sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Um cartão de crédito com nome de Bezerra de Menezes

O apóstolo Paulo na prisão: reflexões e recomendações sobre as implicações da ética cristã


O Lar Fabiano de Cristo, entidade assistencial carioca de origem espírita, lançou o projeto de um cartão de crédito denominado OBEM - Organização Bezerra de Menezes, em parceria com uma empresa especializada. O negócio dará ao Lar 13% dos lucros da comercialização do cartão, ficando 87% com a empresa proprietária do cartão.

Trata-se de um negócio totalmente lícito, do ponto de vista financeiro e tributário, porém duvidoso, inconveniente e até perigoso do ponto de vista ético, já que o nome Bezerra de Menezes,muito caro e emblemático ao universo espírita, está sendo usado como símbolo principal de propaganda financeira. O nome Bezerra de Menezes não pertence ao Lar Fabiano de Cristo, muito menos a entidade financeira em questão, mesmo que a intenção e os fins sejam inquestionavelmente honestos. O que se questiona é o aspecto ético dos meios (e não dos fins) da utilização de um nome cuja reputação em certos meios espíritas é considerado “sagrado” e incompatível com as conseqüências que esse negócio pode ter. O jornalista Luciano dos Anjos foi a primeira voz a dar o alerta sobre esse risco e enviou-nos um manifesto explicando sua reação. Ele conhece a seriedade do Lar Fabiano de Cristo e é amigo pessoal de alguns de seus dirigentes e, mesmo assim , não deixou de fazer esse alerta, ou seja, cumprir aquilo que ele chama de “dever espírita”. Dias depois enviou-nos outro texto, dirigido à uma amiga voluntária do Lar justificando e reafirmando essa sua decisão.

Eis o trecho do primeiro manifesto:

"(...) O pior é que neste nosso caso ainda usam o nome respeitável de Adolfo Bezerra de Menezes para servir de argumento de venda do produto. O projeto (ou projétil?) já surge ornado de pompom acetinado (ou pom-pom militar?), para melhor encantar e atrair os distraídos. Nada mais vendável do que o nome consagrado de Bezerra de Menezes, que acaba de descer das alturas da sua condição de espírito altamente evoluído para, em comovente mensagem, estimular e apoiar a jogada financeira. O cartão de crédito se chama OBEM, sigla de Organização Bezerra de Menezes, o benfeitor que carimbou o negociarrão. Como acreditar? Por qual médium? Onde? Em que reunião?

Mas Bezerra não é aquele inesquecível médico dos pobres, que deu o anel de grau para ajudar uma infeliz mulher à sua porta com dificuldades graves? Ele, que sempre deu, que nunca pediu nada para si, que largou o mundo da política para se preservar das implicações conjunturais dos acordos e negócios, logo ele resolveu agora apoiar o “cartão de crédito dos espíritas”? Naturalmente sua próxima manifestação será de garoto propaganda, induzindo os espíritas a aderir em massa. Afinal, Bezerra sempre foi muito bom de marketing. É usado em eleições; por que não ser aproveitado no lucrativo ramo dos negócios?

E depois, quando o pai ou a mãe de família por qualquer razão não puder quitar a fatura? Bezerra vai instruir para que alguém ceda mais um anel, ou, como fez o pai do André Luiz com o amigo Silveira, vai mandar para o cartório executar a dívida, tomar até a geladeira, a televisão, a bicicleta do filho do devedor? E daí? Devedor que é devedor não tem de escapar da cobrança. Quem mandou se endividar? Tomasse vergonha e não gastasse sem poder. Agora que se arranje com a lei. Que seja até despejado, com família e tudo. É o carma. A Organização e seus ilustres dirigentes é que não podem arcar com o prejuízo. “Business is business”.

Sobre as razões do Lar, Luciano dos Anjos fez o seguinte lembrete, que serve de exemplo para todas as instituições espíritas que se enveredam por caminhos semelhantes:

“Contudo, em minha apreciação o Lar Fabiano de Cristo cometeu ou quer cometer o mesmo erro fatal que cometem muitas instituições, centros, grupos, hospitais, a despeito do ideal espírita que os fundou e mantém. Acabou dando passo maior do que podia. Cresceu demais, assumiu responsabilidades demais e, agora, fica imaginando meios de suprir suas necessidades e de manter sua gigantesca estrutura assistencial. Nessa hora, como ocorre a qualquer pessoa de bem, acentua-se a ansiedade, aumenta a adrenalina e, então, começam a explodir ideias e projetos estapafúrdios. Considero válidos todos esses esforços, mas não todos os meios. E se acontece o envolvimento indevido do espiritismo, asseguro que nenhum espírito iluminado dará cobertura, sequer endosso indireto. Se faltam recursos, os rumos e gastos devem ser revistos”.

Mais detalhes sobre o projeto OBEM: http://www.clubedearte.org.br/obem.html

4 comentários:

Anônimo disse...

Não vejo problema algum em uma Instituição beneficente adotar esse "convênio" com uma administradora de cartão de crédito e se beneficiar da utilização dele. Só terá esse cartão quem tiver a intenção de ajudar a Instituição. O único porém, para mim, de fato, é o nome de Dr Bezerra. Não há necessidade de envolver seu nome no projeto. Por que não "Lar Fabiano de Cristo"?

Anônimo disse...

Se é questão de nome, porque não OLAR? Totalmente imprório, o uso indevido do nome de Bezerra no cartão de crédito. Tampouco, Fabiano de Cristo, apóstolo da caridade, apoiaria tal medida. Há que se ter recato com o trato das coisas que envolvem espíritos luminares.

Anônimo disse...

Não vejo nenhum mal na utilização desse cartão para tal fim. É bem melhor do que usar argumentos como o dízimo. OBEM pode significar- O Bem É Maior!

Humberto Nogueira disse...

A questão é complicada mesmo. O cartão de crédito é licito, podemos fazer campanha para ligar pro cartão e dizer que vai deixar de fazer por esse motivo, o que levará aos administradores deixar de usar o nome dos benfeitores espirituais. O cartão já tem nome "OBEM" basta esse nome, e claro, apoiaremos sem problema, uma vez que a renda trará beneficios a divulgação espírita.