quarta-feira, 18 de junho de 2014

Revolução iniciática no movimento espírita e outros temas

Entrevista com Dalmo Duque dos Santos feita pelo documentarista Edelso Junior sobre a revolução iniciática no movimento espírita e seus efeitos sociais.









Os vídeos divididos em quatro partes estão publicados no Youtube e no blog CULTURA ESPÌRITA.

http://culturaespirita.wordpress.com/entrevistas/


PRIMEIRA PARTE
https://www.youtube.com/watch?v=QccYPlwHUa8


SEGUNDA PARTE
https://www.youtube.com/watch?v=Q8aY_6av_8M


TERCEIRA PARTE
https://www.youtube.com/watch?v=aNHrD3V2zWE

QUARTA PARTE
https://www.youtube.com/watch?v=pkKkd2P5QLI&feature=youtu.be



domingo, 15 de junho de 2014

A pureza do olhar sobre as coisas espíritas


Como estamos construindo e aplicando a ideia da identidade, da essência e das características das coisas espíritas e não espíritas?

Como fica o absoluto e o relativo nessa discussões?

Será que realmente sabemos o que somos?

O critério "absolutamente espírita" exclui todos os livros e práticas que não sejam de autoria de Allan Kardec, o único - em tese - autorizado a dizer o que é o que não é espírita.  Todos os demais, segundo esse critério, estão "contaminados" (expressão derivada em oposição à pureza) pela ótica pessoal dos seus autores sobre a doutrina criada por Kardec. 

"Pureza" doutrinária é uma expressão que deveria ser banida do nosso movimento, porque nenhuma pessoa, núcleo ou instituição pode se afirmar segura e doutrinariamente pura. Nem Kardec sustentou ou sustentaria essa tese absoluta de pureza, já que permitiu e discutiu, por exemplo, introdução da doutrina cristã (oriental, judaica e romanizada) no movimento espírita nascente. Pelo contrário, ele sempre promoveu o diálogo e o convívio com outras formas de pensamento.

Penso que o termo pureza é sectário, inadequado e exclusivista, para não dizer arrogante.

Deveríamos encontrar e aprender outras formas de dizer o que somos e quem somos, sem demonstrar insegurança, preconceito e presunção.

O Espiritismo já é puro por si mesmo. Impuros são os espíritas com suas manias, neuroses, complexos e incertezas.

domingo, 8 de junho de 2014

Orar e fechar os olhos.

O Brasil não precisa de orações. O Brasil precisa de seriedade e compromisso. De que adianta fechar os olhos e orar e no outro dia continuarmos com os olhos fechados para o senso de justiça e solidariedade para com os mais fracos e desajustados?

De que adianta vibrar pelo Brasil quando vibramos contra as boas ideias e realizações somente porquê elas foram feitas pelo partido ou pelo político que não é do nosso gosto pessoal?

Para quê orar pela ordem e harmonia se pessoalmente compactuamos com campanhas pessimistas e que somente causam males para a sociedade?

O Brasil não precisa de orações nem mensagens do Além. Precisamos é ler e praticar os livros que vieram do Além há muitos anos e que, no entanto, não levamos a sério em nosso dia a dia. Não precisamos de orações nem de mensagens e sim de coragem, de iniciativa, de honestidade de consciência sobre as coisas que fazemos dentro e fora do movimento espírita. Nosso destino e nossa história é feita pelas nossas escolhas e não pelas mudanças de opiniões, desejos mágicos e intervenções de seres que estão hierarquicamente acima do nosso grau de evolução.

Deixemos de lado as nossas superstições e impressões infantis sobre o mundo e atentemos mais para as nossas responsabilidades do livre-arbítrio.

Não vamos abandonar o nosso hábito de orar, porém não vamos banalizar a lei de adoração para justificar as nossas irresponsabilidades.

domingo, 1 de junho de 2014

O sistema, ora o sistema...


Os sistemas – inspirados nas concepções e crenças que temos sobre a Natureza e o Universo – são criados para explicar e provar as coisas que não entendemos. Quando ocorre a explicação e a prova, não é mais necessário, nem conveniente, que os mesmos sejam invertidos na sua função de meios para que sejam mantidos com fim; mesmo porque nenhum paradigma é definitivo e nenhuma verdade é absoluta.

As visões de mundo se sucedem desde quando vivíamos em cavernas e foram caindo, uma após outra, diante das nossas crises íntimas e das descobertas de novos fenômenos. Da antiga concepção de mundo plano, único e redondo, passamos ao plural; e agora, diante do novo complexo, tivemos que abrir mão de crenças e valores, sob o risco de pararmos no tempo e no espaço da ignorância e do obscurantismo.  

O Espiritismo, como sistema, já foi explicado e provado. Insistir na sua prática como como tal e principalmente como finalidade é dogmatizá-lo num processo de asfixia, dando abertura perigosa ao fanatismo, disputas de poder e abusos institucionais.

A única forma de permanência e unidade do Espiritismo não está, definitivamente, nos livros, estatutos nem nas organizações e métodos sistematizados, mas sobretudo na consciência dos espíritas.

PS.
Isso é uma mensagem mediúnica ou uma dissertação do próprio autor?

Penso que fui eu, mas sei que pode não ter sido eu, nem confio que tenha sido eu. O que importa, seja quem for, é que pensa como eu.

A reencarnação de Emmanuel


A reencarnação de Emmanuel no interior de São Paulo deveria ser motivo de alegria e não especulação e dúvidas, pois, segundo ele mesmo gostava de enfatizar, essa identidade permaneceria oculta por força da natureza e do bem do próprio Espírito e da sociedade onde ele vai atuar. Confiemos.

IDENTIDADE
Um dos princípios da lei da reencarnação é o direito de ocultação da identidade e consequentemente a inviolabilidade dessa espécie de segredo da Natureza, como forma de preservar a transformação ou ressurreição do Espírito que passa pela nova experiência de existir e resgatar seu verdadeiro ser. Esse é o motivo pelo qual devemos sempre desconfiar de revelações sobre reencarnação das pessoas, sobretudo de personalidades famosas. Muitas vezes tudo não passa de equívocos tolos e pura especulação. Moral da história: existe, é real, mas não é brincadeira de adivinhação.

O pastor e a Xuxa


Todo aquele que julga e acusa pelo moralismo (exagero da moral) não é de confiança nem merece credibilidade. Eu acho que ele (o pastor) errou ao cometer uma grave acusação anticristã. Julgar, acusar e condenar uma pessoa pelo seu passado vai contra todas as leis de Deus, pois nega o perdão e a possibilidade de regeneração. Esse julgamento contra a Xuxa não passa de inveja e fanatismo de pessoas que usam a Bíblia para pregar o ódio e o preconceito. Não são pessoas dignas de pregar o Evangelho, que é demonstração de amor e superioridade moral. Todo moralista é suspeito, por ter o coração impuro e enganador; ataca para esconder suas taras e fraquezas. A Xuxa é uma artista, sempre foi. Seu sucesso é fruto do seu mérito pessoal e não como pensam os invejosos que a tudo atribuem aos mitos as coisas que não aceitam e não sabem explicar. Parece que o pastor reconsiderou o julgamento.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

FEB adota postura dogmática em campanha contra o suicídio



A Campanha pela Vida, da Federação Espírita Brasileira, infelizmente, contém um grave erro de abordagem no opúsculo sobre o suicídio. O mesmo pode ter ocorrido também no tratamento de comunicação dado no material de propaganda sobre eutanásia e aborto, assuntos tabus nas culturas religiosas e que precisam ser revistos com urgência, em nome do bom senso. (http://www.febnet.org.br/blog/geral/divulgacao/midias-espiritas/ultimas-noticias-midias-espiritas/defesa-da-vida-20-anos/)

Ao adotar uma postura de propaganda doutrinária condenatória - que não dever ser confundida com o pensamento doutrinário da entidade -  a FEB foi socialmente indelicada e ameaçadora ao se dirigir às pessoas com transtornos mentais que passam por esses problemas. Isso não é recomendado e seguro de acordo com  os manuais da OMS (Organização Mundial de Saúde) nem das entidades de prevenção que possuem larga experiência no assunto. A prevenção do suicídio por meio de comunicação, por exemplo, não se faz com a condenação do ato e sim com muito cuidado e respeito aos sentimentos dos suicidas em potencial. Mesmo não concordando com o gesto, não se pode condenar nem fazer proselitismo religioso e doutrinário sobe o sofrimento das pessoas que estão momentâneamente perturbadas. Os Samaritanos de Londres e o CVV no Brasil -  ambas de origem religiosa e há mais de 50 anos lidando com essa questão – mudaram radicalmente suas abordagens, reconhecida por por eles como  preconceituosas, exatamente porque perceberam esse grave erro.  Condenar o suicídio é uma prática histórica das religiões dogmáticas e isso só tem piorado a situação e as estatísticas de autodestruição. Suicídio e aborto são ações carregadas de alta carga de culpa e precisam ser tratadas de forma contextualizada e não apenas cultural. Existem, por exemplo, razões e situações inconfessáveis que levam  às pessoas ao suicídio e que nenhuma religião ou doutrina filosófica conseguem neutralizar com suas dissertações morais. Um caso real ocorrido no CVV (relatado na revista Veja) revelava que um adulto idoso que abusava sexualmente dos netos optou pelo suicídio por acreditar que seus atos não tinham justificativa nem perdão e que morrer seria a única solução possível, pois não poderia compartilhar isso com a sua família  e com a sociedade. Essa combinação de pedofilia e suicídio jamais seria aceita pela religião e pela sociedade com seus códigos condenatórios.

Esse material publicado pela FEB repete a posição moralista da religiões dogmáticas e não progressivas. Reafirma - repetimos, como propaganda e não como doutrina) também um grave tabu social. Antes de publicar deveriam ter ouvido os especialistas (psicólogos e psiquiatras), bem como instituições experientes e que sabem como lidar com o assunto. Recomendamos que o material seja recolhido e revisado, antes que produza mais efeitos nocivos do que preventivos.

 

terça-feira, 6 de maio de 2014

Evangelhofobia ou anti-adoração

Transtorno comportamental adquirido por efeito de imposição social das religiões dogmáticas ou de perseguições cruéis da Inquisição.  Muitos judeus e antigos livres pensadores geralmente sofrem disso e sentem um mal estar só ouvirem falar do nome de Jesus, pois foram os mais "judiados" pelos fanáticos cristãos durante a Idade Média. O "crê ou morre" dos jesuitas e do Santo Ofício também deixou marcas profundas nesses espíritos.

Muitos evangelhofóbicos permaneceram divorciados da fé por muitos e muitos anos e no século XIX viram a possibilidade de rever seus conceitos e sentimentos de forte rejeição da espiritualidade com o advento do Espiristismo, doutrina que abraçaram sob a aparência da curiosidade, mas intimamente com o sabor da esperança de estabelecer um possível vínculo com a Lei de Adoração.  Já nos primeiros tempos do Espiritismo, quando percebiam que a doutrina também atraía os segmentos da cristandade, por identificação de principios morais  e raízes históricas, reagiam de forma racional-fundamentalista tentando proteger, talvez, a última gota de fé que lhe restaram no mundo íntimo, depois de tantos sofrimentos, humilhações e injustiças. Ferida aberta que vai demorar para ser cicatrizada. Em algumas situações eles identificam, inconscientemente, no movimento espírita, alguns dos seus antigos algozes, hoje ocupando posições de destaque nas instituições e na cultura espírita. Aí a coisa pega.

Ps. Nem todos os casos de fobia ao Evangelho e à Lei de Adoração são traumas, mas imitação e identificação intelectual e defensiva com verdadeiros e históricos Espíritos traumatizados.

domingo, 4 de maio de 2014

Luciano desencarna sem publicar o livro sobre André Luiz


Luciano dos Anjos com  André Luiz (o segundo ou terceiro com o mesmo nome), funcionário da creche instalada na antiga casa de Faustino Esposel.

Desencarnou ontem (3 de maio) o confrade Luciano dos Anjos, jornalista e ativista espírita que dispensa apresentações. Voltou para sua colônia espiritual sem publicar sua última e mais aguardada obra, que tratava da verdadeira identidade do Espírito André Luiz e que ele revelava ser Faustino Esposel, médico carioca que, entre outras coisas, foi entusiasta do futebol e presidente do C.R.  Flamengo no início do século XX. Essa tese de Luciano contaria todas as afirmações e especulações sobre esse assunto, sobretudo a afirmação de que André Luiz seria o sanitarista Carlos Chagas, a partir de uma gravura supostamente elaborada a partir de uma descrição feita por Chico Xavier. Luciano  negava a informação sobre Chagas, dizendo ter sido um equívoco admitido pelo próprio Chico. O jornalista de 81 anos estava com a obra praticamente finalizada, adiantou para os amigos alguns trechos de capítulos (nós recebemos esse material) e prometia um lançamento muito breve.  Pelo que constatamos em seus releases, a pesquisa era detalhada e abrangia muitos aspectos da vida de Esposel e sua ligação com os relatos feitos por André Luiz, principalmente no livro Nosso Lar. Luciano segurou o lançamento o quanto pôde e não sabemos por qual motivo. Se foi pela especulação editorial, acertou em cheio, pois autores "mortos" valem muito mais. Foi esperto e foi embora junto com Gabriel Garcia Marques, com quem certamente não tinha nenhuma afinidade literária, mas cujo realismo fantástico bem que serve como analogia ao evento revelador da identidade de André Luiz. Será que Luciano conseguiu finalmente contradizer o prefácio de Emmanuel sobre essa polêmica?

A proposta educativa de Jesus e do Espiritismo


Embora usemos comumente esse termo "pedagogia" como uma ação educativa genérica,  podemos  e devemos lembrar que Jesus não praticava a pedagogia. Ele fazia o inverso, que era a andragogia. Seus ensinamentos não se dirigiam à existência física, linear e horizontal (posição dos animais), e sim à consciência metafísica, não linear e vertical (posição ereta dos seres humanos em transformação mental). Na pedagogia privilegia-se os sentidos e o intelecto (habilidades efêmeras); na andragogia o alvo são as competências definitivas. Verticalidade e horizontalidade dizem respeito ao nosso domínio mental da lei da gravidade. Esse é o sentido de jugo e libertação na proposta educativa de Jesus e também do Espiritismo. Jugo pesado e jugo leve são metáforas desses saberes do Espírito, mesmo quando está preso na carne.

O Evangelho não é pedagógico. Nem o Espiritismo. Ambos são andragógicos, quando se fala de educação ou mudança de comportamento.  

O que fazemos hoje com o Espiritismo é pura instrução, cujo alvo é apenas intelectual e existencial.  Deveríamos, segundo essa observação de Allan Kardec, fazer educação, visando atingir a consciência, base da transformação moral. Mudar o pensamento é simples e basta instruir; mudar os sentimentos e as ações é mais complexo e exige outras formas e técnicas  educativas, ou seja as aprendizagens vivenciais.


Pedagogia e Andragogia eram conceitos utilizados na Grécia antiga respectivamente para o ensino de crianças (mentes infantis e imaturas) e adultos (mentes maduras), não importando muito a questão da idade cronológica e sim a idade psicológica. A Escola de Pitágoras (iniciática e seletiva) trabalhava com o dois conceitos, simultaneamente. Já as escolas filosóficas convencionais só usavam a pedagogia, pois concentravam-se apenas no intelecto e nos interesses externos ao indivíduo. Uma coisa é ensinar para as coisas da vida e outras é ensinar a refletir e se conduzir sobre as escolhas que fazemos na vida. Viver por viver é diferente de viver com propósitos superiores ao comum. Os pedagogos gregos que foram escravizados pelos romanos não conseguiram ou não quiseram transmitir essa diferença essencial educativa para nova civilização que os subjugaram. Roma não aprendeu a educação andragógica. Estava interessada apenas em instrução técnica, política e militar.  Jesus ao falar para as massas era pedagógico e genérico, mas ao escolher e treinar seus discípulos ou então quando fazia abordagens pessoais, era específico e usava o método andragógico. Ele foi selecionando naturalmente os mais maduros e apenas tolerando os imaturos (Judas, por exemplo), confiando que o livre arbítrio poderia um dia despertá-lo no tempo propício do seu ritmo pessoal. 

As parábolas de Jesus eram sempre andragógicas. A parábola do semeador é a essência da andragogia. 

Nesse aspecto também os gregos usavam a metáfora do "tempo de aprender" os ritmos da aprendizagem : kronos, para as coisas do corpo ou existência; e kairós, para as coisas da mente e da consciência. Isso era simbolizado pelo relógio (extroversão) e uma bússola (introversão).

Allan Kardec, por exemplo, ao tomar contato com os fenômenos espíritas e suas repercussões internas e externas,  saltou de kronos para kairós em apenas 14 anos. Era maduro intelectual e espiritualmente.

Como vemos os ídolos


Incluindo os da minha crença e filosofia de vida.
Senna não foi somente alguém sempre feliz e invulnerável. Era também um pessoa triste e deprimida. Apesar das festas e celebrações, da riqueza e badalações com mulheres lindas e amigos famosos, sempre deixou escapar um olhar vago e solitário, que provavelmente escondia as questões íntimas terríveis que todo ser humano tem. A busca dessa profissão de alto risco pode ter sido uma forma de encontrar a morte de uma forma inconsciente. Isso é muito comum em espostes perigosos. Era um ser humano como outro qualquer cujo heroísmo imaginário serviu e serve para embalar sonhos e fantasias das massas carentes de bons exemplos. A trajetória de Senna não tem sido dele em si, mas dos outros: das namoradas, dos parentes, dos jornalistas e bajuladores, da fortuna que ele deixou, dos projetos e produtos que exploram sua imagem, dos apaixonados por corridas e tecnologias. Não se trata de "missionário" ou "herói", como querem e insistem os fanáticos pela sua cultuada aparência de bom rapaz e vencedor. Foi apenas um espírito, imperfeito como todos nós, em luta contra si mesmo. É que penso sobre Ayrton Senna da Silva. 
Vejam esse vídeo de 56 segundos: https://www.facebook.com/photo.php?v=735943589802424&set=vb.169983389731783&type=2&theater

sábado, 3 de maio de 2014

Muito bem, obrigado.

O Movimento Espírita vai muito bem, sempre foi e vai continuar realizando sua obra silenciosa e eficiente, não por nossa causa exclusiva nem por causa desses sacerdotes das trevas, delinquentes e desiludidos, semeadores da confusão e da dúvida; em sim pela ação dos espíritos sérios e superiores.

A agremiação dos adversários é vasta e tem representantes fiéis infiltrados em nossas lides, sempre dando shows de revelações fantásticas, curas milagrosas e escândalos mediáticos.

Isso sempre foi sinal de que o Espiritismo incomoda e muito.

Na época de Kardec já existia a seita do Espírito Único, cujo objetivo era atrair os preguiçosos admiradores de oráculos e confundir a opinião pública.

Vem mais por aí. Aguardem.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Ataques a obras e autores


As obras espíritas que mais recebem ataques, principalmente dos próprios espíritas, não são somente as que fazem sucesso e sim as que são mais eficientes na transformação do comportamento e na moral das pessoas.
Geralmente os ataques partem de intelectuais que, por afinidade mental e vaidade, servem como instrumentos dóceis aos inimigos ocultos da Doutrina.
Os campeões de ataques, por ordem histórica são: O Evangelho Segundo o Espiritismo; a coleção André Luiz; as obras de Edgard Armond sobre Evangelização e formação de médiuns; as obras de Ramatis analisando o comportamento dos espíritas e as práticas mediúnicas de correntes afro-indígenas; as obras de Zíbia Gasparetto, de grande penetração popular.
Lembrando que Kardec questionava sem atacar e denegrir, apenas levantando pontos discutíveis, sem suscitar julgamentos e propaganda de perseguições ideológicas.
 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Encontro casual em Paris

George Sand (Aurore Dupin), escritora, crítica de teatro, feminista, lésbica. Viveu no século XIX e foi durante alguns anos companheira afetiva de Chopin.
 
Reza a lenda que foi a primeira pessoa que recebeu das mãos de Allan Kardec um exemplar inédito de O Livro dos Espíritos, num encontro casual nas ruas de Paris, na manhã de 18 de abril de 1857. A escritora, que era antiga amiga do Prof. Rivail, recusou educadamente o presente, dizendo não ser digna de tamanha honra, pois se tratava de uma joia que a sua personalidade polêmica iria ofuscar.
 
Cem anos depois, no mundo espiritual, George Sand reencontrou Allan Kardec, no mundo espiritual, durante as comemorações do centenário de lançamento do livro base da Doutrina Espírita.

O Paracleto


No século XIX entramos numa profunda crise existencial e passamos a duvidar de tudo e de todos. Nietszche matou Deus e inventou o Super Homem. Marx destruiu o encanto místico e todos nós passamos a duvidar da imortalidade.
Mas no Mundo Oculto havia uma grande conspiração para sacudir o planeta e as bases do materialismo. Era uma invasão organizada dos Mortos denunciando a vida além túmulo. No mundo inteiro, a partir de 1848, ocorreram fenômenos assustadores nos quais as paredes tremiam e as pedras falavam. As mesas passaram girar quando as pessoas se reuniam de mãos dadas para investigar esse grande mistério.
 
Era o Paracleto.
 
Em Paris, um grupo de artistas e intelectuais entregaram para o Prof. Rivail um caderno com relatos de todas essas coisas estranhas que eles presenciaram; e pediram a ele que fizesse uma investigação científica e uma síntese dessa nova realidade.
 
Em 18 de abril de 1857 Rivail concluiu seus estudos e publicou a obra que iria modificar definitivamente as relações entre a Terra e o Céu, entre o Homem e a Natureza e entre as criaturas e o Criador.
 
São 1019 perguntas e 1019 respostas sobre todas as coisas que sempre desejamos saber sobre quem somos, de onde viemos e para onde vamos.
 
O Prof. Rivail tornou-se Allan Kardec e o antigo Livros dos Mortos do velho Egito tornou-se o Livro dos Espíritos, um novo guia das almas para decifrar os mais profundos enigmas do Universo.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Cultuar Rivail e ocultar Kardec


 


Alguns pesquisadores espíritas continuam cometendo um ingênuo erro histórico ao confundir Rivail com Allan Kardec. A história de Rivail nada tem a ver com o Espiritismo, a não ser na pura imaginação dessas pessoas.

 Não existe, até agora, nenhum tipo de documento ou evidência que possa fazer essa relação entre duas pessoas tão diferentes: uma que não era espírita e outra que se tornou espírita após os 50 anos de idade. Nada que Kardec faz antes dessa idade tem relação com o Espiritismo e isso o próprio Kardec deixa claro e evidente em Obras Póstumas.

 
Não podemos falsificar a memória do fundador do Espiritismo imaginando coisas, associando ideias sem conexão ou simplesmente tentando dar sentido às coisas que não tem cabimento, simplesmente porque isso satisfaz o preenchimento forçado de algumas lacunas teóricas.

 
A vida de 14 anos de Allan Kardec é muito rica em fatos inexplorados e historicamente compatíveis com o Espiritismo. Porém, ainda não sabemos os motivos que impedem esses pesquisadores a não desvendar esses acontecimentos.
 
Será que essas pesquisas realmente tem como alvo o Espiritismo ou apenas interesses particulares?

sábado, 5 de abril de 2014

Quem se importa com o Espiritismo?

 
Para os espíritas (e isso não é consenso), o Espiritismo teve pontos importantes com fenômeno histórico: a reafirmação da imortalidade em bases científicas; a difusão do conceito de reencarnação; intercomunicação entre planos ou dimensões por meio de inteligências encarnadas e desencarnadas; e sobretudo o resgate do cristianismo em bases morais humanistas, desvinculado das igrejas.

Socialmente falando, a Doutrina Espírita é importante somente para os espíritas e seus simpatizantes, que não são muitos quando comparados aos segmentos culturais existentes no mundo. Não podemos confundir informação com propaganda. Informação deve ser pautada pela verdade e a propaganda nem sempre é fiel à verdade. Quando se fala da importância do Espiritismo nós devemos sempre considerar dois aspectos: os espíritas falando, incluindo o Espíritos; e a opinião pública não espírita. Nós espíritas sabemos dessa importância porque somos comprometidos com esses valores; já a opinião pública, que não é espírita, não tem o mesmo ponto de vista. Isso significa que, verdadeiramente, fora do nosso círculo doutrinário e do seu movimento social, o Espiritismo pouco significa e influi como visão de mundo, cultura moral e pratica social: como ciência o Espiritismo não existe formalmente; geograficamente falando, o Espiritismo ainda é numericamente insignificante e também pouco influente entre os grupos das grandes religiões e filosofias morais atuantes no mundo. Essa é a realidade.

Qual é a causa dessa insignificância de uma doutrina que já ultrapassou um século e meio de existência?

Uma delas é a indiferença, autêntica ou fingida. A doutrina espírita foi e continua sendo sistematicamente ignorada pela intelectualidade reinante no cenário acadêmico. Com exceção de alguns pequenos núcleos de pesquisa e tímidas dissertações, feitas geralmente por adeptos e simpatizantes, não se fala em Espiritismo como conhecimento científico, pensamento filosófico ou epistemológico. O Espiritismo só é permitido nesses ambientes de formalidade como tema religioso do imaginário social.

Outra constatação importante: o Espiritismo foi banido da história, sendo ignorado pela produção historiográfica. Primeiro porque ele não teve nenhuma participação conhecida nos grandes eventos históricos europeus e mundiais. Segundo porque é visto como uma ameaça aos dogmas religiosos tradicionais e aos paradigmas científicos dominantes; o fenômeno e a moral espíritas são temas incômodos nos círculos tradicionais do saber porque essa doutrina desafia o materialismo aristotélico das correntes científicas e também o dogmatismo das correntes religiosas. Não podemos esquecer que cientistas e sacerdotes são produtos de uma mesma linha histórica e ideológica, de uma mesma elite intelectual, os inventores da academia. São inimigos aparentes e possuem mais afinidades do que antipatias. 

Portanto, falar em Espiritismo, de forma direta, continua sendo proibido nas universidades (novo reduto dos templos antigos) e nos veículos de comunicação, que ainda são as principais fontes de produção do conhecimento. Nos meios de comunicação até que se fala com mais liberdade e abertura sobre a doutrina, porém sempre sob a tutela das autoridades acadêmicas. Falar publicamente sobre Espiritismo continua sendo um tabu. Para que isso aconteça é preciso criar mecanismos de disfarce e optar por abordagens que possam adaptar as temáticas espíritas às áreas científicas já conhecidas e seus modelos epistemológicos. Não podemos falar diretamente de mediunidade ou de comunicação com “mortos”, pois essas informações não são compatíveis com a linguagem científica convencional, muito menos de reencarnação. Para a ciência esses temas são da cultura religiosa e também não foram contemplados pelos filósofos clássicos traduzidos na Idade Média e utilizados pela tradição sacerdotal. O mesmo aconteceu com as mulheres pensadoras e cientistas. Não se conhece mulheres filósofas e cientistas, a não ser pelo nomes e histórias obscuras (Aspásia e Hipácia de Alexandria; ou raridades como Marie Curie por exemplo), porque as traduções sobre seus trabalhos foram e continuam sendo rejeitadas pelas corporações religiosas, predominantemente masculinas.

Então, a solução é sempre a mesma: adaptar o temas espíritas para a sociologia, especificamente para antropologia; ou então para a medicina como pratica alternativa.

Infelizmente, Allan Kardec continua sendo um ilustre desconhecido do grande público contemporâneo. No Brasil ainda existe um certo conhecimento por causa da história social do movimento espírita e das novelas exibidas na TV abordando temas espíritas, bem como as cinebiografias de Bezerra de Menezes e Chico Xavier. O jogador de futebol Allan Kardec, que não é espirita, parece ser mais famoso do que o codificador do Espiritismo. No exterior, incluindo a França, não existe esse conhecimento nem reconhecimento do Espiritismo, não como fenômeno social significativo. Durante muitos anos acreditávamos que os livros e os oradores espíritas que iam para o exterior estavam fazendo grande sucesso e divulgando a doutrina em terras estrangeiras. Na verdade tudo ficava restrito a pouquíssimas pessoas interessadas no assunto, geralmente brasileiros que viviam fora do país. Nesse aspecto, ainda predomina a opinião de J. Herculano Pires: Allan Kardec realmente ainda é desconhecido em sua obra e não "desatualizado" como se pensa. 

O século XXI talvez seja o período em que o Espiritismo atinja a sua maturidade, liberto das fases anteriores (fenomênico, filosófico e religioso) para atingir uma plenitude ética integral. Isso significa que muitos pontos ainda incompreendidos da doutrina serão desvendados nessa nova sociedade das aristocracias intelectuais, a chamada "superclasse" de David Hotkopf, que influi mais pelas ideias do que pelo dinheiro e armas. Desatualização de conceitos não acontecem por causas cronológicas, só porque o tempo passou. Ela acontece por causas epistemológicas e novas abordagens científicas. Nem a filosofia nem a ciência explorou suficientemente os princípios espiritas para apontar uma desatualização. A imortalidade, reencarnação e a moral espíritas continua sendo vistas como crenças pela maioria dos adeptos do Espiritismo e também pelos não espíritas. Poucos se dão conta desses aspectos epistemológicos. Apenas aceitam, acreditam e pronto. Muitos outros aspectos que podem ser relacionados à doutrina espírita aguardam uma solução de continuidade: a arte, a política, a tecnologia, a sustentabilidade, a educação, enfim, coisas que Allan Kardec pensou, porém não teve tempo para realizar. Portanto, a obra de Kardec não encontrará problemas de desatualização ou de contextualização, mesmo por que ele deixou claro que o Espiritismo sempre teria como bússola as tendências do conhecimento.

O conhecimento espírita avançou muito pouco como filosofia e ciência. Só crescemos, numericamente como busca e expressão religiosa, em função dos mesmos e persistentes conflitos humanos: as questões da dor, da morte e do destino. Não avançamos porque nossa epistemologia ainda não foi desvendada em sua amplitude, nem mesmo pelos espíritas. Muitos de nós continuamos comprometidos com as cosmogonias teocráticas, absolutas, impedindo uma transformação de mentalidade. Somente agora - 150 anos depois do lançamento do Livros do Espíritos - é que estamos dando os primeiros passos nesse sentido multidimensional da doutrina. 

Ainda estamos muitos tímidos, pisando em ovos nas universidades e laboratórios, presos aos paradigmas positivos de ciências e ao modelo filosófico greco-romano, o mesmo que foi ideologicamente selecionado, preservado e imposto pela Igreja. Não sabemos ainda sobre dimensões da física quântica, da visão complexa de mundo, da incerteza e instabilidade aparente que governa o Universo. Parece que a cultura religiosa e mística que herdamos do catolicismo ainda causa temor e desconfiança nas pesquisa espíritas. Nossa psicologia ainda fica restrita aos processos da consciência moral e não explora as potencialidades mentais, como tecnologia cognitiva e educacional.

Nossos livros ilustrativos da obras de Kardec, de produção psicográfica, estão ficando velhos, quase centenários e brevemente terão problemas para explicar epistemologicamente suas abordagens literárias. Ainda ficamos assustados e irritados com os questionamentos e desconfianças do mundo cético, tão natural entre os primeiros adeptos espíritas como León Denis, Camille Flamarion, Gabriel Dellane e o próprio Kardec. Ainda somos fascinados por narrativas fantásticas ou de auto-ajuda sobre os fenômenos espíritas, quando ainda não conhecemos nem as bases históricas e filosóficas dessas considerações.

domingo, 9 de março de 2014

Visão estratégica de Edgard Armond se concretiza


Ele dizia nos anos 40 que no futuro haveria a necessidade de um centro espírita em cada esquina. Tanto a FEESP quanto a Aliança Espírita Evangélica, dirigida e orientada respectivamente por ele nos anos 50 e 70 tinham essa meta a médio e longo prazo. A principal ferramenta de expansão era a Escola de Aprendizes do Evangelho, programa com formação e capacitação sistemática de voluntários para fundar e gerir novos núcleos a cada dois ou três anos, na conclusão do ciclos das turmas.

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CENTROS ESPÍRITAS PAULISTANOS SUPERAM HOSPITAIS EM ATENDIMENTOS

Agência USP/UOL

Um levantamento realizado em 55 centros espíritas da cidade de São Paulo aponta que, juntos, os atendimentos espirituais chegam a cerca de 15 mil por semana (60 mil ao mês). “Este número é muito superior ao atendimento mensal de hospitais como a Santa Casa, que atende cerca de 30 mil pessoas, ou do Hospital das Clínicas, com cerca de 20 mil atendimentos”, destaca o médico psiquiatra Homero Pinto Vallada Filho, professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). A média relatada de atendimentos semanais em cada instituição foi de 261 pessoas.
“Sabemos, por meio de vários estudos, que a abordagem do tema religiosidade ou espiritualidade exerce um efeito bastante positivo na saúde de muitos pacientes. Por isso, podemos considerar a terapia complementar religiosa ou espiritual como uma aliada dos serviços de saúde”, revela, lembrando que, geralmente, o paciente não tem o hábito de falar sobre suas crenças religiosas e muito menos de contar que realiza tratamentos espirituais em centros espíritas.

Vallada Filho foi o orientador da dissertação de mestrado Descrição da terapia complementar religiosa em centros espíritas da cidade de São Paulo com ênfase na abordagem sobre problemas de saúde mental, de autoria da médica Alessandra Lamas Granero Lucchetti, apresentada ao Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP em dezembro.

A ideia foi mostrar a dimensão do trabalho realizado pelos centros, o grande número de atendimentos prestados e os diferentes serviços oferecidos. Observou-se também que apenas uma pequena minoria realiza cirurgias espirituais, sendo todas sem cortes. Na segunda parte da dissertação, a pesquisadora descreve passo a passo uma terapia complementar espiritual para pacientes com depressão realizada na Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP).
 
Centros espíritas

Alessandra realizou um levantamento inicial de todos os centros espíritas da capital paulista que possuíam site na internet contendo endereço de contato. A médica chegou ao número de 504 instituições. Neste levantamento, foram considerados apenas centros espíritas “kardecistas”, ou seja, aqueles que seguem a doutrina codificada pelo pedagogo francês Hippolyte Leon Denizad Rivail, sob o pseudônimo de Allan Kardec, e que tem como base as obras O Livro dos Espíritos (publicado na França em 1857), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868).

A médica enviou, via Correios, uma carta registrada a cada um dos 504 centros. Destas cartas, 139 voltaram devido a problemas como mudança ou erro no endereço. Das 370 que restaram, apenas 55 foram respondidas. “Se considerarmos que essa média de 60 mil atendimentos mensais representa menos de 15% da totalidade dos centros existentes na cidade, chegaremos a um número total de atendimentos muito superior aos dos 55 que participaram do estudo”, destaca Vallada.

Um questionário foi respondido apenas pelo dirigente ou pessoa responsável do centro. O material era bastante extenso e continha perguntas ligadas à identificação e funcionamento do centro, o número de voluntários e de atendimentos, as atividades realizadas e os tipos de tratamentos, quais os motivos levavam as pessoas a buscar ajuda, e como é feita a diferenciação entre mediunidade, obsessão e transtorno psicótico e quais orientações para estes casos, entre outras questões.

Resultados

Entre os resultados, foi observado que a maioria são centros já estabelecidos e que têm mais de 25 anos de existência, sendo o mais velho funcionando há 94 anos e o mais jovem com 2 anos. Em praticamente quase todos, os usuários são orientados a continuar com o tratamento médico convencional, caso estejam fazendo algum, ou mesmo com as medicações indicadas pelos médicos.
Os principais motivos para a procura pelo centro foram os problemas de saúde: depressão (45,1%), câncer (43,1%) e doenças em geral (33,3%). Também foram relatados dependência química, abuso de substâncias, problemas de relacionamento. Entre os tratamentos realizados, a prática mais presente foi a desobsessão (92,7%) e a menos frequente foi a cirurgia espiritual, (5,5%), sendo todas sem uso de cortes.

Quanto à diferenciação entre experiência espiritual e doença mental, realizada com base em nove critérios propostos pelos pesquisadores Alexander Moreira Almeida e Adair de Menezes Júnior, da Universidade Federal de Juiz de Fora, a média de acertos foi de 12,4 entre 18 acertos possíveis. Apenas quatro entrevistados (8,3%) tiveram 100% de acertos. Entre esses critérios, estão a integridade do psiquismo; o fato de a mediunidade não trazer prejuízos em nenhuma área da vida; a existência da autocrítica; e a mediunidade sendo vivenciada dentro de uma religião e cultura específicos, entre outros.

“Esse levantamento procurou descrever as atividades realizadas nos centros espíritas e salientar não só a grande importância social desempenhada por eles, mas também a grande contribuição ao sistema de saúde como coadjuvante na promoção de saúde, algo que a grande maioria das pessoas desconhece”, finaliza.
A pesquisa completa pode ser consultada neste link.
 
Mais informações: email hvallada@usp.br, com o professor Homero Vallada

sábado, 8 de março de 2014

Quem tem medo do Diabo?



Foi nessa época do ano, na Europa medieval, que construiu-se o mito do Diabo, metáfora do inconsciente individual e coletivo. Esse personagem, muito cultivado nas crendices greco-romanas (faunos e sátiros) não consta nos textos originais dos Evangelhos compilados por São Jerônimo. Tudo indica que foi sendo introduzido nas traduções feitas pelos monges copistas, a mando dos seus superiores, ligados ao sistema de dominação social do feudalismo. O Livro o Nome da Rosa ilustra um aspecto dessa história.
Esse mito ainda tem força simbólica e muito influi sobre aqueles que foram educados em religiões dogmáticas, porém, para os espíritas, ele é apenas uma representação de Espíritos voltados ao mal e que, em muitos casos, assumem a  forma de seres satânicos com a intenção de causar medo e dar vazão aos seus planos de vingança e opressão de encarnados e desencarnados.   Os que se cansam dessa experiência muitas vezes se regeneram em processos educativos que antecedem a reencarnação e complementados por provas na carne, dedicando-se, por exemplo, ao amparo e regeneração de  pessoas em núcleos religiosos e assistenciais.  Alguns vão servir em estabelecimentos prisionais, onde, não raro, reencontram seus antigos comparsas a espera de sua colaboração  no esforço de um possível recomeço na vida fora do crime.  Outros adquirem créditos mais avançados e operam diretamente nas esferas da justiça, em provas mais graves e delicadas, com alto risco de  recaídas.
Numa conhecida crônica de Hilário Silva psicografada por Chico Xavier, um dirigente de centro espírita é solicitado por vários frequentadores  a invocar e doutrinar uma entidade que, encarnada, havia causado muito terror naquela comunidade em tempos remotos e ainda  provocava  temor e perturbação sobre muitos moradores. Insistindo muito na invocação, era sempre advertido pelo seu  mentor espiritual de que não deveria levar em frente tal cruzada, sendo a mesma muito arriscada e imprudente. Só mudou de opinião quando o mesmo mentor revelou realmente não ser possível a invocação dizendo:  "A tal entidade demoníaca é você mesmo, reencarnado".  

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

ANDRÉ LUIZ: É TUDO VERDADE?


 De volta a onda de questionadores da obra de André Luiz. Para não atacar a figura do médium Chico Xavier, os ataques se concentram no espírito, que teria “enganado” o médium com seus “delírios”. 

A ferramenta utilizada nas críticas são fragmentos comparativos da obra de Kardec para fazer afirmações puramente teóricas, sem nenhuma base experimental.

Usar os conceitos de Kardec como categoria de análise é importante, mas não de forma rígida e limitadora. Essa não era, por exemplo, a visão de Herculano Pires, que identificava a obra de André Luiz como uma respeitável ilustração dos conceitos contidos nas obras de Kardec. Herculano também tinha suas limitações e não aceitava informações que não conseguia digerir emocionalmente e apelava para a razão como fuga. Uma das suas limitações era a exigência do uso radical da terminologia espírita do século XIX para descrever os fenômenos. E quando essa terminologia não serve para descrever determinados fenômenos e impressões? O médium deve calar-se ou suportar o rigor doutrinário? Herculano ficava chocado com qualquer informação que lhe causava desconforto pessoal e colocava a culpa no rigor doutrinário. Os romances históricos parecem não ter incomodado tanto.

André Luiz não foi o único autor a descrever essas informações e Chico Xavier também não tinha o monopólio e exclusividade dessa revelações. Andrew Jackson Davis já fazia essas descrições. Talvez o equívoco está na generalização e na padronização das informações por parte dos leitores, sobretudo os que foram mentalmente educados em religiões dogmáticas. Esse filme (Nosso Lar), por exemplo, é de uma pobreza imagética lamentável, limitadora. Fazer o quê? Transpor para linguagem de cinema algo que já foi de certa forma distorcido pelo Espírito e pelo médium, não poderia ser diferente. Isso não deve causar estranheza.

 Não existe ilustração pura e conceitual do mundo espiritual. A licença poética ou artística usada nessas descrições (essencialmente ilógica) nunca será compatível com o conceito positivo e lógico. Fazer isso é pior que fundamentalismo. É demonstração ingenuidade ou arrogância. A obra de Kardec é muito mais do que uma régua do paradigma positivo. Os grandes livros de ficção quando sofrem essas adaptações são exemplos disso. Muitos roteiros de cinema nessa linha espiritualista são primorosos na essência das informações embora nem sempre sejam compatíveis com as teorias de Kardec. Isso não invalida o conteúdo. Muito de antes de existir Kardec e Espiritismo, já existiam descrições mediúnicas de mundos e planos.

A maioria desses autores de ficção são médiuns e nem sabem disso. Pensam que são criadores exclusivos dessas narrativas. A diversidade de planos, organizações, culturas, etc. é um conceito universal sobre isso. O que foi descrito por André Luiz mostra apenas uma tipologia de comunidade e não o todo; mostra uma cultura cristã e de influência ibérica, o que pode ser totalmente diferente dos padrões culturais de outros lugares do planeta. Yvone Pereira fez a mesma linha de descrições, demonstrando essa diversidade. Diversos outros médiuns foram por esse caminho. Eu mesmo já tive experiências fora do corpo que tive dificuldades par compreender e descrever, mas que revelava uma enorme diversidade de elementos e nunca um padrão de unidade.

É preciso ter cuidado ao usar os conceitos sem usar o bom senso, pois a lógica nem sempre explica aquilo que a razão desconhece. Como virou moda e exibicionismo intelectual contestar o que faz sucesso, cria referência que se choca com o paradigma vigente, também ficamos com um pé atrás nessas críticas, que, apesar da argumentação teórica aparentemente correta, não deixa de evidenciar algumas limitações.