REVISTA SANTA ALIANÇA DO TERCEIRO MILÊNIO - Fundada por Vitorio Orlandi e editada por Mário Corboli, a revista foi o destaque da comunicação espiritualista e universalista que predominava na década de 1950. Esse número de fevereiro de 1956 teve como destaque um artigo de Canuto Abreu sobre o nome civil de Allan Kardec, fundamentado nos famosos documentos adquiridos em Paris pouco antes da invasão nazista. Publicou-se também artigos de Pietro Ubaldi, Oswaldo Polidoro, Dr. E. W. Shalders, Emmanuel, Simplício Fagundes, Max Kholeisen, Dr.Assis de Nazaré e uma curiosa refutação de Ramatis sobre a natureza dos planetas do nosso sistema solar, pelo articulista pernambucano Josué Lima Filho. Essa publicação pode ter influenciado a denominação da Aliança Espírita Evangélica, entidade federativa fundada em 1973 por Edgard Armond e membros da FDJ- Fraternidade dos Discípulos de Jesus (fundada em 1950).
quinta-feira, 16 de julho de 2015
sábado, 11 de julho de 2015
Os mortos
Aqueles a quem chamamos de "mortos" não dormem nem descansam, com exceção dos que estão temporariamente doentes após a morte do corpo e "feridos" no corpo astral. A vida no Mundo Espiritual é intensa e natural em todos os aspectos e as inteligências se agrupam, se organizam e se movimentam por afinidades culturais e de interesse. Tudo funciona pela ação da mente e das emoções, com mais ou menos luz e conforto íntimo, dependendo das condições de cada um e das suas coletividades. É por isso que o Mestre dizia, sobre essas nossas passagens: "Você vai estar onde estiver seu coração". Isto é o Universo. (imagem: filme Nosso Lar, direção de Daniel Filho)
O destino da Terra
Segundo as tradições espirituais, o curso humano é de 28 mil anos, divididos em ciclos de 2 mil anos, uma média de uma encarnação a cada 100 anos. Tudo isso no plano relativo, de acordo com as experiências de cada um, boas ou más, individuais e coletivas. Nossa humanidade terrena já venceu esse tempo há dois mil anos, indicando uma grave falência moral coletiva. Uma intervenção do Governador Planetário no Tribunal das 70 Entidades Maiores do nosso Sistema Solar conseguiu um prazo de mais dois mil anos, que vence agora em 2019. Veremos no que vai dar.
sábado, 23 de maio de 2015
Corações apertados e temerosos
Reencarnaram nas últimas décadas e vão continuar renascendo, nos quatro cantos da Terra, em suas famílias afins e devedoras, uma gigantesca legião de Espíritos moralmente atrasados, provenientes de planos e mundos baixos, governados pelos instintos. São almas muito egocêntricas, anti-sociais, acostumadas a viver sob o jugo e a opressão de líderes violentos e psicopatas do astral inferior. Quando ingressam na carne rejeitam a educação familiar e escolar e rapidamente se ligam aos comparsas para a prática de todas as formas de crimes em organizações perigosas, sectárias, que não respeitam nenhum valor ou moral que não sejam do seu interesse. Verdadeiras matilhas de lobos insanos, presentes diariamente nos noticiários policiais. São comandados mentalmente por entidades piores do que eles, proibidas de estar em contato com coletividades mais moralizadas. O uso da crueldade e abusos completamente fora dos nossos padrões são indícios da presença deles. Vão aproveitar, a seu modo, os últimos momentos dessa transição que vai conduzi-los finalmente para planetas primitivos (Absyntus), onde a sociedade humana ainda dá os primeiros passos de organização (uivos e ranger dos dentes). Isso está revelado de forma simbólica no Apocalipse de João, quando o apóstolo vidente se refere à soltura de Satanás, para que se cumpra as profecias de reajuste moral do planeta e nossa entrada definitiva na categoria de Mundo Regenerado. Oração e vigilância ainda são as melhores defesas contra esse grande mal, que também vai passar.
sexta-feira, 22 de maio de 2015
Precisamos viver
Resposta do Espírito para as minhas dúvidas e de colegas que nasceram marcados para viver "atormentados".
"Escritores vivem mental e literalmente em outra dimensão. Suas cabeças vivem em permanente atividade perturbadora, como um turbilhão de ideias que quase sempre não são suas e sim formas-pensamento que circulam livremente no Éter em complexas conexões, produto de mentes que estão presas na carne ou que já passaram para o outro "lado". Eles funcionam como antenas e minúsculos cabos de conexão, ultra sensíveis, sempre ansiosos, inquietos, indisciplinados, desfocados, viciados e cheios de manias, que provavelmente também não são componentes das suas personalidades e sim de inteligências com as quais entram em constante sintonia de ideias e sentimentos. Oscilam sempre e manifestam isso com uma constante indecisão diante das coisas. Não são bons maridos, nem bons pais, nem bons namorados, nem bons profissionais, nem bons devotos, nem bons cidadãos. Quando conseguem exercer esses papeis sociais com certa retidão, amargam um intenso sofrimento íntimo. Muitos deles, como todos os outros artistas, se matam porque vivem vivendo a vida dos outros e se cansam de viver as suas próprias vidas. Muitos continuam vivendo como sobreviventes de si mesmos.".
É isso.
sexta-feira, 1 de maio de 2015
Mistificações, bajulações e personalismos.
Herculano Pires, conhecido intelectual e escritor espírita, amigo
pessoal de Chico Xavier, não escondia sua opinião sobre o amigo: como
médium, era de altíssima qualidade; como pessoa, era humano como
qualquer um de nós: ingênuo e bondoso, aceitava tudo e a todos para não
cultivar inimizades e situações constrangedoras, mesmo com os falsos e
bajuladores que se aproveitam da sua condição de simplicidade. Estes até
hoje exploram sua imagem e questionáveis ideias e opiniões sobre
temas polêmicos, que quase sempre guardava extrema discrição. São
revelações tidas como segredos de exclusividade duvidosa, alimentados
pela intenção de criar falso prestígio em torno da intimidade do médium.
Há também - e sempre existiu - um culto personalista pela figura do
Chico, sempre repudiado pela nossas mais sensatas e respeitadas
lideranças e que hoje persiste de forma exagerada e até abusiva.
Atentemos, pois são bons pretextos para que o Espiritismo seja
banalizado e, como sempre, atacado pelos adversários de sempre.
terça-feira, 28 de abril de 2015
Fascínio e negligência doutrinária.
Muito preocupante esse fascínio crescente de grupos espíritas pela reencarnação de personalidades famosas, por médiuns "missionários", pela chamada ufologia e previsões sobre o futuro do planeta e da Humanidade. Tempos atrás apareceu o assunto dos chamados Espíritos "azulínios", vindos de uma civilização "superior". Tudo muito afastado das concepções filosóficas do Espiritismo, que recomendam sempre tratar essas "novidades" como abordagem intelectual e científica e não como crenças que caracterizam as seitas dogmáticas. Para nós, reencarnação, mediunidade e outros fenômenos espíritas não são e nunca foram crenças e sim leis da natureza que precisam se entendidas e compreendidas à luz da razão. Tratar os fenômenos pela linha da concepção mística e sobrenatural é sempre um risco de contradição e consequentemente de decepção e desencanto.
domingo, 12 de abril de 2015
O CVV e o Observador na revista Reformador
O CVV- Centro de Valorização da Vida teve destaque especial na edição de fevereiro da revista Reformador, órgão centenário da Federação Espírita Brasileira. O conteúdo foi registrado por meio de uma entrevista com o escritor Dalmo Duque dos Santos, voluntário e também autor da biografia do CVV. A entidade faz prevenção do suicídio desde 1962, quando um grupo alunos da Escola de Aprendizes do Evangelho da FEESP montou uma escala de plantões diários para oferecer amizade e compreensão para pessoas solitárias e que tinham pensamentos suicidas. O trabalho foi inspirado pela Colônia Cidade Esperança, conforme relato do livro Memórias de um Suicída, de Camilo Castelo Branco (Yvone Pereira).
http://www.febnet.org.br/blog/geral/noticias/edicao-de-fevereiro-da-revista-reformador-ja-disponivel/
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Sacudindo a "inhaca" do preconceito
O movimento espírita e espiritualista no Brasil, no campo
das crenças e das práticas medianímicas, infelizmente, ainda conserva a péssima
pretensão de ser a Casa Grande. Essa negação defensiva e até hostil contra a
Senzala um dia terá que acabar. É preciso conhecer, dialogar, reconhecer e
saber respeitar.
Quando criança tive uma febre fora dos padrões normais.
Minha mãe me levou ao médico e este não conseguiu explicar nem medicar o
problema. Ele mesmo, sabendo das nossas crenças e costumes, sugeriu fôssemos
até uma conhecida médium da cidade. Lá ela foi instruída por um Preto Velho
para que eu tomasse um chá de folha de laranjeira. O problema é que, na época,
a praga do "cancro cítrico" tinha se espalhado na cidade e os pés de laranja e limão haviam sido cortados pelas
autoridades sanitárias. O Preto Velho então indicou que havia ali perto uma
casa na qual ainda tinha um pé de laranja escondido no fundo do quintal. Minha
foi até a casa, bateu palmas, foi atendida e pediu uma folha da laranjeira. A
dona da casa estranhou muito o pedido, pois o pé estava escondido sob um tambor
de latão, mas não negou ajuda. Segundo o Preto Velho, minha febre era emocional
e que teria isso pela vida inteira. Isso pode não ser espiritismo de mesa
branca ou kardecismo, mas certamente se chama sabedoria e caridade.
domingo, 25 de janeiro de 2015
Ciladas do destino
O canal Telecine Cult exibiu hoje o filme francês “O Filho
do Outro”, sobre bebês trocados, e que mostra a farsa e a insanidade do
conflito entre árabes e judeus. Adolescente filho de um coronel prestes a
se alistar no exército de Israel descobre que é filho de um casal
palestino e que o filho judeu de verdade vive com os pais numa área
isolada da Palestina. A trama é um efeito contemporâneo da história de
Abraão e da escrava Hagar, cujo filho Ismael gerou a tribo
semita dos árabes. Interessante que os dois irmãos palestinos (um deles
judeu sem saber) são fãs do nosso futebol e usam camisas da seleção
brasileira para jogar bola nas ruas. Para quem não se lembra, o Brasil
foi o autor do voto de desempate para a criação do Estado de Israel em
1948 na ONU (Oswaldo Aranha, descendente de cristãos novos). O escritor
Humberto de Campos (Espírito), por meio de Chico Xavier (Brasil Coração
do Mundo, Pátria do Evangelho), afirma num relato histórico-poético que Ismael é a entidade
espiritual máxima e protetora do Brasil, nação forjada na mistura de
raças e criada pelo Alto para receber culturas do mundo inteiro,
sobretudo as que perderam o chão e a esperança.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
Projeto importante nas bancas
A Revista História Viva (Duetto Editorial, n°53, janeiro de 2015)
contemplou o Espiritismo como destaque especial da sua coleção Grandes
Temas. O editor Vinícius Palermo nos procurou e gentilmente solicitou a
nossa participação no projeto, a qual, por impedimento pessoal, só
pudemos atender com algumas opiniões sobre alguns aspectos desse tema
tão amplo e abrangente (ver o artigo do professor Adolfo de Mendonça
Júnior, página 36). A revista traz artigos de pesquisadores em diversas
tendências nas quais a doutrina espírita se manifesta, bem como dos
diálogos que naturalmente faz com as demais áreas do conhecimento. A
neutralidade científica do artigos e das declarações pode até não ser do
gosto ideológico dos adeptos das doutrinas citadas nos textos, porém
revela o compromisso e a tentativa de isenção, sempre necessário para
dar credibilidade aos temas abordados. Sem dúvida é um material que não
contempla todos os aspectos (faltou, por exemplo, a influência da
educação), tem pequenas falhas de análise, pelo fato dos pesquisadores
ainda desconhecerem as particularidades do movimento espírita, mas nada
grave e que comprometa o conjunto do projeto. Existem muitos
pesquisadores espíritas e não espíritas, bem como da umbanda e do
candomblé, que certamente poderiam ter enriquecido ainda mais a
publicação, caso houvesse tempo e espaço editorial para tanto. Enfim, é
uma ótima iniciativa e certamente não será a última pois o Espiritismo
ainda tem muito o que dizer e explicar sobre suas bases, repercussões e
influência na sociedade brasileira e no mundo atual. Parabéns ao editor e
sua equipe!
domingo, 4 de janeiro de 2015
BOMBA RELÓGIO da Saúde Mental:
O Ministro Arthur Chioro diz que ainda falta fechar 178 hospitais psiquiátricos, que segundo ele são "maquinas de romper vínculos familiares e sociais e também de cronificação de doenças". Para o ministro os pacientes em crise devem usar os Caps e serem internados em hospitais no máximo por 72 horas. E depois voltam ao Caps para acompanhamento. Tudo apoiado pelas famílias. É o que diz uma lei federal sobre o assunto. Mas, e quem não tem família? São milhares de pacientes acolhidos por instituições de beneficência (que não são manicômios públicos) e dezenas de milhares abandonados nas ruas e rodovias. Outro estopim aceso: os hospitais estão falidos e com seus bens alienados em dívidas bancárias sucessivas para cobrir as folhas de pagamento. O Ministério da Saúde se nega a dar verbas para quem mantém esse modelo hospitalar. Como fechar um hospital? Para onde vão os pacientes? Quem vai pagar as contas? E como elas serão pagas?
Foto: o célebre artista Bispo do Rosário e sua ficha de indigente num antigo manicômio público.
domingo, 28 de dezembro de 2014
Moisés e Deus
Diálogo
no Facebook, à propósito do novo filme de Redley Scott.
Fui ao cinema ver Êxodo. Sala lotada para ver a velha história sob
novos efeitos especiais. Eu e Verônica (minha filha) quase congelamos com o ar
condicionado no máximo. Quem assiste naturalmente fica dividido entre o
mito e a racionalidade desse clássico episódio bíblico. O diretor
Redley Scott, sempre fascinado por antropologia, humaniza Moisés,
atualiza a leitura da bibliografia judaica, porém insiste na
possibilidade humana de sintonizar forças e inteligências de outras
dimensões do universo. Para ele os fenômenos relatados continuam sendo
metáforas de situações-limite da existência. O homem vê Deus como uma
criança petulante e Deus vê o homem como um adulto que não abandonou a
infância. Legal.
Sidnei* -Difícil a relação do homem com Deus, não acha?
Sidnei* -Difícil a relação do homem com Deus, não acha?
Dalmo - Relação de amor e ódio, até que as polaridades se tornem
uma coisa só. Demora milhões de anos.
S- Nós inventamos Deus fora de nós
e o vemos como uma outra pessoa ou outro ser. Na visão de Santo Agostinho isso
é pecado. O que você pensa disso?
D- Agostinho via o pecado como
como um desvio natural que precisa ser corrigido diariamente. Nós não
inventamos Deus, ele sempre esteve em nós. Como somos humanos, Deus obviamente
se torna humano, lutando contra o exterior (os instintos). Se negamos a
razão e
cultivamos a animalidade, Deus desaparece, embora permaneça oculto. Na
medida que avançamos na razão Deus deixa de ser alguém (pessoal) e passa
ser alguma coisa não humana. Kardec pergunta aos Espíritos o que é Deus
e não quem é Deus. Zenon o definiu como o Logos Spermatikus. Nossa
semelhança com Deus é a mente e não o corpo. Spinoza e Einstein definem
Deus com a mente universal.
S- Estava vendo alguns vídeos
ontem que contestam a teoria evolucionista. Inclusive um que afirma que o ser
humano vive na terra há bilhões de anos. E, num certo ponto lá, o autor fala
que admitir a teoria evolucionista seria considerar o homem apenas matéria,
quando na verdade trata-se se matéria, mente e consciência, de acordo com
religião védica.
D- A oposição criacionismo versus
evolucionismo é ideológica e maniqueísta. Darwin só corfirma Deus como uma
inteligência que atua pelas leis da natureza e não como magia simples. A tese
de Teilhard Chardin (Fenômeno Humano) é a que mais se aproxima da leitura
científica. A tradição védica é amelhor de todas elas (Doutrina Secreta de
Helena Blavatsky). A Gênese de Kardec faz uma síntese de tudo isso.
S- No caso, o Autor afirma que a
comunidade científica esconde evidências de forma a manter uma ditadura do
conhecimento e evolucionismo para preservar as suas carreiras. Mas, o que achei
interessante mesmo é que a consciência individual evoluiria também e numa
velocidade diferente do corpo físico, o que justificaria os ciclos e a presença
aqui há muito tempo do que admite a nossa vã filosofia.
D- É provável, pois instituiu-se
uma luta ideológica entre pseudos cientistas e pseudos teólogos. A briga se
enveredou para uma disputa de argumentos sem fim e perdeu o foco e a razão.
Provar versus negar. A evolução da consciência é atemporal, embora precise do
tempo biológico na fase inicial.
S- Agora, como é possível suportar todo o saber e todas as nossas experiências num único corpo físico sujeito ao tempo e numa vida tão curta. Seria preciso muito mais anos ou será que somos tão amaldiçoados que temos apenas que nos conformar com a nossa finitude e as nossas escolhas erradas?
D- Seria impossível. Uma
existência física é um limite para realizar experiências que precisam ser
contínuas, em outras existências. Isso acontece em todas as formas e sêres.
Dormimos no Mineral, sonhamos no Vegetal, acordamos parcialmente no Animal e
finalmente caímos em si no Hominal. E as crises continuam...
S- Difícil. Deus então seria
totalmente racional? Ou melhor, o caminho é através da razão? Como fica a
providência nesse caso, então?
D- Segundo os entendidos é a
Razão, não a razão humana, cheia de lacunas e incompleta. Razão Plena. Somos
uma imitação.
S- A Força, de Guerra nas
Estrelas, por exemplo?
D- Providência são as leis da
Natureza, intervenções espontâneas. A Lei do Amor e da Justiça são expressões
da inteligência divina, provisões divinas para corrigir erros no percurso humano. A
Providência ainda é incompreensível pela razão humana. As "fêmeas"
compreendem, embora não saibam explicar. Elas são um ótimo exemplo de providência,
enquanto os "machos" são exemplos de provisão. Aquele roteiro filmado
por George Lukas é uma metáfora da lei da polaridade universal e quem também se
manifesta no interior humano. No planeta Terra existe o mito dos Dragões se
opondo ao Cordeiro, há muitos milênios.
S- O que é a suposta consciência
da realidade, que leva ao livre arbítrio e etc?
D- Percepção do tempo. Se
entendermos o tempo, assumimos o controle das circunstâncias. A maioria de nós percebe o tempo de forma distorcida e não temos o controle das situações.
S- Percepção do tempo? O que vem a
ser isso? O tempo a que estamos sujeitos?
D- Tempo biológico (cronológico) e
tempo psicológico (mental). Kronos e Kairós dos gregos. A fusão desse dois
tempos é a consciência.
S- Mas, quem é o senhor do momento
oportuno? Nós ou a divindade? Isso causa muita frustração.
D- Creio que é a Divindade,
enquanto nossa percepção for limitada. Ao ampliar a percepção a Divindade
permite o amplo uso do livre arbítrio. Mesmo porque nesse processo contínuo
cometemos tantos erros que seria impossível termos liberdade total de ação.
S- Trata-se então de ampliar a
percepção. Mas essa ampliação não ocorre somente através do livre arbítrio?
Então como atingir? Então a Divindade estaria sendo paternalista conosco?
D- Essa é uma imagem pedagógica
criada por Jesus ou pelos tradutores dos Evangelhos. É uma imagem que se
aproxima muito das tentativas humanas de compreender Deus. O tempo e a
percepção que temos dele é chave do Universo. Einstein não veio ao mundo só
para mostrar a língua.
S- Os próprios princípios da
física quântica, a dualidade onda/partícula e a interferência da observação
humana na formação da realidade. Mas, nada disso dá conta da imensa solidão que
sentimos nessa terra insuportável e do silêncio da divindade. Do jeito que
coisa anda nunca encontraremos Kairós e se encontrarmos não o reconheceremos.
Toda a nossa vida, nossos propósitos, projetos, carreira e tudo o mais está
orientado por Chronos. Ele é o senhor deste mundo: Chronos, o devorador.
D- Inexovável. Mas temos a mente,
inviolável, exclusividade divina em nós. Não dependemos só do relógio. Temos a
Bússola.
S- Acho que eu desanimei.
D- Você sabe que muitos assassinos
(psicopatas) matam porque sentem a ausência da figura paterna ou materna, que
também é incapacidade de compreender Deus. Incapacidade de amar. Os que se
matam também sofrem essa crise. Matar a si é uma tentativa de matar Deus.
S-
Aí a crise já enveredou para a aniquilação do próprio ser. A impressão
que dá é que fomos abandonados aqui e foi dito: se vira malandro, agora é com
você. Tipo jogos vorazes sabe? Onde está o amor em tudo isso? Se formos
analisar bem, este mundo é um absurdo total.
D- Adaptação. Quando Deus quer
falar com o homem de forma mais dura, ele diz: Adapte-se! Assumir o comando da
própria vida é isso.
S- Olha, Dalmo, não tenho dúvidas
que essa experiência nossa aqui é muito enriquecedora. Seria maluco se não
dissesse isso e jamais teria sentido o amor se negasse o fato. Mas, cara, como
é duro.
D- A dor e o destino. Os doze
trabalhos de Hércules.
S- Então, isso que é o ótimo da
coisa. Mas é o medo que dá, a sensação de que a ponte é curta demais, que o
bicho está te alcançando. Isso é que é foda. Vou te falar uma coisa, quando eu
morrer e chegar lá não sei onde e tirar o espectro do meu corpo e ficar somente
o espírito, direi a quem me receber: pô, meu, dá um tempo, a coisa toda é muito
louca.
D- Dá um tempo.... Quanto tempo
mais?
S- A eternidade, eu acho... kkkk
D- Se for preciso. Alguns dizem
temos essa prerrogativa. Outros dizem que não.
S- Acho que o limite é a
paciência. Será que é infinita como o amor ou são a mesma coisa. Acho que não
né, senão não haveria apocalipse e outras ameaças.
D- Os chineses afirmam que a
paciência é a mais difícil das virtudes. Levam-se milênios para se conquistar.
*Sidnei Malena é sociolólogo e advogado. Trabalhamos juntos em São Paulo como educadores na segunda metade década de 1980.
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