terça-feira, 19 de junho de 2012

Arigó, por J. Herculano Pires

O site PENSE-Pensamento Social Espírita está disponibilizando em seu acervo digital algumas “novas” raridades, entre elas essa edição de “Arigó”, de J. Herculano Pires, publicada pela Editora Paulo de Azevedo e com carimbo da Livraria Francisco Alves. É o décimo volume da coleção Contrastes e Confrontos. Como sempre, Herculano dá um show de erudição e precisão doutrinária ao descrever as peripécias do grande médium de Congonhas do Campo. São 100 páginas e 16 capítulos de luzes e curiosidades.

http://www.viasantos.com/pense/livros.html

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O pequeno grande Chico

Um pequeno trailer de um desenho animado em série sobre Chico Xavier está circulando pela internet. O vídeo intitulado Little Great Chico (literalmente O pequeno grande Chico) foi postado anonimamente no Youtube e noticiado por vários blogs de conteúdo espírita. O trabalho só possui versão em inglês e exibe apenas essa legenda explicativa:

“Preview of the upcoming animated series Little Great Chico, about the tales told by Chico Xavier about his childhood”.

Little Great Chico Trailer

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Casos desta vida e da outra, mas nada de assustar.


Jáder dos Reis Sampaio, criador e redator do blog Espiritismo Comentado (um dos mais lidos e seguidos no movimento espírita digital), está publicando pelo Instituto Lachâtre seu mais novo trabalho: “Casos e descasos – na casa espírita”.

O livro marca uma nova fase na carreira do escritor, mais conhecido pelos seus ensaios lúcidos e curiosos sobre a memória do Espiritismo. Esta novidade é uma parceria mediúnica com um espírito amigo e produto de um longo esforço de treinamento e sintonia psicográfica.

O lançamento será neste sábado, 2 de junho, em Belo Horizonte, no próprio cenário onde se desenrolaram os escritos do nosso caro pesquisador e ativista, no auditório da Associação Espírita Célia Xavier, rua Coronel Pedro Jorge 314, Prado. Esquina com rua Chopin, das 18:15 às 19:30 horas.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Remorso e arrependimento

Decapitação de São Paulo, por Enrique Simonet, 1887


O ex-delegado do DOPS, Claudio Antonio Guerra, do Espírito Santo, fez recentemente revelações bombásticas sobre crimes cometidos por ele, inclusive durante o período da ditadura militar, especificamente na décadas de 1970 e 1980, quando atuava junto às força de repressão. Guerra confessa assassinatos e dá informações sobre militantes de esquerda desaparecidos naquele período, cujos corpos, segundo ele, foram incinerados numa usina de açúcar na região norte do estado do Rio de Janeiro.

As revelações de Guerra foram feitas num livro, em vídeos pela internet e publicadas no portal do IG esta semana. Além dos crimes, o ex-delegado faz revelações sobre personalidades marcantes da repressão, cujas histórias permaneceram obscuras por longos anos. Guerra está sob proteção da Polícia Federal e deverá depor na Comissão Verdade, sobre a lei de anistia e os crimes políticos da ditadura.

Mas o que nos chamou atenção nesse caso é a concepção teológica que o ex-delegado vem realçando em suas declarações.

Preso durante sete anos, Guerra se converteu ao protestantismo e, numa crise natural de consciência, decidiu se livrar do remorso e ingressar na sofrível experiência do arrependimento. Sem dúvida, é um ato até natural, já que aos 71 anos, o novo crente já vislumbra a morte do corpo e certamente o temido encontro consigo mesmo e com algumas vítimas das suas atrocidades, seja em perseguições mentais , seja em confrontos reais com aqueles Espíritos mais vingativos que não conseguem perdoar seus algozes. Este é um caso curioso e didático para aprendermos como funciona esse processo de regeneração psicológica e moral. Não é de se estranhar e é até compreensível que as igrejas também o transformem em modelo e propaganda de conversão.

A culpa e o remorso funcionam inicialmente como vetores das mudanças internas, caracterizadas pelo entusiasmo e euforia. Trata-se do primeiro passo para o arrependimento. Depois vem a fase da tomada de consciência, na qual o devedor sofre o choque de retorno das suas ações. Isso só ocorre de forma positiva e transformadora se realmente houver arrependimento, caso contrário fica apenas como punição ou expiação dos erros, fato que iria ocorrer mais cedo ou mais tarde por força da lei de ação e reação, independentemente da sua vontade ou da sua crença.

Os crimes contra a vida, como nos ensina O Livro dos Espíritos, são os mais graves porque alteram bruscamente os programas reencarnatórios das vítimas e suas complexas ligações familiares e sociais. Nesses casos as reparações são adiadas e não podem ser feitas somente numa existência. O errante deve voltar quantas vezes for necessário para reparar as vítimas diretas ou indiretas dos crimes cometidos.

Na concepção teológica católica e protestante, basta o arrependimento para obter o perdão de Deus. Certamente, se obtém o perdão de Deus, mas isso não significa o esquecimento dos crimes nem das vítimas. Essa idéia individualista da justiça Divina difundida nas igrejas até consola e dá forte esperança aos criminosos, mas não os livra dos choques de retorno. Esses se manifestam por força natural e podem até mesmo serem protelados, caso a Justiça Divina julgue que o criminoso ainda não possui maturidade moral para suportá-los durante a fase de arrependimento. Isso é sintomático. Quando o arrependimento se aprofunda e a consciência desperta, os choques de retorno vêm com mais força, já que o errante já possui condições morais para suportar as cobranças. Isso está claramente advertido nas Bem-Aventuranças do Sermão da Montanha. Não há sofrimento para os inocentes e sim para aqueles que verdadeiramente se arrependeram e se encontram em condições de reparar, seja como for, os seus erros do passado. Não há outra forma de realizarmos o “Sede perfeitos” senão conquistando passo a passo a perfeição relativa e possível aos seres humanos.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Aliança comemora os 50 anos do CVV



O número 440 do jornal O Trevo, órgão da Aliança Espírita Evangélica e da Fraternidade dos Discípulos de Jesus, dedicou a edição do mês março aos 50 anos do CVV.O motivo da comemoração é que as duas instituições possuem uma origem institucional comum: a Escola de Aprendizes da Federação Espírita do Estado de São Paulo.


Acesse e leia pelo link a edição em pdf.

http://www.alianca.org.br/v2/banco_downloads/trevo_marco_2012.pdf



quinta-feira, 29 de março de 2012

Os médiuns, seus fenômenos e suas provas


Luciano dos Anjos nos mandou a versão revisada do seu texto sobre o caso das materializações de Uberaba. Na época as sessões foram denunciadas como fraude pela revista O Cruzeiro, a mesma que tentou “desmascarar” Chico Xavier e acabou sendo realmente desmascarada por Emmanuel, como foi fielmente retratado no filme de Daniel Filho. Herculano Pires levava tão a sério esse negócio de ética profissional que ao tocar nesse assunto não citava os nomes dos jornalistas envolvidos.

Nesse caso, a revista O Cruzeiro queria destruir a reputação do Espiritismo e encontrou na pessoa da médium Otília Diogo (foto) a oportunidade ideal para fazer o estrago pretendido. Luciano conta a história em detalhes e mostra o valor institucional das entidades federativas na defesa da doutrina e dos seus seguidores.

Mas o que mais nos chamou a atenção nesse caso foi a condição humana de Otília Diogo, filha da união proibida de um padre e uma freira, portadora de mediunidade de efeitos físicos, compromissos pesadíssimos com a difusão das verdades espirituais, pela sua base fenomênica, e com parcos recursos materiais e morais para suportar as graves provas da sua tarefa.

Na história do Espiritismo esses médiuns quase sempre não assimilam a moral doutrinária e muitos, como as Irmãs Fox, D.D. Home e Hary Slade, nem cogitavam das origens e repercussões das suas faculdades. Uma das meninas de Hydesville tornou-se alcóolatra, Home não compreendia a reencarnação e Slad terminou seus dias internado num manicômio. Eles vêm e vão como os furacões, provocando os sinais de graves mudanças , porém se tornam vítimas da própria força por eles desencadeadas, falhando exatamente naquilo que todos nós falhamos: nossos pontos fracos (vícios e defeitos) e a cobrança implacável dos inimigos de outros tempos.

Algumas dessas histórias revelam facetas impressionantes das misérias humanas de perseguições, mentiras, calúnias horrorosas, vaidades, vinganças; e também a oportunidade de redenção pela auto-humilhação, a oferta da outra face, a preciosa chance de ajudar os semelhantes e principalmente a vivência dolorosa das bem-aventuranças, por meio da mediunidade.

Oremos por eles, porque os perseguidores e perseguidos passarão pelas mesmas provas e um dia sentarão à mesa para dividir e saborear o pão do Evangelho.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Francisca Júlia Silva por Chico Xavier

Francisca Júlia da Silva (1871-1920), inspiradora do Centro de Valorização da Vida


"No término das nossas atividades, na reunião da noite de 13 de outubro de 1955, foi nosso amigo André Luiz quem compareceu, através do médium, induzindo-nos a serenidade e coragem. Após uma mensagem, apresentou-nos a irmã Francisca Júlia da Silva, que, havendo atravessado aflitivas provações, à morte do corpo físico, atualmente se propõe trabalhar no combate ao suicídio.

Rogamos, assim, alguns minutos de silêncio, a fim de que ela possa transmitir sua mensagem.

Logo após André Luiz retirar-se, a poetisa anunciada tomou as possibilidades mediúnicas, com maneiras características, e renunciou o belo soneto que ela própria intitulou com o expressivo apelo".


Lutai

Por mais vos fira o sonho, a rajada violenta

Do temporal de fel que enlouquece e vergasta,

Suportai, com denodo, a fúria iconoclasta

E o granizo cruel da lúrida tormenta.


Carreia a dor consigo a beleza opulenta

Da verdade suprema, eternamente casta;

Recebei-lhe o aguilhão que nos lacera e arrasta,

Ouvindo a voz da fé que vos guarda e apascenta.


De alma erguida ao Senhor varai a sombra fria!...

Por mais horrenda noite, há sempre um novo dia,

Ao calor da esperança – a luz que nos enleva...


A aflição sem revolta é paz que nos redime,

Não olvideis na cruz redentora e sublime

Que a fuga para a morte é um salto para a treva.


In "Vozes do Grande Além"

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A Torre do Tempo



O casal percorre um dos longos corredores da Torre do Tempo, edificação muito conhecida na grande metrópole espiritual Esperança. A torre de muitos andares não é a única naquela vasta paisagem que parece ser a extensão de uma grande região serrana entre São Paulo e Minas Gerais, sendo até de menor expressão arquitetônica entre aquelas que abrigam as atividades diretoras e funcionais da cidade. Entretanto, mesmo estando deslocada da região urbana central, pois foi erigida na parte mais alta do vale, ela é uma das principais referências visuais da metrópole, exatamente porque, semelhante aos grandes templos da Antiguidade, tem um significado emblemático para os seus habitantes.
A Torre tem o formato de uma pirâmide, revestida externamente de material eletromagnético que lembram as modernas telas de cristal líquido de televisão e dos computadores. A edificação pode ser observada de qualquer ponto da cidade e se move em sentido circular sobre uma base vítrea, rodeada pelas águas de um enorme lago que não nos pareceu artificial. Por mecanismos que ainda desconhecemos na Terra, a torre gira em torno de si mesma e, semelhante a um gigantesco e vivo diamante, muda de coloração ao receber milhares de sinais vibratórios vindos de todos os pontos urbanos. O movimento luminoso espetacular dessa enorme antena de recepção e emissão somente poderia ser comparado, de longe, ao fenômeno da aurora boreal encontrado nas regiões frias do Polo Norte.
Como nas grandes metrópoles, Esperança nunca dorme, porém, no período noturno, parte significativa dos habitantes descansa de inúmeras formas, incluindo o sono. Nesses momentos de repouso a Torre recebe a maior carga de emissões energéticas mentais ampliando um espetáculo visual maravilhoso que gostaríamos de descrever nos mínimos detalhes, mas que a linguagem escrita e as limitações das nossas analogias não podem dar conta, tamanho o espanto que causa nos visitantes.
O corredor no qual o casal caminha em busca de esclarecimentos é muito extenso percorrendo três lados da torre, sendo repletos de salas e auditórios, e leva ao Centro de Estudos Existenciais, ponto central e nervoso do edifício e que se intercomunica com outros departamentos de pesquisa e atividades reencarnatórias. Como nas demais descrições sobre cidades do Além, a Torre do Tempo em Esperança possui três grandes centros, compostos de inúmeros núcleos de experiências teóricas e treinamntos existenciais. Tais núcleos são agrupados por afinidade de conhecimento e interesse em cada um dos grandes centros denominados e dispostos aquitetonicamente de acordo com as suas respectivas vocações:
O Instituto do Passado e do Inconsciente, cujo símbolo é a memória e o eixo de estudos são as reminiscencências; o Instituto do Presente, tendo como símbolo a consciência e como eixos temáticos a regeneração e os campos de provas; e o Instituto do Futuro, tendo como símbolo a superconsciência e eixo temático os planos de vida e evolução.
Como junção dos três institutos de pesquisa, a torre pirâmidal tem no seu âmago, que vai da base até o topo, uma grande mandala geométrica, que também muda sua posição bipolar, de baixo para cima e de cima para baixo, conforme a intensidade de vibrações captadas no plano externo, representando ora o Universo, ora a Mente; ora a Existência, ora a Consciência. Quem ali permanece para observar, estupefato, dependendo da capacidade e interesse de percepção, é tocado intimamente pela dinâmica visual e psíquica (pois não são apenas os sentidos comuns que ali se manifestam), e vê num instante um grande relógio funcionando no sentido horário e objetivo; e num outro instante uma enorme bússola indicando subjetivamente o norte que todos anseiam. Em alguns momentos a o relógio a bússola se interpenetram, demonstrando as curiosas nuances da interconexão entre corpo e mente
Chegando a um dos núcleos do Instituto do Futuro, o casal é conduzido por assistentes de informação para um vasto salão onde centenas de espíritos aguardam instruções. Com exceção dos servidores que ali laboram, as vestimentas dos frequentadores são muito semelhantes as que usamos em nosso plano, guardando as devidas diferenças de gosto e época nas quais os usuários viveram quando encarnados. Os trajes e acessórios típicos das primeiras décadas do século 21, bem como os mais recentes, tinham aparência nova e caimento harmonioso, refletindo o estado intimo dos portadores.
Os participantes conversavam em pequenos grupos e poucos permaneciam isolados, já que o ambiente era convidativo para o contato humano e afetivo. Mesmo aqueles que se mostravam introspectivos tinham a companhia de alguém, também em postura discreta e disponível para ouvir qualquer manifestação, verbal ou não. O casal logo é acolhido por um dos grupos, cujas conversas revelam uma preocupação comum: a dificuldade cada vez mais crescente de reencarnar em ambientes idealizados, restando somente as opções que a maioria receia, por não ter condições morais para enfrentar os desafios. Chama a nossa atenção nesse grupo o tema discutido abertamente entre os participantes: egoísmo e o comportamento defensivo. Alguns não se constrangem em revelar que falharam gravemente nesse aspecto e que agora lamentam a falta de oportunidades para renascer em corpos e núcleos familiares e amigos. Alguns relatos são tocantes e causam comoção em alguns integrantes daquela conversa franca e informal. Nenhum deles se atreve a comentar as experiências dos outros fazendo qualquer tipo de juízo a respeito do que ouvem no círculo.
Eles estão sentados em poltronas confortáveis e no centro do grupo surgem espontaneamente, em pequenos intervalos, imagens holográficas, as quais projetam situações reais de pessoas encarnadas. Nessas imagens tridimensionais os encarnados expressam de maneira enfática pontos de vista e justificativas para o modo de vida que adotaram a partir de determinados momentos das suas existências. As cenas causam entre os expectadores do grupo reações que vão da decepção até as mais profundas reminiscências de culpa e remorso. Numa delas, um jovem casal participa de um programa de televisão sobre o curioso mercado de pet shops e sua variedade de serviços: banhos, produtos de higiene, embelezamento e até festas de aniversário dos bichinhos, com farta mesa de comes e bebes para os convidados. A cena faz calar o grupo quando a entrevistada diz que ela e o marido fizeram a opção de “não ter filhos”, escolha, segundo ela, pensada e madurecida a dois. Terminada a entrevista, o holograma virtual se desfaz e o grupo volta para as suas reflexões pessoais.
Nesse momento o casal recém chegado pede licença para se retirar e se dirige a um dos assistentes de informação, que observam atentamente as discussões dos grupos. Incomodado, o casal que se retira quer saber onde buscar novas orientações, palestras ou aconselhamento terapêutico mais específico. Depois de uma longa conversação com um dos assistentes, este sugeriu que buscassem um núcleo do Instituto do Presente a permissão para freqüentar uma escola de adaptação de crianças recém desencarnadas. O casal já entendera matematicamente o desequilíbrio entre a demanda e oferta de corpos e ambientes afins para reencarnação. Quando encarnados, não cultivaram os laços familiares, afastando-se até mesmo daqueles que haviam lhes permitido a experiência na carne. Arrependidos, não conseguiam se aproximar dos entes encarnados. As portas da afinidade estavam fechadas. Todavia, poderiam abrir novos caminhos. Poderiam frequentar por algum tempo esse núcleo infantil, onde compreenderiam melhor a vivência da paternidade e da maternidade. Eles observariam, em estudo sistemático de aprendizagem , o encontro de pais encarnados e filhos desencarnados, durante o período de sono físico. Presenciariam de perto a dor da separação e a angústia da saudade. A volta à carne de que tanto precisavam só seria possível em ambientes "estranhos" e socialmente precários. Seria também o início de uma conquista gradual do altruísmo.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

MPF vê ameaça a patrimônio de Chico Xavier


Aspecto interno da casa de Chico Xavier. Foto de Caio Marcelo


09 de fevereiro de 2012 | BELO HORIZONTE - O Estado de S.Paulo

O patrimônio deixado por Chico Xavier está se deteriorando com a romaria que vai à casa do médium em Uberaba, no Triângulo Mineiro, quase dez anos após sua morte. Foi o que constatou o Ministério Público Federal (MPF), que entrou com ação para que a União, o Estado e o município providenciem o inventário e o tombamento dos bens deixados pelo médium.

Na ação, a procuradora Raquel Silvestre diz que, apesar de reconhecerem o valor cultural e histórico do patrimônio, "os réus nada fizeram para conservá-los". Atualmente, os bens de Xavier estão expostos na casa onde morou boa parte da vida, transformada em museu por seu filho adotivo, Eurípedes dos Reis.

No local, há livros, esculturas, imagens sacras, mobiliário, fotos, roupas, documentos e outros bens. Mas, segundo a procuradora, os itens estão sem identificação e proteção. Para o MPF, no estado em que se encontram, os bens de Xavier correm risco de "se extraviar e deteriorar".

O coordenador de Patrimônio Museológico do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Cícero Almeida, sugeriu "análise e seleção criteriosas" do patrimônio antes do tombamento. "Há coisas mais importantes e outras menos. Com a medida, o Estado terá responsabilidade sobre coisas sem importância, porque essas medidas geram impacto para o Estado e para o particular. Lá também é uma casa", ressaltou.

Para Raquel, é necessário o tombamento para que se crie a obrigação de conservar as características originais do patrimônio. Ela lembra que a medida administrativa não significa ingerência sobre os bens por parte do poder público. O Estado não conseguiu contato com Eurípedes dos Reis.

MARCELO PORTELA

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Tédio e quinze minutos de fama

Andy Warhol e Pelé em Nova York nos anos 70: celebridades não tão efêmeras


O fenômeno Luiza no Canadá nos dá uma pequena noção do que é o mundo que estamos vivendo e como vai ser nos próximos trinta anos. Luiza tornou-se uma celebridade instantânea, em função de um comercial regional da TV, confirmando a profecia do artista plástico Andy Warhol de que no futuro todos seríamos famosos por quinze minutos. A visão profética de Warhol aconteceu no final dos anos 60 e até hoje é sempre lembrada quando coisas assim aparecem nos meios de comunicação. Como acontece também com o BBB, as massas se deliciam, pois têm a sensação artificial de que estão fazendo parte dessa coisa; os artistas dão risadas, os intelectuais se irritam, os desinformados ficam abobados e completamente perdidos nas conversas; e assim o factóide rapidamente vai se espalhando como uma praga informacional.

Esse é o nosso mundo, realidade intensamente vivida por pessoas de todas as idades nas redes sociais da internet. Não vale a pena se irritar, espernear, xingar nem fazer discursos suspeitos de apologia da inteligência. Isso só vai demonstrar a nossa insegurança e incapacidade de lidar com o fenômeno; e de quebra vamos ser chamados pejorativamente de “dinossauros da Era do Texto Plano”, de uma época em que gastar papel e tinta era sinônimo de superioridade mental. As coisas não são mais como eram e vão piorar para quem ficar de boca aberta esperando trem bala passar. Muitos de nós, da Era Industrial do século passado, podemos nos pós-modernizar e nos adaptar à uma boa parte dessas mudanças. Isso não significa ficarmos “ultra moderninhos” e , da noite para o dia tentar fazer tudo aquilo que as gerações y e z estão fazendo com os pés nas costas.

Voltando ao assunto, agora Luiza está no Brasil e tenta prolongar o prazer da fama por mais quinze minutos, metaforicamente falando. Se conseguir, será uma proeza, pois tudo indica que cairá no ostracismo assim que surgirem outros fenômenos para combater o tédio social e a falta de perspectiva que todos estão vivendo. Se isso persistir, vai acontecer outra coisa interessante e que já ocorreu em outras épocas: vamos voltar ao passado, numa nova onda de nostalgia, para suprir essa insuportável convivência com o presente e a incapacidade de visualizar o futuro.

Que época antiga iremos cultivar? Os anos 80 e 90? Ou vamos voltar ao século 19, quando toda essa crise começou, enchendo as morgues de desencantados e suicidas?

Outra solução naquele tempo foram as guerras, cuja moda avançou no século 20, sacudindo com cem milhões de mortos o mundo tomado pela mesmice dos sistemas.

Uma dúvida cruel como essa só tem um remédio: ler um bom livro, nem que seja esse sobre o Steve Jobs.


Morgue de Paris em 1867: atração para o turismo de massa


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Ainda sobre as mortes prematuras

A propósito do assunto mortes prematuras, lemos e reproduzimos a notícia sobre a morte da menina paquistanesa que se tornou símbolo das obras sociais da Microsoft:


"Arifa Karim Randhawa, que ficou famosa quando se tornou com somente nove anos na pessoa mais jovem a obter um certificado profissional da Microsoft, morreu em um centro médico da cidade oriental de Lahore.

A menor, que segundo fontes hospitalares tinha 14 anos, sofreu um infarto no dia 22 de dezembro e os médicos se mostraram muito pessimistas com a previsão médica, embora a família ainda tivesse esperanças de que sobrevivesse.

"Estamos chorando sua perda mas era uma menina muito forte. Era um presente de Deus e agora ela voltou para Ele", disse ao "Express" um tio da menina prodígio, Ahsan Randhawa.

A especialista em informática será enterrada perto da cidade de Faisalabad, na província oriental de Punjab, da qual é originária.

Depois que Arifa conseguiu o diploma profissional da Microsoft, um assombrado Bill Gates a convidou para visitar a sede de sua companhia e tirar fotos com ele.

De família humilde, a menor, que obrigou seu pai a comprar-lhe um computador quando tinha apenas cinco anos, era uma inspiração para o Paquistão, um país com sérios problemas políticos, econômicos e de segurança, e seu caso despertou uma onda de solidariedade".

EFE/ IG

domingo, 15 de janeiro de 2012

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Semelhantes e semelhanças

O crack está literalmente quebrando as nossas fibras e pernas. É um caminho bem rápido e doloroso para o suicídio, no qual as vítimas têm poucas chances de atender aos chamados do instinto de conservação. Acabam, cedo ou tarde, se precipitando no abismo da morte trágica.

Como muitas outras instituições e grupos de ajuda, o Hospital Francisca Júlia – do Centro de Valorização da Vida, recebe constantemente alguns desses dependentes químicos, que para nós nada mais são do que pessoas portadoras de transtornos mentais. A maioria, mesmo passando pelo período de tratamento, por serem detentoras do livre arbítrio, fraqueja nas escolhas e cede ao desejo de voltar ao hábito vicioso. É uma decepção para todos: familiares, profissionais de saúde e principalmente eles mesmos. Quando isso acontece, a auto-estima desaparece quase que completamente dificultando qualquer tipo de dialogo e reflexão. Resta então confiar no tempo e numa remota esperança de reação.

A fotografia publicada na imprensa mostra a luta entre a lei e a transgressão, reflexo de uma medida governamental para limpar a área conhecida como Cracolândia, na capital paulista. Trata-se de um ponto de encontro para onde convergem dependentes químicos não só de São Paulo, mas também de cidades da região e até do litoral.

Seguindo a lei sociológica das minorias, esses dependentes se assemelham, se atraem, se agrupam e passam a criar as próprias regras de convívio e sobrevivência. Essa lei natural tem o poder de protegê-los pelo processo de adaptação. É uma cura provisória, para evitar a morte imediata. O poder público conhece essa lógica social e psíquica e toma as providências reconhecidamente paliativas, ou seja, não é garantia de que as coisas irão mudar. Juntamente com limpeza da área e a oferta de tratamento deveriam vir soluções de reinserção social, mais eficientes, porém muito onerosas.

Todos que ali estão, mesmo que afundados nessa realidade escravizadora, ainda possuem algum lampejo de dignidade e não somente a idéia fixa de satisfazer a fissura de consumo. São seres humanos que se tornaram “trapos ” e que desafiam a nossa dignidade enquanto espécie e gênero.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Médiuns holandeses ajudam prisioneiros a manter contato com Espíritos


Prisões holandesas estão usando médiuns para orientar criminosos presos, colocando-os em contato com seus parentes desencarnados.

Paul van Bree, médium clarividente, foi contratado pelos serviços prisionais holandeses para ensinar os presos "a amarem a si mesmos".

"Eu lhes digo que os parentes mortos estão indo bem e que eles os amam. O que lhes traz paz. Vi homens grandes e fortes em lágrimas", disse ele.

Van Bree, que também é astrólogo, afirma ser de uma tradição familiar de médiuns , incluindo sua mãe e avó.

O médium holandês declarou à revista De Tijd, que ele não é o único terapeuta psíquico que presta serviços para Ministério da Justiça holandês.

Ao falar como realiza seu curioso trabalho, ele explica que, conversando com os presos, e com os pais mortos dos prisioneiros, pode descobrir a chave dos problemas psicológicos para ajudar as autoridades prisionais a reabilitar os criminosos.

"Com a minha antena eu às vezes revelo informações tão importantes quanto as obtidas porum psicólogo ou um assistente social da prisão", disse. "Meu trabalho pode ser comparado aos cuidados de saúde mental no sentido mais amplo da palavra."

Justificando a adoção desse método nada ortodoxo, um porta-voz do Ministério da Justiça holandês, afirmou: "Isso não é algo que se encaixa em nosso campo de tratamento." Mas, por outro lado, o serviço de emprego holandês também lançou mão do médium usando "terapia de regressão" e cartas de tarô para ajudar os desempregados.

Anualmente, desde 2007, mais de 40 mil pessoas se inscrevem em "programas de desenvolvimento pessoal" financiados pelo Estado com base na espiritualidade.

Fonte: De Telegraaf, a partir da tradução de Carlos de Castro

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Júpter, Saturno e Marte



Algum tempo antes do nascimento, tanto na Palestina como nos países vizinhos e no Oriente, correu o aviso, dado pelos sábios assírios e caldeus entendidos em astrologia, que estava se formando, em dado ponto do Zodíaco, uma estranha e imprevista conjunção de corpos celestes: aproximavam-se Júpiter, Saturno e Marte.

Isso, diziam eles, era sinal de acontecimentos graves, podendo sobrevir cataclismos e sofrimentos imprevisíveis.
Por isso, em toda parte, o povo, ansioso e atemorizado, perscrutava os céus, noites seguidas na expectativa das desgraças anunciadas.
Mas os sacerdotes do Templo de Jerusalém sabiam que era chegada a época do nascimento do Messias de Israel e se rejubilavam esperançosos.
Nas terras pagãs da Grécia, Egito, Arábia, Pérsia e Índia as sibilas, também, já tinham, há muito tempo, profetizado a respeito do nascimento e, por isso, uma geral e profunda expectativa existia, de um acontecimento extraordinário que abalaria a vida dos homens e mudaria o destino do mundo.
Até que enfim, numa dessas noites frias e estreladas do inverno palestino quando, na profundidade dos espaços siderais, se completava a conjunção insólita, as vibrações celestiais desceram sobre Belém e envolveram a casa humilde onde o Menino-Luz estava nascendo.
E os pastores rústicos, enrodilhados nos seus mantos, nas encostas dos montes próximos, beneficiados de incrível lucidez, viram os clarões luminosos que desciam do céu e ouviram o coro inaudível dos Espíritos clamando, para todo o mundo: Glória a Deus nas alturas e Paz na Terra aos homens de boa vontade".
E assim, mais uma vez, as forças das trevas foram vencidas ...

Nota
O fato de o Divino Mestre ter sido pressentido em primeiro lugar por pastores humildes, prova que sua tarefa era de redenção para todos os homens e, deixando-se adorar por altos dignitários estrangeiros, sacerdotes de religiões diferentes, testemunhava de que sua mensagem seria de extensão universal.
Edgard Armond – O Redentor

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Humanos, animais e seus reinos

Uma telespectadora, que nos viu no Programa Fronteiras da Ciência, enviou essa dúvida sobre a convivência entre seres humanos e animais:

“Meu gato morreu atropelado e hoje faz sete dias. Gostaria de saber se eles têm alma e encarnam rapidamente; e se eles voltam a procurar seus donos”.

E respondemos:

Essa sua dúvida está respondida no Livro dos Espíritos, capítulo XI, de forma muito esclarecedora, por quem realmente sabe o que está falando. Você vai se surpreender com as respostas que tratam dos reinos da natureza e a nossa relação com os mesmos.

O aspecto que talvez nos caiba nessa questão é refletir que tipo de relação temos com os animais, que deve ser de carinho e respeito, sem ultrapassar os limites da razão e do bom senso. Não devemos nem podemos tratar os animais como se fossem humanos, porque realmente eles não são. Esperar deles atitudes e comportamentos, escolhas e decisões, relações de afetividade que vão além das regras da natureza não é amor , nem respeito. Nós , muitas vezes, atribuímos aos animais coisas que só os humanos podem fazer e perceber. Isto chama-se humanização dos animais. É o mesmo que animalizar os humanos. Um contra-senso que somente prejudica os animais e seres humanos. Foi nesse sentido que surgiu aquela ironia crítica sobre esse comportamento: "Troque seu cachorro por uma criança pobre!". Temos um cãozinho aqui em casa e nós o adoramos. Mas também o maltratamos quando esperamos dele um comportamento humano e até covardemente o deixamos constrangido quando exigimos isso dele.

Espero que você compreenda esse tema tão importante e que considere a reencarnação dos animais um assunto que não pode, nem deve ser humanizado. Deve, sim, ser compreendido como um fenômeno que regula o próprio reino no qual eles se encontram. O convívio que eles têm conosco não altera essa situação natural, como acontece em seres humanos, cujas ações e relações de escolhas geram reações de compromissos mútuos em novas existências.

Animais não estão nessa categoria natural e não podem ser responsabilizados por escolhas que eles não podem fazer.

Mais uma vez grato e parabéns pela sua coragem em questionar esse assunto, que para uns pode parecer um absurdo, mas é uma dúvida muito comum e sincera em quem convive com animais.

Abraços fraternos

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Edgard Armond por Jacques Conchon


O blog Cultura Espírita (http://culturaespirita.wordpress.com/), de Edelso da Silva Junior, tem publicado ótimas entrevistas com personalidades espíritas, pessoas discretas, que raramente aparecem em nossas mídias falando de assuntos também pouco conhecidos do nosso público. É o caso de Jacques Conchon, fundador do CVV (instituição areligiosa) e da Aliança Espírita Evangélica, falando de Edgard Armond. O vídeo foi dividido em quatro partes e detalha a trajetória do Comandante e da repercussão de sua obra dentro e fora do movimento espírita. Jacques Conchon, pernambucano de nascimento (paulista de criação) é engenheiro ambiental e iniciou sua carreira na União da Mocidade, em São Paulo. Na FEESP, no início dos anos 60, cursou a 7ª Turma da Escola de Aprendizes do Evangelho, dirigida pelo Dr. Milton B. Jardim, tornando-se o líder do grupo que lançaria as bases da futura Aliança. Afastado politicamente dessas atividades, Jacques hoje voltou às suas origens, ministrando cursos e palestras nos inúmeros núcleos da Aliança (mais de 300) e postos do Centro de Valorização da Vida (72). Imperdível.