terça-feira, 23 de agosto de 2011

Alice Sebold


Há alguns meses comentamos o filme Um olhar do Paraísoe simplesmente esquecemos de falar da autora da obra que deu origem ao filme. Trata-se de Alice Sebold, novelista norte-americana que escreveu The Lovely Bones ( Um olhar do Paraíso ou Visto do Céu), cuja obra foi adaptada para o cinema pelas mãos do diretor Peter Jackson. Quando analisada pelo ótica espírita, essa história intrigante do assassinato de uma adolescente por um vizinho maníaco não fica apenas na técnica da narrativa literária. É um relato que sempre nos faz questionar que tipo de talento e percepção tem esses escritores ao desenvolverem tramas com tamanha realidade e profundidade espiritual. Alice é certamente uma dessas médiuns que, mesmo quando não são inspiradas por uma inteligência externa, têm a capacidade de sintonizar e captar histórias incríveis, que ligam estranhamente os mundos aparentemente opostos do espírito e da matéria. Coisas também aparentemente inexplicáveis se revelam, ainda que numa linguagem simbólica, e repercutem de forma confusa perturbadora nas mentes comuns, porém com significados claros e impressionantes nas mentes abertas para a vida além da física.



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

NOSSO LAR segue seu caminho



A rede Telecine está exibindo neste mês o filme Nosso Lar, com roteiro adaptado do livro de André Luiz/Chico Xavier. O texto foi escrito há mais 60 anos, logo após a Segunda Guerra Mundial. Jáder Sampaio entendeu que o filme deveria se chamar André Luiz e não Nosso Lar, pois o roteiro concentrou-se mais na experiência pessoal do personagem narrador do que propriamente na descrição da colônia. Observação acertada. Talvez essa tenha sido a solução mais viável em termos de roteiro e produção, considerando os limites de orçamento. O ideal seria que o filme tivesse no mínimo mais duas partes que pudessem mostrar o perfil e o caráter da colônia e somente então acenar para a sequência em série falando de cada um dos ministérios e sua relação teórica com a Doutrina dos Espíritos. Teríamos então Os Mensageiros como uma ilustração dramática de O Livro dos Espíritos e seu desdobramento natural em O Livro dos Médiuns. Esse primeiro filme provou que roteiro espíritas são viáveis e também um bom negócio para os produtores e investidores. Quando Nosso Lar for exibido na tv aberta, provavelmente na Rede Globo, acontecerá o impulso decisivo nesse mercado e a confirmação de que essa obra literária de André Luiz poderá ser finalmente materializada dentro dos melhores padrões cinematográficos e exibida ao grande público. Rubens Ewald Filho observou que a escolha do ator Renato Prieto para o papel de André Luiz não foi acertada e disso deduzimos que isso possa comprometer as futuras produções seqüenciais. Veremos se o crítico tem razão ou não sobre esse aspecto. O filme Nosso Lar pode ser visto no TELECINE PIPOCA (Qua, 31/08 às 00h20 Qui, 01/09 às 14h35) e no TELECINE PREMIUM ( Dom, 21/08 às 22h00).


Mais informações: http://nossolar-ofilme.blogspot.com/

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ateus reclamam contra o preconceito

Ateus fazem campanha para mostrar que são vítimas de preconceito . “Somos a encarnação do mal para grande parte da sociedade”, diz presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA)

Danielle Nordi, iG São Paulo 29/07/2011


A campanha era para ser veiculada na parte traseira dos ônibus, mas empresas de São Paulo, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre se recusaram a fazê-lo. A saída foi utilizar outdoors. Pelo menos em Porto Alegre, que desde o começo do mês é a primeira cidade brasileira a exibir uma campanha que defende o ateísmo.


Afinal, o que há de tão problemático com os anúncios? De acordo com Daniel Sottomaior, presidente da organização responsável pela campanha, o que incomoda é o conteúdo. Ele diz que as mensagens foram feitas com o objetivo de conscientizar a população de que o ateísmo pode conviver com outras religiões e não deve ser encarado como uma deficiência moral. “Todos os grupos que sofrem algum tipo de preconceito procuram fazer campanhas educativas para tentar minimizar o problema. Foi o que fizemos”, afirma.


Diante das mensagens veiculadas nos outdoors, as reações foram variadas. “Foram interpretadas como provocação por alguns grupos religiosos. Além disso, muitos acharam de mau gosto ou preconceituoso. Acho que isso foi coisa de quem não entendeu ou não quis entender”, diz. Daniel diz que seu objetivo é mostrar que ser ateu é difícil. “As pessoas ficam chocadas quando você revela que não acredita em um deus. Muitos chegam a perder emprego e, principalmente, amigos”.

Punição

Para o sociólogo americano e estudioso das religiões Phil Zuckerman o ateísmo ainda é fonte de muito preconceito. Segundo ele, ateus sofrem até mesmo perseguições. “Mesmo atualmente, em algumas nações, ser ateu é passível de punição com pena de morte. Nos Estados Unidos existe um forte estigma em ser ateu, principalmente no sul, onde a religiosidade é mais forte”, conta.
No Brasil, um país laico, a intolerância pode aparecer nas situações mais improváveis. A professora da Universidade Federal de Minas Gerais Vera Lucia Menezes de Oliveira e Paiva perdeu um filho de dois anos, atropelado. Diante do sofrimento da família no velório da criança, Vera escutou uma frase que a deixou bastante magoada. “Uma amiga me disse: ‘Quem sabe isso não aconteceu para você aprender a ter fé?’. Isso apenas reforçou minha convicção de que eu não queria acreditar em nenhum deus que pudesse levar o meu filho inocente”, revela.


Apesar de tudo, Vera afirma que não se perturba com comentários acerca de sua escolha. “Acho natural que uma pessoa religiosa queira demonstrar sua fé. Entendo e convivo com pessoas bastante religiosas sem problema algum. Só não gosto quando ficam argumentando sobre o quanto é maravilhoso acreditar em Deus. Tenho direito a ter minha crença pessoal.Ou a falta dela.”


Daniel diz que atitudes como estas, vindas de amigos e familiares, fazem com que ateus não “saiam do armário”. Ele afirma que esta expressão, usada inicialmente para descrever homossexuais que ainda não se assumiram, encaixa-se perfeitamente no momento pelo qual o ateísmo vem passando. “Estamos atrasados uns 30 anos em relação à luta contra o preconceito, se compararmos com homossexuais ou negros. Sou bastante cético, mas tenho a esperança de que possamos alcançar o mesmo patamar daqui a algumas décadas”, revela.
Exagero


Há quem veja afirmações como as dada por Daniel como exagero. O filósofo Luiz Felipe Pondé, professor da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), considera ações como as desenvolvidas pela ATEA como marketing. “O preconceito diminuiu muito, principalmente nos meios universitários e empresariais. Acho a comparação de ateus com negros e homossexuais um exagero. Tem um pouco de marketing aí”.

COMENTÁRIO DO BLOG

Deísmo e ateísmo são ideologias idênticas, ou seja, ambas tentam explicar o que não se explica com argumentos emocionais nem racionais. A lei de adoração, que é uma lei natural,espontânea, sempre provocou comportamentos extremistas, que é um desequilíbrio do próprio ser humano diante das coisas existentes, porém aparentemente incompreensíveis. A propaganda revela isso quando mostra que Hitler acreditava em Deus e Charles Chaplin era ateu. Ledo engano. Hitler tinha uma visão distorcida de si mesmo e confundia essa visão como o próprio deus que talvez achasse que era ele mesmo. Isso não era deísmo. Chaplin provavelmente sabia da nossa incapacidade de definir e compreender esse assunto e considerava infantil e limitada essa concepção judaico-cristã divindade. Isso não é ateísmo. Mas é justo que os ateus tenham o direito de pensar, expressar e agir, como fazem o chamados crentes. Os incomodados que se cuidem nas suas crenças frágeis e contraditórias. As provocações também são uma reação natural ao preconceito. Mesmo entre os crentes ainda existe uma questão a ser definida: afinal, Deus é alguém ou alguma coisa? O certo é perguntar "Quem é Deus? " ou "O que é Deus?"

terça-feira, 31 de maio de 2011

Cinco dias sem Nora


Este fim-de-semana assistimos Cinco Dia sem Nora, filme intrigante da diretora mexicana Mariana Chenillo. Tratado pela crítica como humor negro, o filme é mais do que isso; é desconcertante porque trabalha com o delicado tema dos preconceitos, o preferido dos diretores de obras “Cult”. Aliás, assistimos no Telecine Cult, que agora não é tão chic e sim mais acessível à classe média brasileira, por enquanto. Dizia que era desconcertante porque trata de temas desagradáveis como morte, velório, enterro, adultério (esse é picante!), brigas de família e finalmente conflitos de religião. O protagonista é um judeu espanhol que perde a ex-mulher, também judia, e não consegue enterrá-la por vários motivos religiosos, entre eles a constatação de que a morte dela foi por suicídio. No judaísmo os suicidas e criminosos são enterrados em locais discriminados nos cemitérios israelitas e isso deu um tremendo quiprocó, entre muitos outros rolos que vale a pena conferir vendo o filme. O assunto não é absurdo e é só lembrar o caso brasileiro do jornalista da TV Cultura Wladimir Herzog, morto sob tortura durante a ditadura em 1976. Vlado, com o era conhecido, era judeu e a família não aceitava a versão de suicídio dada pelos responsáveis por sua morte e pelo seu corpo enquanto estava vivo (o Estado). Enfim, problemas para os generais e para o regime militar. No filme acontece a mesma coisa e a religião é o cerne da questão, com todos os seus preconceitos, sempre amenizados pela corrupção e pela simonia. Nos lembramos novamente do Reverendo anglicano Chad Varah, que teve que cavar com as próprias mãos nos arredores de Londres, na década de 1930, a sepultura de uma menina de apenas 14 anos que cometera suicídio ao achar que tinha contraído uma doença venérea. A partir desse fato, para Chad, sexo e suicídio deixaram de ser tabus religiosos e entraram na sua lista de prioridades sociais e debates na sua igreja. Disso resultou os Samaritanos, pai do CVV no Brasil. Chad contou essa história dentro do Centro Espírita Aprendizes do Evangelho, na rua Genebra em São Paulo em 1977. Ele viera ao Brasil incentivar as pessoas a trabalhar na prevenção do suicídio, incluindo os espíritas. Saiu do centro contente com a adesão de alguns freqüentadores e uma edição em francês do Evangelho Segundo o Espiritismo que a diretoria do Centro lhe deu de presente. Sua falta de preconceito conquistou amigos e ele voltou várias vezes ao Brasil para acompanhar o progresso desse trabalho.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Hawking e a morte


Hawking critica ideia de que há vida após a morte

LONDRES - O Estado de S.Paulo -17 de maio de 2011

O renomado físico britânico Stephen Hawking afirmou, em entrevista no jornal The Guardian, que a ideia de que há uma espécie de paraíso após a morte é um "conto de fadas de gente que tem medo do escuro".
Hawking voltou a afirmar seu rechaço às crenças religiosas. Ele defende que o ser humano não experimenta mais nada a partir do momento em que o cérebro deixa de funcionar.
O cientista também disse que a doença neurodegenerativa que o afeta, a esclerose lateral amiotrófica, fez com que ele passasse a aproveitar mais a vida, apesar das limitações que a enfermidade impõe. "Vivi com a perspectiva de uma morte prematura durante os últimos 49 anos. Não tenho medo de morrer, mas também não tenho pressa. Tenho muito a fazer antes disso."
O ex-catedrático da Universidade de Cambridge falou das pequenas flutuações quânticas que, no início do universo, motivaram a formação das galáxias. "A ciência prediz que diferentes tipos de universo serão criados do nada e de maneira espontânea", disse.
"Considero o cérebro um computador que deixará de funcionar quando seus componentes falharem. Não há paraíso ou vida depois da morte para computadores."

Comentário do Observador



Hawkin afirma que as pessoas crentes na vida após a morte são aqueles que não aceitam a morte, têm medo da escuridão e passam a cultivar essa "fantasia". Ora , ninguém aceita a morte e todos temem a "escuridão", ou não são humanos. Pode até estar conformado com a morte e talvez mais preparado para enfrentar a tal escuridão que muitos temem, mas dizer que não tem medo ou que está totalmente traquilo sobre isso é no mínimo uma forma de defesa e fuga, uma fantasia típica daqueles que se julgam auto-suficientes, conhecedores de tudo que existe no Universo e que não admitem mudanças no seu mundo interno. Esse é pavor dos materialistas: enfrentar a si mesmos e constatar que precisam trilhar caminhos que consideram pretensiosamente já percorridos pelas suas especulações intelectuais. Orgulho e pretensão formam uma perigosa rede mental de soberba que impedem esse tipo de auto-avaliação que somente as pessoas sábias e humildes conseguem fazer. É difícil alguém tão inteligente e nessa condição psicológica admitir que ainda existe algo para se aprender sobre a vida e sobre si mesmo. Mas a vida ensina e cobra caro pela lição rejeitada.



O que acontecerá com Hawkin quando desencarnar?



Acontecerá o que acontece com todas as mentes tomadas pelo deslocamento de si e fascinadas pelo mundo dos sentidos físicos, prova que ele pouco está aproveitando, mesmo sofrendo as limitações que sofre. Pelo jeito, não tem aproveitado nem os momentos de sono do corpo.



Não , ele não vai para o inferno, nem para o céu. Pior: ele vai encontrar consigo mesmo, num amplo território chamado consciência e que se abre quando nos libertamos da carne e no qual estará cada vez mais perdido. É o que ele vai encontrar após a sua desencarnação, caso persista nessa faixa de pensamentos de extrema logicidade e emoções intensamente reprimidas: uma escuridão de coisas sem sentido e significado. Um longo sono letárgico no qual vai se debater entre o ego e a personalidade, até que a lei da reencarnação o atraia para uma nova experiência existencial.


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ódio e resignação


Certa vez ouvimos uma história de que nos EUA estavam reencarnados a maioria os Espíritos de velhos líderes indígenas que durante longos anos na erraticidade alimentaram um ódio incontrolável contra aqueles que os humilharam e expulsaram de suas terras. No Brasil havia também uma influente legião de antigos líderes africanos com essa mesma característica. Esses Espíritos jamais esqueceram a profunda dor e revolta por terem deixado seus lares durante a conhecida Marcha das Lágrimas, movimento que deslocou as populações de índios para aldeias longínquas e isoladas da nova civilização que ali se instalava. Alguns suportaram, com humildade e resignação, como foi o caso do famoso Chefe de Seatle, autor de um dos mais comoventes documentos da história americana e contemporânea. Sua sabedoria repercutiu profundamente na consciência de sucessivas gerações, antecipando em muitas décadas os conceitos de diversidade e pluralidade cultural, auto-determinação dos povos e sustentabilidade que hoje cultivamos nos quatro cantos do planeta. Mas nem todos estavam com o coração aberto para fazer concessões dessa natureza. Muitos deles foram banidos inclusive das esferas espirituais da América para se juntarem às mentes perversas e vingativas que alimentam ódios de épocas muito remotas da Humanidade. Depois de uma longa fase de cultivo e preparo nas furnas obscuras das trevas, eles foram aos poucos retornando ao mundo da carne e também se aproximando silenciosamente da nação que os haviam expulsado. Muitos escolheram os lares pobres da Sicília, com quem tinham afinidades antigas contra os romanos, de onde partiam levas migratórias em direção às grandes cidades dos Estados Unidos, sobretudo Nova York e Chicago. Outros, ingressam ali através de imigrantes da Irlanda, onde também haviam grandes focos de afinidade e desejo de vingança contra as coletividades anglo-saxônicas, também reencarnadas. Segundo os relatos, esses Espíritos se manifestaram precocemente como os inimigos públicos dos EUA na pele de arqui-criminosos, exploradores dos vícios e ambições humanas, todos contra a justiça, o sistema tributário e financeiro da nação que se orgulhava de ser a mais rica do mundo. Nessa mesma época, por efeito da Grande de Depressão, centenas de famílias brancas, por força de execuções hipotecárias, amargavam a mesma dor dos indígenas quando foram expulsas de seus lares. Também foram forçados a se dirigirem, numa longa marcha regada a fome, poeira e incerteza , para as mesmas regiões para onde outrora haviam mandado os seus irmãos índígenas.

Pena que a voz o Chefe Seatle não tenha chegado a todos esses corações insensatos quando disse:

“Os mortos do homem branco se esquecem da sua pátria quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos nunca se esquecem desta bela Terra, pois ela é a mãe do homem vermelho”.



terça-feira, 26 de abril de 2011

Hume e a reencarnação



David Hume, tricentenário do nascimento"


Uma charge de Loredano publicada no Estadão (e que não é esta que aqui ilustramos) nos chamou a atenção, não pela imagem , mas pela ênfase dada na legenda sobre o "tricentenário do nascimento" de um dos filósofos mais lúcidos do Ocidente.


O pensamento de Hume não se restringiu à preocupações temáticas da vida física e sua metafísica também não se enveredou pelas especulações fúteis da intelectualidade, mal que tanbém ataca a experiência filosófica. Refletiu, em referências vagas, sobre a reencarnação, esse curioso fenômeno natural que ainda assombra as mentes e imaturas. Mais curioso ainda é que mentes de pessoas simples, sem as sofisticações do intelecto, muitas vezes compreendem moralmente esse verso do universo porque desenvolveram a capacidade de ver o mundo pela verticalidade da consciência. Deve ser esse o motivo pelo qual a reencarnação caiu no pântano enganoso das crenças ou então da metafísica vazia e cerebral. Poucas mentes a enxergam como uma lei da Natureza e a maioria a define superficialmente como uma ideologica, incapacitando-as de perceber seus mecanismos mais profundos. Embora sejam complexas as suas articulações com a mente e as experiências humanas, a reencarnação é muito simples como expressão em nossas vidas. Isso talvez assuste aqueles que temem a ressurreição, talvez porque esses, como todos nós, temem a si mesmos num grau mais assustador. Hume parece ter superado esse medo que todos nós temos do nosso verso interior ao despedir-se euforicamente dos amigos no momento da morte.

Mas a legenda que exalta o tricentenário de nascimento do grande pensador esqueceu-se de um importante detalhe, do qual o próprio filósofo certamente concordaria.Não se trata apenas de um marco do seu nascimento do corpo, mas principalmente do renascimento existencial permitido pela possibilidade da volta ao corpo. Hume não parou no tempo e no espaço daquele período no qual marcou muitas vidas ao seu redor e as gerações que o sucederam. Sobreviveu a esse limite da carne, nesta ou em outras das muitas moradas do universo.



Salve Hume.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Um olhar do Paraíso

As reencarnações completivas ainda são desconhecidas por um grande quantidade de pessoas , incluindo muitos espíritas. Elas ocorrem quando o espírito precisa completar o tempo interrompido em outra existência, por inúmeras circunstâncias, situação que gera um desequilíbrio que só pode ser equacionado no plano carnal, sobretudo quando há outros envolvidos nos processos de reajuste. É dessa forma que o espiritismo explica o desencarne traumático e prematuro de crianças, onde os pais também são protagonistas da trama existencial reeducativa. É também o que narra o impressionante filme do diretor Peter Jackson.


Um Olhar do Paraíso apela para a simbologia teológica tradicional e do imaginário popular, porém revela importantes verdades da vida espiritual e sua relação com o mundo dos "mortais". A criança assassinada narra seu próprio drama, a trajetória de seu assassino e também de outras vítimas do seu algoz, animalizado e doente, que se torna mero instrumento das leis de reajuste. Apesar das cenas mais impressionantes do que propriamente chocantes, trata-se de uma ótima oportunidade para discutir a morte e o destino, sobretudo com adolescentes. Minha filha viu e ficou assustada, mas foi resolvendo esse medo inicial com uma série de perguntas sobre quase todas as coisas que intrigam no filme. E são muitas: as características mentais do mundo dos espíritos, os mundos transitórios, a comunicação entre encarnados e desencarnados, a mediunidade de auxílio, resgates, fugas, recusa de compromissos, disciplina e perturbação emocional, enfim, uma trama onde a imortalidade ofusca a tragédia humana e assume um tom poético de paz e esperança.


Título original: (The Lovely Bones) Lançamento: 2009 (Nova Zelândia, Reino Unido, EUA) Direção: Peter Jackson Atores: Saoirse Ronan, Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Susan Sarandon.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Queremos saber

Foto: Folha de São Paulo on line

Ontem um aluno, talvez conhecendo a nossa visão espírita de mundo, nos pediu algumas explicações sobre o que o correu na escola do Realengo. Queria saber se era possível que o assassino estivesse sob a influência de forças espirituais malignas. Naquele instante termináramos de ler na classe o texto "Individualidade e ambiente", fragmento de um estudo ainda mais amplo escrito pelo Dr. Alankardec Gonzalez, sobre personalidades psicopatas. Nele o psiquiatra recorre ao conceito de "racionalização" para nos fazer entender porque tentamos explicar coisas para as quais não existem explicações.

Para fugir de uma explicação espírita simplista (da nossa parte) que poderia parecer oportunista e tendenciosa naquele momento, prontamente recorremos à ética, argumentando que nenhuma explicação poderia justificar esse ato já que, antes de atuar no papel infeliz, o assassino fez a sua opção de escolha: poderia ter se resignado com seu destino e sua prova; poderia ter fugido da situação, adotando todos os mecanismos possíveis de adaptação ao malogro; e ainda ter atacado a situação e pessoas ali envolvidas,como realmente veio a acontecer na tragédia. Mesmo que estivesse sob o efeito de satanás, de espíritos malignos ou de um líder manipulador encarnado, a responsabilidade da escolha e decisão do ato continuaria sendo dele. O suicídio foi o ato final dessa escolha desastrosa.

E as vítimas, seriam apenas um alvo do acaso ou estariam envolvidas num plano maior de resgates de débitos ou mesmo missão voluntária de sacrifício para auxiliar na construção de uma obra mais profunda de respeito à vida?

Teria o assassino alguma ligação com forças tenebrosas das trevas e que o prepararam pacientemente para levar a efeito um plano de vingança ou propaganda dos seus ideais de domínio e opressão contra as hostes libertárias da luz?

Muitos podem estar pensando que essas dúvidas são precipitadas, inconvenientes e até descabidas num momento de choque e luto como esse. Mas de que adianta o silêncio senão aumentar ainda mais a sensação de impotência diante de um fato tão absurdo?

Devemos nos contentar com explicações racionalizadoras da ciência ou também podemos nos valer de uma filosofia que nos leva a questionar o que está por trás desses acontecimentos que jamais poderão ser classificados como normais ou simples tendência de uma época comum?

Queremos saber. Todos queremos saber.

domingo, 3 de abril de 2011

Fala, Raimundão!


Na semana passada desencarnou o amigo Raimundo, de 73 anos de idade (23 a mais do que eu), mulato baiano, alto, magro e de cabelos brancos. Muito falante e cheio de ideias, Raimundo me considerava seu amigo e eu, desconfiado das suas conversas de vendedor (aposentou-se como representante comercial de grandes multinacionais), ficava ouvindo atento as suas longas histórias pensando no por quê ele queria ser meu amigo, já que, segundo o meu preconceito, pessoas experientes não fazem questão de se aproximar dos outros para fazer amizade. Mas ele sempre dava um jeito de se aproximar e principalmente me segurar numa conversa, dizendo “Senta aí, relaxa, me conta as novidades...” Mas quem sempre contava as novidades era ele, sempre. Gostava muito de demonstrar conhecimento e lamentava não ter podido estudar e até confessou que a sua cabeça nunca foi boa para essas coisas. Mal sabia que eu também nunca fui muito amigo dos estudos. Me chamava de "Professor" e nunca pelo meu nome. Nunca falamos sobre espiritismo ou coisas do outro mundo. Ele gostava mesmo era de falar das coisas desse mundo, das “coisas boas”, pescarias, caçadas, mulheres, um pouco de futebol. E também da vida outros. Isso me preocupava porque eram coisas curiosas e atraentes, difíceis de resistir, e também porque ficava intrigado me perguntando se também não falava da minha vida para os outros. Daí a minha desconfiança. As vezes fugia dele, alegando pressa de ir para o trabalho, e apenas saudava de longe: “Fala Raimundão!” De resto era tudo muito legal e gostoso aqueles papos quase unilaterais sobre as mil coisas que se passavam pela cabeça dele. Quando a conversa ia afinando, comentava: “Ficar velho não é fácil, dá um trabalhão manter as coisas em ordem!” Gostava de política e vivia se metendo nos assuntos do condomínio. Queria que eu fosse o próximo síndico. Minha desconfiança aumentou e pensei: “O Raimundão tá querendo me ferrar!”. Era corintiano. Passou umas contrariedades na última eleição, da qual fiquei bem longe (alegando que já havia dado minha contribuição no Conselho), mas não creio que esse tenha sido o motivo do aneurisma que provocou sua passagem. Eu já estava aguardando esse desencarne porque percebia que ele andava muito inquieto e ansioso. Um dia antes me cobrou uma conversa mais longa. Atendi o pedido e tivemos a oportunidade de colocar algumas coisas nos devidos lugares. Nessa conversa, algum tempo depois de iniciada, tivemos a presença de outras pessoas que foram se aproximando de nós, sentindo o clima amistoso e alegre, juntando-se para também se despedir do amigo que ia partir. E se foi o Raimundo, em meio aquela agitação natural dos gritos dos vizinhos, do barulho do resgate, dos parentes chegando desorientados, enfim, a hora dos mortos enterrarem seus mortos. Uma semana depois me perguntaram se tinha ido ao velório, enterro e missa. Fiquei constrangido pela minha indelicadeza. Mas lembrei de uns detalhes curiosos: minha esposa me disse que na noite logo após o desencarne, perambulei pela casa, fora do corpo. Foi uma noite perturbadora, de agonia. Sete dias depois, a noite foi bem diferente. Conversei com o Raimundo. Ele queria falar , mas não conseguia. Dessa vez foi a minha vez de falar... Ele estava bem, mas ainda meio perdido, como eu naquele lugar de triagem e espera. Eu olhava no relógio e também queria dizer ao Raimundão que esse ano vou fazer 50 anos. Ele sorria e, sem dizer uma palavra, informava que me achava bobo, mas que gostava de mim. Acordei diferente e logo pensei: “Não fui no velório, no enterro nem na missa, mas fui num lugar muito melhor. E o Raimundão está vivinho da Silva!”

domingo, 27 de março de 2011

Socorro e preces aos que se matam

A poetisa Francisca Júlia: suicídio e socorro espiritual aos semelhantes

Algumas obras espíritas explicam não somente a gravidade moral do suicídio, mas principalmente as graves conseqüências do gesto. As vítimas dessa verdadeira “cilada” do destino, perturbadas pelas suas condições emotivas e pelas circunstâncias complicadas em que estão envolvidas, cometem uma dolorosa sucessão de erros. Todas elas pedem socorro inconsciente e mesmo assim sucumbem ao intenso desejo de fuga e auto-destruição. Talvez acreditem que estejam entrando em sono profundo para esquecer as dúvidas e tormentas que as incomodam. Ledo engano. Os tormentos decorrentes são os mais cruéis possíveis, tão cruéis que parecem ter sido propositalmente esquecidos na famosa descrição do inferno feita por Dante. A observação é de Yvone do Amaral Pereira, médium e autora de Memórias de um Suicida, em pareceria com o espírito Camilo Castelo Branco. Yvone, como Camilo, também uma ex-suicida, dizia-se exilada na Terra e ainda estar internada numa instituição espiritual de recuperação e que apenas estava iniciando uma nova fase de resgate do erro cometido numa existência anterior.

Essa moléstia psíquica persegue bem de perto os artistas, sobretudo os poetas e escritores, enfermos dos sentimentos e andarilhos em suas existências incertas. Muitos são reincidentes no erro e parecem estar seduzidos pela necessidade de auto-punição, agravando ainda mais seus débitos íntimos. Francisca Júlia, a poetisa que se matou no mesmo dia do velório do seu amado, deve estar muito triste e em prece ao saber dos casos de Cibele e Gilberto. Infelizmente, como relatam algumas crônicas espirituais semelhantes, eles não estarão juntos. Pelo, contrário, o gesto vai mantê-los distantes por um tempo longo e angustiante, não por castigo de Deus, mas pelas suas próprias consciências em culpa. De nada adiantaram os avisos de espíritos amigos e talvez a amizade ofertada pelos voluntários do Centro de Valorização da Vida. Mas a poetisa e muitos outros obreiros socorristas do Além persistem na ajuda e no esclarecimento desses seus irmãos atormentados. Aqui na Terra os voluntários do CVV também continuam a postos.


Atriz Cibele Dorsa morre em São Paulo

A atriz e escritora Cibele Dorsa, de 36 anos, morreu, por volta das 2 horas de ontem. A polícia investiga o caso, mas suspeita que ela se jogou da janela de seu apartamento, na Rua Adalívia de Toledo, no Real Parque, região do Morumbi, zona sul de São Paulo. O noivo de Cibele, o apresentador de TV Gilberto Scarpa, de 27 anos, sobrinho do empresário Chiquinho Scarpa, havia se matado do mesmo modo em 30 de janeiro deste ano. A morte de Cibele foi registrada no 34.º Distrito Policial (Morumbi). Momentos antes de morrer, à 1h49, Cibele falou por meio do Twitter sobre a perda do noivo. Disse lamentar e ressaltou que "não conseguia suportar". Afirmou ainda que "lutou" o quanto pôde. Cibele também foi casada com o cavaleiro Álvaro Afonso de Miranda Neto, o Doda, e tinha dois filhos. 

O Estado de S.Paulo, 27 de março de 2011

quarta-feira, 16 de março de 2011

Mito e mentira

Dédalo e Ícaro: mito sobre as verdades ocultas do livre arbítrio


Num curioso artigo escrito por José Chaves*, sobre questões religiosas e interpretações literais, lemos o seguinte parágrafo introdutório:

“A teologia dos cristãos primitivos era mitológica. As tradições religiosas e mitológicas dos países circunvizinhos da Palestina estão presentes no judaísmo, que os transmitiu para o cristianismo. Aliás, todos os primeiros cristãos, inclusive Jesus, eram judeus. Assim, muitos teólogos cristãos antigos colocaram em suas elucubrações teológicas ideias mitológicas. E é estranho que a teologia cristã do Terceiro Milênio ainda esteja mesclada de mitologia!”

Mais adiante o autor justifica esse raciocínio dando a sua definição de mito e mitologia:

“A palavra base da mitologia é mito, sinônimo de fábula e de mentira. Mitomania é mania de mentir. E a mitologia tornou-se importante nos trabalhos eruditos modernos como subsídio da ciência da história das religiões. Mas questões religiosas mitológicas não devem ser interpretadas literalmente. A própria Bíblia, que recebeu também influências mitológicas, tem muitos textos que não podem ser interpretados literalmente”.

Achamos que o artigo teve boa intenção, mas não foi feliz ao definir esses dois importantes conceitos, certamente com a intenção de justificar o título e os demais argumentos, aliás apresentados com muita riqueza de referências bíblicas.

No entanto, temos nós uma opinião bem diferente dessa abordagem da tradição aristotélica.

Mito significa metáfora, símbolo, mistério, enigma, ou seja, verdades ocultas que podem ser reveladas segundo a capacidade dos observadores e intérpretes. As parábolas de Jesus estão repletas de mitos educativos voltados para os dois aspectos da natureza humana: a mentalidade infantil e a mentalidade madura. A racionalização empregada na interpretação do mito transforma o mesmo em algo incompatível com esses modelos filosóficos lógico-racionais. Mas nem todas as coisas lógicas são verdadeiras. Evangelho, por exemplo, é mito ou leitura simbólica das nossas limitações íntimas. Portanto, Evangelho é ilógico e subjetivo. Deixa de ser mito quando é racionalizado e quando passamos a mentir para nós mesmos. Mitologia talvez seja mentira do estudioso do mito.


*José Reis Chavez. Questões religiosas não devem ser interpretadas literalmente. Publicado no Jornal OTEMPO em 14/03/2011 e no Blog de Espiritismo.

sábado, 12 de março de 2011

Quem somos nós?


Das muitas referências que encontramos na internet sobre física quântica, a que mais nos esclareceu sobre o tema foi o documentário "Quem somos nós", que já havíamos assistido há alguns anos por indicação do amigo e professor Ivan Ameida. No Youtube ele está dividido várias partes. Essa primeira parte que aqui publicamos nos dá um boa noção do que o documentário contém e das possíveis relações que podemos fazer do tema com o Espiritismo. Uma delas é a hipótese panteísta, refutada por Kardec em obras póstumas.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Alguém poderia explicar o que é Física Quântica?

Silêncio, gênios pensando: Max Planck conversa com Albert Einstein. Do que será que eles estão falando?


Uma entrevista do médium José Raul Teixeira declarando que a associação entre espiritismo e física quântica é “fanfarronice” empolgou muitos críticos espíritas. Teixeira não é apenas médium espírita, mas também é catedrático em física. Explicou porque os espíritas religiosos e místicos se entusiasmaram com essa idéia de que a nova física pode explicar o mundo espiritual e comprovar a existência do espírito. Assunto delicado e complexo, mesmo porque o próprio Teixeira deixou claro que muitos físicos não conhecem física quântica, dando a impressão de que se trata de um segmento obscuro e marginal no meio acadêmico.

Então a física mecanicista de Newton ainda vale como paradigma dominante? O universo é previsível e certo como exatidão matemática? Física quântica se opõe à física tradicional?

Realmente são coisas muito difíceis de entender, tanto que os próprios físicos se mostram cautelosos ao falar sobre o tema. Nós que somos leigos então, ficamos a ver navios nesse imenso oceano da ignorância e temos mais é que calar a boca. Será que ainda podemos ter dúvidas?

Alguém poderia explicar, à luz da física, o que significa esse trecho do famoso artigo de Carl Rogers?

(...) Os velhos padrões se desvaneceram. Isto nos inquieta e nos deixa incertos.

A busca por uma unidade material (moléculas, átomos, núcleos do átomo, inúmeras micro-partículas) do universo foi infrutífera. Ela não existia. As partículas eram padrões de energia oscilante. Toda nossa percepção da realidade se desvaneceu em irrealidade. Nosso mundo era diferente de qualquer coisa que tivéssemos imaginado. Não existe solidez nele.

A ciência – pedra angular da nossa era tecnológica- não é mais simplesmente um sistema linear de causa e efeito, mas é uma descrição maravilhosamente complexa do processo recíproco de causa e efeito através do qual o universo está criando a si próprio!

A realidade, como a temos conhecido – matéria, tempo e espaço – não existe mais de nenhuma forma fundamental. Estamos frente a uma realidade misteriosa de energias oscilantes que operam formas bizarras. É uma realidade de uma interconexão quase que mística , uma relação que participa cada entidade, tanto animada quanto inanimada. Como indicou um grande cientista, o universo não se parece mais com uma grande máquina. Assemelha-se a uma grande “idéia”.

Do que ele está falando? O que significam essas reflexões e todas essas pesquisas? Teria sido esse o motivo de Rogers ter, no final da vida, admitido a existência e a comunicação com os espíritos?

As pesquisas de J.S. Bell –1964 a 1972 - sugeriram um universo interconectado em cada evento está em conexão com todos os outros.

Partículas gêmeas, com o mesmo spin, poderiam ser separadas. Se o spin de uma dessas partículas é alterado,o spin da outra muda instantaneamente. Como essa partícula “sabe” o que está acontecendo à sua partícula gêmea?

Existe no universo um misterioso e desconcertante vínculo de comunicação.

Nesse novo paradigma, matéria, tempo e espaço desaparecem como conceitos absolutos ou como conceitos significantes. Existem apenas oscilações. A solidez de nosso mundo desapareceu. O velho paradigma não serve mais.”


Sinceramente, estou perdido e preciso urgentemente entender todas essas coisas e principalmente compreender o que tudo isso tem a ver com o Espiritismo.

“(...) A ciência – pedra angular da nossa era tecnológica- não é mais simplesmente um sistema linear de causa e efeito, mas é uma descrição maravilhosamente complexa do processo recíproco de causa e efeito através do qual o universo está criando a si próprio!

Fritzjof Capra e Gary Zucav demonstram a convergência entre a física racional e teórica do ocidente e o esoterismo pragmático oriental”.

Por favor , alguém poderia explicar?

Puxa vida! E eu que estava tão empolgado...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Vidas passadas ou reencarnação?

Past Life, série televisiva da Fox



A Vida e as Existências

Sempre somos questionados se é correto na concepção espírita o uso da expressão "vidas passadas", muito utilizado em língua inglesa (past life) e se esta é o equivalente para o termo "reencarnação", mais utilizado na cultura espírita.

Pensamos que reencarnação é uma nova experiência na carne e não uma nova vida. Voltar à carne significa uma nova existência e não uma nova consciência, uma nova individualidade. Trata-se de um recomeço existencial, uma nova consciência existencial, no sentido de renovação de experiências, que no universo simbólico das religiões e filosofias se expressa como renascimento da alma ou "ressurreição", no sentido de despertamento, quebrar o ciclo da alienação orgânica-material e acordar para a Vida.

Assim, pensamos nós, que as existências podem ser muitas, mas a Vida é única.

A fragmentação existencial das encarnações e suas variações sociais, espaciais e temporais é necessária para resgatar e repor experiências perdidas ou traumáticas.

Essa tem sido a grande dificuldade que muitas pessoas ainda experimentam para compreender a reencarnação, esforço que não é fácil até mesmo para mentes intelectualizadas, mas ainda espiritualmente imaturas e que precisam de "tempo" para aceitar e compreender essa realidade. Confundem consciência com existência e até se remetem aos antigos preceitos populares e deterministas da metempsicose, na qual a alma humana regride em experiências irracionais. Mesmo com o suporte das experiências científicas, que mostram evidências e provocam reflexões positivas, este é um assunto de repercussão íntima e que exige um sólido preparo emocional para suportar a dolorosa desestruturação de antigos paradigmas internos e culturais. Na processo perturbador do despertar da mediunidade de prova é que podemos mensurar o quanto é crítica e traumática essa experiência.


Foi também nesse sentido que Kardec se referiu aos espiritualistas ingleses e norte-americanos, sobre o conflito aceitação-rejeição desse tema na cultura racionalista anglo-saxônica.

No universo espírita essa concepção se desdobra para outras esferas, como por exemplo na educação, na qual podemos avaliar a nossa capacidade de compreender e medir o impacto da filosofia espírita individualmente em nossas vidas. Muitos ainda pensam que ensinar e aprender espiritismo se restringe ao aspecto existencial do intelecto e que a transformação da consciência é consequência natural. Outros, não tão simplistas, acham que tal transformação, apesar de concordarem com esse processo natural, entendem que o mesmo é complexo, dialético, e que normalmente ocorre em situações de crise espiritual. Uns preferem o ritmo da existência, protegido pelos mecanismos racionais e disfarces sociais; outros optam pela abertura emocional (sentimentos) e que dão acesso rápido ao cerne da crise ou da insatisfação do espírito encarnado. Ambos são processos graduais, porém com metodologia e epistemologia diferentes entre si. Questão de preferência e também de necessidade pessoal. Cada um no seu tempo, cada um no seu ritmo. Essa é a distinção que também fazemos entre pedagogia (existência) e andragogia (consciência) espírita.



domingo, 20 de fevereiro de 2011

Chico Xavier na Sapucaí: olhai por nós

O desfile da Beija-Flor em 1989 encenando o tema da miséria e dos contrastes sociais do Brasil

Um carro alegórico para homenagear Chico Xavier no carnaval da Sapucaí. A notícia corre na velocidade digital e mexe com os brios dos espíritas que acham que o Espiritismo é coisa sagrada, acima das torpezas humanas e intocável pelas paixões dos homens. Pedimos calma e bom senso. É só uma homenagem, mesmo que oportunista, como foram todos os títulos de cidadania que Chico Xavier recebeu nos estabelecimento políticos.

A sacralização de Chico Xavier e do Espiritismo não faz parte da doutrina espírita, mas do olhar dos espíritas religiosos que ainda vêem o mundo pela ótica maniqueísta. Chico Xavier foi um médium das massas. Se tivesse vivo reagiria com muita cautela e muita gratidão a esse reconhecimento numa festa mundana que é a cara e a alma do Brasil. Não me sinto ofendido ou desrespeitado por ver Chico Xavier e o Espiritismo encenados na passarela do samba. Pelo contrário, lutamos tanto para que a doutrina ficasse conhecida e hoje temos que lutar para que não seja deturpada. Não vamos perder a calma nem a compostura.

Em 1989 o carnavalesco Joãzinho Trinta foi proibido de usar a figura do Cristo num carro alegórico que falava de pobreza e miséria. A Igreja bateu o pé, acionou suas influências e o carro teve que ser refeito. E esta reinvenção despertou no artista censurado algo ainda mais profundo do que a mensagem original. O Cristo foi coberto com uma imensa lona plástica escura e percorreu o sambódromo exibindo uma frase ainda mais desconcertante para atingir os hipócritas e puristas: “Mesmo proibido, olhai por nós”.

Essa é a lição que devemos aprender quando alguém resolve falar de Espiritismo nos ambientes considerados profanos. Fiquemos serenos e confiantes. É só mais um carnaval.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Wilberforce e o cheiro da morte


Somente agora, quatro anos depois do seu lançamento, conseguimos ver “Jornada pela Liberdade” (2006), uma das mais comoventes histórias sobre as lutas pela abolição da escravatura. Ela também nos faz lembrar que no mundo atual ainda existem milhões de pessoas submetidas ao cativeiro do trabalho compulsório dando-nos a impressão que recuamos no tempo e na história

Apesar de ser uma atividade degradante e moralmente inaceitável , a escravidão foi aos poucos sendo encarada com naturalidade nas civilizações modernas, por incrível que pareça inclusive nas sociedades cristãs. Essa naturalidade se propagou como senso comum principalmente por causa da intensa e lucrativa atividade comercial. Se não houvesse o comércio como estabelecimento legal, o tráfico de pessoas teria se desgastado rapidamente. Por causa do comércio e dos lucros, as vítimas simplesmente tiveram negadas a sua condição humana e o seu valor cultural. Eram vistos como animais cujos costumes primitivos e não “civilizados” justificava a atividade nefasta e criminosa dos seus exploradores. Esse era o pensamento de Willian Wilberforce (1759-1833), membro do parlamento inglês que liderou a cruzada contra escravatura no Império Britânico. Esse raciocínio também se aplica perfeitamente ao Brasil, que só conseguiu iniciar a extinção dessa doença social quando, por pressões inglesas, a Lei Eusébio de Queirós proibiu o tráfico em 1850. Uma nação que construiu a sua história com essa mancha não poderia passar impune aos olhos da justiça Divina e o nosso país ainda tem muito que resgatar dessa pesada dívida espiritual. Nas poucas vezes em que citou o Brasil nas suas reflexões Allan Kardec não deixou de lembrar os leitores que o progresso da doutrina e da nação passava necessariamente pelo fim da escravidão. A mensagem foi compreendida pelo editor Telles de Menezes e o Echo Além Túmulo passou a fazer sua conhecida campanha abolicionista na Bahia. A religião oficial e dominante, como não poderia deixar de ser, foi durante muito tempo conivente com essa situação constrangedora, contrariando os princípioshumanitários seguidos por muitos dos seus membros e ativistas. Em Brasil Coração do Mundo, obra que ainda provoca a desconfiança de intelectuais avessos à verdades espirituais, Humberto de Campos nos conta que muitos escravos trazidos ou nascidos no Brasil eram antigas almas romanas já iniciadas nos valores da humildade e que aqui reencarnaram para auxiliar seus irmãos e cúmplices em graves provas o destino.

A prática odiosa da escravidão, muito comum na Antiguidade, havia sido restaurada nos moldes capitalistas mantendo os mesmos abusos e requintes de crueldade. Portugueses e espanhóis, herdeiros da cultura escravista fenícia e moura, rapidamente foram imitados pela Holanda , França e Inglaterra. Segundo o Espírito Emmanuel, enquanto a França tinha como compromisso a difusão da liberdade, o Império Britânico tinha como missão civilizatória extinguir a escravidão e resgatar grande parte dos débitos trazido pelo antigos cidadãos romanos agora reencarnados nos territórios da comunidade britânica. A luta seria longa e exaustiva, pois ali também estariam, ocupando postos importantes, as mesmas almas que comandaram a poderosa máquina da escravidão romana.Wilberforce e seus colaboradores usaram dos mais variados expedientes para implantar essa idéia no cérebro político da Inglaterra conservadora. Um deles foi um passeio pelo rio Tâmisa, conduzindo uma elite formadora de opinião. Numa certa altura do percurso e em meio a um sofisticado coquetel, o barco encosta ao lado de um fétido e repugnante navio negreiro atracado no porto de Londres causando horror e vômitos nos convidados. E Wilberforce se dirige assim aos ilustres turistas, para depois convencê-los pacientemente das suas incríveis intenções: “ Senhores, respirem fundo, pois este é o cheiro morte”.

Entre os colaboradores de Wilberforce estava John Newton, ex-capitão de navio, traficante de escravos convertido ao evangelismo e também autor do famoso hino que deu otítulo original ao filme (Amazing Grace ) estrelado pelo ator Ioan Gruffudd. O pastor John Newton, morreu em 1807, cego e ainda corroído pelo remorso, no mesmo ano em que o Parlamento se rendeu e aprovou o ato contra o comércio de escravos.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Kardec insuperável?


“Pessoalmente Allan Kardec era de estatura média. Compleição forte, com uma cabeça grande, redonda, maciça, feições bem marcadas, olhos pardos, claros, mais se assemelhando a um alemão do que a um francês. Enérgico e perseverante, mas de temperamento calmo, cauteloso e não imaginoso até a frieza, incrédulo por natureza e por educação, pensado seguro e lógico, e eminentemente prático no pensamento e na ação. Era igualmente emancipado do misticismo e do entusiasmo... Grave, lento no falar, modesto nas maneiras, embora não lhe faltasse uma certa calma dignidade, resultante da seriedade e da segurança mental, que eram traços distintos do seu caráter. Nem provocava nem evitava a discussão, mas nunca fazia voluntariamente observações sobre o assunto a que havia devotado toda sua vida; recebia com afabilidade os inúmeros visitantes de toda parte do mundo que vinham conversar com ele a respeito dos pontos de vista nos quais o reconheciam um expoente, respondendo a perguntas e objeções, explanando as dificuldades, e dando informações a todos os investigadores sérios, com o quais falava com liberdade e animação, de rosto ocasionalmente iluminado por um sorriso genial e agradável, conquanto tal fosse a sua habitual seriedade e conduta que nunca lhe ouvia uma gargalhada (...)”


A adoração e mitificação de Allan Kardec no meio espírita realmente é um fato contra o qual não temos argumentos. Os adjetivos para exaltar a figura venerável de Allan Kardec entre alguns espíritas às chega muitas vezes aos limites do exagero. O último desses repentes românticos é dizer que as obras de Kardec são “insuperáveis”, como se as mesmas fossem peças sagradas de uma revelação religiosa fundamentalista ou tese científica fora dos padrões acadêmicos e queultrapassam milagrosamente os limites e reflexos da época e do contexto em que foram produzidas. Quem faz esse tipo de afirmação ignora a história e a filosofia ou então não leu Kardec com o olhar sereno e auto-crítico que o próprio mestre francês faria sobre si e a sua obra. Herculano Pires conhecia como ninguém e era apaixonado pela obra de Kardec mas, mas nunca ultrapassou as marcas sensatas do elogio ao enaltecer a “atualidade” das obras básicas. Ver Kardec dessa forma, “insuperável”, significa que os espíritas não conhecem os limites do conhecimento humano, mesmo em outras dimensões, já que o fato de mudarmos de plano existencial através do desencarne não nos transforma também milagrosamente em pessoas diferentes daquilo que éramos quando encarnados. Kardec e os Espíritos Superiores admitem que a Verdade existe, mas nunca nos iludiram de que pudéssemos conhecê-la integramente só pelo fato de nos tornarmos simpatizante do Espiritismo. Mesmo a metodologia e a organização didática aplicada na codificação (no sentido de comunicação, e não nesse sentido vulgar de legislador que tentam dar a Kardec) jamais foram apresentadas como tratados dogmáticos permanentes e insubstituíveis. Não, Kardec jamais desejaria para nós aquilo que tanto combateu a vida inteira para si mesmo: a escravidão mental, o medo, a superstição e a prostração ingênua diante dos desafios e questões intrigantes que a vida nos impõe. Isso não diminui em nada a admiração que temos por ele e pela sua luta em contribuir para fosse implantado um novo paradigma de conhecimento. Pelo contrário, quando nos lembramos da época em que ele viveu e das dificuldades que enfrentou para expor suas idéias, imediatamente o trazemos par o século XXI, não como referência absoluta em termos filosóficos e científicos, mas certamente como modelo humano relativo de postura intelectual e conduta de comunicador.

Façamos um teste para verificar que tipo de impressão Kardec nos causa como referência, a mesma que temos ao ler suas obras : se de natureza mítica e superficial ou então reflexiva e racional. Leiamos com admiração, porém com muita atenção e crítica, a descrição dele feita por Anne Blackwell ( registrada por Artur Conan Doyle), para saber se estamos olhando Kardec de maneira real ou idealizada. O resultado, como não poderia deixar de ser, continuará sendo subjetivo e dentro dos limites pessoais da cada leitor .

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Um cartão de crédito com nome de Bezerra de Menezes

O apóstolo Paulo na prisão: reflexões e recomendações sobre as implicações da ética cristã


O Lar Fabiano de Cristo, entidade assistencial carioca de origem espírita, lançou o projeto de um cartão de crédito denominado OBEM - Organização Bezerra de Menezes, em parceria com uma empresa especializada. O negócio dará ao Lar 13% dos lucros da comercialização do cartão, ficando 87% com a empresa proprietária do cartão.

Trata-se de um negócio totalmente lícito, do ponto de vista financeiro e tributário, porém duvidoso, inconveniente e até perigoso do ponto de vista ético, já que o nome Bezerra de Menezes,muito caro e emblemático ao universo espírita, está sendo usado como símbolo principal de propaganda financeira. O nome Bezerra de Menezes não pertence ao Lar Fabiano de Cristo, muito menos a entidade financeira em questão, mesmo que a intenção e os fins sejam inquestionavelmente honestos. O que se questiona é o aspecto ético dos meios (e não dos fins) da utilização de um nome cuja reputação em certos meios espíritas é considerado “sagrado” e incompatível com as conseqüências que esse negócio pode ter. O jornalista Luciano dos Anjos foi a primeira voz a dar o alerta sobre esse risco e enviou-nos um manifesto explicando sua reação. Ele conhece a seriedade do Lar Fabiano de Cristo e é amigo pessoal de alguns de seus dirigentes e, mesmo assim , não deixou de fazer esse alerta, ou seja, cumprir aquilo que ele chama de “dever espírita”. Dias depois enviou-nos outro texto, dirigido à uma amiga voluntária do Lar justificando e reafirmando essa sua decisão.

Eis o trecho do primeiro manifesto:

"(...) O pior é que neste nosso caso ainda usam o nome respeitável de Adolfo Bezerra de Menezes para servir de argumento de venda do produto. O projeto (ou projétil?) já surge ornado de pompom acetinado (ou pom-pom militar?), para melhor encantar e atrair os distraídos. Nada mais vendável do que o nome consagrado de Bezerra de Menezes, que acaba de descer das alturas da sua condição de espírito altamente evoluído para, em comovente mensagem, estimular e apoiar a jogada financeira. O cartão de crédito se chama OBEM, sigla de Organização Bezerra de Menezes, o benfeitor que carimbou o negociarrão. Como acreditar? Por qual médium? Onde? Em que reunião?

Mas Bezerra não é aquele inesquecível médico dos pobres, que deu o anel de grau para ajudar uma infeliz mulher à sua porta com dificuldades graves? Ele, que sempre deu, que nunca pediu nada para si, que largou o mundo da política para se preservar das implicações conjunturais dos acordos e negócios, logo ele resolveu agora apoiar o “cartão de crédito dos espíritas”? Naturalmente sua próxima manifestação será de garoto propaganda, induzindo os espíritas a aderir em massa. Afinal, Bezerra sempre foi muito bom de marketing. É usado em eleições; por que não ser aproveitado no lucrativo ramo dos negócios?

E depois, quando o pai ou a mãe de família por qualquer razão não puder quitar a fatura? Bezerra vai instruir para que alguém ceda mais um anel, ou, como fez o pai do André Luiz com o amigo Silveira, vai mandar para o cartório executar a dívida, tomar até a geladeira, a televisão, a bicicleta do filho do devedor? E daí? Devedor que é devedor não tem de escapar da cobrança. Quem mandou se endividar? Tomasse vergonha e não gastasse sem poder. Agora que se arranje com a lei. Que seja até despejado, com família e tudo. É o carma. A Organização e seus ilustres dirigentes é que não podem arcar com o prejuízo. “Business is business”.

Sobre as razões do Lar, Luciano dos Anjos fez o seguinte lembrete, que serve de exemplo para todas as instituições espíritas que se enveredam por caminhos semelhantes:

“Contudo, em minha apreciação o Lar Fabiano de Cristo cometeu ou quer cometer o mesmo erro fatal que cometem muitas instituições, centros, grupos, hospitais, a despeito do ideal espírita que os fundou e mantém. Acabou dando passo maior do que podia. Cresceu demais, assumiu responsabilidades demais e, agora, fica imaginando meios de suprir suas necessidades e de manter sua gigantesca estrutura assistencial. Nessa hora, como ocorre a qualquer pessoa de bem, acentua-se a ansiedade, aumenta a adrenalina e, então, começam a explodir ideias e projetos estapafúrdios. Considero válidos todos esses esforços, mas não todos os meios. E se acontece o envolvimento indevido do espiritismo, asseguro que nenhum espírito iluminado dará cobertura, sequer endosso indireto. Se faltam recursos, os rumos e gastos devem ser revistos”.

Mais detalhes sobre o projeto OBEM: http://www.clubedearte.org.br/obem.html

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Há quanto tempo você não desabafa?



Numa época em que as redes sociais ganham cada vez mais espaço, o isolamento e a solidão ainda persistem na experiência humana.

Mesmo convivendo em meio ao barulho e agitação das multidões, milhares de pessoas ainda experimentam diariamente a desconfortável sensação de abandono e desprezo. Querem conversar, falar de si, das suas angústias, mas não têm oportunidade ou coragem suficiente para abrir seus corações e expor seus sentimentos. Elas precisam de um tipo de amizade que vai muito além das relações comuns e superficiais nas quais a maioria parece estar satisfeita. Elas precisam falar, desabafar e até mesmo chorar, até que se sintam aliviados, mais leves e continuem tocando suas vidas.

A gente nem imagina quantas pessoas existem e vivem assim, na maioria das vezes sem rumo e sem esperança. Se você conhece alguém que esteja assim, tente dar um pouco mais de atenção para o que ela tem a dizer. Um detalhe curioso: o que ela não quer dizer também é muito importante e talvez seja o ponto mais crucial do seu sofrimento silencioso.

Se você acha que não tem tempo ou pensa que não possui jeito para ouvir desabafos, faça pelo menos a gentileza de oferecer discretamente o telefone do CVV ou de outro serviço voluntário de ajuda emocional.

Assim, todos vão ficar se sentindo bem, inclusive você.

Ligue 188 e veja se não é a pura verdade!