segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Constantes na inconstância


“Ama e trabalha. Trabalha e serve. Perante o bem quase sempre temos sido somente constantes na inconstância e fiéis à infidelidade, esquecidos de que tudo se transforma, com exceção da necessidade de se transformar” – Militão Pacheco


Uma colega que trabalhou algum tempo como assessora numa entidade espírita , enviou-nos um e-mail externando sua decepção com os companheiros de ideal. Num trecho da carta eletrônica – o qual achamos muito significativo - ela nos disse :

“ A exemplo de Canuto Abreu também me afastei completamente do Movimento Espírita e hoje trabalho apenas como profissional”. Ela se referia à matéria publicada neste blog sobre as antigas divergências entre Canuto e Herculano e mais adiante solicitou:

“Há pouco eu conheci seu blog e gostaria de lhe perguntar: você conhece algum familiar de Canuto Abreu? Eu gostaria muito de conhecê-los”.

E respondemos:

“Grato pelo seu contato e pelo incentivo a respeito do blog. Não tenho notícias dos parentes do Dr. Canuto. Tudo que sei foi obtido de pessoas que conviveram com ele em diferentes épocas da sua militância. A última delas foi o Dr. Paulo Toledo Machado, do Museu Espírita de São Paulo. Segundo esse antigo militante, o Espírito Canuto Abreu é muito ligado ao museu e trabalha intensamente para que haja uma difusão da cultura histórica e da memória do Espiritismo. Creio que ele não está mais magoado e hoje talvez reconheça , como muitos outros “combatentes”, que agiu mais por fraqueza emocional do que por convicção ideológica. Fico muito contente que , embora afastada do esquema "oficial", você ainda mantém a mesma disposição para continuar o trabalho por outros caminhos. Embora não pareça, estamos mais envolvidos no movimento (o Verdadeiro, espiritualmente falando) do que você imagina. Tente lembrar-se do que acontece durante as suas noites de sono e você vai perceber o quanto estamos atuando e antenados em tudo o que acontece.

Um grande abraço e mande notícias!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Dia da Consciência Brasileira

Projeto do Parque Memorial Quilombo dos Palmares em Alagoas
Talvez se antecipando às comemorações do Dia da Consciência Negra (21 de novembro) – em memória da Nação de Zumbi dos Palmares - a amiga e ativista espírita Magali Bischoff nos repassou um e-mail sobre as faces e disfarces do racismo no Brasil. Todo o texto pode ser resumido nessa história e sobre ela nos foi questionado o seguinte: qual a sua opinião? A pergunta também foi enviada para outros dois articulistas cujas idéias não tive a oportunidade de conhecer.


“Conheci um angolano na UFRJ que dizia que sempre sonhou em vir conhecer a democracia racial do Brasil. Que pensava que aqui, onde conseguimos solucionar o problema das raças, ele encontraria também a solução para os problemas raciais de Angola. Desembarcou no Galeão cheio de esperanças e foi almoçar no Centro da cidade. Suas esperanças não sobreviveram ao almoço.No restaurante, todos os clientes eram brancos e todos os garçons eram negros.Acho que só saindo do Brasil e voltando, pra gente conseguir entender como essa cena é insólita. E racista”.

E respondemos
Minha opinião é a seguinte: nenhuma sociedade que foi durante séculos conivente com a escravidão e todas as crueldades e humilhações decorrentes dela poderia, da noite para o dia, limpar da memória ou dos seus hábitos as marcas do racismo.

Durante todos esses anos a instituição da escravidão nos educou para acreditarmos que os negros eram inferiores, que o trabalho jamais poderia ser uma lei da natureza ou fator de evolução, pois, afinal de contas, trabalho pesado era coisa de negros; e finalmente que a própria escravidão era exclusividade da raça negra.

O tráfico de escravos e toda a superestrutura intolerante e injusta do Antigo Regime (nobreza, absolutismo político e religioso) alimentou essa perversão moral que se nutria da desigualdade e, pior, da crença que isso era verdade.

Somos racistas em todos os aspectos possíveis porque ainda não tivemos coragem de nos libertar dos nossos preconceitos. Para que isso ocorra será necessário um grande esforço de reflexão em todas as esferas sociais. E depois desmontar pacientemente essa complexa trama do tecido social brasileiro, construída por uma sucessão imensurável de preconceitos: de cor, de raça, de religião, de idéias, de sexo, de classe, de profissão, enfim, preconceitos.

Mesmo assim, ficam os resquícios, os traumas, os recalques, os sentimentos negativos. Sem contar, em nosso caso, que a reencarnação apaga lembranças, mas não elimina tendências e reminiscências inconscientes.

Se não é fácil lutar contra um inimigo declarado e aparente, imagine aqueles que estão ocultos e que nos surpreendem nos becos ainda obscuros da consciência?

Abraços!

Dalmo

"Quintino de Lacerda, um dos líderes abolicionistas de um quilombo de Santos. O Quilombo do Jabaquara foi um dos maiores do Brasil e recebeu até 10 mil negros fugidos de fazendas do interior paulista. Fundado por iniciativa do abolicionista Xavier Pinheiro, em 1882, ficou instalado em terras do próprio Quintino , um negro alforriado".


domingo, 9 de novembro de 2008

Manvantara, o Grande Plano




Este é o Manvantara, grupo de música brasileira instrumental criado na década de 1980 por jovens de Santos e São Vicente. Estreamos num festival em Cubatão e depois nos apresentamos no circuito universitário Gente Nova, ao lado de outros grupos como “Peito Rasgado” e “Copos e Bocas”. Também chegamos a tocar na famosa feira alternativa da Vila Madalena, em São Paulo. Essa matéria do jornal A Tribuna (clique na imagem para ampliar) tratava de uma Mostra de Arte realizada no Centro de Cultura de Santos , em benefício do Centro Fraterno de Amizade, entidade mantenedora do CVV. Eram tempos de utopias e das primeiras lições e experiências antes das grandes provas da Vida.
Curiosidades da reportagem: a presença do grande fotógrafo e hoje internacional Araquém Alcântara; o stand da Sharp, lançando o consórcio dos seus mais novos produtos tecnológicos (câmara e videocassete); o preço do ingresso, vendido na minúscula e até hoje atuante livraria espírita Pingo de Luz, no Gonzaga. A FILMESP - Filmes Espíritas ( C.E. Ismênia de Jesus), do amigo Brasilino, registrou todos os lances da Mostra.
O nome da banda foi escolhido para contemplar a diversidade filosófica dos componentes: da esquerda para direita, em pé: Bill (violão, guitarra e voz), Maurão (guitarra) e William (sax e clarinete). Sentados: Dalmo (voz e percussão), Gilberto (flautas) e Mia (baixo e voz).
Além de pretensioso, Manvantara era um nome difícil de explicar para os repórteres e outros curiosos, mas a música era simples, suave e agradável aos ouvidos. Na foto está faltando o sempre amigo e irmão Zé Názara, excelente artista plástico, meu professor de bateria e hoje ativista de uma ONG para resgate social.
Explicando, mais uma vez: Manvantara é na mitologia hindu o grande plano evolutivo do Universo, no qual Deus inspira e expira em milhões de anos, num eterno ciclo criador.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Ser e não ser espírita


Não vivemos mais na época do “crê ou morre”, mas volta e meia circula entre nós – agora na velocidade dos e-mails – algumas idéias sobre pureza e conduta doutrinária que nos causam um certo espanto. Seguindo uma obscura e infeliz tradição em nosso meio , alguns autores falam fartamente das práticas classificadas por eles como “estranhas”, “antidoutrinárias”, “ignorantes”, “de conhecimento incompleto” e muitos outros adjetivos aplicados aos procedimentos que vão desde os mais corriqueiros gestos de sincretismo religioso aos abusos e escândalos de fazer corar os mais tradicionalistas. Interessante é que esses articulistas chegam mesmo a dar nome a certas práticas que eles e muito outros não aceitam como “autenticamente espíritas”, o que para nós, ao invés de esclarecer, confunde ainda mais, pela absoluta falta de critério ou categorização dessas análises. Não basta pegar trechos soltos da Codificação para justificar esse tipo raciocínio e julgamento crítico. É preciso ter ética. É um hábito historicamente perigoso esse de medir o comportamento alheio com a régua das nossas exigências e pontos de vista , muito próximos das conhecidas práticas intolerantes e inquisitoriais do passado. Como discurso pessoal, até dá para aceitar e respeitar. Admiramos, inclusive, pela coragem. Mas quando carregado de ideologia particularista, com marca institucional das associações e entidades , fica bastante preocupante e muito incoerente.

Ao ler esse tipo de discurso retilínio, típico dos “zelotes” da moral e dos bons costumes dos templos, também ficamos desconfiados e inevitavelmente nos vêm do íntimo sempre as mesmas dúvidas.

Afinal, o que é ser espírita, ideologicamente falando?

Que parâmetros temos para julgar ou analisar se algo é ou não é espírita?

Quem tem o poder para decidir e a capacidade de mensurar o grau de fidelidade ou comprometimento com a ideologia espírita?

Existe um padrão, referência ou paradigma de conduta e ideologia espírita?

Afinal, somos ou não somos cristãos? Podemos ou não podemos ser cristãos, sendo espíritas?

Por que as críticas contra esses comportamentos “não espíritas” quase sempre ficam no terreno das subjetivas “práticas doutrinárias” e nunca no comportamento daqueles que articulam e disputam posições políticas no meio espírita?

Será que só existem “missionários” e “mistificadores” entre os médiuns e os obreiros de tarefas simples das casas espíritas?

Por acaso não temos dirigentes e articuladores que se comportam de forma indigma nas suas atitudes entre irmãos de ideologia?

Não é coincidência que o discurso purista e ortodoxo no movimento espírita quase sempre partiu, historicamente falando, de pessoas ligadas aos setores profissionais tradicionalmente corporativos, cuja credibilidade sempre foi sustentada, não pela competência , mas pelo exercício da exclusividade e do privilégio. E essas características, todos sabem, vêm sendo mantidas a duras penas diante da decadência moral e proletarização social de suas funções. Antes eram somente algumas categorias profissionais que se incomodavam com as práticas exercidas nos centros espíritas. Agora temos novas corporações que estão adotando o velho discurso reacionário e que afrontam as mais antigas tradições de bondade e respeito pela dor humana. Estes, quando ascendem ao poder de cargos institucionais e de comunicação, são geralmente os mais exigentes e intolerantes nas suas opiniões e ações políticas nos centros espíritas e outros segmentos. Perguntem a profissão desses intolerantes e , com raríssimas exceções , não vamos descobrir a verdadeira gama de interesses e limitações pessoais que estão ocultos em seus discursos puristas e ortodoxos.

sábado, 25 de outubro de 2008

Viver é fazer escolhas

Robin Willians e Annabella Sciorra em "Amor Além da Vida": desvendando os enigmas da morte.


Algum tempo atrás o amigo Bruno nos enviou este e-mail com algumas dúvidas sobre coisas que realmente são preocupantes em pessoas que estão tendo a oportunidade de passar por momentos de transformação. Dessa forma, trocamos as seguintes impressões:

“Dalmo, assisti a uma reportagem sua no programa Fronteiras da Ciência, da Unisanta TV, e gostaria de pedir sua ajuda a respeito de dúvidas que possuo sobre a mediunidade. Tenho um imenso medo da morte e do que existe depois dela e, apesar de considerar a vida no pós-morte, sou um pouco cético. Por favor, se puder ajudar a tornar-me um médium, ou me dar diretrizes para que eu tenha algum contato com algum espírito de forma a me fazer sentir sua presença, isso tornaria minha vida extremamente mais suave e feliz, pois todos os dias que passo eu penso na morte. E isso me traz uma aflição enorme e quando passei a ouvir relatos de pessoas próximas me acalmei um pouco. Então preciso sentir pessoalmente essa realidade. Se puder ajudar, eu lhe agradeço desde já,
Muito obrigado


Resposta


“Caro Bruno, não somos nenhum mestre das coisas espirituais, mas podemos lhe falar um pouca da nossa experiência pessoal sobre esse assunto. Talvez lhe ajude de alguma forma.

1. O melhor ambiente para nos acostumarmos com a realidade espiritual é o Centro Espírita. Encontre um centro onde você possa freqüentar habitualmente, receber passes e orientações doutrinárias. Esse contato é muito importante não somente para a aprendizagem intelectual, mas principalmente para a nossa transformação moral, efeito inexorável dos novos conhecimentos. Não basta mudar o ponto de vista, é preciso mudar de atitude. Allan Kardec e muitos outros grandes nomes conheceram o Espiritismo já na maturidade e só compreenderam os ensinamentos quando perceberam que era preciso ir além das informações teóricas. No centro você vai encontrar muitas oportunidades de romper essas barreiras. Se você não gosta de sair de casa, faça da sua casa ou do seu corpo um centro espírita: faça orações pela família, pelos vizinhos, pelos companheiros de trabalho e principalmente pelos inimigos, se os tiver; estude e reflita sobre temas sérios; ajude o próximo ( os familiares são os mais próximos, pois são os nossos maiores credores) com auxílio material possível e também com a caridade de ouvir e incentivar coisas positivas e benéficas. Tudo isso quebra o nosso egoísmo, gera desprendimento de coisas materiais e nos torna mais próximos das coisas espirituais.

2. Todos somos médiuns, em potencial. Se você realmente for médium de tarefa, ou seja, tem compromissos assumidos antes da atual encarnação, a faculdade mediúnica deve desabrochar num ambiente adequado, harmônico e seguro, que é o centro Espírita. Do contrário ela se manifesta através de perturbações: medos, neuroses, doenças físicas, complicações na vida doméstica e profissional, ataques de Espíritos inimigos ou desafetos que vem nos cobrar dívidas passadas. No caso de Espíritos imperfeitos como nós, a mediunidade deve ser sempre trabalho em favor do próximo ou então é foco de graves problemas pessoais.

3. O medo da morte e dos mortos não é privilégio de alguns , mas de milhões de seres humanos. Quando estamos no mundo espiritual também temos medo de reencarnar, pois tememos o fracasso das nossas tarefas. Outro motivo é o apego excessivo às coisas materiais: bens, conforto e prazeres, vícios, orgulho e baixa aceitação dos nossos defeitos (Comportamento defensivo). O ceticismo também é uma forma de esconder o medo, uma defesa da mente contra o desconhecido. Todos tememos a morte, por mais que tenhamos conhecimento. Isso é instinto de conservação e apego ao corpo. A morte é sempre uma crise pessoal, um momento particular de mudanças íntimas que ninguém pode viver por nós. Deus e os benfeitores espirituais são a nossa única companhia nesse momento doloroso de grande expectativa. Oração e vigilância constantes são sempre úteis porque nunca sabemos o exato momento da morte. Segundo Jesus, o importante é manter o coração sereno e confiante. E coração confiante e sereno é acima de tudo consciência tranquila. Como não somos poços de virtudes, o ideal é estudar, confraternizar, corrigir nossas falhas mais graves, mudar nossos sentimentos mais negativos, auxiliar quem precisa de ajuda e ficar atento para o momento derradeiro. Depois da passagem, dizem os mais experientes, é só colher os frutos daquilo que semeamos. Conhecer novos ambientes, novos amigos, novos conhecimentos, replanejar novas existências de trabalho e resgate, nesse ou em outros mundos.Enfim, evoluir. Grato pelo seu contato e muita paz para você e seus companheiros de jornada”.


Retorno

“Muitíssimo obrigado pela sua resposta. Tenha certeza de que ela me ajudou bastante. Vou encontrar um centro espírita e lá eu irei estudar mais sobre a doutrina espírita e encontrar um pouco de paz.

Mas se for possível, gostaria de pedir que me respondesse a mais duas duvidas que possuo: Primeiramente, tenho receio de encontrar um centro que não seja serio, como posso fazer para me certificar de que um determinado centro espírita promove um trabalho serio?

E , se sentir a vontade em responder esta, por favor: com toda a experiência que tem na doutrina espírita, já viu um espírito? Digo, teve uma comprovação física da existência dessas entidades?

Agradeço muito mesmo pela consideração do senhor em me ajudar com essas questões.

Resposta

Caro Bruno, na sua cidade existem muitas casas espíritas autênticas, isto é, que seguem a linha kardecista, atendem gratuitamente e são frequentadas por pessoas honestas e esclarecidas. Ainda assim há diferenças entre elas na forma de compreender a doutrina, bem como oferecer ajuda e orientação. Você terá que fazer a escolha por conta própria. A seriedade ou adequação às suas necessidades você mesmo poderá avaliar através da sua busca. Creio que todas elas são sérias, levando-se em conta que nelas atuam seres humanos de boa vontade, porém ainda imperfeitos. Nunca vi Espíritos, se os vi não soube distinguir se eram encarnados ou não, coisa que é muito comum. Já tive contato com parentes desencarnados e com o meu mentor espiritual, sempre através de médiuns de incorporação, experiências que me deixaram bastante satisfeito quanto à autenticidade do fenômeno. Também durante o sono físico, costumo ter contatos com seres espirituais, numa espécie de sonho real. Também costumo, espontaneamente, sentir a presença de espíritos através da alteração emocional: choro, euforia, depressão, alegria, dependendo situação espiritual ou da condição moral nossa ou de quem está tentando se comunicar.


Grato pelo contato


Max von Sydon, Robin Willians e Cuba Gooding Jr

domingo, 19 de outubro de 2008

Sede perfeitos!

Patton (o segundo sentado da esquerda para a direita) e o alto comando militar dos EUA durante a II Guerra Mundial: velhos companheiros nos mesmos cenários e novas circunstâncias.


O General George S. Patton não se constrangia ao revelar sua convicção de estar revendo durante a II Guerra Mundial os mesmos companheiros, cenários e adversários da época em que existiu como comandante de tropas romanas. Segundo ele , não eram apenas impressões , mas uma sensação real e viva, muito além da simples lembrança.
A reencarnação sempre foi e continuará sendo um assunto fascinante no mundo mortais. Para uns é um absurdo e fantasia, para outros uma lógica e lei natural. Para todos um enigma ainda difícil de desvendar e compreender na sua essência. Filosofia, Ciência e Religião agora buscam um caminho comum para explicar essa enigmática relação entre o tempo biológico absoluto e o tempo psicológico relativo; entre o relógio e a bússola, a unicidade da Vida e multiplicidade das existências, a salvação existencial e a ressureição espiritual.
Mesmo os espiritualistas, que há muito crêem na imortalidade, ainda não conseguem contemplar essa possibilidade do Espírito vir animar outros corpos, preservando a mesma identidade no curso dos milênios, acumulando as experiências da perfeição relativa que caracteriza os seres humanos. Sempre que alguém nos pergunta se fulano é a reencarnação de sicrano ou beltrano respondemos que é possível como lei natural, mas nunca uma certeza como experiência individual.
Quando perguntam de quem somos a reencarnação, respondemos prontamente: de nós mesmos! Somos os mesmos, corpos diferentes, situações diferentes, mas sempre as mesmas individualidades, marcadas pela identidade da Divina Criação , com menos defeitos e mais virtudes, acrescidos de novas habilidades e mais responsabilidades.
Gostaríamos de fazer uma regressão para saber a verdade? Claro! Gostaríamos muito! Só não gostaríamos de saber por que ainda somos tão orgulhosos e arrogantes. De quem será que herdemos essas marcas tão persistentes? Por que ainda temos tanto medo da morte, mesmo sendo apologistas da imortalidade? Por que tanto pavor em mergulhar em nós mesmos e saber o quanto ainda temos para aprender a sermos nós mesmos, certamente em outros corpos?
Quantos Elias tiveram que retornar como João Batistas, mesmo marcados pela responsabilidade de difundir a verdade? Como apagar o remorso de Judas Scariotes sem a possibilidade de retornar como Joana D’Arc e lutar contra o Ego, como se o mundo estivesse sempre contra nós? De que vale ser um Lincoln sem a possibilidade de ser um Kennedy para terminar a obra inacabada?
Famosos ou anônimos, crentes ou descrentes, certos ou incertos, a reencarnação aí está a nos desafiar: quem somos, de onde viemos, para onde vamos?

É possível ser perfeito existindo uma única vez?


domingo, 12 de outubro de 2008

Elementar, meu caro Doyle

Doyle numa entrevista ao comunicador Alan Freed

Desde que me conheço por gente lembro da existência de Sherlock Holmes e o do Dr. Watson. Mas nunca esqueci o susto que tomei ao ver na filial santista da livraria Martins Fontes um exemplar da História do Espiritismo. A partir daquele instante passei a prestar mais atenção no criador dos célebres detetives do que na famosa série de sucesso mundial. O livro me atraía, porém não conseguia ir além das explicações cuidadosas de Herculano Pires sobre Espiritismo francês e Espiritualismo anglo-saxônico. Aquela introdução do tradutor Júlio Abreu Filho, então, me causava receio de não compreender o que se passaria nos capítulos. Nesses anos todos o livro ficou à espera de uma leitura definitiva, pois no dia daquela descoberta, no final dos anos 70, eu tinha apenas uns quinze ou dezesseis anos. Foi numa noite de sábado, de cinema e passeio com colegas no Gonzaga. Como sempre fazíamos, já entrando na madrugada, voltávamos caminhando pela calçada da praia até São Vicente, completamente despreocupados, num tempo em que não havia perigo algum, não como existe hoje. Conan Doyle veio caminhando comigo e nunca mais saiu da minha mente. Sempre que vejo alguma ilustração dos detetives ou o retrato do escritor escocês, imediatamente me vem à memória as cenas daquela noite. Nunca comprei o livro, mas ele sempre dava jeito de chegar em minhas mãos. Quando fui morar em São Paulo ele sempre me surpreendia nas estantes dos sebos. Mas a aquisição final e irreversível somente aconteceu uns vinte anos depois, quando fui visitar minha mãe, que havia voltado a residir em São Vicente. Era um prédio muito antigo, chamado Tumiaru, na praia do Gonzaguinha. Ainda brinco com ela dizendo que o primeiro síndico do edifício deve ter sido o Martim Afonso de Souza. Uma dessas vezes, subindo pela escadaria, deparei com uma pilha de coisas usadas, certamente um bota-fora. A vizinha tinha alertado que deixaria alguns livros no corredor. Entre revistas, cadernos e livros lá estava ele: a mesma capa, o mesmo convite e os receios de outras épocas. Havia também alguns exemplares de Sidnei Shelton. O furto, ou apropriação só reforçou o vínculo espiritual com a obra e adquiriu o caráter de compromisso. Está comigo até hoje. É isso aí, meu caro Doyle, você venceu. A coincidência não foi apenas com o seu livro. Meu exemplar de “Paris Babilônia”, que não tive coragem nem grana para comprar na FNAC de Pinheiros (76 reais), foi adquirido numa loja do Carrefour da Casa Verde. Estava na fila do pão, pronto para ir embora, quando me veio uma vontade irresistível de ir até a seção de eletrônicos. No percurso, com enorme palpitação no peito, deparei com uma mesa de livros em oferta. Inexplicavelmente o livro de Rupert Christiansen também estava lá, somente um exemplar, com a embalagem plástica já violada, por cinco reais. Chamei o vendedor para explicar o equívoco, mas ele confirmou a oferta, quase me implorando para arrematar a banca toda. Nunca senti tamanha pressa de voltar para casa. Esse exemplar não está mais comigo. Emprestei, sem nenhuma esperança de devolução, para o amigo Eugênio Lara. Se não foi para ele, foi para alguém que, como eu, toma emprestado e não devolve. Aliás, por onde será que anda “Os intelectuais e o Espiritismo”, que o Eugênio me emprestou?

sábado, 11 de outubro de 2008

Retratos de Sir Arthur Conan Doyle



Videos

Efeméride , em espanhol:

http://br.youtube.com/watch?v=mWUXwp3dux4


Depoimento sobre Sherlock Holmes, em inglês:

http://br.youtube.com/watch?v=z0d9ufVyn_4

Biografias

Segundo escreveu o saudoso Prof. José Herculano Pires, prefaciando a obra de Arthur Conan Doyle, "História do Espiritismo", é um nome conhecido e lido no mundo inteiro. Dotado Conan Doyle de fértil imaginação, comunicabilidade natural de seu estilo, a espontaneidade de suas criações tornaram-no um escritor apreciado e amado por todos os povos. Em nosso país a série Sherlock Holmes, a série Ficção Histórica e a série Contos e Novelas Fantásticas aqui estão para comprovar a afirmação feita em favor do extraordinário escritor. Entretanto, é bom que se diga que ele não apenas se destacou naquelas linhas compostas com três séries, pois além de historiador, pregou o uso de métodos científicos na pesquisa policial, destacou-se também como um lúcido escritor espírita em todo o mundo, revelando notável compreensão do problema espírita in-totum (como ciência, filosofia e religião). Então, além daquelas séries enumeradas no início destas considerações existem mais duas séries: a de História e a do Espiritismo.

Ao ser lançada a primeira edição da obra "História do Espiritismo", a revista inglesa "Light" destacou o equilíbrio e a imparcialidade com que o assunto foi abordado. Uma extensa Nota assinada por D.N.G. destacou que os críticos haviam sido "agradavelmente surpreendidos", porque Conan Doyle, conhecido como ardoroso propagandista do Espiritismo, fora de uma imparcialidade a toda prova. E o articulista da revista "Light" continuava: "Uma obra de história, escrita com preconceitos favoráveis ou contrários, seria, pelo menos, antiartística, pecado jamais cometido pelo autor de - The White Company -, em nenhum de seus trabalhos".

O próprio Autor define aquele critério ao falar do desejo de contribuir para que o Espiritismo tivesse sua história e o objetivo da obra não era o de fazer propaganda de suas convicções, mas o de historiar o movimento espírita. Daí, colocar-se imparcial e serenamente como observador dos fatos que se desenrolam aos seus olhos, através do tempo e do espaço. (Ipsis litteris). Reconhecendo a magnitude e amplitude do trabalho que se propôs realizar pediu auxílio a outras pessoas e encontrou em Mrs. Leslie Curnow uma dedicada e eficiente colaboradora e com essa ajuda prosseguiu investigações até concluir a obra. Reconheceu não haver realizado um trabalho completo porque não dispunha de recursos necessários e tempo, mas, com satisfação verificou que fez o que era possível no momento, diante da enorme extensão e complexidade do assunto, além das condições de dificuldades do próprio movimento espírita da época. Arthur Conan Doyle nasceu em 22 de maio de 1859, em Edimburgo, faleceu em 7 de julho de 1930, em Cowborough (Susex), após viver 71 anos bem proveitosos.

Em junho de 1887 escreveu uma carta ao Editor da revista "Lìght" explicando as razões de haver se convertido ao Espiritismo. Tal carta foi publicada na edição de 2 de julho de 1887 da referida revista e republicada na edição de 27 de agosto de 1927. Em 15 de julho de 1929 a "Revista Internacional do Espiritismo", de Matão, São Paulo, dirigida por Cairbar Schutel, publicou no Brasil a primeira tradução integral daquela carta, documento importante, onde o jovem médico em 1887 revelava ampla compreensão do Espiritismo e a importância da Mensagem que a Doutrina trazia para o mundo inteiro.

Conan Doyle ainda escreveu um pequeno livro traduzido por Guillon Ribeiro e sob o título "A Nova Revelação", que descreve em detalhes como se deu sua conversão. Outras obras doutrinárias de grande mérito, revelando perfeito entendimento do problema religioso do Espiritismo, afirmando a condição essencialmente psíquica da religião espírita, "A Religião Psíquica". A doutrina da reencarnação determinou o aparecimento de uma divergência entre aquilo que se estabeleceu chamar Espiritismo Latino e Espiritismo Anglo-Saxão. Estes, particularmente os ingleses e americanos, embora aceitassem a Doutrina Espírita não admitiam o Princípio Reencarnacionista e tal motivou os ataques e críticas ao Espiritismo. Embora a resistência mantida na Inglaterra e nos Estados Unidos contra o Princípio Reencarnacionista, Conan Doyle e outros espíritas americanos e ingleses, de renome, admitiam a reencarnação.

Na obra "A Nova Revelação", Conan Doyle declara que "muitos estudiosos têm sido atraídos ao Espiritismo, uns pelo aspecto religioso, outros pelo científico, mas, até agora ninguém tentou estabelecer a exata relação que existe entre os dois aspectos do problema". Tal foi escrito entre 1927 e 1928, sessenta anos após a desencarnação de Kardec. Sabemos que Kardec definiu e solucionou aquele problema ao apresentar o Espiritismo como Doutrina sob tríplice aspecto: filosófica, científica e religiosa. E Conan Doyle identificava-se com o pensamento de Kardec, aguardando que a codificação kardequiana aparecesse, sem perceber que ela já existia e estava ao seu lado, para lá do Canal da Mancha.

Fonte: Panorama Espírita /Grandes Vultos do Espiritismo


A residência de Doyle e uma homenagem dos espiritualistas britânicos.


Sir Arthur Conan Doyle, criador do mais famoso detetive do mundo, Sherlock Holmes, e autor de suas sessenta histórias, nasceu em Edimburgo no dia 22 de Maio de 1859. Filho de Charles Doyle, pintor casual de descendência Irlandesa, e Mary Foley Doyle, também de parentesco Irlandês. Em Outubro de 1876, Conan Doyle ingressou na Universidade de Edimburgo a fim de formar-se em medicina. Foi lá que conheceu o Dr. Joseph Bell, cirurgião do Hospital de Edimburgo e professor na Universidade, cujos surpreendentes métodos de dedução e análise serviram de grande inspiração na futura criação de seu detetive. De maneira similar a Holmes, o Dr. Bell explicava os sintomas de seus pacientes, até mesmo contava-lhes detalhes de suas vidas, antes que eles pronunciassem uma palavra sequer.

Incentivado pelos conselhos de um amigo, que mencionara como suas cartas eram expressivas, Conan Doyle percebeu que algum dinheiro poderia ser efeito fora do campo medicinal. Foi então que ele escreveu sua primeira história, "O Mistério de Sassassa Valley", publicada, anonimamente, por míseros três guinéus no Chamber's Journal, em 1879. O conto revela sua precoce idéia da aparição de uma "besta demoníaca", tema que ele mais tarde explorou na mais famosa história de Sherlock Holmes, "O Cão dos Baskervilles". Foi nas horas de ócio em seu consultório médico que Doyle começou a esboçar o que mais tarde seria seu detetive. Inspirado em Gaboriau, no detetive Dupin, de Poe, e logicamente, no seu tutor Joseph Bell, Conan Doyle criou a primeira versão do que seria o detetive que conhecemos hoje - um tal de Sherringford Holmes, posteriormente Sherlock Holmes.

Depois de muitas tentativas e frustrações, Doyle conseguiu que sua primeira história estrelando o detetive e seu escudeiro Watson fosse publicada. "Um Estudo em Vermelho" apareceu na Beeton's Christmas Annual, em 1887. A boa aceitação do público levou-o a escrever sua segunda história de Holmes, o "Signo dos Quatro". O detetive começava a chamar a atenção, atraindo aos poucos o que se tornariam mais tarde fiéis leitores. Nos intervalos das histórias do detetive, Doyle dedicou-se a obras "mais sérias", mais apreciadas pelo escritor, como "A Companhia Branca", "As Façanhas do Brigadeiro Gerard" e "Micah Clarke". Esse último, um grande sucesso. Doyle acabou, assim, abandonando a medicina para seguir definitivamente a carreira literária.

As histórias de Sherlock Holmes tornavam-se mais e mais populares, obrigando Conan Doyle a continuar criando casos para seu detetive. E quanto mais vezes o detetive expunha suas habilidades para o público estupefato, mais as outras obras de Doyle tornavam-se obscurecidas. Em 1891, escreveu à sua mãe: "Tenho pensado em matar Holmes... e livrar-me dele para sempre. Ele mantém minha mente afastada de coisas melhores". A idéia de acabar com Holmes permanecera com Doyle, e durante sua visita à Suíça, em 1893, conheceu as cataratas Reichenbach, local que escolheu como palco para o encontro fatal entre Holmes e o Professor Moriarty. Pretendia, assim, pôr um fim às histórias de Holmes e dar espaço às suas obras mais clássicas.

Para a grande surpresa de Doyle, a morte de Sherlock Holmes, publicada em 1893 no caso "O Problema Final", chocou milhares de pessoas de todos os cantos do mundo. Muitos marcharam em luto pelas ruas de Londres, em protesto. O público não se conformava e clamava pela volta do detetive. Assim, em meio a um turbilhão de protestos e insultos, Doyle foi obrigado a ressuscitar seu detetive no caso "A Casa Vazia", em 1903. Era a prova de que a criatura tornara-se mais forte do que o criador. Sherlock Holmes tinha tornado-se imortal.
No final de 1899, o conflito iminente entre a Inglaterra e a África do Sul deu a Doyle, um fervoroso patriota, a possibilidade de auxiliar seu país. Conseguiu a supervisão de um hospital estabelecido na África, onde tomou posto em 1900. Juntamente com a guerra, veio de todo o mundo um surto de críticas contra a conduta do Império Britânico. Coube a Doyle defender os interesses de sua pátria, no panfleto amplamente traduzido "A Guerra na África do Sul: Suas Causas e Conduta". Pelos seus esforços na defesa dos interesses de seu país, Conan Doyle recebeu, em 1902, o título de nobreza do Império. Passou, então, a portar o soberbo título Sir antecedendo seu nome.
Em 1912, Doyle introduziu ao mundo da literatura o célebre Professor Challenger, de "O Mundo Perdido", um conto sobre o renascimento da pré-história num lugar remoto da América do Sul.
Em seus últimos anos de vida, Conan Doyle dedicou-se ao estudo aprofundado do espiritismo, assunto sobre o qual escreveu exaustivamente. O espiritismo tornou-se uma religião para ele, e o levou a promover palestras em vários países, como a Austrália e África do Sul. Em 1922, declarou que a famosa foto das fadas de Cottingley era autêntica.

Morreu em 7 de Julho de 1930, debilitado por um ataque cardíaco que o afligira meses atrás.
Fonte: Blog da Beatrix


domingo, 5 de outubro de 2008

Lincoln e Kennedy


Um caso de reencarnação ?


Essa lista de “coincidências” entre Lincoln e Kennedy , hoje publicada em vários idiomas, circula hà décadas e continua fascinando as novas gerações. Entre os espíritas sempre surge a velha questão: Kennedy seria a reencarnação de Lincoln? A semelhança de vocação, missão e provas entre os dois seria apenas fruto do acaso ou uma identificação natural de ideologias?
Um dado interessante é que , apesar de ter sido berço dos fenômenos espíritas no século XIX, com milhares de adeptos, o "spiritualism" nos EUA, como os britânicos, sempre teve dificuldades para aceitar a tese da reencarnação. Kardec afirmava que isso seria uma questão de tempo. Talvez uma das formas encontradas pela espiritualidade para propagar a idéia entre os norte-americanos foi a inspiração dessa curiosa conexão cármica entre os dois grandes líderes daquela nação.


“Veja quantas coincidências envolvem as vidas e as mortes dos ex-presidente americanos Abraham Lincoln e John F. Kennedy:

Ambos estavam comprometidos na defesa dos direitos civis.

Os nomes Lincoln e Kennedy têm sete letras.

Abraham Lincoln foi eleito para o Congresso em 1846.
John F. Kennedy foi eleito para o Congresso em 1946.

Abraham Lincoln foi eleito presidente em 1860.
John F. Kennedy foi eleito presidente em 1960.

As esposas de ambos perderam filhos enquanto viviam na Casa Branca.

A secretária de Lincoln, chamada Kennedy, o advertiu para não ir ao teatro.
A secretária de Kennedy, chamada Lincoln, o advertiu para não ir a Dallas.

Uma semana antes de Lincoln ser morto, ele estava em Monroe, Maryland.
Uma semana antes de Kennedy ser morto, ele estava em Monroe, Marilyn.

Ambos foram assassinados numa sexta-feira e na presença das esposas. Os dois foram baleados por trás com tiros na cabeça.

Lincoln foi morto na sala Ford, do teatro Kennedy...
Kennedy foi morto num carro Ford, modelo Lincoln...

Os nomes dos assassinos de ambos (John Wilkes Booth e Lee Harvey Oswald, respectivamente) têm 15 letras.

Booth e Oswald eram sulistas que apoiavam idéias não populares.

John Wilkes Booth atirou em Lincoln, saiu correndo de um teatro e foi apanhado num depósito.
Lee Harvey Oswald atirou em Kennedy, saiu correndo de um depósito e foi apanhado num teatro.

Booth e Oswald foram assassinados antes de seu julgamento.

Os sucessores deles, ambos chamados Johnson, eram democratas sulistas nascidos em Senate.

Andrew Johnson, que sucedeu a Lincoln, nasceu em 1808.
Lyndon Johnson, que sucedeu a Kennedy, nasceu em 1908”.

Nota do blog: relato de vidas passadas

Em certa ocasião, numa casa espírita em São Vicente (litoral paulista) presenciamos um cena impressionante de relato de vidas passadas e manisfestação da lei de causa e efeito. Durante a aplicação de passes magnéticos os médiuns relataram uma existência de um assistido , animando a personalidade de um líder tribal na África. Uma das cenas descritas por eles foi a cruel execução de um missionário protestante anglo-saxônico, amarrado e amordaçado sobre um grande formigueiro. O missionário tinha todas as características fisionômicas de John F. Kennedy, futuro presidente dos EUA, assassinado em Dallas. O assistido, estudioso do Espiritismo, era portador de faculdades mediúnicas e também vítima de constantes ataques de epilepsia.


Os funerais de Linconl e Kenenedy em 1865 e 1963

sábado, 4 de outubro de 2008

Eleições aqui e no Além



Não nos recordamos de nenhum relato falando especificamente da experiência democrática e eleitoral em mundos superiores ou nas chamadas “colônias” próximas do crosta terrestre. Nas esferas mais escuras sabemos que a ordem é a força, a opressão e o terror. Sobre as esferas mais iluminadas, os relatos se limitam a expor um folclore místico ou mítico falando de assembléias de entidades iluminadas gerindo os destinos das coletividades, algumas, como é caso de Emmanuel no livro “A Caminho da Luz”, na linguagem simbólica e setenária da antiga tradição esotérica. Ou então a existência de uma ordem hierárquica composta de entidades mais experientes, uma “elite” espiritual que adquiriu responsabilidades mais amplas, na medida que contraíam débitos ou conhecimentos mais profundos sobre os processos evolutivos. Conceitos conhecidos pelos encarnados no exercício do jogo político, incluindo nas instituições espíritas, como partido, situação, oposição, debate, divergência e convergência, são informações diluídas nas inúmeras observações dos repórteres do Além. Os mais atrevidos nessas comunicações logo são colocados sob suspeita.

É assim que André Luiz e muitos outros cronistas nos apresentaram, por exemplo, os governadores, ministros e demais dirigentes de Nosso Lar e outras comunidades semelhantes. Não falam em momento algum de forma detalhada sobre os mecanismos de escolha dessas posições estratégicas de administração social no mundo espiritual. Talvez seja porque essa literatura – que criou e gerou tendência de estilo até hoje predominante - apareceu no Brasil numa época em que explodiam os conflitos entre as oligarquias e a novas forças democráticas pela moralização do voto, na época bastante comprometido com a corrupção. Esse processo seria somente normalizado quinze anos após a Revolução de 1930. Mais tarde seria interrompindo por 20 anos de regime militar, experiência que nos fez recuar décadas na albetização democrática e cidadã. O primeiro relato de André Luiz surgiu no auge do Estado Novo, forte regime ditatorial de Getúlio Vargas. Os dirigentes da FEB realmente temiam uma represália por parte do DIP ou do DOPS, caso esses órgãos de policiamento ideológico julgassem a obra como peça de propaganda subversiva. O conteúdo poderia, segundo eles, sugerir as práticas socialistas ou então as liberdades democráticas individuais, ambas muito mal vistas pelo grupo que orbitava em torno do célebre ditador gaúcho. Teria sido essa a causa da omissão de informações sobre os processos de escolha e representatividade política por André Luiz?

Nenhum espírita que seja crítico e consciente vai às urnas sem rever essas questões, que são na verdade a nossa referência ética principal no trato com a política. Questionamos , ainda hoje, como Jesus compartilhou essas experiências de poder com seus discípulos e futuros dirigentes do Movimento Cristão. Como Kardec se portou com seus pares na composição e dinamização da Sociedade Espírita de Paris?

Sabemos que o voto é um dever, mas também sabemos que ele vai além dessa obrigação cívica para significar o gesto grave da escolha, da manifestação da nossa vontade e também comunicar o nosso estado de satisfação ou insatisfação com as formas de governo. Podemos escolher e também podemos deliberadamente não escolher como gesto de protesto, se for da nossa vontade. Antes que alguém pense que se trata da apologia gratuita do voto nulo, devemos lembrar que os espíritas são como todos os demais eleitores, diferenciando apenas no aspecto de que concordamos que o voto é um dever, seja qual for a sua expressão.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Paradigmas

Nicole Kidman em "Os Outros": o Espírito e o médium num choque de realidade ou a horrível dor de cair em si.



O amigo Marcos, jovem pensador e pesquisador, nos enviou essas dúvidas sobre a atualidade da Doutrina Espírita. Achamos que seria uma boa oportunidade para testarmos as nossas convicções e fizemos o exercício logo em seguida. Que tal fazer o mesmo?


“Tenho 26 anos, sou estudante de Filosofia e de família espírita, abandonei a doutrina por um tempo e agora retorno aos estudos da obra da codificação. Contudo deparei-me com um problema a que, ao meu ver, é de estrema relevância: o paradigma de ciência de Kardec está enraizado no positivismo, que não é mais coerente com paradigma de ciência de hoje, após as reflexões de Popper, Kuhn e outros. Nesse sentindo, é possível falarmos em Leis desveladas por trás das coisas, sem cair no erro do mito científico do positivismo? Se a doutrina tem por base a Ciência (do grego ἐπιστήμη [episteme], ciência, conhecimento; λόγος logos, discurso), a Filosofia, que entre um dos campos está A teoria do conhecimento e a Espistemologia, que investiga justamente os modelos científicos e sua validade interna e externa, e a Religião, enquanto reencontro com sagrado?

Dessa forma, o sistema proposto pelos espíritos e codificado por Kardec, parte de axiomas incontestáveis tais como reencarnação, lei de causa efeito, etc. Internamente o campo doutrinário é coerente, enquanto sistema fechado, contudo do ponto de vista dos paradigmas colocados pela Filosofia da Ciência, estaríamos beirando o dogma, já que esses axiomas são dados como verdades incontestáveis. Vejo que a leitura do livro dos espíritos portanto, deve levar em conta o contexto científico e apresentar os limites do racionalismo positivista, nesse sentido, da minha perspectiva, a leitura deve ser interpretativa, sendo assim, acho necessário a fundamentação de uma Teologia Espírita, e revalorização da fé no âmbito da doutrina. Vejo muitos Dr. Espíritas elucidarem os fenômenos deste e do outro mundo com uma certeza inabalável de seus raciocínios e no poder da razão, em sinlogismos “tautológicos”, sem no entanto questionarem aquilo mesmo que os fundamenta, e o método que empregam. Mas a meu ver, essa certeza inabalável é sempre a maior inimiga da reflexão filosófica, da Verdade e da Religião”.

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Caro Marcos, grato pelo contato e pela oportunidade de conversarmos sobre tema tão atraente!

Kardec tinha plena consciência de que a ciência espírita não deveria se apegar exclusivamente aos dogmas ou paradigmas daquele contexto histórico. Recomendou cansativamente que , sendo a ciência um mecanismo dinâmico de conhecimento, é certamente também evolutivo e sofre as transformações impostas pelo tempo, pelas novas descobertas e enfoques. O Espiritismo deveria, segundo ele, acompanhar essas transformações, mesmo que tivesse de abrir mão de suas verdades primordiais. E assim tem sido. A física mecanicista de Newton cedeu lugar o paradigma quântico e praticamente confirmou todas as premissas das hipóteses espíritas sobre o universo, a energia, a matéria e principalmente a sobrevivência do ser extracorpóreo. A reencarnação sempre foi tratada por Kardec como premissa filosófica, hipótese científica, lei da natureza e não como crença dogmática. A pluralidade de mundos seguiu a mesma trajetória: aguardamos os rumos da ciência, como fez Kardec, colocando o assunto sempre como hipótese, mesmo quando se deparava com comunicações altamente convincentes. O intercâmbio mediúnico em diferentes dimensões nunca foi exclusividade do Espiritismo, sendo prática usual em todas as culturas. Mesmo alimentando a linguagem mítica e a abordagem mística, tais intercâmbios sempre adquiriram valor de verdade mais pela evidência de dados imprevistos ou incomuns, do que pela própria forma pela qual se manifestavam. Isso continua acontecendo, por exemplo, nos tribunais: quando aparece uma prova essa se destaca por ser algo que não estava previsto no processo e salta como evidência irrefutável porque não haveria outra forma de acesso a tais informações senão pelo próprio testemunho do Espírito. Como recusar uma informação até então desconhecida e que pode ser confirmada materialmente dessa forma? Isso não é crença! São fatos e contra fatos realmente não há argumentos. Você tem razão: o fenômeno espírita ainda é um desafio para a ciência positiva, que ainda não aceita os novos paradigmas da ciência transcendental. Nunca aceitou. Alguns cientistas aceitaram porque aceitavam os limites desses paradigmas e indicaram caminhos que continuam sendo rejeitados pelos seus parceiros dogmáticos e presunçosos. Einstein, Planck, Prigogine, Khun, Murayama, e tantos outros já desmontaram esse modelo positivo de certezas para mostrar que o universo é dinâmico e que a realidade não se baseia em evidências estáticas.

Sobre a teologia espírita, que é temática filosófica, não houve nenhuma revolução de conceitos, mas apenas a reafirmação de idéias há muito defendidas pelos pensadores antigos, incompreendidos em suas reflexões. A diferença é que eles não tinham uma metodologia experimental, como fez Kardec ao utilizar a mediunidade como ferramenta de pesquisa e verificação de hipóteses. O Livro dos Espíritos não foi produto da sua imaginação de escritor ou teólogo, mas de perguntas e respostas fartamente testadas em diversas fontes e oportunidades. Não são as respostas do Espírito X ou Y que possuem valor de verdade, mas os conteúdos e os argumentos. Essa metodologia está exposta claramente no Livro dos Médiuns e foi amplamente aceita, por exemplo, por Charles Richet, que embora não aceitando a revelação espírita (mesmo vendo, dialogando e apalpando espíritos materializados ) por razões pessoais e ideológicas, reconheceu que o método era científico e não permitia fraudes ou especulações "interpretativas". Concordamos com você sobre o perigo das verdades incontestáveis. Temos sempre que submetê-las ao crivo da razão. Kardec sempre fez isso e nunca colocou nenhuma tese espírita no pedestal do "incontestável". Dizia que a fé verdadeira era aquela que pudesse enfrentar a razão face a face. Quem teme esse axioma não é espírita autêntico, pois teme a verdade. Até agora ninguém nos convenceu que o fenômeno espírita não é fenômeno da natureza e que, sendo fenômeno, pode ser explicado na sua essência e realidade. Podemos até não aceitar, por questões emocionais ou ideológicas. Mas não podemos negar por questões racionais. Até que se "prove" o contrário!

sábado, 13 de setembro de 2008

Crimes e abusos sexuais

Cena de Oliver Twist : infância abandonda e inocência perdida pela precocidade



Ainda vai demorar muito para que se reduzam os efeitos nocivos da cultura de massas e a pornografia continua despontando como um do itens preferenciais nos hábitos de consumo da nossa sociedade. Na internet ela reina de forma absoluta nas estatísticas de acesso e até pouco tempo não havia regras claras sobre a sua exposição. Quando iniciamos a publicação desse blog há menos de um ano deparávamos a todo instante com páginas livres contendo todo tipo de violência e costumes pouco ortodoxos. Surgiram muitas reclamações pela adoção de critérios de uso dessa mídia e agora as coisas parecem estar sob algum controle ético.

O sexo é uma necessidade humana fundamental, mas sabemos que uma grande parcela da Humanidade não foi educada nem consegue atingir a satisfação de suas carências biológicas e psicológicas pelas chamadas vias “normais” das relações íntimas. E a precocidade pelo interesse sexual parece agravar o problema.
Então, até compreendemos porque a pornografia tornou-se a forma artificial e massiva de acesso fácil ao sexo. É a banalização social do amor e da afetividade sexual sadia. Antes esses desvios ou mecanismos ilusórios, próprios da fantasia humana, eram intensamente reprimidos ou então canalizados para as conhecidas formas de sublimação. Mas esse controle social, antes fortemente exercido pelas religiões dogmáticas, tornou-se praticamente impossível com o advento da sociedade industrial. Mesmo com o auxílio precioso da psicanálise e da psicoterapia, o erotismo continua ocupando lugar de destaque como causa dos excessos e desequilíbrios sexuais. É inegável a sua hegemonia ideológica nos meios de comunicação, seja como expressão artística, seja como apelo publicitário de consumo. No ocidente católico e puritano, em virtude disso, formou-se um curioso jogo de influências maniqueístas, de impacto e resistência, no qual as forças degenerativas levam ampla vantagem sobre a s forças educativas. Simultaneamente ao declínio da estrutura nuclear da família burguesa vêm surgindo diversos desafios ao senso comum da ética sexual.

Antes foi o homossexualismo, embora ainda confuso e divergente em certos aspectos, hoje caminha para uma harmonia na construção de conceitos e uma paciente eliminação de preconceitos. Agora o mundo todo se depara estupefato com o problema da pedofilia, alvo de graves e noticiosos escândalos. O abuso sexual de crianças é assunto muito antigo e vem ocorrendo há séculos sob o véu da privacidade e da censura. Com a facilidade dos meios e comunicação e a permissividade da sociedade de massas, o problema veio à tona, com toda a carga de dramaticidade e sensacionalismo dos temas moralistas, revelando aspectos obscuros da mente, da família e das demais instituições humanas. Sem contar que ainda estão para explodir os casos já notórios, fartamente registrados e catalogados pela ciência comportamental. Os pedófilos de hoje são aqueles que ontem também foram vítimas de abusos. Quem abusou dessas pessoas quando elas ainda eram inocentes? Quem são os responsáveis pela criação desses “monstros” que hoje afrontam a infância e semeiam novos traumas para o futuro?

A literatura espírita, pelas mãos de André Luiz e de muitos outros autores, já informava que o problema sexual extrapola as dimensões limitadas do mundo físico e se desdobra em interessantes experiências da vida espiritual, tanto na forma de dolorosos conflitos da vida além túmulo, pelos conhecidos meios obsessivos, como no esclarecimento da sexualidade como um poderoso fator de evolução espiritual. Há mais de meio século o médico carioca desencarnado já nos dava notícias de grandes trabalhos realizados nas colônias reencarnatórias vizinhas à Terra, no sentido de preparar o ser humano para os difíceis embates entre o instinto e a razão, ocorridos no terreno da sexualidade. Informava ele em “Sexo e Destino” que a colônia “Almas Irmãs”, especializada nessa temática evolutiva, registrava em seus currículos de aprendizagem os mais profundos temas de caráter fisiológico e psicológico. Também, de forma bem realista, mostrava uma coleção de poucas vitórias, grande maioria de fracassos probatórios e recaídas, com agravamento de débitos nesse aspecto da experiência carnal.

Talvez tudo isso seja o prenúncio de importantes mudanças nos hábitos pessoais e sociais. Talvez tudo isso tenha um lado positivo: mostrar que educação sexual não é modismo, nem porta larga para a licenciosidade. Trata-se de coisa série e urgente.



NOTÍCIA ANTIGA

Deputada critica veto a projeto sobre orientação sexual nas escolas


A deputada federal Iara Bernardi (PT/SP) criticou hoje, em Sorocaba, a decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso de vetar o projeto de lei de sua autoria, aprovado pelo Senado, que institui um programa de orientação sexual e prevenção ao uso de drogas nas escolas brasileiras. O veto, assinado na última sexta-feira, já foi publicado na imprensa oficial.

O presidente acatou parecer de técnicos do Ministério da Educação, para quem a adoção dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) possibilita as escolas elaborar programas de educação sexual e prevenção das doenças sexualmente transmissíveis. A Coordenadoria Geral do Ensino Fundamental (COEF), órgão do Ministério, considera que o PCN criou as condições necessárias para a abordagem das questões referentes à sexualidade e à prevenção ao uso de drogas nas escolas.

A deputada afirmou que os argumentos do MEC não são verdadeiros. Ela desafiou o Ministério a relacionar as escolas brasileiras de ensino médio e fundamental que tratam desses temas com seus alunos de forma contínua e multidisciplinar. "Vetar um projeto como este num momento tão crítico, em que a juventude escolar brasileira está sendo alvo da violência, do tráfico de drogas e das doenças transmitidas sexualmente, é assumir total insensibilidade frente às necessidades dos jovens", criticou.

O projeto de Iara obrigava as escolas a oferecerem programas para a capacitação de professores que optassem pela participação no modelo pedagógico de orientação sexual e prevenção ao uso de drogas. Segundo ela, as escolas encontram enormes dificuldades para colocar em prática os parâmetros curriculares criados pelo MEC. "São poucas as escolas que conhecem o programa e menor ainda o número das que o adotam."

O Estado de São Paulo, 07/05/2002

sábado, 6 de setembro de 2008

Sexo, união, amor e separação


Muito amigos, e nós mesmos no decurso das nossas experiências, questionamos com muita intensidade as causas de tantos distúrbios nas relações conjugais. Sonhos desfeitos, fantasias desmascaradas, ilusões perdidas. Angústias e expectativas torturantes no coração dos pais e dos filhos.

Como compreender e agir diante de tais situações altamente dolorosas e conflitantes? A renúncia é um benefício ou uma violência ao espírito encarnado? Os filhos podem suportar e superar os traumas da separação dos pais? Eles merecem, compreendem e valorizam esse sacrifício?

Essas questões foram levadas ao médium Chico Xavier numa sessão pública em Goiânia, na década de 1970 e foram assim respondidas pelos Espíritos que o assistiam:


“Por que motivo o casal, muitas vezes, tem no noivado uma paixão marcante e experimenta a diminuição do interesse afetivo nas relações recíprocas, após o nascimento dos filhos ?
Grande números de desenlaces na Terra obedece a determinações de resgates, escolhidas pelos próprios cônjuges, antes do renascimento no berço físico. E aqueles amigos que serão filhos do casal, muitas vezes, agindo no Além, transformam, ou melhor, omitem as dificuldades prováveis do casamento em perspectiva para que os cônjuges se aproximem afetuosamente um do outro, segundo os preceitos das leis divinas e formem o lar, desfazendo dentro dele determinadas dificuldades das existências anteriores em motivos de amor e compreensão maior.

O namoro e o noivado, em muitas ocasiões, estão presididos pelos espíritos familiares que serão filhos do casal. Quando esses mesmos espíritos se corporificam em nossa casa, na posição de nossos próprios filhos, parece que há diminuição de amor entre os cônjuges, mas isso não acontece; existe, sim o decréscimo da paixão, no capítulo da afeições possessivas que nos cabe evitar.


Os casais, que experimentam o mesmo desinteresse afetivo, no campo das relações múltiplas, após a chegada do filhos, devem continuar unidos mesmo assim ?
Os nossos Amigos Espirituais explicam que ninguém pode exigir de alguém espetáculos de grandeza e que determinadas situações heróicas nem sempre podem ser abraçadas pela criatura humana. Mas, tanto quanto possível, por amor aos filhos e aos familiares outros, é aconselhável sofrer qualquer espécie de dificuldade para sustentar a família e resguardar a invulnerabilidade do lar.

Se tantos de nós, tantas vezes, nos sacrificamos, de modo quase absoluto, em grandes avais, para os quais não nos achamos preparados, em favor de determinados amigos, porque não nos seria possível igualmente sofrer ou lutar por amor aos filhos e dependentes ?


É uma pergunta para todos nós”.

sábado, 30 de agosto de 2008

Violência e reencarnação


Uma onda de criminalidade e matanças vêm invadindo as cidades brasileiras. Encontros e reencontros de desafetos. Espíritos rebeldes e muitas vezes credores da corrupção e dos desmandos públicos estão voltando e agindo como mandam os costumes das coletividades do umbral. O problema não é exclusivamente brasileiro, mas alguns países já conseguiram superar, em parte, a gravidade do assunto.

Tempos atrás vimos num documentário da National Geographic um caso envolvendo duas famílias inimigas na Turquia que vinham se destruindo há mais de cem anos, numa horrível escala de assassinatos entre seus membros. Recentemente, provavelmente por inspiração dos mentores familiares, já esgotados em seus esforços de exortação moral, apelou-se por uma solução prática. Os anciãos das duas famílias reuniram para firmar um acordo e botar fim nas mortes, atingindo a raiz do problema: o ódio e a vingança. Para neutralizar esses sentimentos arraigados há décadas, eles decidiram promover um casamento entre os membros das duas famílias. Foram escolhidos um rapaz de 26 anos e uma menina de apenas 13 anos. Questionada sobre sua escolha, a menina declarou que aceitava a tarefa com muita honra e se sentia muito feliz por contribuir com o fim daquelas mortes. Num cálculo simbólico e político, para um determinado número de perdas ocorridas entre as duas famílias nas décadas passadas deveria nascer da união do casal escolhido uma quantidade determinada de filhos. Vidas novas. E
spíritos que antes se repudiavam agora se atraem pela força sagrada do sexo, esperançosos na experiência do recomeço. Com sangue misturado, harmônicos, neutralizam a química do ódio e o impulso da vingança. Ressurreição pura pelas vias da reencarnação.



Pacto entre famílias inimigas delimita áreas exclusivas no PE


"Um pacto de paz selado hoje em Recife (PE) entre as seis famílias em guerra há cerca de 20 anos no "polígono da maconha" cria áreas para a circulação exclusiva dos clãs e delimita territórios livres, onde a convivência entre os integrantes dos grupos rivais será permitida. Para evitar os confrontos, que já provocaram a morte de aproximadamente cem pessoas, ficou estabelecido que os Araquan e os Gonçalves poderão circular livremente em Abaré e Mirandiba.

Já seus inimigos, os Benvindo, os Nogueira, os Simões de Medeiros (conhecidos por Russos) e os Gonçalves da Silva (chamados de Cláudios) passarão a ter como base territorial as cidades de Cabrobó e Belém do São Francisco. As rodovias federais e o município de Salgueiro, pólo regional do sertão pernambucano, receberão o status de "territórios livres", onde os seis clãs dizem que predominará a convivência pacífica entre as famílias. A criação das "zonas de exclusão" atende reivindicação feita pelos Russos na primeira tentativa de acordo entre os grupos, ocorrida no dia 17 de outubro e intermediada pela Igreja Católica, Ministério Público, Justiça estadual e a CPI do Narcotráfico e da Pistolagem de Pernambuco.

Os integrantes do clã consideravam "impossível" a assinatura de um acordo de paz sem a definição de uma regra de convívio que permitisse a reaproximação gradativa dos seis grupos.

"O ressentimento de 20 anos de confrontos não vai acabar de um dia para o outro", disse um dos líderes dos Russos, o produtor rural Cristian Diniz Simões de Medeiros, 32. "Um toma uma cachaça, vem outro e toma também e pronto, o acerto acaba em dois dias", justificou.

Outro impasse levantado na época, pelos Araquan, também foi solucionado na reunião realizada ontem na Assembléia Legislativa do Estado: a reivindicação de anistia para os 22 presos da família. Os Araquan só concordavam com o pacto de paz se o número de presos dos dois lados fosse igual. Como os rivais têm apenas três integrantes cumprindo pena, eles exigiam que a Justiça anistiasse 19 condenados da família ou prendesse 19 dos clãs rivais. A solução veio do juiz das execuções penais, Adeildo Nunes, que participou da reunião. Ele prometeu agilizar os processos de julgamento e autorizou a transferência de 13 detentos, de um presídio de Recife para a unidade penal de Salgueiro.

O presidente da CPI do Narcotráfico e da Pistolagem, deputado Pedro Eurico (PSB), disse que o acordo poderá fazer até com que alguns deles respondam o processo em liberdade, porque vários pedidos de habeas corpus já foram negados em razão do risco de envolvimento dos presos em novos confrontos.

Os clãs, disse o parlamentar, se comprometeram a entregar as armas que possuem, e a Secretaria da Defesa Social (equivalente à Segurança Pública) será acionada para intensificar as operações de desarmamento no sertão. Para tentar afastar do plantio e do tráfico de maconha alguns integrantes das famílias envolvidas nos conflitos, a CPI se comprometeu também a reivindicar linhas de crédito agrícola junto aos bancos do Nordeste e do Brasil.

O documento com os pontos do acordo deverá ser redigido e assinado ainda esta semana. Depois de seis meses, todos os envolvidos deverão se reunir novamente para avaliar a situação e revisar o pacto, se necessário".

Fábio Guibu, da Agêntcia Folha, em Recife

sábado, 23 de agosto de 2008

Finalmente, cinema espírita!



Desde sexta-feira, 29 de agosto, os espíritas brasileiros têm nas próximas semanas um compromisso histórico, obrigatório e intransferível. É o ingresso decisivo do Espiritismo no cinema nacional: direção, roteiro, produção, atuação, tudo feito com arte, carinho e dedicação de artistas espíritas. Só falta o público espírita da primeira hora, o exemplo para alavancar as bilheterias e transformar o sonho em realidade. Se for sucesso de público, têm todas as chances de ir para a TV e para o mercado internacional
Realizado com a mais avançada tecnologia digital e finalizado em 35mm, o longa-metragem “Bezerra de Menezes - O Diário de Um Espírito” fará uma fiel reconstituição de época para representar o Ceará e o Rio de Janeiro do Século XIX. Com cuidadosa pesquisa história de Luciano Klein, biógrafo de Bezerra de Menezes, aliada a extensa pesquisa iconográfica nos acervos mais importantes do país, a vida de Bezerra de Menezes será contada com passagens ficcionais e relatos de pesquisadores de sua vida e obra. A produção teve locações no Ceará, Pernambuco e Rio de Janeiro e contou com o talento do ator Carlos Vereza interpretando Bezerra de Menezes, além de grande elenco de artistas cearenses.



O Médico dos Pobres

Antes de Eurípedes e Cairbar, dois personagens também tiveram atuações marcantes como pioneiros do Espiritismo apostólico no Brasil: educadora Anália Emília Franco e o médico Adolfo Bezerra de Menezes.O Dr. Bezerra, cearense de Riacho do Sangue e conhecido no Rio de Janeiro como “o médico dos pobres”, interessou-se pelo Espiritismo ao ler O Livro dos Espíritos, presente do seu primeiro tradutor em língua portuguesa, o Dr. Joaquim Carlos Travassos. Alguns anos depois, no dia 17 de agosto de 1886, diante de um público de quase duas mil pessoas, no salão de honra da Guarda Velha, declara sua adesão à Doutrina Espírita. Essa atitude tinha sido provocada por um teste pelo qual Bezerra submetera a mediunidade do homeopata João do Nascimento. Bezerra solicitou uma receita para si mesmo, dando dados pouco esclarecedores sobre sua saúde. O diagnóstico veio rápido e confirmava a existência de uma dispepsia. A notícia foi dada em diversos jornais da Capital como mais um simples evento cultural promovido pela Federação Espírita Brasileira. Porém, o seu protagonista não era mais um dentre os inúmeros conferencistas que lá compareciam para expor suas idéias e sim uma espécie de mito vivo, daqueles que as pessoas comuns e as existencialmente indecisas ficam observando, ainda que de forma inconsciente, olhando-as como bússolas a oferecer um Norte para suas vidas sem rumo:


“Foi grande ontem a concorrência de senhoras e cavalheiros no salão da Guarda, para ouvirem o Dr. A. Bezerra de Menezes. O orador começou explicando os motivos poderosos que o levaram a abraçar o Espiritismo, dentre os quais denominava o preceito de que os princípios da religião estão fora do alcance da compreensão da razão, preceito que assim inutiliza a ação da mais elevada faculdade do homem. Foi estudando a moral e a teogonia romana que o orador se convenceu da veracidade dos ensinos espiríticos, completamente conformes com aquela, e se discordam desta, é por ser esta, como ele demonstra, o fruto de interpretações humanas. Tratou depois largamente da Doutrina Espírita; sendo acolhido, ao terminar, por calorosos aplausos”


Sobre a leitura da primeira edição brasileira de O Livro dos Espíritos, publicada em 1875 pela livraria Garnier, Bezerra comentou depois que, ao ler Allan Kardec, tivera uma dupla reação: ficou, ao mesmo tempo, admirado com aquele universo de revelações e também com a sensação de que nada daquilo lhe era estranho. Seu anúncio em público teve um grande impacto na Corte Imperial, pois o regime era ainda muito atrelado ao clero católico. Além disso, Bezerra havia sido vereador por dois mandatos e tornara-se deputado-geral. Escrevia, agora, artigos espíritas sob o pseudônimo de “Max” no jornal “O Paiz”, dirigido por Quintino Bocaiúva. A família deixada no Ceará também não lhe perdoou o gesto, acusando-lhe de renegar a religião de berço, como se renegasse o leite materno. A crítica vinha de um irmão e foi para ele que Bezerra enviou uma carta na qual expõe todo o seu sentimento sobre o novo compromisso ideológico. A carta tornou-se um dos opúsculos mais lidos de Bezerra e, num dos trechos, o bom médico confessa ao irmão o porquê da mudança:

“Não sou cristão, porque meus pais me criaram nessa lei e me batizaram; mas, sim, porque minha razão e minha consciência, livremente agindo, firmaram minha fé nessa Doutrina sublime, que, única na Terra, eleva o Homem, em Espírito, acima da sua condição carnal – que, por si mesma, se revela obra de infinita sabedoria, a que o Homem jamais poderá chegar. Tendo diante dos olhos de minha alma o código sagrado da revelação messiânica, procuro, sem descanso, arrancar de mim os maus instintos naturais e substituí-los pelas virtudes cristãs. Tendo fé, tenho esperança e, quanto à caridade, procuro tê-la o mais que me é possível, na medida do ensino de São Paulo. Não guardo ódio e perdôo as injúrias, evito fazer o mal e procuro fazer bem aos próprios que me odeiam.”


Nesta carta encontramos uma concepção muito diferenciada do Espiritismo que se praticava naquela época, no Brasil e na Europa, e que veio persistindo e ainda persiste em nossa época. Note-se que Bezerra de Menezes já havia superado as primeiras características das pessoas que se tornam Espíritas, apontadas por Allan Kardec. Tinha plena consciência da importância da transformação moral e do que era o trabalho de auto-análise e reformulação interior e qual o papel que o Espiritismo tinha que realizar nesse setor delicado da experiência humana. Aliás, como mudar a sociedade se não houver mudança de comportamento e de atitudes? Se não era essa a finalidade do Espiritismo, qual a vantagem de deixar de ser católico, protestante ou mesmo ateu? Por que adotar um novo ideal de vida, se continuamos esperando que as mudanças venham de fora para dentro? Deve ter sido essa a intenção de Bezerra ao responder ao irmão o significado da sua nova fé. É bem verdade que tais mudanças não ocorreram somente no campo intelectual e no muno do teórico-filosófico. Nem tudo era poesia e calmaria, pois na sua trajetória existencial as mudanças foram precedidas por severas provações severas, como um processo de adubação do solo moral. O biógrafo Francisco Acquarone mostra que o nome e a legenda em torno de Bezerra de Menezes foram construídos com sacrifícios e decepções que a maioria dos destacados militantes do Movimento Espírita nem ousaria pedir como prova. De fato, a vida de Bezerra foi, sem exagero, de completa renúncia, longe do egoísmo e da busca de notoriedade que tanto cultivamos e buscamos em nossas medíocres experiências, na vida comum e no ideal espírita. Bezerra não fez parte do corpo de trabalhadores espíritas da primeira hora, mas, pela própria natureza do seu caráter, se impôs, sem o querer, como o líder natural de todos os nomes que aparecem na lista dos históricos fundadores do Movimento Espírita Brasileiro. O Bezerra encarnado, militante espírita, político, ser humano sujeito aos altos e baixos da rotina cotidiana, é bem diferente desse Bezerra Espírito, cuja imagem mística foi sendo construída ao longo dos anos e que tendeu para uma espécie de santificação, dado o grande interesse do público religioso pelas suas atividades curativas. Muitos se chocam ao saber das suas preferências doutrinárias, das suas batalhas políticas contra os adversários ideológicos, achando que, pelo fato de ter sido um cristão exemplar, era ingênuo, imaturo e se deixava levar pela leviandade de querer agradar a todos. Todos os membros do Grupo Confúcius, sem exceção, viam em Bezerra uma autoridade espontânea para conduzi-los na busca de seus objetivos. Isso significa que viam nela a difícil habilidade de gerir conflitos. Eram elementos ligados à Medicina Homeopática e conheciam a história do médico que abandonara a estabilidade da vida militar, para dedicar-se aos riscos da política; conheciam também a sua fama de médico cristão e profundamente caridoso. Mas seu prestígio parlamentar e sua notoriedade moral não eram meros acessórios sociais e sim ferramentas para remover obstáculos que exigiam muita paciência e obstinação. Foi desse grupo, que durou apenas três anos, que surgiram as primeiras traduções brasileiras das obras de Allan Kardec.


Bezerra era orientado, pessoalmente, pelo Espírito Santo Agostinho, o propositor da idéia do compromisso e da técnica de reforma íntima, contida nas questões 918 e 919 de O Livro dos Espíritos. No auge do cisma, para convencer Bezerra a dirigir a Federação Espírita Brasileira, naquele momento um autêntico “presente de grego”, Bittencourt Sampaio sugeria-lhe a prática da homeopatia para viver dignamente e doar-se sem preocupações ao novo trabalho. Bezerra respondeu que não entedia “patavinas” de homeopatia e que usava a medicina dos Espíritos e não as dos médicos. O médium Frederico Júnior também estava presente e, através dele, manifestou-se Santo Agostinho, confirmando as palavras de Sampaio e querendo dizer que Bezerra fazia muito mais do que os homeopatas. Bezerra reagiu, educadamente, perguntando a Agostinho se lhe sugeriam ganhar dinheiro com o Espiritismo. O Espírito respondeu certamente que não, mas que o ajudaria a ganhar a vida dignamente e que, nas horas mais difíceis, lhe traria “alunos de matemática”. Bezerra entendeu o recado lembrando que, certa vez, num momento de dificuldade financeira, quando ainda era aluno da faculdade, apareceu alguém pedindo-lhe aulas particulares de matemática; o cliente pagou adiantado e nunca mais voltara para tomar uma única lição. O Espírito Agostinho insistiu para que Bezerra aceitasse o convite de Sampaio, lembrando que a união dos Espíritas dependia da sua boa vontade de homem e que eles, os Espíritos, dependiam dela para realizar o trabalho deles. O convite foi aceito e daí em diante o movimento espírita, como todos sabemos, não foi mais o mesmo. Bezerra deu a ele um novo tom, uma nova afinação com o seu diapasão inconfundível. Além da natural presença de espírito, marca pessoal de sensibilidade, Bezerra trazia uma enorme bagagem política, fator que facilmente poderia denegrir a imagem do Espiritismo, mas que em suas mãos significou um habilidoso instrumento de negociações num grave e delicado momento da efetivação da Doutrina em nosso país. Para os espíritas e adversários do Espiritismo Bezerra possuía todas as virtudes que engrandeciam ou os defeitos que diminuíam a importância da mesma. Mas para a opinião pública, tradicional expectadora de exemplos, ele continuava sendo inatacável, pois o seu perfil humanista estava acima de qualquer opinião doutrinária. Quando do seu desencarne, também a maioria dos jornais fluminenses noticiou o fato e nenhum deles deu publicidade de sua crença ou filiação filosófica, mas sim ao caráter e a imagem que os habitantes da cidade do Rio Janeiro tinham da sua pessoa:

“Sucumbiu ontem, às 11h30, após longos e dolorosos padecimentos, que foram a última prova imposta à sua resignação verdadeiramente cristã, o eminente brasileiro cujo nome, encimando estas linhas, como homenagem póstuma às virtudes da sua vida, por tantos anos fulgurou nos anais da política do império e hoje, apenas vive na tradição dos que o amaram, ou da inexaurível fonte da sua bondade receberam inesquecíveis benefícios. Foi esta a característica essencial do venerado extinto. Político militante, filiado à mais adiantada parcialidade do antigo Partido Liberal, deputado, vereador da extinta Câmara deste município, a cujos destinos por longos anos presidiu; escritor – que o era com raro merecimento e brilho – em todas essas manifestações da sua atividade, deu sempre o Dr. Bezerra de Menezes as mais brilhantes provas de sua capacidade, do seu valor moral e intelectual; mas foi sobretudo no abnegado sacerdócio da sua clínica e na doce penumbra da sua vida íntima que mais refulgiram os peregrinos dotes de seu espírito, multiplicando-se em desvelos, em solicitude, em carinhoso desinteresse por todos os que sofriam. E jamais bateu um desses, enfermo ou necessitado, inutilmente á sua porta.Tempo houve em que, fascinado pelo desejo de servir á sua pátria, em cargos públicos, exclusivamente de confiança popular, como acabamos de aludir, substituiu o exercício da Medicina pela tribuna parlamentar ou pelos onerosos encargos de chefe da Municipalidade, em que se conservou perto de vinte anos (...) Passou através das grandezas deste mundo e do fastigio do poder sem lhes sentir a vertigem, sobranceiro, indiferente, alheio a ambições, tendo pelas seduções da fortuna um desprezo que tanto contrasta com o culto hoje incondicionalmente rendido a essa mesquinha preocupação, cujo cultivo, em certas camadas da sociedade contemporânea, tanto rebaixa o espírito da nossa nacionalidade.É realmente edificante, no meio das ambições que na hora presente se disputam entre nós a posse das melhores posições, para a ostentação de inesperadas opulências, opor exemplo desse grande cidadão, que não é mera figura – encaneceu no serviço da Pátria e da Humanidade e, tendo entrado para a vida pública com fortuna, dela se retirou pobre, depois de haver exercido, gratuitamente por um largo período, o cargo de vereador, que não era então remunerado, em ter tido em suas mãos, como seu presidente, as chaves da Municipalidade, de que não se utilizou, senão para assegurar-lhe as condições de prosperidade, de que rezam as tradições desse tempo (...) Assim, de fato, viveu esse grande homem, misto de interesse, de abnegação, de fé e de grande moral, e que, de sessenta e oito anos, voltados à atividade constante do trabalho, extremo de ambições vulgares, sai da vida, deste charco, que o não conspurcou, cercado de uma auréola de virtude e através de uma glorificadora apoteose de bênçãos e lágrimas (...) A sociedade brasileira, particularmente a sociedade fluminense, contraiu com o venerando morto uma dívida que, revertendo em benefícios de sua família, honrará a memória daquele que tantos serviços lhe prestou. Resta que a pague, provando assim que a ingratidão não é a única moeda com que o povo costuma retribuir sacerdócios dos que serviram à Pátria e à Humanidade (...)” – O Paiz, 12 de abril de 1900.



NOVA HISTÓRIA DO ESPIRITISMO - Dos Precursores de Allan Kardec a Chico Xavier