redes Sociais as coisas estão mudando e as empresas também deverão se afinar no mesmo diapasão.

Mais uma vez, tiramos o chapéu (ou o boné) para Kardec,  lembrando que o nosso mestre espírita visualizou há mais de 140 anos o advento de uma nova sociedade e humanidade. Antes que isso aconteça, é claro, na Superclasse e na onda da Sustentabilidade , vão estar incluidos aqueles que ainda não assimilaram a nova moral planetária, como os criminosos digitais, os terroristas, enfim , a escória inteligente e influente (os psicopatas de terno e gravata) que ainda vão demorar algum tempo para se mudar de planeta. Isso faz parte do processo de regeneração.

 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Crianças médiuns

Vimos, na última quinta-feira - eu, minha filha e minha mãe - esse estranho e muito engraçado desenho sobre os problemas de uma criança com dons mediúnicos. Minha filha, de dez anos está na fase do medo; minha mãe só observa, recordando suas experiências de menina e adolescente e eu continuo na complicada fase da auto-suficiência, achando que posso tirar tudo de letra, até que aconteça algum baque. O cinema estava cheio de médiuns e sinceramente nem me dei conta que poderia estar cheio também de desencarnados. Apenas nos divertimos e demos muitas gargalhadas. O desenho é da cultura espiritualista dos Estados Unidos e lembra a história das irmãs Fox e do episódio das bruxas de Salém, suas predecessoras ( ou elas mesmas e seus perseguidores reencarnados). Para o público comum, bobagem e superstição. Para os que têm olhos de ver, ótima diversão , seguida de interessantes reflexões.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Explosões solares


Recebemos de um amigo que mora nos EUA um e-mail sobre um fenômeno solar que iria causar um grande impacto em nosso planeta, em forma de uma forte onda magnética, provocando escuridão e alteração radical do clima. A explosão ocorreria no mês de dezembro de 2012 e os efeitos da mesma seriam sentidos a partir de fevereiro de 2013 até 2021. Ainda que dizendo-se baseada em informações da NASA, trata-se de uma mensagem mística e assustadora, afirmando que vamos, a partir desse evento cósmico, entrar na chamada Era do Fóton, marcada inicialmente por graves desequilíbrios naturais e psíquicos. Respondemos ao amigo agradecendo pelo envio da mensagem lembrando-o que ainda confiamos nas reflexões de Kardec, de que as transformações regenedoras previstas para a nossa humanidade seriam graduais e não bruscas.

Agora, diante das informações que lemos no link abaixo, sobre explosões solares, quem sabe poderemos esclarecer o que realmente está acontecendo: se estamos sendo vítimas de manipulações de informações, tanto de interesse de Estado quanto de interesses religiosos alarmistas.

http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/2012-09-06/imagens-da-nasa-captam-forte-explosao-solar.html

Ps. Previsões e profecias com datas marcadas historicamente sempre foram indicadores de falhas e contradições.


sábado, 18 de agosto de 2012

Observador no Face



O Observador Espírita agora também está no Facebook, uma rede social com mais de 1 bilhão de usuários. Estamos convidando os colegas blogueiros e seguidores amigos para viajar nessa grande nuvem de oportunidades de divulgação do Espiritismo. Para começar, vamos publicar as postagens atualizadas e uma retrospectiva das mais antigas.

Sejam bem-vindos!

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012


A comunidade espírita, especialmente a da Baixada Santista, já está vibrando com o breve lançamento no cinema de E a Vida Continua, a derradeira narrativa da série André Luiz sobre as atividades nas colônias espirituais brasileiras da Crosta Terrestre. Esta se passa na colônia Alvorada Nova, localizada nas dimensões paralelas de Santos, São Vicente, Cubatão, Praia Grande, Guarujá, Mongaguá e Itanhaém. No livro os protagonistas que voltam à Terra desembarcam de um aérobus nas imediações Rodovia Anchieta, na Serra do Mar, próximo a São Bernardo do Campo. Até hoje a região registra constantes relatos de "disco voadores" que aparecem em toda essa faixa serrana e litorânea. Nós mesmos, quando tivemos a oportunidade de trabalhar numa tranquila escola no bairro Solemar, nas margens da rodovia Padre Manoel da Nóbrega, recebíamos a visita de entidades recém desencarnadas em busca de socorro e informações. Íamos até o jardim da escola, de onde se vê a serra bem próxima, e, após uma discreta prece, indicavamos o "lugar" para onde eles deveriam elevar o pensamento e deslocarem-se para receber um auxílio mais adequado. Nesse local, em determinadas épocas do ano, aparecem arcos-íris de beleza indescritível. Foi nesse período que escrevemos o livro Nova História do Espiritismo.

"E a Vida Continua" é um relato mais simples em relação aos outros livros de André Luiz, pois não possui tanto detalhes escondidos nas entrelinhas e que normalmente obrigam às constantes releituras para verificar as informações que não são percebidas inicialmente. Tem a avantagem de ser um relato mais atualizado e mais aproximado da realidade atual, pois surgiu já no final década de 1960. Portanto, já fazem quase 50 anos. Muita coisa deve ter mudado nessas colônias e arredores, demográfica e urbanisticamente falando. A descrição das faixas do umbral, por exemplo, anteciparam a proliferação das favelas e dos choques sociais nas grandes cidades brasileiras. Vamos ver como ficou o filme. Dia 14 de setembro.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

E Deus, será que existe?


A dúvida não é somente dos encarnados. Muitos que já passaram para outras dimensões ainda se debatem nessas velhas questões que nos dividem entre o instinto e a intuição, o corpo e a mente, o relógio e a bússola; entre o determinismo e o livre arbítrio; entre o Ser e o existir.

Uma das causas mais comuns do ateísmo e consequentemente do materialismo é a insistente difusão da idéia de que Deus é existência e não Consciência.

A existência é própria de tudo que é mortal e efêmero e não serve como referência para algo que transcende os limites e as manifestações fenomênicas da matéria.

As religiões e filosofias antigas criaram mecanismos intelectuais e dogmas para explicar essas diferenças entre Ser e existir, aplicados ao Ser Supremo e Criador, demonstrando-o com algo abstrato e incompreensível aos sentidos físicos e à razão limitada da experiência humana.

Realmente Deus não existe, pois isso seria restringi-lo aos ciclos de tempo cronológico e no espaço tridimensional. Para que Deus existisse seria necessário conceber a sua origem, bem como seu destino, processo incerto, contraditório e inadequado de análise das coisas que não se enquadram nos paradigmas de causas e efeitos. Deus não existe porque não foi criado; é o Incriado que não teve começo e por isso não tem fim. O Éter sempre foi, sendo inadmissível que a eternidade fosse um ciclo temporal.

Essa tem sido, em síntese, a visão teológica que sustenta a impessoalidade abstrata da Criação, que não é alguém e sim algo que não se pode definir e explicar senão por analogias e figuras de metalinguagem.

A praticidade do budismo e de algumas outras filosofias orientais deixou de lado essas questões e discussões intermináveis para liberar seus adeptos para coisas mais importantes e prioritárias como o auto-conhecimento e a libertação dos rigores da matéria (desejo e ilusão).

O cristianismo, porém, como filosofia nova da passagem da Antiguidade para a Modernidade, insistiu na idéia de criar analogias que pudessem evitar a angústia de não poder explicar o que não tem explicação, alimentando a figura simbólica e humanizada da Paternidade Divina e o dogma da “imagem e semelhança” entre o Criador e suas criaturas.

O Espiritismo, na sua primeira expressão de investigação científica da verdade, típica do século 19 e da pós-modernidade, questiona seus filósofos do Além perguntando “O que é Deus” e não “Quem é Deus”, recebendo do Espírito Verdade e seus colaboradores invisíveis a resposta que não é precisamente resposta, mas que seria a única possível e não contraditória, denominando Deus como uma inteligência que está além da atual capacidade de compreensão humana.

Deus é, portanto, mais uma questão de capacidade de compreensão introspectiva do que propriamente de definição e habilidade intelectiva.

Vai demorar muito para que nós, mentes ainda frágeis e infantis, tenhamos essa maturidade que despreza a concepção humana, paterna e protetora de Deus, para cultivar a concepção avançada de um Zenon, Spinozza ou de um Einstein, que conceberam Deus como uma Grande Mente ou um Logos Spermátikos.

Temos outra opção, enquanto aguardamos uma explicação melhor sobre todas essas coisas: negar, não admitir, não crer, não cogitar, não permitir que essas idéias e reflexões façam parte da nossa experiência cognitiva e ideológica. É também uma forma de compreender o que ainda não é compreensível.

Só que temos um problema: em mentes pacíficas e tranquilas, o ateísmo significa apenas uma aparente indiferença ao universo místico e misterioso da Criação; já para as mentes belicosas e rebeldes ainda predomina o antigo e perigoso conceito materialista: “Se Deus não existe, então tudo é permitido”.



sexta-feira, 6 de julho de 2012

Espíritas no umbral e as Escolas de Vingança


Edgard Armond dizia, há mais de 60 anos, que o umbral estava cheio de espíritas e essa informação causou na época um tremendo mal estar em muitos adeptos que achavam que só o fato de se declararem espíritas era suficiente para que tivessem uma morte tranquila e fácil acesso às colônias luminosas do plano espiritual. No umbral, segundo André Luiz, existiam eficientes Escolas de Vingança (base dos processos obsessivos) e no movimento espírita havia aquela morosidade doutrinária. Armond estava querendo dizer que a moral espírita não estava fazendo efeito prático nos espíritas e que era necessário criar um método educativo mais eficiente de transformação moral e não somente as leituras e as práticas mediúnicas tradicionais oferecidas nas casas. Ele idealizava também um centro espírita em cada esquina, antecipando a crise moral que sociedade vive atualmente. Foi por isso que ele criou a Escola de Aprendizes do Evangelho (Escolas de Amor e Perdão), uma iniciativa eficiente para acolher esse público flutuante, ensinar a maioria, educar a média e selecionar os mais aptos para tarefas especializadas. Era uma forma de ajudar também os espíritas a controlar melhor suas más inclinações e evitar envolvimentos perigosos, numa sociedade sempre cheias de tentações. Naquela época, nos anos 1950, a FEESP já atendia massas e a gravidade do desvio de público era muito preocupante. Muitos ainda acham que isso foi um exagero de Armond, mas a realidade é que o sistema cumpria rigorosamente objetivos superiores de ensino, educação e capacitação de trabalhadores. Muitos espíritas ainda sucumbem às tentações do mundo porque não possuem conhecimento suficiente, principalmente auto-conhecimento, ferramentas seguras para enfrentar a corrupção e as ciladas do mundo, sobretudo os médiuns.

Muitos pessoas tem ido aos centros espíritas para tomar passes e ouvir palestras. Estão sem rumo e certamente querem consolo e explicações para não sucumbirem em suas tarefas cotidianas. A maioria dos centros não possui programas de ação para receber e esclarecer esse público. Oferecem apenas passes, palestras, água fluidificada e as campanhas de serviço social. É uma atividade benéfica, porém insignificante tendo em vista o grandioso potencial de esclarecimento das casas. Esgotados esses serviços corriqueiros de consolo, a maioria dos freqüentadores se dispersam e pouquíssimos se integram ao trabalho. Boa parte dos dirigentes são inseguros, centralizadores, acomodados aos esquemas tradicionais, preocupados com a estabilidade das casas. Muitos deles temem o ingresso de novas lideranças e, quando isso acontece, não raro, logo dão um jeito de expurgar os que se mostram mais habilidosos na organização e na dinâmica dos serviços. É um lamentável desperdício de tempo e de possibilidades de expandir as casas espíritas através de células novas e bem estruturadas, para dar continuidade à necessária multiplicação. O principal obstáculo desse processo de desenvolvimento, como sempre, é o assistencialismo, que se impõe como prioridade (pois é mais cômodo e não tem implicações morais tão graves), desviando as casas espíritas da sua vocação natural educativa e doutrinária. De um centro bem estruturado doutrinariamente pode sair muitos outros centros semelhantes; todavia, de um centro assistencialista e desviado, quase nada se desprende e se expande.

A maioria dos freqüentadores dos centros não são “espíritas” na verdadeira concepção da palavra, mas apenas consumidores de livros e serviços das casas espíritas. André Luiz fez esse alerta em Os Mensageiros e em muitas outras obras, mas as pessoas continuam achando que tudo é exagero e brincadeira. Desde àquela época pouca coisa mudou. As escolas sistematizadas de esclarecimento e capacitação ainda ocupam pouco espaço. A maioria, com raríssimas exceções, propõe uma complicada sistematização das obras de Kardec, cujas aulas são verdadeiros convites ao abandono. Não existe a ligação necessária entre teoria e prática doutrinária. Algumas levam anos na rotina teórica cultivando um pretencioso domínio intelectual de conteúdos, quando já poderiam impulsionar os alunos para as práticas supervisionadas, sempre incrementadas por reciclagens e atualizações. Aprender a Conhecer, aprender a Fazer, aprender a Conviver e finalmente aprender a Ser, preconiza a ONU na sua bússola curricular e progrmas educativos da Unesco para o século XXI. Tudo a ver com o Espiritismo e com o nosso movimento, não?

Será que o umbral continua cheio de espíritas?

Deve ser terrível para qualquer um de nós, sob as constantes gargalhadas dos adversários nos provocando: “Uai, o espiritismo não os alertou que era preciso ir muito além dos livros e mensagens?

E nós, humilhados, de cabeça baixa e em prantos convulsivos, nos perguntando onde foi que erramos.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Arigó, por J. Herculano Pires

O site PENSE-Pensamento Social Espírita está disponibilizando em seu acervo digital algumas “novas” raridades, entre elas essa edição de “Arigó”, de J. Herculano Pires, publicada pela Editora Paulo de Azevedo e com carimbo da Livraria Francisco Alves. É o décimo volume da coleção Contrastes e Confrontos. Como sempre, Herculano dá um show de erudição e precisão doutrinária ao descrever as peripécias do grande médium de Congonhas do Campo. São 100 páginas e 16 capítulos de luzes e curiosidades.

http://www.viasantos.com/pense/livros.html

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O pequeno grande Chico

Um pequeno trailer de um desenho animado em série sobre Chico Xavier está circulando pela internet. O vídeo intitulado Little Great Chico (literalmente O pequeno grande Chico) foi postado anonimamente no Youtube e noticiado por vários blogs de conteúdo espírita. O trabalho só possui versão em inglês e exibe apenas essa legenda explicativa:

“Preview of the upcoming animated series Little Great Chico, about the tales told by Chico Xavier about his childhood”.

Little Great Chico Trailer

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Casos desta vida e da outra, mas nada de assustar.


Jáder dos Reis Sampaio, criador e redator do blog Espiritismo Comentado (um dos mais lidos e seguidos no movimento espírita digital), está publicando pelo Instituto Lachâtre seu mais novo trabalho: “Casos e descasos – na casa espírita”.

O livro marca uma nova fase na carreira do escritor, mais conhecido pelos seus ensaios lúcidos e curiosos sobre a memória do Espiritismo. Esta novidade é uma parceria mediúnica com um espírito amigo e produto de um longo esforço de treinamento e sintonia psicográfica.

O lançamento será neste sábado, 2 de junho, em Belo Horizonte, no próprio cenário onde se desenrolaram os escritos do nosso caro pesquisador e ativista, no auditório da Associação Espírita Célia Xavier, rua Coronel Pedro Jorge 314, Prado. Esquina com rua Chopin, das 18:15 às 19:30 horas.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Remorso e arrependimento

Decapitação de São Paulo, por Enrique Simonet, 1887


O ex-delegado do DOPS, Claudio Antonio Guerra, do Espírito Santo, fez recentemente revelações bombásticas sobre crimes cometidos por ele, inclusive durante o período da ditadura militar, especificamente na décadas de 1970 e 1980, quando atuava junto às força de repressão. Guerra confessa assassinatos e dá informações sobre militantes de esquerda desaparecidos naquele período, cujos corpos, segundo ele, foram incinerados numa usina de açúcar na região norte do estado do Rio de Janeiro.

As revelações de Guerra foram feitas num livro, em vídeos pela internet e publicadas no portal do IG esta semana. Além dos crimes, o ex-delegado faz revelações sobre personalidades marcantes da repressão, cujas histórias permaneceram obscuras por longos anos. Guerra está sob proteção da Polícia Federal e deverá depor na Comissão Verdade, sobre a lei de anistia e os crimes políticos da ditadura.

Mas o que nos chamou atenção nesse caso é a concepção teológica que o ex-delegado vem realçando em suas declarações.

Preso durante sete anos, Guerra se converteu ao protestantismo e, numa crise natural de consciência, decidiu se livrar do remorso e ingressar na sofrível experiência do arrependimento. Sem dúvida, é um ato até natural, já que aos 71 anos, o novo crente já vislumbra a morte do corpo e certamente o temido encontro consigo mesmo e com algumas vítimas das suas atrocidades, seja em perseguições mentais , seja em confrontos reais com aqueles Espíritos mais vingativos que não conseguem perdoar seus algozes. Este é um caso curioso e didático para aprendermos como funciona esse processo de regeneração psicológica e moral. Não é de se estranhar e é até compreensível que as igrejas também o transformem em modelo e propaganda de conversão.

A culpa e o remorso funcionam inicialmente como vetores das mudanças internas, caracterizadas pelo entusiasmo e euforia. Trata-se do primeiro passo para o arrependimento. Depois vem a fase da tomada de consciência, na qual o devedor sofre o choque de retorno das suas ações. Isso só ocorre de forma positiva e transformadora se realmente houver arrependimento, caso contrário fica apenas como punição ou expiação dos erros, fato que iria ocorrer mais cedo ou mais tarde por força da lei de ação e reação, independentemente da sua vontade ou da sua crença.

Os crimes contra a vida, como nos ensina O Livro dos Espíritos, são os mais graves porque alteram bruscamente os programas reencarnatórios das vítimas e suas complexas ligações familiares e sociais. Nesses casos as reparações são adiadas e não podem ser feitas somente numa existência. O errante deve voltar quantas vezes for necessário para reparar as vítimas diretas ou indiretas dos crimes cometidos.

Na concepção teológica católica e protestante, basta o arrependimento para obter o perdão de Deus. Certamente, se obtém o perdão de Deus, mas isso não significa o esquecimento dos crimes nem das vítimas. Essa idéia individualista da justiça Divina difundida nas igrejas até consola e dá forte esperança aos criminosos, mas não os livra dos choques de retorno. Esses se manifestam por força natural e podem até mesmo serem protelados, caso a Justiça Divina julgue que o criminoso ainda não possui maturidade moral para suportá-los durante a fase de arrependimento. Isso é sintomático. Quando o arrependimento se aprofunda e a consciência desperta, os choques de retorno vêm com mais força, já que o errante já possui condições morais para suportar as cobranças. Isso está claramente advertido nas Bem-Aventuranças do Sermão da Montanha. Não há sofrimento para os inocentes e sim para aqueles que verdadeiramente se arrependeram e se encontram em condições de reparar, seja como for, os seus erros do passado. Não há outra forma de realizarmos o “Sede perfeitos” senão conquistando passo a passo a perfeição relativa e possível aos seres humanos.